Conexão Seattle
28 Mudança de estratégia
Notas iniciais
–Espera. -Ela pediu com dificuldade.
–Hm...
Ele continuava a percorrer um caminho de beijos pelo pescoço da garota, sem perceber que agora ela realmente hesitava. Ele não iria parar, nem ela de fato queria que parasse, mas era preciso. Ela reuniu forças, e o conteve segurando firme em seus ombros.
–O que foi? –Ele perguntou sorrindo.
–Não está esquecendo de nada?
Ele pensou um tempo e depois soltou um ruído de insatisfação, erguendo-se. Que tipo de garoto ia pra uma casa vazia com uma garota e não levava preservativo algum? Um que não pretendia demorar. Mas ao que parecia a chuva resolvera estragar os seus planos, ou pelo menos lhe dar uma ajuda, e ele por incompetência não estava sabendo aproveitar.
–Me desculpe, eu... Nunca imaginei.
–Tudo bem. Não acha que é melhor voltarmos?
–Mas a chuva...
–Dirige com atenção. Sua mãe vai fazer um escândalo se você dormir aqui.
–É pode ser. –Ele sentou pondo um travesseiro sob o colo. –Mas ainda assim só vamos chegar a noite.
–Tudo bem. Nesse caso, eu vou te esperar lá fora, ta bem?
–Certo. –Ele sorriu sem jeito. –Eu não demoro.
–Só mais uma coisa. –Ela disse puxando o travesseiro das mãos dele.
Mesmo de calça, sua excitação era visível. Um pouco hesitante, ela sentou sobre o colo dele envolvendo-lhe os quadris com as pernas e o beijou. Sentiu as mãos dele deslizarem das cochas a sua cintura, e começou a se movimentar lentamente. Ele gemeu, e sentou apertando-a contra si voltando a ser dominado pelo desejo. Ela sentia a respiração acelerada dele contra o pescoço sempre que ele lhe beijava ali e isso a levava a um estado de êxtase inexplicável. Quando os lábios de ambos voltaram a se encontrar, ele a girou na cama, ficando por cima, novamente mas ela o deteve pondo as mãos sob o peito dele.
–Sam, isso é maldade!
– Acho que já brincamos demais. Deixa eu sair daqui.
–Então me diz quando podemos continuar. –Sussurrou.
–Eu não sei. –Ela evitava olhar os lábios dele. –Agora precisamos ir.
–Tudo bem, se é o que você quer...
Freddie se ergueu um pouco sem deixar de fita-la. Sam observou aqueles braços fortes e nus prendendo-a na cama e teve absoluta certeza de que não era sair dali o que ela queria. Ela fechou os olhos buscando forças para se levantar sem olhar mais uma vez aqueles braços ou aquele abdômen perfeito. Ela abriu os olhos buscando o teto, mas ali estavam aquele par de olhos castanhos fitando-a enquanto os dedos dele acariciavam sua barriga de leve quase suspendendo a blusa que ela usava. Por que ele não facilitava? Sam já não sabia se possuía forças para resistir e fazer o que poderia ser a maior loucura da sua vida. Quando ele aproximava os lábios dos dela novamente, ela tomou sua decisão.
Ela já havia adormecido, quando, às nove da noite finalmente chegaram. Freddie não achava prudente que fossem vistos juntos nas imediações da casa de Sam, mas não pretendia deixa-la andando sozinha a noite. Parou próximo a um ponto de táxi e se voltou para a garota. Não cansava de admirar aquele rosto, mesmo quando ela estava brava. Os dedos dele foram, lentamente, ao encontro da face alva acariciando-a, fazendo ela despertar.
–Chegamos? –Disse abrindo os olhos.
–Sim.
Ela espreguiçou-se e ajeitou os cabelos enquanto observava a rua. A chuva havia passado, mas pelas nuvens, era possível afirmar que ela voltaria a qualquer instante. Ela voltou-se novamente ao garoto e sorriu ao ver o modo como ele a encarava.
