Condessa
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O frescor da madrugada, atraído pelas janelas entreabertas, adentrou o recinto, despertando a jovem dama de seus sonhos. Um indelicado arrepio percorreu seu corpo desnudo, fazendo-a encolher-se por alguns instantes. As pequenas mãos, então, percorreram, relutantes, o suave tecido de cama, à procura de algo que pudesse aquecê-la... Porém nada encontrou além da delicada seda branca que já a cobria.
Vencida pelo frio, a jovem abriu os olhos. Segurou o tecido sobre os seios, cobrindo as fartas carnes também com os longos cabelos azuis. Receou, por um momento, que alguém a visse daquela maneira... Pois, por mais que forçasse a cabeça latejar, não conseguia recordar-se daquele lugar.
As cortinas abertas permitiam que a luz da lua adentrasse o pomposo quarto, surpreendendo a aristocrata com o incomum luxo. Entretanto, em sua busca, os orbes safira notaram também as roupas... Num canto escuro, espalhadas pelos móveis, em farrapos pelo chão. A máscara azul-clara, ainda intacta, repousava sobre a escrivaninha... Acompanhada por uma de cor negra.
Sua face, antes alva, tomou então um tom escarlate. Não tinha conhecimento algum do que havia ocorrido, contudo o estado de suas roupas, principalmente as interiores, não lhe apresentava boas opções. Que lugar era aquele, afinal? Sentiu sua cabeça latejar em resposta a todo aquele esforço, e a tontura que se seguiu a obrigou a deitar-se novamente.
― Em que posso ser-lhe útil, linda fada?
O enigmático sorriso do cavalheiro trajado de negro, seu tom rouco, o toque macio das mãos num gesto de convite... A máscara. Seu corpo, ao recordar aquele desconhecido rosto, foi tomado por um forte arrepio. Repreendeu-se, por um momento, pela imprudência... Embora, em seu âmago, soubesse que o sentimento que possuía era algo mais caloroso que o medo que supunha.
Trouxe, também, à memória a festa na qual estivera. O baile de máscaras, noite para a escolha de uma princesa. Alguém havia sido escolhida? Localizou rostos conhecidos, cumprimentos vazios, conversas tolas e sem sentido. Lembrou da forçada valsa com o barão Vastia, de seu enfado... Do sorriso insinuoso com que o coelho branco desejou uma agradável festa aos convidados. Os cabelos cor de fogo o denunciavam como sendo o rei Igneel, mas... O ar misterioso que preenchia suas lembranças punha em dúvida qualquer dos rostos os quais identificara.
― Mesmo que a festa lhe pareça enfadonha, senhorita... Por que não te divertes?
Sem dúvidas havia bebido demais... Sequer havia rechaçado a afirmação. Já havia, há muito, sido desposada por um homem... O qual lhe dera um sobrenome, um lar e amor, o sentimento que o tornou inesquecível. Era a senhora Fullbuster. Este certamente seria o motivo da sua inquietação...
Deveria ter recusado o convite daquele desconhecido. Estava ciente dos perigos de uma festa de tal porte para uma jovem viúva como ela e, desvairadamente, entretera-se com o saboroso vinho e a envolvente dança...
Havia sido reconhecida?
― Estás certa de que não queres mais uma dança, Condessa?
Seu rosto passou a arder. Seu descuido era imperdoável... Pensando em qualquer escândalo, caminhou, cambaleante, até a porta, arrastando o lençol branco atrás de si. Observou o corredor – ao longe, barulhos de festa, mas dois soldados faziam a segurança na área mais movimentada, impedindo que qualquer curioso se aproximasse. Estava estranhamente segura...
Qualquer um daqueles asquerosos aristocratas teria orgulho em chantageá-la ou, de alguma maneira altamente constrangedora, expô-la a toda a alta sociedade. Entretanto, seu misterioso cavalheiro lhe provara-lhe ser distinto... Aquele não era um dos nobres com quem estava habituada a lidar, certamente.
