Condenada a Você
10 Crime e Castigo
Notas iniciais

Capítulo 10
Crime e Castigo
Ada passou o final de semana tentando se distrair com outras coisas, inclusive lendo livros como Crime e Castigo de Dostoiévski, quando Helena surge com um pote de sorvete sabor baunilha e coco para repartirem.
— Só não conta para o Leon que eu lhe trouxe sorvete.
— Será o nosso segredinho, Harper — Ada brinca, ao mesmo tempo em que saboreia calmante o seu sorvete.
Elas continuaram conversando coisas bobas. Até que Ada quis saber sobre como era uma Feira Agropecuária. Helena tentou lhe explicar que era uma festa que reunia várias pessoas de regiões diferentes, com interesses no agronegócio, ou pessoas comuns que só iam para se divertir no evento, com leilões de animais, rodeios, ou apreciar várias comidas típicas e muita música country. E ainda havia um parque de diversão.
Ada tentou imaginar Leon no meio daquele evento com camisa xadrez, bota de couro, calça jeans com a fivela apertada e o chapéu de cowboy.
“Será que ele estava se divertindo ao lado da Debby?” Refletiu com puro sarcasmo e depois percebeu que Helena estava a encarando de um jeito estranho.
— O que foi? Por que tá me olhando assim?
— Hmmm... — Helena hesita por um instante. — O que tá acontecendo entre você e o Leon. E não adianta tentar me enganar, porque eu sei bem o que vi naquele rio. Não só eu, mas o Cody também.
— Por que você não pergunta para o Leon?
— Ele já contou a versão dele.
— E qual foi a versão dele?
Helena tinha conversado com Leon, depois de praticamente ameaçar Cody para que ele ficasse de boca fechada. O peão resolveu se manter calado, não por ter sido ameaçado, mas porque não queria se intrometer naquela história.
Quanto ao agente do governo... Quando foi questionado sobre o tal beijo no rio, Leon apenas disse que tinha sido culpa de Ada.
“Ada gosta de jogar esse joguinho de sedução e manipulação. Ela faz isso pra me irritar e me ver perder o controle. Mas, eu aprendi a não levá-la a sério.”
— Leon me disse que... você é acostumada a fazer esses joguinhos de sedução. Mas, eu acho isso muito perigoso.
— Por quê? Só por causa de um beijo bobo? — Ada ficou irritada. — Eu passei cinco anos presa, sem beijar na boca, ou transar... — resolveu desabafar. — Agora não posso querer me divertir um pouco, porra!
— Ah, você pode se divertir com... qualquer outro cara comum, que não seja o seu Tutor da condicional. — Helena cruzou os braços e continuou determinada, tentando colocar juízo na cabeça impulsiva da espiã. — Leon se arriscou mais uma vez para proteger você. Se o governo descobre que nós mentimos, todo mundo se ferra e você volta pra cadeia.
Ada não disse nada, apenas suspirou frustrada e resolveu retornar para o quarto. Porém, Helena a interrompeu com suas próximas palavras.
— Eu acho que o Leon se importa com você... mais do que o normal. Se ao menos você também...
— Eu também me importo... — Ada fechou os olhos começando a se sentir angustiada.
— Então, não brinque com os sentimentos dele. Ele é um bom cara que não merece se ferrar por sua causa, Ada.
Logo, a discussão termina quando ambas ouvem um barulho de um carro se aproximando.
Lá fora o jipe da BSAA estacionou bem em frente à Cabana e de dentro do veículo saiu o capitão Chris Redfield com a sua postura impetuosa. Ele não veio sozinho, ao seu lado estava Jill Valentine.
Enquanto Helena vai abrir a porta e receber os visitantes, Ada corre para o quarto enfaixar o pé para continuar mantendo a farsa. O trio conversa na sala, o capitão está lá para averiguar como a prisioneira de luxo está e também esperava encontrar Leon.
— Bem, o Leon foi para o centro de Blandville ajudar o senhor Blum. E a... Ada está bem. Só repousando — Helena diz com um sorriso forçado.
— Precisamos falar com a Wong. — Chris trocou um olhar com Jill. — Podemos vê-la?
Eventualmente, Ada se viu forçada a receber a dupla em seu quarto. Ela está deitada, com o pé enfaixado em cima de um travesseiro e há imediatamente uma tensão. Aliás, a espiã sempre ficava tensa na presença do Redfield.
Eles se cumprimentaram cordialmente e era a primeira vez que Jill e Ada se conheceram pessoalmente.