–O que foi ?
–Nada. –Respondeu sem jeito desviando o olhar. –Olha muito obrigado por hoje. Por ter ido até lá comigo.
–Não foi nada de mais.
–Foi sim. Sabe que você me surpreendeu?
–Por que?
–Foi mais responsável do que eu.
–Ah... É verdade. –Ela desviou o olhar para a janela. –Mas acho melhor eu ir...
–Por que sempre fica com pressa em se livrar de mim?
–Não é isso, é que ainda vai chover... –Respondeu sorrindo.
–Eu sei. –Ele retribuiu o sorriso. –Mas se despede direito...
Sam revirou os olhos e se aproximou. Encostou os lábios nos dele, e se afastou ignorando o visível aborrecimento dele que provavelmente esperava por mais. Desceu do carro e correu até o ponto de taxi entrando rapidamente em um que se encontrava livre. Freddie esperou que o taxi dela partisse e também se foi. Quando entrava em casa, recebeu uma mensagem dela dizendo que havia chegado. Só então viu todas as ligações perdidas que haviam no celular.
Freddie foi ao apartamento de Carly no Domingo pela manhã gravar o web show e estranhou ao encontra-la de pijama, às dez horas no sótão. Os cabelos estavam penteados, mas ela não parecia disposta a ir alem disso. Assistia um filme antigo que ele não identificou, pois ela desligou assim que ele se aproximou. Ela o olhou de uma maneira estranha e se levantou pondo o note de lado.
–Como foi a viagem ontem?
–Foi ótima! Foi uma pena você não ter ido. –Não foi não, pensou. –Mas como foi o seu sábado?
–Péssimo. Uma verdadeira droga. Mas vocês descobriram alguma coisa?
–Sim, houve um desfalque, mas não da pra saber se foi o meu tio.
–Ah..
– Já viu meu carro novo? –Perguntou descontraidamente.
–Não, que legal. –Ela sorriu animada. –Podemos dar uma volta?
–Não. Acho que a Sam bateu um pouco forte no painel e eu deixei na oficina, mas não é nada demais mais tarde eu vou pegar.
–Achei que os homens fossem mais ciumentos com os carros.
–Claro que fiquei bravo, mas antes o caro do que eu!
Carly observou ele soltar uma gargalhada enquanto se aproximava do equipamento. De repente foi tomada de um sentimento confuso. Freddie era capaz de tudo por Sam e Griffin nada fazia para que pudesse ficar juntos. O que uma garota como Sam podia ter de melhor do que ela? Usava roupas horríveis, mal se equilibrava sobre um salto e tinha modos de um caminhoneiro. Definitivamente não era Sam, era Freddie. Lembrou-se de todas as vezes que ele se insinuara e ela rejeitara. Agora ele estava mais alto, forte e tinha um sorriso adorável. Ela o observou ligar o monitor e perguntou:
–O que esta fazendo?
–Um papel de parede, quer ver?
Carly sorriu e se aproximou. Havia uma poção de fotos de Sam misturadas com flores e paisagens bonitas ali. Ela fez um esforço para manter o sorriso e se afastou quando ouviu o elevador se abrindo. Viu Sam entrar com um blusão vermelho e uma calça preta, e sentiu certo rancor. Ela tinha um sanduiche enorme numa das mãos e um copo de suco na outra. Deus, como não explode? Carly lembrou que não havia tomado café.
–Eu vou tomar café. –Disse. –Vão querer?
–Agora eu já comi. –Respondeu Sam. –Que pena, deixa pra próxima.
–Eu estou sem fome. –Freddie tinha os olhos na recém chegada. –Obrigada.
–Nesse caso, eu volto depois pra gente gravar.
