Conde Erick
4 Dias Agradáveis
Conde Erick parecia preocupado com a velocidade que Lucy corria sobre o cavalo, mas quando percebeu como ela se distanciava e que estava perdendo para a moça, tratou de acelerar sua montaria, mas, mesmo tendo diminuído uma boa distância, não conseguiu ganhar dela. A momentos atrás, Lucy havia proposto uma corrida, mas quando o Conde desdenhou de sua habilidade de montaria, apenas para provocá-la, a jovem tratou de demonstrar na prática como era uma boa amazona.
— Sabe que ganhou apenas porque me distraí, não sabe?
— O senhor foi derrotado pelo seu mal julgamento e por ter me subestimado. – Lucy disse enquanto levava o cavalo de volta aos estábulos, sendo seguida por Erick.
— De fato, não tinha percebido como era tão boa montando a cavalo, peço desculpas por isso.
— Não era só com os cachorros de papai que eu gostava de brincar quando criança. Os cavalos também eram uma boa companhia para mim.
— Imagino que seus irmãos também eram uma boa companhia.
— Não me entenda mal, eu amo muito meus irmãos, mas eu era a caçula e ainda por cima menina. Quando não acompanhava eles, me deixavam pra trás, mas quando ganhava deles, me ignoravam por despeito. Os cães e cavalos, música e livros foram meus amigos na maior parte da infância. Meus pais adoravam, finalmente uma filha que não dava problemas. – Lucy contava isso sorrindo para Erick enquanto desmontava do cavalo, mas o Conde pôde ver entre seu sorriso uma ponta de ressentimento.
— Você se forçou a amadurecer mais rápido que seus irmãos para não ser um fardo para seus pais. Quis ser uma moça dedicada a família e sem caprichos. Mas está tudo bem ser um pouco egoísta de vez em quando. — Erick acariciou seu rosto, puxando a moça pela cintura, beijando-lhe os lábios apaixonadamente.
Havia virado um hábito, quando estavam na companhia dos familiares de Lucy, mantinham a compostura e se tratavam com formalidades. Mas quando estavam a sós ou na presença de criados, não disfarçavam a paixão que havia em ambos, trocando beijos intensos. Erick, mais de uma vez, teve de se segurar para não fazer de Lucy sua por inteiro. Por mais convicto de que era com ela que pretendia se casar, ele precisava que ela, primeiramente, aceitasse e depois ainda era necessário formalizar a união. Eles se separaram, Lucy quase lamentava, mas sabia que não poderia ir além daquilo antes de casar-se. Mesmo aqueles beijos poderiam deixá-la mal falada se fossem vistos por pessoas de fora da família. Os criados do Conde sabiam ser discretos, então ele sabia que aquelas carícias não sairiam da sua propriedade. Eles caminharam juntos, indo em direção a mansão, conversando amenidades. Chegando na entrada se despediram com cortesia, já que a mãe da jovem estava esperando para recepcionar a filha. O Conde cumprimentou a senhora e seguiu para seu escritório para tratar de assuntos de negócios, ela julgou.
— Minha filha, como estão as coisas com o Conde? De fato, ele parece demonstrar afeição a você. Acha que ele fará o pedido? – Madame Vitória era entusiasta de casamentos, principalmente de suas filhas.
— Não sei, mamãe, mas acho que ele gosta de mim.
— Você gosta dele?
— Sim, ele é uma pessoa muito interessante, inteligente e charmoso. Estou tão empolgada.
— Deveria me agradecer, se eu não tivesse negado as investidas dele, você jamais teria chance. – Ambre disse com desdém. Após seu vexame no jantar de dois dias atrás, o Conde de fato nunca mais investiu tempo em tentar agradá-la, voltando sua atenção para sua irmã mais nova. A princípio, Ambre se sentiu aliviada de o Conde ter desistido dela, mas quanto mais atenção ele dava a Lucy, mais Ambre ficava incomodada. Ela não gostava dele, mas gostava da atenção que recebia. A irmã mais velha sentia inveja e Lucy sabia disso, mas estava tão feliz que ignorava os comentários maldosos da irmã.
— Pois é, irmã, Deus escreve certo por linhas tortas. – disse Lucy sorrindo para a irmã, Ambre podia ver seu cinismo, o que a deixou ainda mais irritada.
— Vamos, Charlotte, vamos tomar um chá. – A irmã mais velha saiu da sala, sendo seguida pela amiga.
— Eu não entendo sua irmã, ela mesma disse que não queria o Conde, agora que ele não a quer mais, ela parece chateada. – Vitória Lennox parecia perplexa, até sua filha esclarecer o que era óbvio.
— Ora, mamãe, é claro que ela ainda não gosta do Conde, mas ela sente falta de ser paparicada. Sabe que ela adora ser o centro das atenções e sair dessa posição, para ela, é um grande incômodo.
— Eu realmente mimei demais essa garota. – A Madame se lamentava, mas logo tratou de mudar o assunto. – Esqueçamos ela, por enquanto, agora temos que nos concentrar em você e no baile de amanhã à noite. Tenho quase certeza de que ele pedirá sua mão durante ou depois do baile.
— Mamãe, não crie tantas expectativas. E se ele mudar de ideia? É melhor deixar as coisas fluírem, sem muita pressão.
— Não se preocupe, Lucy, farei com que ele não possa resistir a você. Já combinei com algumas criadas que tomarão conta de você amanhã para se preparar para o baile. Trouxe aquele seu vestido azul de veludo, ele realçará seus olhos, será maravilhoso. – A mãe da jovem parecia muito animada com os preparativos do baile e já sonhava com casamento de sua filha mais nova, esquecendo totalmente de Ambre. Lucy não quis demonstrar, mas estava feliz por ser o centro das atenções da mãe, nem que fosse por apenas um fim de semana.