Estava segura de que jamais olvidaria um sorriso tão caloroso... Ou cabelos tão peculiares. O tom rosado, destacado pelo traje completamente negro, era inesquecível. Assim como o perfume masculino, facilmente perceptível ao seu olfato... Surpreendentemente suave, agradável, apreciável. Com certeza, não o conhecera até aquela noite... Não faria questão alguma de recordar qualquer momento se o chapeleiro negro fosse um daqueles perversos da alta sociedade.
― Sim, me conheces, Condessa... Entretanto, deixemos as formalidades para outro momento... Seja apenas minha fada por esta noite.
Apesar de odiar as vazias valsas, ainda ouvia, em sua mente, os acordes tocados ao dançar com ele. Sentia as mãos firmes do cavalheiro repousadas em suas costas, que mantinham-no a uma distância mínima, profundamente constrangedora, de seu corpo. Seu vestido roçava constantemente no peito do rapaz, e a cada segundo o remorso lhe era denunciado nas faces por não trajar um espartilho.
Entretanto, deixou-se conduzir. Deixou-se hipnotizar pelos olhos esverdeados, que logo estavam tão próximos dos azuis que não percebia mais a máscara. Mas ela estava lá, negra e imponente, ocultando o rosto de seu cavalheiro... Destacando o sorriso cada vez maior daquele que a portava. Deixando-a completamente incendiada.
― Exigi muito de ti? Sua face está como brasas...
Suspirou longamente, tentando conter a respiração acelerada... Trouxe às mãos ao espaço entre os seios, sentindo os desesperados latidos de seu coração. Estava da mesma maneira quando o deixara, após a última dança. A fada e o chapeleiro, seus personagens,haviam atraído a atenção de todos os convidados, recebendo uma salva de palmas após exibirem agradável espetáculo.
Entretanto a jovem condessa rapidamente encaminhou-se a um dos toaletes, temendo que a atenção dos espectadores a houvesse exposto. O que estava acontecendo? Delicadamente retirou a máscara, secando de sua face as gotículas do suor provindas do esforço... Ou do excessivo nervosismo. Fitou a imagem dos olhos azuis, que refletiam uma vida há muito desconhecida. Havia um tímido sorriso nos lábios pintados de rosa; mesmo que quisesse disfarçar, seu ar de contentamento era mais que evidente. Recolocou a peça no rosto e ajeitou os cabelos azulados com paciência, tentando desviar seus pensamentos para qualquer coisa que não o misterioso homem. Contudo, era impossível esquecê-lo... Não agia daquela maneira desde o último suspiro de seu moreno. Sentia-se novamente viva.
― Já estava à sua procura, minha fada... Posso apresentar-lhe um lugar?
Observou as mãos, entrelaçando-as. Ele havia feito o mesmo gesto consigo horas antes, enquanto a conduzia pelos corredores do castelo. Fora conduzida até o enorme jardim interior, longe das festividades ou de qualquer pessoa. Por um momento, acusou-se de inconsequente... Havia corrido risco desnecessário ao segui-lo até ali. Entretanto, havia felicidade em si. Não se arrependera nem um pouco... As palavras dele, agora rememoradas, lhe eram extremamente satisfatórias.
― Que pensas dessa noite, Condessa? – ele questionou, caminhando um pouco à sua frente por entre os canteiros de rosas.
― Não me agradam as festas, senhor... – respondeu-lhe, sem qualquer hesitação – Não aprecio a motivação de bailes como este.
― Pessoas falsas, cumprimentos estranhos, formalidades realizadas por pura obrigação... – ele refletiu por um instante, então virou-se para ela, questionando – É isso que te desagrada?
― Desculpe a sinceridade, senhor... Mas minha repulsa está no casamento obrigatório. Temo pelo príncipe... – confessou, já conhecendo a expressão espantada que viria a seguir — Receio que ele não tenha conhecimento das cobras com que está lidando. Nenhuma daquelas é realmente confiável... A escolha errada pode nos levar à ruína.
Estava louca ao declarar tal pensamento. E se fosse ouvida por alguém? E se ele a denunciasse? Estaria condenada, com certeza. Não dava importância a outras coisas, contudo não admitia perder seu título, único recordo dos poucos anos que passou ao lado do Conde. Devia ter controlado sua língua... Entretanto, recebeu um sorriso. Uma risada cúmplice, de quem concordava com o que dizia.
