Conexão Seattle
40 Fim do Conexão Seattle
Notas iniciais
“O garoto de cabelos castanhos caminhava tranquilamente pelos corredores da escola quando a avistou do alto da escada. A pior e mais assustadora pessoa que ele conhecia na face da terra.”
Dois disparos foram ouvidos praticamente ao mesmo tempo, indicando que, antes ou depois de ser baleado por Arthur Benson, Davis conseguira atirar contra alguém que agora se encontrava caído do outro lado do jardim. Ouviu-se um grito desesperado de Marissa, não mais forte que o de Olívia, que ao ver Davis caído, finalmente reagiu àquela situação, escandalizando ainda mais o marido e o filho.
Não fora fácil para Grffin assimilar o que estava acontecendo, de uma hora pra outra sua vida se encontrava de cabeça para baixo e não restava ao garoto outra opção a não ser sair da cidade. O pai dele fora chamado para depor na mesma noite do jantar, pois a polícia achava difícil que ele não soubesse do envolvimento da esposa numa quadrilha estando casado com ela a tanto tempo. Mas tanto ele quanto o filho desconheciam por completo aquela história.
Então Paul Peterson, cujo sobrenome era ironicamente igual ao nome do assassino de Frederik Benson, tratou de providenciar a ida do filho para a Roma, cidade onde sua mãe, avó do garoto vivia. Assim ao menos ele poderia ter um pouco de paz naqueles que certamente seriam os piores dias, talvez meses de suas vidas já que a polícia o proibira de deixara cidade..
A princípio, o menino relutou, mesmo com todo o constrangimento não queria se afastar dos amigos, da ex namorada e muito menos da mãe de quem ele ainda esperava alguma explicação. Mas depois que os telefonemas da imprensa começaram a aparecer, logo no dia seguinte, ele concordou em passar algumas semanas com a avó.
Não só ele, como também Missy cujo pai negava insistentemente qualquer participação no crimes de que era acusado, foi pressionada pela família a deixar cidade, certos de que dali pra frente Seattle poderia ser tudo, menos um lar. Achavam que ela não poderia andar nas ruas, terminar os estudos, manter seus relacionamentos ou muito construir novos, não poderia mais viver ali sem que aquela história monstruosa a assombrasse.
A irmã sugeriu que ela fosse viver em sua casa na França, os avós da garota, paternos e maternos que residiam na Califórnia e no Kansas, a convidaram para ir morar com eles, e até uma tia distante que vivia na Holanda se colocou a disposição para recebê-la em sua casa. Mas Missy se recusou terminantemente a deixar a cidade.
Ela dizia que não se sentia obrigada a fugir ou andar de cabeça baixa por causa dos erros do pai, e continuaria ali deixando bem claro que não tinha nada a ver com que ele fizera, que não precisava fugir e ou se esconder. A família não conseguiu dissuadi-la e ela permaneceu ali acompanhando de perto o desenrolar dos acontecimentos.
Da mesma forma que ela, Sam também fora aconselhada a deixar a cidade por um tempo, ainda que fosse viver com o pai no Canadá. Mas ela também se recusou, só que diferente de Missy ou de qualquer outra pessoa que esteve presente no jantar, ou pior, que fora vitima de uma ação da qual todos falavam, Sam resolveu ir a escola na semana seguinte.
Ela achava que já havia perdido aula demais, e como não queria repetir o ano, decidiu tentar recuperar o que havia perdido, e três dias após o jantar, ela retornou ao Ridgeway. Mas se arrependeu no instante em que pôs os pés na escola.
Acompanhada de Shelby e Jonah, ela passou pelo pátio principal indo em direção as salas e se perguntou se as pessoas que se voltavam a eles já sabiam de tudo o que acontecera. Achou difícil que não soubessem, uma vez que a polícia já havia dado muitos esclarecimentos acerca das prisões e dos depoimentos dos acusados, de modo que já havia bastante informação nos noticiários.
Tudo estava sendo solucionado muito rapidamente, pois através do pequeno mapa feito por Sam, a polícia localizou o esconderijo da quadrilha e teve acesso não apenas aos documentos físicos mas também aqueles mantidos em suporte digital, pois o coronel Shay conseguiu muito facilmente acessar o computador principal já que era um dos poucos conhecedores do complexo sistema de segurança patenteado pelos Benson.