Nenhum dos dois a ouvia. Sam se concentrava no lanche e Freddie em Sam. Ela revirou os olhos e desceu. Sempre achara Freddie covarde por que ele tinha medo de Sam. Ele não só domara a fera, como enfrentava de tudo pra ficar com ela. E tinha de admitir, a garota que ela considerava burra foi mais inteligente que ela, enxergando o que ela não viu. Carly percebeu que não podia deixar que sua inveja se pusesse entre aqueles dois, que alem de apaixonados, eram seus amigos.
Na segunda-feira, Freddie entrou na escola atrasado, perdera tempo em mais uma discussão mal sucedida com a mãe, e recusara a carona da mulher. Pegara um táxi, mas ainda assim chegou atrasado. O pátio e os corredores já estavam vazios, sinal de que faltava pouco para o sinal tocar. Quando se aproximava da sala, esbarrou em um corpo e teve ímpetos de arremessa-lo para longe. Tentou se desviar, não conseguiu. Irritado, olhou para o rosto daquele garoto e percebeu que perderia a aula.
–O que é?
–Nervosinho, não é Benson?
–Jonah eu estou atrasado pode me dar licença?
–Não. Há muito que queria conversar com você!
–Não pode ser depois?
–Diga, Benson. O que quer com a Sam? Se vingar? Pelo que ela te fez?
–Não. –Respondeu secamente.
–Não mesmo? Por que não é mais sincero comigo? Não espera que eu acredite que gosta de uma menina que já te causou mais problemas do que se possa lembrar não é?
–Sinceramente? Não espero que você acredite em nada.
–Claro. –O garoto riu. –Último ano, último semestre, a hora de dar o troco não é? Cuidado, Benson...
–Acabou?
–Sim. Obrigado pela atenção.
Jonah abriu o caminho e deixou o garoto passar. A poucos metros da sala, Freddie estacou. Olhou para trás e mirando o garoto que permanecia ali, parado avaliando-o atentamente, disse:
–Não é o único que pensa que estou brincando com a Sam. Acha mesmo que a Sam não consegue despertar nada alem de ódio?
–Não foi isso que...
–Ou que eu sou tão estúpido ao ponto de me prender a brincadeiras infantis, quando posso ter a garota mais incrível que existe?
Jonah abriu e fechou a boca várias vezes sem encontrar uma resposta pronta pela primeira vez na vida. Freddie se afastava triunfante quando o sinal tocou. Perdera aula. Levou às mãos a cabeça e olhou Jonah de relance calculando a intensidade de um soco. Ele ainda parecia perplexo observando o desespero do outro garoto.
–Você é um grande idiota, sabia?
–Escuta aqui, veja como fala...
–Você começou graças a você eu perdi a aula.
–Graças a mim? –Jonah riu debochado. –Te deixei ir antes do sinal tocar...
–Olha só... –Freddie esfregava a testa impacientemente. –Não fala isso pra ninguém não, ta bem?
–Não vou falar por que a Sam me pediu discrição em relação a vocês dois. –Disse rispidamente.
–Escuta aqui... Eu não gosto de você nem você de mim. Mas pela Sam, eu estou disposto a manter uma relação minimamente cordial com você. E com qualquer outro integrante da Purple ou amigo dela. Então se parasse de me fazer perder aulas e de me insultar já seria um bom começo.
Jonah tentou não se surpreender com mais nado que aquele garoto dissesse, por que provavelmente ele estava apenas simulando. Mas o jeito como ele falava era extremamente surpreendente, ninguém podia fingir tão bem assim. Ali estava Fredward Benson em pessoa, levantando bandeira branca. Como dizer que esperava por isso? Sem encontrar palavras, Jonah se retirou em silencio assentindo ao que Freddie havia dito.
Com uma calça justa e usando botas de cano alto, Shelby retocava a maquiagem no banheiro. Não suportava mais frequentar aquela escola e não havia momento que se sentisse melhor do que aquele, quando as aulas chegavam ao fim. Quando acabou de se maquiar, soltou os cabelos, deixando a recente mecha roxa resvalando por sobre os ombros. Perfeito! Guardou a maquiagem no estojo e voltou a se olhar. Assustou-se ao ver através do espelho uma garota ruiva, encostada à parede sorrindo de forma anormalmente simpática.
