Conectados por laços
10 Na cabeça
Notas iniciais
— Eu não acredito que agora a gente tem que arrumar a sala depois da aula. – Falei depois de todos irem embora.
— Agradeça aquelas três idiotas que contaram nossa brincadeirinha para a diretora. – Disse Débora
— Que droga. – Disse Luana
— Mas valeu muito a pena, né? – Disse Nádia
Começamos a rir ao lembrarmos dos rostos delas no momento.
— Que peninha, não filmamos. – Disse Débora
— Quem disse que não? – Disse Nádia
— O QUÊ? Você filmou? – Perguntei
— Bem filmar, filmar não, mas eu gravei toda a conversa delas. Deixei o celular no bolso, hehe. – Disse Nádia
— Uau Nádia, que incrível. – Disse Luana – Mostra!
— Claro, nunca sabemos quando vamos precisar. Afinal sabemos o que aquelas vacas são capazes de fazer. – Disse Nádia apertando o play do áudio.
— Só de ouvir isso está me dando raiva. – Disse Débora.
Depois da gente enrolar e arrumar a sala, conseguimos terminar.
— Acho que já acabamos tudo aqui. – Falei cansada.
— Também, depois de uma hora aqui limpando feito condenadas. Pelo menos está tudo brilhando a diretora não vai ter do que reclamar amanhã. – Disse Nádia
— E se ela reclamar vamos mandar ela vir aqui limpar. – Disse Luana
— Gentchi já vou indo. Tenho que ver como está o Dani, ele deve estar me esperando até agora para irmos embora juntos. – Disse Nádia – Até logo.
— Beleza, falou. – Disse Débora. – Você vem com a gente Mari? Eu e Luana vamos ir em uma lanchonete aqui perto.
— Poxa, logo hoje que estou destruída. Foi mal gente, pode ser outro dia? Assim podemos ir com a Nádia também. – Falei me sentando em uma carteira qualquer.
— Claro! – Disse Luana
— Então falou, até amanhã. – Disse Débora
Elas saíram da sala e eu continuei ali com preguiça de levantar. Peguei meu celular e fiz um pouco de hora ali.
Ouvi passos correndo no corredor e caiu a ficha de que eu deveria voltar logo para a casa. Guardei o celular peguei minha mochila e sai dali.
Logo na entrada percebi que estava querendo chover.
— Eu não trouxe guarda-chuva. Será que eu deveria ir logo ou fazer mais hora aqui? – Pensei enquanto olhava para o céu.
Começou a vir uma brisa fria que fez eu querer ir de uma vez. Eu ouvi alguém se aproximando e virei para trás para ver quem era.
— Ué... – Pensei. – Thomas?
Ele estava olhando para baixo e só depois percebeu que eu estava o encarando.
— O que faz aqui? – Perguntou Thomas
— Como assim o que eu faço aqui? O que você faz, já que nem na aula apareceu. – Eu disse sem entender.
Ele não disse nada e voltou a olhar para baixo.
— Não vai responder? – Falei
Ele voltou a andar e passou por mim, me ignorando.
— Nossa... você é muito estranho. – Falei irritada. – O que você tem na cabeça?
Ele de repente parou de andar. E virou para mim.
— Alguém. – Respondeu.
Essa resposta me pegou de surpresa. Eu não sabia o que responder, senti minha boca ficar seca.
— Alguém? Quem? – Perguntei, pensamentos estranhos passaram pela minha mente.
— Ele gosta de alguém? – Pensei.
— Deixa para lá. – Thomas disse sorrindo consigo mesmo.
— Por que não foi na aula? Responde.
— Sei lá. Não estava com vontade. – Disse Thomas. Ele voltou a virar para a frente e a andar, me deixando ali.
Eu não sabia o que fazer, meu coração acelerou, meus nervos estavam saindo á flor da pele, então tomei uma atitude sem pensar. Quando me dei conta estava correndo e parei em frente a ele.
— Você está gostando de alguma garota? – Perguntei
Ele não me respondeu.