― És realmente interessante, minha adorável Condessa... – ele pontuou com certo interesse, acariciando a face tomada pela seriedade da jovem – O que sugere como solução?
― Alguém de confiança. – respondeu, sentindo sua máscara ser removida aos poucos.
― Tu, por exemplo?
Estava pronta para negar, apontar-lhe alguns nomes de outras, melhores candidatas para o posto. No entanto, os lábios dele pareciam muito pouco desejosos de suas palavras... Fora bruscamente interrompida. E então, contra a sua vontade, a sensação permanecia impregnada, torturando-a continuamente. Encostou o dedo indicador nos lábios levemente inchados, encolhendo-se na cama para conter o queimar de seu baixo ventre. Ele a havia beijado?
― Sinto muito, havia me esquecido da máscara por um momento... – disse, separando seus lábios dos dela por alguns instantes, enquanto desfazia o pequeno laço que prendia o objeto ao rosto – Saciarei sua curiosidade.
Sorriu levemente. Observou de perto os olhos esverdeados, encaminhando uma de suas mãos ao rosto masculino. Barba recém aparada, olhos expressivos; havia uma deliciosa harmonia na expressão ambiciosa que a deixava completamente atraída... Aquela incomum beleza, antes oculta pelo ar misterioso, agora se mostrara muito mais calorosa.
― E, por favor, não se dirija a mim como senhor... Conheces muito bem meu nome, Juvia. Natsu Dragneel.
Assustou-se instantaneamente ao recordar. Natsu? Procurou em sua mente – o sobrenome, com certeza, lhe era familiar, mas o nome... Conhecia-o apenas como um aluno nada aplicado de esgrima de seu amado. Era um garotinho travesso, de cabelos avermelhados, que adorava seus biscoitos de canela, petulante ao ponto de abraçar-lhe publicamente, referindo-se a ela pelo primeiro nome.
Sorriu. Encontrara-o em outros momentos, mas desde a última vez que o vira, muito havia mudado. Seu sorriso, indiscreto, ecoou pelo quarto vazio, denunciando sua satisfação pela surpresa. Os dois anos passados foram a ele muito bondosos... Entretanto a ousadia, aquela confiança petulante, ainda permanecia nos orbes esverdeados.
― Antes não podia tocá-la desta maneira, então contentava-me em observá-la... — disse, depositando um suave beijo no pescoço da dama — Agora, contudo, posso finalmente mantê-la mais próxima...
O teor de suas memórias a deixava assustada. Ele realmente lhe dissera coisas como esta? Estava delirando... Ele nunca se contentara em olhar apenas, realmente. Seus olhos infantis apreciavam surpreendê-la sozinha, em seu quarto ou na banheira. Em seus olhos via apenas curiosidade, um amor puro que a deixava a mercê daquele pequeno. Aqueles abraços, aquelas mãos pequenas que brincavam com seu decote... Sorriu, sentindo-se profundamente enganada. Aquela criança inocentemente se aproveitava dela... E agora, com seus dezessete anos incompletos, a curiosidade dera lugar a uma cobiça também atraente.
Não poderia mais manter a proximidade que lhe fora insinuada – a sociedade na qual vivia jamais aceitaria um relacionamento de alguém que já houvesse sido desposada com alguém como ele. Natsu Dragneel era o filho único do rei, a esperança do reino... Contudo aquelas palavras, por um momento, lhe renovaram a esperança de que pudesse ser feliz... Que sua sede pudesse ser finalmente aplacada. Aquele toque, firme, que caminhava por cima de seu vestido como se ansiasse por sua pele... Estava nutrindo demasiadas esperanças.
― Então... Permites que seja minha escolha?
Não se recordava da resposta, já estava entregue. Arrependia-se um pouco por isso neste instante, mas preferiu aproveitar um último momento antes de finalmente enlouquecer pelo ato impensado. Torturou-se lentamente com cada pequena lembrança... Não teria outra oportunidade para tão deliciosa diversão.