–Bom dia. –Disse Missy aproximando-se
–Nem tão bom assim.
–Ora, isso tudo é raiva por ter sido chutada?
–Não fui chutada. Dei o chute. E é melhor que saia daqui se não quiser ser a próxima!
–Calma garota. Eu só vim te dizer uma coisa. Do seu interesse.
–Não quero saber.
–Seu querido namorado, ou ex, sei la não esta de ingênuo nessa história toda.
–Como é que é?
– Ele sabe de toda a sua armação pra se vingar dele e agora ta afim de dar o troco. Ele ta com muita raiva.
–Como ele ficou sabendo? –Perguntou com a voz falha.
–Não sei. Ele veio me pedir ajuda pra se vingar de você e da Sam, mas eu recusei. Ai ele ficou com raiva de mim e me disse coisas horríveis! Ele ta com raiva da Puckett, por que acha que ela sabia de tudo... Um louco, não é? Eu não deixava barato!
–Eu não vou deixar. –Disse distraidamente. –Sabe como ele descobriu isso?
–Não faço ideia! Vai ver foi a prórpria Sam...
Shelby saiu do banheiro atordoada com aquelas palavras. Sam bem poderia ter dito a verdade, numa tentativa de reconcilia-los. Mas não havia como confiar em Missy, precisava tirar toda àquela história a limpo com as pessoas certas.
Quando saiu do banheiro, Shelby viu Sam, há alguns metros, sentada no pátio, conversando com Jonah e Griffin. Estranhou. Ultimamente os meninos estavam diferentes com ela, tratavam-na como se ela tivesse perdido o juízo. Então ela se afastava, preferindo ficar na dela, a fim de evitar discussões. Agora conversavam descontraidamente. Shelby se aproximou e disse aos dois garotos.
–Saiam.
–Oi pra você também. –Respondeu Griffin levantando.
–Vem, vamos procurar o Brad. –Disse Jonah sorrindo. –Ele tem problemas a resolver aqui.
Shelby o fuzilou com o olhar e os observou se afastarem.
–O que aconteceu? –Perguntou Sam.
–Sam, precisamos conversar. –Respondeu sentando.
Após relatar o acontecido, Sam estava completamente chocada. Então a insistência de Brad em sabotar a feira de se mostrar próximo se devia a intriga daquela garota. Tudo para afasta-la de Freddie! Não podia acreditar. Vendo a verdade estampada no rosto de Sam, Shelby não precisou perguntar. Ela não dissera coisa alguma a Brad.
–Sam, se quiser, eu acabo com a raça daquela garota agora mesmo!
–Não! Depois eu cuido da Missy. Agora ela já deve ter ido... Quanto a você, vai conversar com o Brad, ta bem? Conversar.
–Eu vou sim. –Disse num tom exausto. –E seja o que Deus quiser.
Sam procurou Missy por toda a escola sem sucesso. Ela provavelmente saíra assim que deixara Shelby. Exasperada, Sam foi embora sozinha destinada a falar com ela no dia seguinte. Ao chegar ao ponto de ônibus descobriu que não precisaria esperar. A garota estava dentro de uma lanchonete em frente ao ponto conversando com alguém. Adiantou-se até o local e sentou-se à mesa em que a ruiva estava com um garoto. Os dois ficaram perplexos fitando-a enquanto ela comia algumas batas-fritas.
–Como vão? –Perguntou Sam sorrindo. –Você não era namorado da Wendy?
–O que quer, Sam estamos ocupados! –Interveio Missy.
–Quero falar com você. Sobre o Brad.
–Quem é Brad? –Perguntou Tomi.
–É um amigo nosso, relaxa cidadão. Pode nos dar licença?
–Claro.