A quadrilha vigiava de perto todo o grupo de amigos a que pertencera Frederick Benson, nenhum passo daquelas pessoas era ignorado, o coronel ficou assustado ao constatar. Desde atitude de Marissa pondo a filha de Helena num orfanato, a adoção dela pelo coronel, e até as investigações que Freddie se pusera a fazer nos últimos meses era sabida pela quadrilha.
Mas a maior parte das informações foram conseguidas através dos depoimentos, pois os documentos mais comprometedores ou haviam sido destruídos ou estavam escondidos em outro lugar, pois ao que parecia, aquela quadrilha procurava preservar os próprios registros. Todos eles relutaram em falar, mas após exaustivos interrogatórios, foram retiradas informações importantes de cada um.
Por fim, a polícia concluiu que após a morte de Helena, a quadrilha se reunira com o propósito de se vingar do suposto culpado (Frederick) por tudo o que acontecera a moça, mas ao descobrir a fortuna que o empresário escondia, decidiram se apropriar dessa.
Entretanto, três fatos se mostraram problemáticos o suficiente aos objetivos do grupo e isso atrasou os planos deles relacionados a Play&Back: O primeiro era ao fato de haverem outros empresários interessados na loja dos Benson, e embora todos desconhecessem as verdadeiras proporções da empresa, dois deles (por terem ajudado Frederik a criar os seus preciosos códigos), poderiam vir a desconfiar se esse interesse persistisse. Então a quadrilha também precisou desestabilizar Roger e McCartney. Não fora a toa que os dois tiveram que usar dos mais desesperados meios para não irem a falência, mas por fim, o sumiço de Wendy encerrou a questão.
Outra complicação encontrada no caminho foram as informações que Ana se pôs a levantar sobre a família de Helena para garantir que ninguém iria atrás da filha dela. Dependendo do que fosse encontrado, isso poderia colocá-la no caminho da quadrilha, e eles então puseram alguém para vigiá-la, mas o homem acabou por se envolver com ela e eles acharam melhor eliminá-lo.
O terceiro e mais desastroso fato acontecera recentemente quando, através da publicação do vídeo de casamento de Frederik e Marissa Benson, o atirador fora reconhecido por um dos antigos comparsas, muito provavelmente o próprio Crawelt mas não havia como ter certeza. Saber o que ele fazia ali se tornou o objetivo de três adolescentes e isso acabou sendo o fim da quadrilha.
Freddie que sempre fora vigiado passara ser ainda mais, principalmente através da internet e frequentemente via uma barra de interceptação de dados surgir na tela seguida do mau funcionamento do computador. Da mesma maneira, também passaram a ser vigiadas todas as pessoas que o ajudavam.
Sobretudo Arthur, que além de revelar a Freddie a verdade sobre a Benson Security, nunca se dera por satisfeito com o fim das investigações sobre a morte do irmão. Então uma serpente foi usada para incriminá-lo e principalmente, afastá-lo de Freddie.
Carly nunca pareceu ser digna de atenção, nem mesmo Sam, ambas eram consideradas jovens em busca de emoções, sobretudo Carly, uma garota fútil que confiava demais no pai para acreditar em qualquer outra versão dos fatos que não fosse a dele, mas isso mudou quando ela encontrou os relatórios na casa de Missy, que aquela altura estava nas mãos de Tomy.
Tomy era um jovem atraente, sobrinho de William e ambos eram integrantes da quadrilha. Ele seduzira Wendy e a convencera a fugir, e depois passou a exercer um certo domínio sob Missy, que sempre lhe relatava, muito despreocupadamente o que acontecia na sua casa. Ela nunca percebera como ele se preocupava excessivamente com quem entrava e saia do escritório do pai dela e o que via por lá. Ela simplesmente gostava de conversar com ele.
E por fim havia Sam, que embora não fosse vista como um grande problema, era amiga do filho de Crawelt. Logo de início, Olívia tentou afastá-la de Freddie advertindo-a sobre a crueldade dos pais dele, mas não surtiu efeito. Nem mesmo matar o cão de estimação da menina foi suficiente para assustá-la, Freddie achou uma maneira de falar com Crawelt e medidas drásticas tiveram que ser tomadas.
Mas ainda restava uma dúvida: O que Crawelt sabia?
Sam tinhas suas suspeitas. Acreditava que haviam sido duas ações diferentes: Primeiro Steven ao executar o amigo e depois um grupo tentando se vingar disso. Mas não só de Steve, mas de todos que de alguma forma prejudicaram Frederik.