Rememorou a empolgada corrida por entre os jardins, os intensos beijos trocados nos corredores... A cada pequeno olhar desconfiado para os lados, ganhava um sorriso. Não acreditava em suas afirmações, alguém realmente poderia vê-los... Contudo, embora lhe incomodasse a possibilidade de ser avistada, carregava ambas as máscaras nas mãos. Preferia ser reconhecida a perder as maças coradas, dos olhos escurecidos, a perfeita e sedutora visão do desejo do príncipe.
Jamais esperava reaver aquele sentimento... Entretanto o corpo do rosado, quente, perfumado, bem talhado conseguiu arrancar-lhe a sanidade. Antes que pudesse perceber, estava entre a porta de um quarto e ele, apreciando, com ruídos incontidos, cada indiscreto toque dele em seu corpo... Sentiu-se, por um momento, embaraçada – as normas da época não lhe permitiam aquele tipo de demonstração. Entretanto, mal conseguia conter-se. Desabotoou rapidamente o terno de cauda longa de Natsu, arrancando-lhe um sorriso surpreso, e ele a ajudou com a camisa... E, neste instante, seu suspense deu lugar a um sorriso claramente libertino.
Sentiu as alças de seu vestido serem retiradas, entre beijos, com os dentes, e um impudico olhar ser dirigido às suas curvas. Iria reclamar, no entanto percebera que fazia o mesmo. A visão do corpo bem torneado, com as primeiras gotas de suor a lhe escorrer pelo abdômen bem cuidado, a deixava sem palavras... Já mal conseguia manter o sustento de suas pernas. Apenas desejava...
Foi tomada num beijo lascivo, atirada com certa violência contra uma parede. De costas para ele, sentiu as mãos, antes livres, concentrarem-se nos seios, apertando-os sem compaixão. Seus ruídos, antes contidos, tornaram-se mais audíveis... E ele, ao contrário do que lhe era contado, parecia apreciar profundamente isso. Sua pequena dúvida, num murmúrio dificultoso, fora respondida:
― Não me importa o que pensam... Agradar-te me oferece um enorme prazer. Não percebes?
Certamente, conseguia perceber. Seu cavalheiro fazia questão de deixar-se próximo o suficiente para provocá-la, tocá-la, sentir sua roupa interior a denunciar seus desejos. Momentos depois, a caminho da cama, a peça foi rapidamente destruída. Os farrapos, então, foram deixados pelo chão, tendo o mesmo destino a calça dele e os sapatos de ambos.
Então, sem permissão, um som alto, rouco, embebido em prazer, ecoou pelo cômodo. O som a fez arrepiar-se completamente, mas seu sorriso de satisfação foi ocultado por um beijo. O ritmo lento, compassado, contradizia o brilho enegrecido dos olhos de Natsu, mas a provava o respeito dele por si. Devia sentir-se honrada, no entanto a sua sede era grande demais para apenas aquilo. Mordeu levemente os lábios dele, ouvindo um murmúrio prazeroso do rosado... Uma pequena alegria invadiu seu ser, e o sabor doce da esperança preencheu seus lábios e sua mente.
― Condessa... – um mordomo, num tom levemente irritado, bateu suavemente à porta, retirando-a de seus devaneios – Podem desconfiar de sua presença aqui, nestes aposentos... – pontuou, percorrendo seus olhos pela moça coberta apenas pelo lençol – Aconselho que volte antes do anúncio. Tome, vista isso.
― Sinto muito... – Caminhou lentamente até a porta, tomando o vestido negro das mãos enluvadas. Não sabia o porquê de suas desculpas quando o tom insinuoso do senhor lhe soara tão ofensivo. – Logo voltarei.
Certamente, não devia estar ali. Entretanto, aquela mirada, aquele desprezo... Exatamente o mesmo olhar que recebia dos aristocratas após a morte do Conde Fullbuster. Como se, internamente, estivesse sendo vista apenas como uma meretriz, alguém indigna de portar tal título e sobrenome apenas pela morte de seu marido. Talvez ele só estivesse seguindo ordens, fora seu seguinte pensamento.