Ele levantou e Sam teve a impressão de que ele piscou para ela. Sentiu ímpetos de soca-lo com força, mas conteve-se. Missy parecia amedrontada pra variar, mas procurava não demonstrar. Era algo que Sam admirava nela.
–Por que inventou essa mentira com meu nome?
–Que mentira?
–Que eu contei ao Brad sobre o plano da Shelby.
–Por que... Por que... Ora, eu queria me vingar de você. E quer saber, ainda que me bata, eu fiz e esta feito.
–Eu não vou te bater, quer dizer, depende de você. –Ela se ajeitou na cadeira. –Missy eu estou aqui pra entender. Por que age assim?
–Do que esta falando?
–Essa sua obcessão pelo Freddie...
–Eu já deixei o Freddie de lado. –Disse dando de ombros. –Se ele quer ficar com você é problema dele, sei que vai se arrepender.
–Não vai não. –Disse tranquilamente. –Mas vamos lá, me diga. Por que se comporta desse jeito? É isso ou te bato quando sairmos daqui. Um preço justo, não é?
–Justo. Não sei o que você entende por justo, mas digo uma coisa, a vida não é. –Ela tomou um gole de refrigerante e continuou. –Conhece a minha irmã? Não, claro. Se chama Katy e tem vinte e dois anos. Mora em Paris. A queridinha da família. Eu sempre fico em segundo plano. Quando não é a Katy, é a Carly. –Ela deu um longo suspiro. –Meu pai quer muito a Play&Back, sabe? Queria ajuda-lo a convencer o Freddie a vender. Mas ele era obcecado pela Carly e agora por você
–Ele não é obcecado por mim. Por que seu pai quer tanto essa loja? É um lugar pavoroso...
–Ele quer aumentar os negócios dele, Sam você não entende é óbvio... O Freddie também sairia ganhando...
– É, eu não entendo. Mas uma hora o Freddie vai acabar vendendo, eu acho... –Disse dando de ombros. –É uma lembrança muito triste.
–Só que ai eu não levo crédito. Satisfeita?
–Sim. –Sam levantou com um sorriso ameaçador. –Agora procura ficar longe de mim, ok? Pro seu próprio bem.
–São todos farinha do mesmo saco. –Sussurrou a ruiva.
–Como?
–Nada não. –Missy sorriu simpática. –Até mais.
Sam acenou brevemente e se retirou da lanchonete. A advertência de Sam fez Missy lembrar da ameaça de Brad, e de repente foi como se ela sentisse os dedos dele comprimindo a sua garganta. Seus olhos lacrimejaram e ela se levantou deixando a lanchonete, ignorando os chamados de Tomi. Não importava o que Sam pudesse fazer Brad ainda iria pagar por aquilo, muito mais do que ele imaginava.
Brad não acreditou no que os seus olhos viam quando entrou no seu quarto. Shelby estava sentada em sua cama, aguardando-o pacientemente a sua chegada. Ele tentou disfarçar a emoção, mostrando-se apenas surpreso, e fingindo-se de aborrecido.
–Sua mãe me deixou entrar.
–O que quer? –Disse indiferentemente.
–Dizer que você é a pessoa mais estúpida que eu conheço. –Disse calmamente. –Só isso.
–Obrigado. –Respondeu no mesmo tom tranquilo. –Já pode ir agora.
–Não. Sabe quem me procurou hoje? A Missy. Me dizendo que você já sabia de tudo.
–Não me abalei nem um pouco se é o que quer saber.
–Como pode acreditar naquela menina? Ela é falsa, insuportável, manipuladora... Não esta nem ai pra gente, o problema dela é com a Sam!
–O que quer dizer?
–A Missy me disse que foi a Sam que te contou tudo. Não é verdade, não é?
–Não! Foi ela mesma! Queria minha ajuda, disse que vocês armaram...
–A Sam não sabia de nada! -Disse elevando a voz. –Quer dizer, há alguns dias é que eu contei. A Missy queria um idiota pra infernizar a Sam, e encontrou. Mas eu vou te dizer uma coisa. Se por causa dessa história, você voltar a tentar prejudicar a Sam, eu mato você, fui clara?