Então depois de um tempo o próprio Robinson fora usado pela quadrilha, embora acreditasse chefia-la, usando até mesmo a desculpa de estar devendo a agiotas para justificar o fato de por vezes ser visto com pessoas suspeitas.
Contar ou não suas suspeitas a alguém tornou-se o maior conflito interior pelo qual Sam já havia passado, sobretudo por que não havia qualquer prova para confirmá-las. Exteriormente haviam os olhares curiosos e até mesmo algumas perguntas inconvenientes dos colegas que naquele momento ela encontrava pelo corredor, e nem mesmo as caras de má que sabia fazer pareciam surtir efeito aquela manhã.
–Sam! -Wendy a gritou assim que viu. -Meu Deus, era a última pessoa que eu esperava ver aqui!
Wendy foi até Sam abraçando-a, fazendo o mesmo com os Jonah e Shelby que a acompanhavam como se eles fossem grandes amigos que ela não visse a anos.
–Eu vim trancar minha matricula, resolvi tirar umas férias relaxar, eu preciso. Aliás você também, por que não vem comigo e deixa a escola pro ano que vem?
–Falta muito pouco. -Respondeu Sam. -E eu acabei de falar com o Franklin, pelo que ele se eu me esforçar ainda consigo passar.
–Não querendo ser inconveniente. -Comentou Jonah. -Achei que estivesse dura... quer dizer, é o que dizem, que seus pais estão na pior...
–É verdade. -Disse assumindo uma expressão pesarosa. -Mas acham mesmo que vou dar todas aquelas entrevistas de graça?
Os três se entreolharam discretamente e lembraram que de todas as vítimas da quadrilha, Wendy era a única que estava havia aceitado falar sobre o caso na TV. Alguns canais já estavam anunciando a presença dela em programas que seriam exibidos na próxima semana. Os pais eram contra, mas ela já completara 18 anos e não havia nada que eles pudessem fazer.
–Bom, eu tenho que ir -Wendy disse voltando a sorrir. -Ainda quero ver a Carly antes de ir. Bye!
–Tchau. -Responderam em uníssono.
–Oportunista. -Disse Brad aproximando-se.
–Discordo. -Respondeu Shelby o abraçando. -Ela só deve tá tentando tirar alguma vantagem de todo horror pelo que passou. Acho justo.
Sam os encarou surpresa e sorriu diante daquela cena. Os dois se olharam perguntando silenciosamente quem contaria primeiro.
–A gente reatou há um tempo. -Disse Shelby. -Eu ia te contar, mas tinha e ainda tem tanta coisa acontecendo...
–Eu estou muito feliz por vocês. -Sam falou sorrindo -Finalmente uma notícia boa!
–É a gente tava precisando disso. -Afirmou Jonah. -Também fico feliz, por vocês.
–Ficaria melhor se o Griffin estivesse aqui, e a gente estivesse levando a banda pra frente. -Brad disse abraçando Shelby. -Mas eu preciso saber, vamos arrumar um novo guitarrista ou...
–Não. -Sentenciou Jonah. -Se ele tivesse saído por vontade própria ou algum problema entre nós, tudo bem, mas ele precisou ir, então por mim, nós esperamos ele voltar.
–E se não voltar? -Brad perguntou receoso. -Gente, já estamos formando, eu consegui algumas apresentações e precisamos fazer isso agora ou então acabaremos focando cada um em uma coisa e aí já era.
–Esses testes que você conseguiu. -Disse Jonah -Foi só por causa do que aconteceu com a Sam e a mãe do Griffin. Estão tentando atrair eles como se fossem atração de circo. Aceitar seria oportunismos, não acha?
Sam e Shelby apenas ouviam a discussão, mas Brad sabia que Jonah não tomara aquela decisão sozinho e tampouco falaria tão convictamente sem ter certeza de que tinha algum apoio. Ele então assentiu e os quatro deixaram a recepção silenciosamente, decretando o fim da Purple que se quer chegou a ter um verdadeiro início.
Quinze dias após o desastroso jantar na casa dos Robinson, o coronel Shay conduzia gentilmente a filha até o enorme salão onde ocorria a festa de comemoração que Spencer a alguns amigos dela haviam preparado para comemorar a recuperação e retorno dela. Ela vestia um elegante vestido verde escuro, saltos da mesma cor do vestido e tinha os cabelos soltos caindo sobre os ombros ressaltando o brilho que havia nos olhos dela aquela noite.