A noite todos foram para o salão de jantar, o Conde, Lucy e Ambre, Charlotte e Vitória e Kentin e Celeste, que havia estado ausente nos últimos dias, pois se sentia cansada e indisposta, tendo sido visitada por um médico que Erick mandou chamar para atendê-la. Durante a refeição, Kentin tomou a palavra e começou o anúncio.
— Agradeço essa semana maravilhosa que Conde Erick nos proporcionou, mesmo que tenhamos passado pouco tempo juntos, posso ver que é um homem nobre e de bom caráter. Todos sabem que Celeste não vinha se sentindo bem esses dias, tanto que o Conde chamou um médico para vê-la, gesto generoso de sua parte. Pois bem, o doutor descobriu a causa do mal-estar de minha querida esposa e o fato é que... VAMOS TER UM FILHO!
A surpresa de todos só não foi maior do que a felicidade da Madame Lennox ao receber a notícia de que teria seu primeiro neto. A madame abraçou seu filho e sua nora, chorando de felicidade. As felicitações para o casal seguiram, das irmãs, a amiga e de Erick. Após esse momento, Ambre pediu licença a mãe, pois disse estar se sentindo cansada. Charlotte preferiu não a seguir, gostando da animação que ocorria no salão após o anúncio. Ambre estava com um misto de sentimentos. Estava feliz pelo irmão e a cunhada, mas estava chateada por deixar de ser o centro das atenções novamente. Se retirou para o quarto para descansar e focar na sua tarefa do dia seguinte: conquistar seu príncipe.
A noite progrediu animada, os homens bebiam, conversavam e fumavam charutos, para comemorar a paternidade futura de Kentin, as moças conversavam sobre enxoval e nomes para os bebês enquanto Lucy tocava canções alegres ao piano. Ela olhava para a cunhada com carinho e imaginava cuidando de seu futuro sobrinho, já se imaginava como ‘tia Lucy’. Nesse momento seu olhar percorreu o ambiente e parou em Erick, que parecia conversar animadamente com o irmão e ela ruborizou e desviou o olhar dele, já fantasiando sobre seus próprios filhos com o Conde. Ela se sentia boba, tendo fantasias de adolescente sendo que nem um pedido formal ela tinha ainda. A noite terminou alegremente, com todos indo para seus quartos descansar.
O dia seguinte foi uma correria, empregados iam e vinham pelos corredores com flores, decorações, comidas e bebidas. Madame Lennox passou o dia ajudando as filhas a se aprontarem para o baile, banhos perfumados, cremes para pele, maquiagem e penteados, tudo para que elas estivessem deslumbrantes, até mesmo cuidou de Charlotte para que a menina se sentisse linda como as amigas. Quando chegou a hora, Charlotte e Ambre desceram ao grande salão de baile primeiro, acompanhadas por Vitória. Charlotte vestia um vestido de veludo verde escuro, com caimento perfeito e decote modesto, próprio para uma moça solteira e cabelo trançado e amarrado em forma de coque. Ambre estava com um vestido de seda dourado com bordados, decote generoso, mas sem ser vulgar e brincos esmeraldas, que acentuavam seus olhos. O cabelo amarrado é trançado de lado, um diadema de ouro e esmeralda que a faziam parecer uma verdadeira princesa. Ela se sentia a mulher mais linda do mundo.
Lucy estava aguardando em seu quarto, Conde Erick pediu para acompanhá-la no baile, então precisava esperar que ele a buscasse. Estava com um vestido de veludo azul royal, decote coração, mas não muito grande. Os cabelos estavam presos apenas por duas mechas laterais e o resto solto (imagem de referência), com uma tiara simples de fita azul, do mesmo tecido do vestido. A maquiagem a fazia ter aparência mais adulta e o vestido justo e apertado nos lugares certos mostravam melhor o corpo de mulher. Erick bateu na porta e Lucy o autorizou a entrar.
— Boa noite, senhorita, espero que... — Ao olhar para a jovem mulher, Erick emudeceu. Ela estava de fato deslumbrante, simples, mas elegante e sedutora.
— Boa noite. Eu estava esperando. — Lucy sorriu com sinceridade. O Conde se aproximou sem dizer nada, a abraçou e foi em direção ao seu rosto para beijá-la, mas dessa vez ela o impediu pondo sua mão na boca dele. Isso o deixou visivelmente confuso, e ela tratou de explicar. — Não pense que não quero isso, Erick, mas se nos beijarmos, vai borrar o batom. — Ele riu aliviado, pensando em como as mulheres têm atenção a tantos detalhes que ele sequer sabe que existe.
— Eu vim para levá-la ao baile, minha bela dama, mas antes eu quero dar isso a você. — Tirou do bolso um anel de prata com uma pedra de safira. Ele se ajoelhou e disse. — Senhorita Lucy Lennox, os últimos dias com a senhorita foram os mais felizes que tive em muitos anos e eu desejo que esses dias nunca mais acabem. Me daria a graça de se tornar minha esposa?
Lucy estava feliz e nervosa. A voz quase não saía. Ela segurou as lágrimas, para não borrar a maquiagem.
—Eu seria a mulher mais feliz do mundo em ter você como meu marido. — O sorriso de Lucy era o mais puro e verdadeiro que o Conde pensou já ter visto, ainda de joelhos, ele colocou o anel no dedo de Lucy dando um beijo caloroso em sua mão.
— Vamos, o baile já está para começar e quero que minha primeira dança seja com a mulher mais linda da festa. — De braços dados, o novo casal seguiu para festa esperando ter uma noite tranquila.
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