–Eu, eu...
–Se não tivesse feito alguma coisa que a deixou irritada ao ponto de te entregar, certamente não descansaria até conseguir ficar com a Sam não é?
–Não, eu...
–Não ia conseguir. Alem de não ter conseguido antes, por incompetência agora tem o Benson. Eles estão completamente apaixonados um pelo outro, e...
–JÁ CHEGA! Que direito tem de vir aqui me dizer o que quer que seja depois de tudo o que você fez? Você me manipulou, mentiu da forma mais cruel que pode tudo pra se vingar! Ainda se acha no direito de...
–Não me acho no direito de nada, em que momento dei a entender isso? Mas não admito que tente prejudicar a Sam por que foi burro o suficiente aponto de acreditar naquela garota estúpida!
–O que eu poderia pensar, vocês são amigas!
–Que droga, ela é sua amiga também! –Gritou avançando. –Pelo amor de Deus, como consegue fazer cálculos de cinco páginas e ainda assim ser tão burro?
–Eu estava com raiva...
Descontrolada, Shelby deu um forte tapa no rosto de Brad fazendo o garoto se desequilibrar. O arrependimento veio na mesma hora. Ele levou a mão ao rosto que já ficava vermelho, olhando aturdido para aquela menina magra com força similar à sua. Duas lágrimas cariam dos olhos escuros da garota, e ao se dar conta disso, ela saiu do quarto correndo, completamente aturdida.
Houve três batidas na porta. Ela baixou a temperatura do fogo, retirou o avental e correu até a porta da sala. Uma das meninas devia ter se esquecido da chave, pensou. Ao abrir a porta, veio a surpresa. Reconheceu a mulher no mesmo instante. A frieza no olhar, o sorriso falso e o corte de cabelo fora de moda.
–Podemos conversar? –Perguntou a visitante.
–A Sam não está.
–Sei disso. Vim falar com a senhora.
–Diga. –Disse rispidamente.
–Acho melhor entrarmos.
Pam revirou os olhos e abriu espaço para que a mulher passasse para dentro. Fechou a porta e se voltou ignorando os olhares enojados que a outra lançava a cada canto da casa.Sarcasticamente, a loira disse:
–Sente-se.
–Não obrigada. O que tenho a dizer é rápido.
–Tanto que sugeriu que entrássemos.
–Há mais alguém aqui?
–O Spike. –Ela apontou para um cãozinho que as observava do outro lado da sala.
–Acho que não tem problema falarmos na frente dele. Senhora Puckett...
–Hunter.
–Ah, me desculpe não sabia que era solteira. Deve saber quem eu sou.
–A viúva Benson.
–A mãe do Freddie. Que parece ter se... Encantado pela sua filha.
–E?
–Vou ser sincera, isso não me agrada. Eles são completamente diferentes e eu prevejo muito sofrimento mais a frente. Como mães, temos de intervir.
–Hm. –Pam fez um gesto com a mão para que ela continuasse, fingindo-se interessada.
–Vejo que vivem em condições... Humildes. –Ela abriu a bolsa lentamente. –Tenho uma casa, num vilarejo no Kansas. Não vou mais lá, eu adoraria presentea-las. Claro, vão precisar de dinheiro para uma mudança rápida, mas não será problema. –Ela tirou da bolsa um talão de cheques e uma caneta. –Só me dizer quanto acha que vai precisar.
–Precisar pra que minha senhora?
–Pra sumir com sua filha daqui. –Respondeu abandonando o tom simpático. –Quero ela longe do meu filho estou disposta a pagar o que for preciso.
– O que a senhora pensa que sou? –Perguntou tentando manter a calma.
–Vamos logo com isso senhora Henter, todo mundo tem seu preço.