Ela desceu pelas escadas do espaço de festas do Bushwell e se deparou com cerca de vinte rostos, olhando-a sorridente, entre eles a mãe, Spencer e o avô. Sentia enorme vontade de chorar, mas ciente do trabalho que a maquiagem dera para ficar pronta, ela se controlava ao máximo,
Havia no centro uma pista de dança, no momento parada, duas enormes mesas de comida em cada um dos lados e um palco na parede contrária as escadas onde alguém se preparava pra cantar, Ela não prestou atenção em quem era, pois no momento seus olhos estavam ávidos em observar toda aquela decoração, a iluminação esverdeada, o clima emocionante que pairava ali.
Representava o fim.
O fim de todo um períodos envolto em problemas, mentiras e desastres em sua vida e na de alguns de seus amigos. Ela viu Missy de relance, ao lado de Jeremy e sorriu pra eles enquanto descia as escadas. No canto ela viu Gibby e Freddie, esses sorriam vendo-a descer as escadas e ela reprimiu um gritinho ao ver Sam, que usava um vestido azul marinho e segurava algo parecido com uma coxa de frango.
Sam havia ido visitar Carly uma única vez desde as prisões, isso por que a mãe de Sam vinha monitorando a filha para que ela não andasse mais com os seus amigos do Conexão Seattle pois ao que a mulher ficara sabendo foi através desse web show que a filha se envolveu em graves problemas.
Mas ela conseguira ir, sabe-se Deus como, e Freddie também estava ali talvez pudessem finalmente conversar.
Pelo que Carly sabia, eles até se falavam normalmente, trocavam mensagens e se falavam por telefone, mas era como se estivessem com medo de acertar a própria relação, medo de que alguma coisa tivesse ficado pra trás, e não desse mais pra recuperar. Então eles adiavam, mas Carly duvidava que, estudando no mesmo lugar eles não dessem um jeito de “se pegar” de vez em quando.
Ela terminou de descer as escadas e os aplausos cessaram.
–Muito obrigada pela presença de todos. -Disse ela. -Obrigada pelo apoio que todos vocês me deram durante a minha recuperação. É isso, agora vamos dançar até de manhã!
Mais aplausos e a música recomeçou, uma música calma, porém dançante já que Carly ainda não podia exagerar. Ainda assim ela se destacava entre as amigas que a acompanharam até a pista, e sabia dançar muito bem.
Freddie se balançava no ritmo da música e a cada cinco segundos olhava para Sam, do outro lado do salão. Queria muito ir falar com ela, mas Marissa a toda hora lhe pedia pra pegar alguma coisa, ou perguntava algo insignificante e ele era obrigado a ficar.
Marissa fora atingida no ombro pela bala de que Freddie livrara Sam e embora estivesse recuperada, usava isso para se livrar da conversa séria que Freddie pretendia ter com ela, e até chegara a iniciar, duas vezes, mas em ambas ela simulou um desmaio.
Na primeira vez em que ela o evitou, cinco dias após a retirada da bala, Freddie procurou outros meios de descobrir a verdade sobre a irmã e com a ajuda do tio, descobriu a clinica onde ela estava. Ele a viu. Jane era uma jovem comum, mas seu alto grau além de muito inteligente, tinha certas perturbações, aos doze anos passara por uma terrível depressão e até hoje, aos vinte e um anos, fazia um tratamento.
Freddie queria falar com ela, e até mesmo entregar a ela a parte que lhe cabia da Benson Security já que ele estava destinado a doar sua própria parte, mas temia que ela sofresse e preferiu deixar que o coronel, o pai, ainda que de criação, lhe contasse verdade.
–Eu vou dançar. -Disse Gibby.
Freddie assentiu e quando a mãe se distraiu conversando com Ana, ele se esgueirou por entre as mesas saiu dali.
Ele tentou ir até onde Sam estava, mas Missy o deteve no meio do caminho.
–Oi Freddie. -Disse ela.
–Oi. Como vai?
–Não muito bem. -Respondeu. -Olha, eu sei que o momento não é esse, mas tem sido bem difícil falar com você, você eu só te vejo nas aulas, em nenhum outro lugar da escola...
–Bom, o que quer falar comigo? -Perguntou mudando de assunto.
–Eu sinto muito por tudo, sabe por eu ter tentado ajudar meu pai a comprar sua loja, eu não fazia ideia alguma de nada daquilo, pra seria até bom pra você...
–Eu sei, Missy. -Disse pacientemente. -Ninguém sabia de nada disso.