— Então, você é a infame Ada Wong — ironizou Jill, fazendo Ada apenas sorrir torto. — Chris acha que você é a única que pode nos ajudar.
— Ajudar... em quê exatamente? — Ada franziu a testa apreensiva.
A questão mais importante era saber o porquê aqueles dois soldados da BSAA estavam ali.
Chris e Jill ainda estavam atrás do paradeiro do Wesker e essa busca já estava se tornando uma missão impossível. Eles conseguiram alguns códigos que pode, supostamente, ajudar no rastreamento do bioterrorista.
— Nós precisamos de alguém que pudesse decifrar esses códigos.
— E vocês acham que eu posso fazer isso? — ela indaga se sentando na cama.
— Sim. Afinal, você conheceu tão bem o Wesker. — Apesar do jeito arrogante e cheio de insinuações do Redfield, Ada resolveu ajudá-los.
Ela passou as próximas duas horas na frente do notebook de Chris, até conseguir decifrar os tais códigos, demonstrando o quanto era habilidosa. Por fim, os códigos revelaram ser coordenadas de uma região remota da África.
Com a ajuda da espiã a dupla também acabou conseguindo interceptar uma chamada entre Wesker e a executiva de uma nova organização farmacêutica, chamada Tricell.
— Então, é isso? Wesker está na África. — O capitão tinha se animada com a possibilidade de, enfim, acertar as contas com o seu rival.
— Eu só acho que essa missão será... suicida — Ada diz ainda tensa olhando para o Redfield.
— E o que você acha que deveríamos fazer? Ficar aqui e se esconder enquanto esse lunático continua a espalhar o terror pelo mundo? — dessa vez quem indaga é Jill cheia de determinação.
— A questão é... como vencer um inimigo que é invencível?
— Não se preocupe, Wong. — Chris troca um sorriso confiante com Jill. — Dessa vez, estamos mais preparados e temos uma arma especial para destruí-lo.
— Que ótimo! — Ada exclama, achando que o par estava sendo muito otimista e subestimando um inimigo tão ardiloso quanto Albert Wesker. — E boa sorte!
Nessa hora a porta de entrada da Cabana se abre e um Leon com um expressão mal-humorada entra, imediatamente chamando a atenção de todo mundo.
***/ /***
Debra que já estava tão alterada pela sidra de maçã, resolve inesperadamente agarrar Leon e tascar-lhe um beijo nos lábios.
O beijo foi rompido por Leon que, cuidadosamente, tentou se afastar de Debra. Logo depois disso, Cody surgiu e lhe deu um soco na cara, deixando todo mundo mais uma vez chocado.
O motivo para a fúria de Cody era que no passado a filha do patrão, foi a garota com quem teve um breve namoro secreto, só que para ela essa relação se tornou insignificante, ao contrário do peão.
Foi por isso que ao vê-la beijando outro homem, Cody acabou perdendo a cabeça e acabou saindo na mão com Leon. No meio da briga ele ainda acusou o Kennedy de ser um cafajeste por seduzir duas mulheres ao mesmo tempo. Foi uma confusão que só foi interrompida por Johnny Blum.
E o dono da Sol Dourado, queria saber o que estava acontecendo, qual era o motivo da confusão entre os caras. Entretanto, Cody resolveu deixar Leon para inventar a mentira que quisesse e foi embora, bufando de raiva e com um olho roxo.
Leon só conseguiu relaxar, quando estacionou seu Porsche na frente da Cabana, onde também se deparou com o Jipe da BSAA.
Assim que o capitão e Jill o viram parecendo que havia saído de uma briga, quiseram logo saber o que havia rolado.
— É só um mal entendido, com um cara estúpido — ele responde, trocando um olhar fugaz com Ada que o encara desconfiada. — Mas, por que vocês estão aqui?
— Wong nos ajudou a rastrear o paradeiro do Wesker — comentou Jill.
— Agora já podemos pegar aquele filho da puta! — Chris estava animado com a sua nova missão.
— Ótimo. Eu poderia ir com vocês. — De repente Leon também se animou com a possibilidade de acertar às contas com aquele psicopata.
— Não! — e de repente eles ouvem o grito quase desesperado de Ada, que havia retornado para a sala. — Você não vai! — Seus olhos amendoados refletem determinação, enquanto encaram olhos azuis confusos.
— E por que não?! — Leon rebate com teimosia.
Nessa hora, Chris e Jill trocam olhares cheios de insinuações.
— Há cinco anos, eu... eu arrisquei a minha liberdade pra te manter vivo! — Ada se vê vulnerável e desvia o olhar, tentando se recompor. — Tudo bem, se você quiser ir... vá em frente... — Em seguida, ela resolveu chantageá-lo. — Mas, se você for nessa missão... — Agora eles estão se fuzilando com o olhar. — Eu vou quebrar a minha liberdade condicional e fugir.