Sua mente rapidamente rejeitou essa possibilidade, mas sua própria consciência a condenara. Em que momento daquela noite deixara-se levar? Deixara que seus desejos carnais tomassem conta de sua mente, que aqueles sedutores olhos lhe hipnotizassem, lhe dando esperanças errôneas. Fora simplesmente seduzida por alguém de quem conhecia apenas o passado... Que tipo de pessoa Natsu Dragneel havia se tornado? Não possuía garantia alguma de que aquela criança não havia sido corrompida por aquelas cobras... Talvez corresse muito mais risco, o cargo ocupado por ele era importante demais. Lembrou-se então da culpa, esquecera que o álcool lhe proporcionava tais efeitos. Não seria tão imprudente se não tivesse aceitado o primeiro drinque... Não acreditaria tão piamente em qualquer jura de um garoto aproveitador em busca de uma noite de prazer.
― Foi uma noite agradável... – murmurou para si mesma, com um sorriso vazio.
Levantou-se com certo temor, arrastando o lençol pelo quarto e começando a recolher as roupas. Observou o tecido rasgado de sua roupa interior, e tentou ocultar a vergonha de si mesma ao cobrir-se até a cabeça. Fora tola. E seu vestido, com certeza, era transparente demais sem a peça rasgada. Observou o de cor negra, arrependendo-se de ter que vesti-lo. Mas, talvez, se retornasse a tempo, ainda chegasse a tempo de conhecer a verdadeira escolhida, futura perdição do reino...
Ou não. O ruído de espanto exclamado pelos convidados denunciava que o anúncio já havia sido feito. Selecionou algumas em sua mente, rogando ao Supremo que uma delas fosse o nome escolhido. Terminou de vestir-se com alguma lentidão, disfarçando sua expressão desapontada com um sorriso, e tentou recolocar seus sapatos no chão. Eles estavam apertados, então resolveu pô-los quando estivesse perto do salão. Contudo, ao abrir a porta, se deparou com um rosado ofegante, de cabelos desgrenhados e um sorriso de quem se divertira profundamente com a polêmica no salão.
― Aonde vais tão cedo, Condessa? – perguntou, com o mesmo sorriso do início da noite – Ainda preciso de sua presença...
― Para casa... – seu tom soou entre a irritação e a decepção, mas o tom rosado das maçãs de seu rosto mostrava outra coisa – Tens obrigações com sua princesa no momento, não pretendo atrapalhar-lhe.
― Sim, sim... – o descrédito dele em suas palavras a irritou –Mas antes... Podes seguir-me um pouco? – estava pronta para dizer-lhe um sonoro não, contudo seus sapatos estavam nas mãos dele. Não havia maneira melhor de voltar para casa... – Não sabes como voltar, e já dispensei os soldados. – pontuou naturalmente, estendendo-lhe uma das mãos.
Natsu havia pensado em tudo. Aceitou relutantemente a mão estendida, e em silêncio caminhou pelos corredores ao lado dele – não lhe agradava em nada a ideia de ter sido manipulada por alguém seis anos mais jovem. Contudo, o rosado não parecia se importar.
― Sua palavra ainda permanece, não? – disse, puxando uma das cortinas, para dar-lhe passagem – Porque não há mais volta... O anúncio está feito.
Seu desgosto lhe desceu à garganta como fel. Olhou-o, sua expressão expressava profundo contentamento com a escolha. Sentiu-se enganada; praguejou-o, cafajeste.
― Ah... Parabéns. Quem é a felizarda? – Pergunta tola, pensara. A mão cavalheiresca do príncipe a conduziu novamente ao local iluminado, no entanto ouvia alguém, ao longe, lhe pronunciar o nome.
― A Condessa Lockser. – ele comentou, antes que a salva de palmas cobrisse sua voz.
― Saúdem Natsu Dragneel, príncipe regente, e a Condessa Juvia Lockser Fullbuster, futura princesa do reino de Magnolia.
Presa pela palavra e pelos olhos esverdeados, sorriu. Fora, pela terceira vez naquela noite, enganada. Correria novamente risco desnecessário... Que, mesmo que quisesse, não poderia abandonar. Não havia mais como fugir. Aposentaria permanentemente seu título... Já não era mais Condessa.
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