–É Hunter, e saiba que me agrada tanto quanto a você esse relacionamento. Mas daí a vir na minha casa, me oferecer dinheiro... Tira você o seu filho da cidade, eu não estou à venda!
–O Freddie tem uma carreira promissora nessa cidade. Por favor, seja racional não tem como isso dar certo.
–Eu sei mais não estou interessada. Por favor, enfie seu dinheiro no...
–Não seja grosseira, só estou querendo ajudar. –Disse escandalizada. –Faria muito bem a vocês saírem desta pocilga!
–SAIA DAQUI AGORA MESMO SE NÃO QUISER QUE EU A MATE!
–É claro, com muito prazer. Mas que fique bem claro uma coisa. Se a sua filha tentar ser mais esperta e engravidar, faço um teste e dando caso dÊ positivo, nem pensem que vão se aproveitar! Sou bastante influente para fazer com que nunca cheguem perto de um filho do meu Freddie. Espero ter sido suficientemente clara.
–Não ofenda a minha filha o que insinua que ela seja? –Havia muita calma na voz da mulher. –E desde quando é sinônimo de esperteza tentar entrar numa família como a sua?
–Eu já disse o que queria. Se mudar de ideia, me ligue. –A mulher jogou um cartão no sofá e tentou sair.
–Mas eu não disse o que queria. –Disse Pam pondo-se na frente dela.
Pam certou um sopapo na face da outra mulher fazendo-a cair no lugar onde ela jogara o cartão.
–Você é louca! –Gritou a outra.
–Não. Apenas sou mãe. Tanto quanto você e nem por isso fui a sua casa insultar a você ou a o seu filho. Agora escute aqui. A Sam não vai engravidar por que eu não a criei pra isso. Você deveria estar feliz pelo seu filho namorar uma garota como ela, mas não me admira que não esteja. Só se preocupa com dinheiro.
–Sua filha é uma garota agressiva, vulgar, baixa a falta de dinheiro dela desaparece perto de todos os motivos que tenho para odia-la!
Os pensamentos de Shelby vagueavam conforme ela ia caminhando e direção a casa. Teria perdido Brad pra sempre? Ela viu dois homens correrem passando a sua frente. E mais outro. Quando percebeu, estava a poucos metros de casa, onde algumas pessoas se aglomeravam. Dois homens tentavam arrombar as grades, enquanto gritos eram ouvidos de dentro da casa. Spike latia freneticamente, e ela deduziu que se tratava de um assalto.
Correu em direção a casa, atrapalhando-se um pouco com as chaves e logo abriu o portão. Os dois homens entraram, e arrombaram a porta, correndo até as duas mulheres que lutavam no chão, se sopapeando, se arranhando e se socando. Era uma cena medonha. Foram necessários três homens para conseguir separa-las, e ainda assim tiveram de segurá-las até que se acalmassem. Quando finalmente parou se debater, Marissa gritou para que o homem a soltasse e quando, se viu livre, pegou a bolsa e saiu da casa.
Aos poucos, os vizinhos foram se retirando de dentro de casa, deixando Shelby e Pam a sós. Shelby não soube dizer qual das duas estava num estado pior. Enquanto fazia curativos na mãe de Sam, Shelby perguntou o que havia acontecido. A mulher continuou calada, e depois de algum tempo, fitou o nada dizendo:
–Eu quero a Sam bem longe do filho dessa mulher.
Shelby pensou em dizer que não era como ela ou Marissa queria, mas conteve-se. Limitou-se a terminar de limpar os arranhões e passar remédios nos cortes.
Sam estava dentro do quarto de Freddie, conversando sobre o que tinham juntado até então em meio as investigações. Depois da conversa com Missy, ela resolveu procura-lo, mas já começava a se arrepender, ao ver como ele ficara preocupado. Os dois estavam sentados na cama, curvados sob um monte de papeis observando todas as anotações que não levava ninguém a lugar nenhum. Nada se encaixava e eles já começavam a desanimar.