–Mas o que eu realmente queria te dizer. -Prosseguiu. -Freddie, estão acusando meu pai de ser o chefe de uma quadrilha. Mas uma das pessoas que fazia parte dessa quadrilha, tentou prejudicar ele, me usou, me manipulou então tem alguma coisa errada.
–Você fala do tal Tomy?
–É. Ele me deu uma bebida com um remédio que me fazia sentir os sintomas de uma gravidez, ele queria que eu fizesse um barraco e desmoralizasse meu pai no jantar e eu só não fiz por que a Wendy apareceu.
Freddie refletiu um pouco sobre o que ela dizia e lembrou do que Sam disse que havia escutado quando estava no cativeiro e da conversa que teve com o tal Davis. Que Davis passaria Steve pra trás na primeira oportunidade era obvio, mas isso não mudava o fato de que Robinson também cometera os seus crimes. A verdade é que nem ele nem Sam sabiam exatamente o que acontecera no passado entre todas aquelas pessoas, preferiram deixar que a polícia cuidasse disso dali em diante.
–Por que está me dizendo isso? -Perguntou Freddie.
–Ninguém acredita em mim, Freddie. -Respondeu -Todos acham que eu só estou defendendo o meu pai, é a última coisa que eu faria, mas... Eu preciso entender o que é isso.
–Eu acredito em você. -Disse ele. -Mas também não entendo isso.
Ela deu um longo suspiro e assentiu resignada.
–Obrigada por acreditar em mim. -Disse por fim. -Até mais, Freddie.
Ela se afastou e votou sentar com Jeremy.
Freddie procurou Sam pelo salão, mas o que viu foi a mãe acenando, ele fingiu não ter visto e continuou andando até que viu Sam na pista de dança, com Carly, as duas cercadas por dois garotos.
Ele sentiu as faces esquentarem e lembrou que ha pouco conversava com Missy e se perguntou se não fora isso que provocara aquele comportamento em Sam, afinal ela não era exibicionista.
Mas ele não tivera culpa, ela o abordara a conversa sequer fora em tom flertante não havia motivo para ciúmes, talvez ela estivesse agindo daquela forma por vontade própria, por que sentia-se bem ali.
Ele então se afastou confuso e acabou e saiu do salão indo sentar numa área da piscina do prédio. Não demorou muito ele sentiu a presença de outra pessoa sentando ao seu lado, reconheceu o perfume na mesma hora.
–Olha só eu estava comendo e a Carly me arrastou pra pista... -Começou ela. -Nem sei quem são aqueles sem noção.
–Não disse que estava aborrecido com isso.
–Então o que foi? -Perguntou fingindo que aquilo não a magoara. -É ainda por causa do Davis e a possibilidade de...
–Não, já disse que quero esquecer isso. -Disse ríspido.
Ele a olhou de relance e se sentiu mal pela forma que falara. Desviou o olahr e admitiu.
–Tá, eu não gostei de ver você lá. -Respondeu. -Você parecia estar se divertindo muito.
–E estava. Com a Carly, ela está bem, está feliz! Você também deveria estar, ela é nossa amiga!
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, olhando pra todos aqueles carros estacionados ali, ouvindo a música que vinha de dentro do salão.
Freddie lembrou do dia em que eles se viram pela primeira vez após o jantar. Foi na sala de aula e ainda não tinha ninguém, Freddie estava sentado quando ela entrou. Sam pediu que ele o encontrasse na sala que ficava na área restrita do colégio, onde se beijaram pela primeira vez(ou segunda, dependendo do ponto de vista) e lá eles começaram a falar sobre o caso da quadrilha. E foi só. Nada sobre eles. Mas quando estavam se despedindo, acabaram se beijando e vinha sendo assim desde então. Conversavam sobre várias coisas, se beijavam e as vezes, algo a mais. E só.
–Eu te amo, Freddie. -Ela disse passando um braço em volta dos ombros dele. -Vem, vamos dançar.
Ele a olhou surpreso e percebeu que ela corou na mesma hora pelo que dissera.
–Você me perdoou pelo que eu fiz... -Disse ele. -Sabe, no hospital?
–Bom, acho que você não estaria comigo agora se quisesse outra e isso é o que importa. Precisamos seguir em frente.
–Você disse que nunca ia me perdoar.
–Freddie, por que isso agora? -Perguntou impaciente.
–Sam responde, por favor! -A impaciência dele era ainda maior.