Fiquei parada ali, não conseguia nem olhar em seus olhos.
— Merda, o que estou fazendo... – Pensei
— Estou. – Ele respondeu.
Ele passou novamente por mim e continuou andando, mas dessa vez eu não corri mais atrás dele.
Saí dali com o rosto emburrado, não queria mais dizer nada nem olhar para ninguém. Aquilo foi o suficiente para mim. Comecei simplesmente a chorar pelo caminho.
— Não pode ser... – Pensei comigo mesma. – Eu gosto do Thomas. Eu gosto dele e não consigo acreditar que ele possa estar gostando de outra pessoa.
Eu finalmente percebi meus sentimentos pelo Thomas, e agora descubro que ele gosta de outra pessoa?
***
Rafael P.O.V
Eu estava trancado no meu quarto por uns bons dias. Por muitas horas sem conseguir sair da cama, sem jogar vídeo — game ou fazer qualquer outra coisa.
É impressionante como minha irmã está lidando com isso tão bem...
— Eu prometi a mim mesmo que iria voltar. – Falei arrumando o material na mochila. – E eu vou.
Eu desci e não havia ninguém lá embaixo. Acho que a Mariana ainda está se arrumando, sai sem comer e decidi comprar algo na escola no recreio.
Fui um dos primeiros a chegar da sala e me sentei na minha cadeira, pra me distrair fiquei no celular.
— Caralho. – Disse Pedro chegando ao me ver. – Tu ficou mil anos sem dar as caras por aqui.
— Hehehe, aconteceram algumas coisas e tal. – Falei.
— Fiquei sabendo. E como cê ta? – Disse ele se ajeitando
— Tô bem. Respirando, me alimentando. – Falei rindo. – Eu estava mal, mas melhorando aos poucos.
— Bem loko. – Disse Pedro.
— Né.
As pessoas foram chegando aos poucos até a aula começar.
— Que ótimo. Química! – Bufei pegando o livro.
O professor foi passando as coisas no quadro. Normal de sempre.
— Licença professor. – Disse Luan, abrindo a porta. – Me atrasei, mas posso entrar?
O professor concordou. Luan olhou para mim ao passar. Acabei me lembrando...
“– L-Luan. – Falei desesperado. – D-Desculpa ! Houve um imprevisto, hoje não vai dar. Até mais. – Falei
Ele me entregou o celular e comecei a correr procurando minha irmã. “
Fiquei a aula inteira pensando nisso. Caraca, como fui esquecer? Não consegui me concentrar um só segundo.
Assim que a aula acabou pensei eu mesmo ir falar com ele. Mas eu ainda estava hesitando.
— Rafa, vamos dar uma passada na cantina. – Disse Pedro
– Já vou. Vou pegar o dinheiro, vai indo na frente. – Falei, olhando para o Luan disfarçadamente.
— Beleza. – Disse Pedro
— Merda. Como vou falar com o Luan, se tem várias pessoas o cercando. – Pensei enquanto pegava o dinheiro, dentro da mochila. – Melhor desistir de vez.
Sai da sala e enquanto andava no corredor senti alguém se aproximando rapidamente.
— Ei Rafael. Fiquei sabendo do que aconteceu com você naquele dia. – Disse Luan, colocando sua mão no meu ombro.
— Por que estou sentindo vontade de morrer? – Pensei
— Ah... é... – Disse eu, com o maior branco. – Espero que tenha entendido o porquê de eu ter ido embora daquela forma.
— Entendo claro. E você ta bem? – Perguntou ele
— Não estou a mil maravilhas, mas... ér, vou indo razoável. – Falei.
Nossa como sou idiota.
— Tendi. Mas e aí, aquilo ainda está de pé? – Disse Luan
— Wtf, eu ouvi isso mesmo? – Pensei sem saber no que responder.
— Claro! Podemos combinar isso melhor depois. – Falei
— Fechou então. Falou. – Disse ele sorrindo voltando para a sala.
Não consegui segurar o pequeno sorriso que se formou em meu rosto desde então.
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