— Você não faria isso! — ele murmura entredentes.
— Você sabe que eu faria. — Ela dá um sorriso cheio de escárnio.
O clima que já não era dos melhores, ficou mais denso.
— Tudo bem, pessoal! — Chris resolveu agir como um capitão e colocar ordem no recinto. — A gente precisa ir. E não se preocupe, Wong. Nós vamos pegar o Wesker sem precisar da ajuda do Leon. Ele e todo seu.
Ada ficou fervilhando de raiva, mas não respondeu a provocação de Chris.
Antes de ir embora, Redfield ainda se atreveu a fazer uma última pergunta um tanto ousada para Leon, aproveitando que estavam lá fora e longe do olhar mortal da espiã.
— O que está acontecendo entre você e a Wong? — Chris resolveu perguntar, quando teve um momento a sós com Leon. — Por acaso vocês... ainda não transaram, né?
— O quê? Claro que não! — Leon quase se engasgou de nervoso. — Qual é o seu problema Redfield?
— Se acalma, Leon! — Jill teve que intervir, antes que o agente pulasse no pescoço de seu parceiro. — A Wong tem razão de estar... preocupada com você.
— Preocupada?! Ela quer é me enlouquecer!
— Leon, ela se importa com você. E é por isso que ela não quer que você vá nessa missão — Jill achou que estava explicando o óbvio. — Ela tem medo que você não volte.
— Acho que até a espiã mais perigosa do mundo tem um ponto fraco. E esse ponto fraco é você, Kennedy. — Chris concluiu deixando Leon atordoado.
Leon ainda ficou, por alguns minutos lá fora, assistindo o Jipe da BSAA se afastando da Cabana enquanto ficava remoendo aquelas palavras.
***/ /***
Leon resolveu que precisava esfriar a cabeça e foi parar num Bar famoso de Blandville.
“Leon, ela se importa com você.”
“Acho que até a espiã mais perigosa do mundo tem um ponto fraco. E esse ponto fraco é você, Kennedy.”
Leon optou por ficar no balcão de madeira do bar, olhando para o copo de uísque duplo com gelo, enquanto ainda remoía aquelas palavras:
“Há cinco anos, eu arrisquei a minha liberdade pra te manter vivo!”
— Eles estão errados — ele murmura entre um gole e outro. — Ela não se importa comigo. Ela me culpa... porque foi presa e perdeu a sua liberdade.
Ele passa uma meia hora bebendo sozinho, até que Helena o encontra e vem se sentar ao lado dele.
— Ei, vai com calma! — ela comenta sobre o ritmo com que ele está bebendo.
— Harper, você veio me espionar?
— Ada me ligou e avisou que você tinha sumido. Ela pareceu preocupada...
— Ah, para com isso! — ele cochicha se aproximando do ouvido de Helena. — Ada Wong não se importa com ninguém, a não ser consigo mesma.
— Então, vocês discutiram de novo?
Leon passa mais uns minutos, fazendo um resumo sobre como o seu dia tinha sido um verdadeiro desastre, começando com o tal beijo que Debra havia lhe dado na frente de todo mundo, depois da briga com o Cody e terminando com a discussão estúpida com a Ada na frente de Chris e Jill, por causa da missão de capturar Albert Wesker.
— Ela disse que se eu fosse na missão com o Chris e a Jill... ela iria quebrar a liberdade condicional e fugir. Ela acha que manda em mim. — Ele bebe o resto do uísque e tenta pedir mais uma dose da bebida, mas é impedido por Helena.
— Isso prova que ela se preocupada com você e não quer que você se machuque de novo...
— Ah, para! — Ele está relutando outra vez contra aquelas palavras.
— Ou pior... você vai para essa missão, decidido a enfrentar Wesker, mas dessa vez, ela não pode estar lá para impedir que ele te mate.
Helena arranca o copo de uísque da mão de Leon e resolve beber tudo num gole só, fazendo uma careta, ao mesmo tempo em que choca Leon com a sua atitude e seus argumentos.
— E o medo dela faz todo sentido. Especialmente, pelo o que houve com vocês dois, anos atrás.
— Isso já tá chato! — Ele se levanta e pega a chave do bolso que, rapidamente, Harper rouba dele.
— Hoje vou dirigir o seu Porsche. — Ela sai saltitante na frente dele. — Prometi para Ada que te levaria inteiro para a Cabana.
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