Ela levantou e caminhou até e beira da piscina que naquele momento refletia a pálida luz da lua cheia e suspirou longamente. Ela não sentia mágoa nem dele ou de Carly, achava que Freddie apenas ficara confuso com o que acontecia e por isso fizera aquilo, mas a lembrança ainda a machucava um pouco.
–Samy... -Ele disse abraçando-a por trás. -Você me perdoa?
Ela se virou sem se afastar e o encarou nos olhos.
–Perdoo. -Respondeu. -Mas você poderia pelo menos me dizer por que fez aquilo? Sente alguma coisa pela...
–Não! -Apressou-se em dizer. -Eu só...
Ele se deteve em meio a frase. Tinha certe de que se soubesse a real intenção dele era possível que ela ficasse muito brava, mas parecia não haver outro jeito.
–Eu ouvi a sua voz e a do Spencer. -Começou. -Sabia que você entraria, talvez o Spencer, mas precisava fazer aquilo. Eu queria que você visse aquilo, queria que sentisse ódio de mim e se afastasse.
Os olhos de Sam encheram-se de lágrimas ao ouvir aquilo.
–Foi por minha causa que você foi sequestrada, e quase foi... Eu não sei se você pode me perdoar por isso, sei que te magoei mas eu só queria que você ficasse bem.
–Como alguém pode ficar bem vendo o próprio namorado beijar outra Fredward Benson?
–Sam...
–Então toda vez que tivermos uma dificuldade devemos nos afastar pro outro não ser prejudicado, é isso?
–Não foi uma simples dificuldade...
–Não faz diferença! -Gritou. -Você é o garoto mais idiota que eu conheço eu devia mesmo ter me afastado de você, quer saber acho que vou me fazer isso agora.
Ela o empurrou pra longe e tentou sair dali, mas Freddie a segurou pelo braço e a enlaçou pela cintura deixando o rosto muito próximo ao dela.
–Eu estava tentando te proteger. -Disse. -Por que eu te amo, Sam então será que podemos esquecer isso e seguir em frente?
Ela evitava encará-lo, mas quando finalmente o fez, sua expressão parecia mais calma e decidida.
–Só se você prometer que não vai fazer isso de novo.
–Eu prometo. -Respondeu apertando o abraço. -Foi uma coisa desesperada, eu só pensei que queria você longe daquilo tudo e... O pior é que nem assim eu consegui. Desculpe por ter te colocado nisso.
Ela retribuiu o abraço com força e os dois ficaram ali por um tempo, apenas sentindo a proximidade com o corpo do outro. Podiam sentir o coração um do outro batendo quase no mesmo ritmo e desejaram que aquilo durasse pra sempre, isolados de todos e tudo longe de qualquer coisa que pudesse afastá-los, mas sabia que isso não era possível.
Havia a família de Sam que agora era contra aquele relacionamento, a mãe de Freddie que em momento algum mudara sua opinião sobre Sam, e uma série de outros problemas passíveis de acontecer a qualquer casal. Restava eles então, viver e aproveitar cada momento daqueles, e esperar pelo próximo até que não houvesse mas nenhum. Mas ainda haviam muitos e eles estavam decididos a seguir juntos, e isso era o que importava.
–Hei, vocês dois. -Carly surgiu chamando-os. -Desculpe interromper a tranquilidade de vocês, mas tem uma festa esperando. Estão afim de gravar o último vídeo do Conexão Seattle?
–Eu vou pegar a câmera. -Disse Freddie.
–Vai rápido então. -Carly avisou batendo palminhas.
Freddie beijou o rosto de Sam rapidamente e saiu para pegar a câmera.
–Vem cá e se nós não quiséssemos fazer isso? -Sam perguntou sorrindo.
–Ninguém nega dada a um convalescente. Ah, Sam você vai cantar daqui a pouco.
–Mas eu não...
Não teve tempo de responder. Carly saiu saltitando tal como chegou e desapareceu rapidamente.
Restou a Sam segui-la e se apresentar sem nem ao menos ter ensaiado.
O garoto de cabelos castanhos caminhava tranquilamente pelo salão com a câmera na mão quando a avistou no palco. A que um dia considerara a pior e mais assustadora pessoa que ele conhecia na face da terra. Loira, implicante sempre trajando roupas escuras. Era apenas um estilo. Estava de pé, com um microfone nas mãos falando alguma coisa ao pessoal da banda contratada.
Então ela virou-se e após algumas palavras de apresentação começaram a tocar. Ele sorriu e ela retribuiu o sorriso.
Ele ligou a câmera e apontou pra ela.
Fim do Conexão Seattle.
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