–Temos que mudar de estratégia. –Disse ele.
Sam o fitou interrogativamente.
–Estamos procurando de cima pra baixo. Vamos mudar isso.
–Como assim?
–Temos que encontrar o Peter.
–Como, Freddie? É impossíevel.
–O Crawelt.
–Desiste. Ele não vai falar, muito menos pra você.
–Eu sei. Mas talvez nos dê alguma pista. Levando em conta tudo o que já sabemos, não custa tentar. Acha que pode ser perigoso?
–Sinceramente? Nem um pouco.
–Por que confia tanto nele?
–Não confio. Mas ele não precisa saber o real motivo da nossa visita. Deixa ele pensar que você é só um garoto revoltado que cresceu.
–Minha visita. Dessa vez nem adianta bater o pé. Então acha que eu posso estar certo?
–Hm... –Ela girou os olhos nas órbitas. – Por incrivel que pareça, sim. Vamos pensar nisso depois. –Ela levantou alarmada. -Minha nossa, já são cinco horas!
–Eu vou tirar aquele relógio da parede! –Disse ajoelhando-se na cama puxando-a pra si.
–Freddie, não começa, eu avisei que não podia demorar. Daqui a pouco sua mãe chega...
–Acho que não. Ela disse que hoje só voltaria às dez.
Antes que ela pudesse protestar, Freddie a beijou introduzindo a língua na boca dela. Ele a apertou contra o próprio corpo, enquanto sentia as mãos dela afagarem seus cabelos com ânsia. Aos poucos começou a sentir outra coisa tambem. Ele retirou o celular do bolso e desligou, jogando-o em cima da cômoda. Quando descia os beijos ao pescoço dela, foi a vez do telefone tocar. Freddie soltou um urro de insatisfação e levantou para atender.
–Alô. –Um silencio seguiu enquanto sua expressão passava de aborrecida para preocupada. –Ah, tudo bem eu estou indo.
Ele desligou e começou a falar enquanto colocava o casaco, e arrumava os cabelos.
–Minha mãe se machucou numa briga. Esta no hospital. Eu tenho que ir pra lá.
–Meu Deus! –Sam levou as mãos aos lábios.
–Acho que não foi grave, ela mesma me ligou. Só quer que eu fique lá por que está abalada.
–Freddie, eu iria com você, mas talvez me ver deixa ela ainda mais nervosa. Me liga pra me dizer como ela esta?
–Tudo bem.
Os dois desceram juntos e se despediram na porta do prédio. Freddie deu um beijo rápido sobre os lábios dela e correu até a rua estendendo a mão para um táxi. Sam se perguntou se havia socado o carro dele com tanta força a ponto de ainda estar na oficina.
Quando o taxi dobrou a esquina, ela saiu do prédio e foi andando pela rua desejando que Marissa estivesse bem. Freddie aparentava estar calmo, mas era impossível não se alarmar com uma coisa daquelas, ela mesma ficara chocada. Ao tentar atravessar a rua, sentiu uma mão tocar-lhe o ombro e virou-se sobressaltada.
–Assustada, Sam?
–Ah, um pouco. Como vai, senhora Peterson?
–Bem e você?
–Muito bem.
–Teria um tempo para uma conversa comigo?
–Claro. Agora?
–Se você não se importar... Podemos ir até a minha casa, já que já estamos perto.
–Tudo bem.
Sam achava Olivia agradável, e mesmo estando com pressa, não queria fazer desfeita a ela. Assentiu e voltou ao Bushwell acompanhando a mulher que pelos trajes voltava do trabalho. Sam sabia que Griffin havia ido ao encontro, e devia ter avisado que dito a ela alguma coisa que a fizesse saber que não o encontraria quando voltasse. O que quer que ela quisesse falar com Sam, era um assunto particular, e sério. Sam sentiu um arrepio percorrer o seu corpo quando ela regressou, com um envelope nas fazendo um gesto para que Sam se sentasse.
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