Condance Falls
16 La Tunda
Notas iniciais
Alguns minutos andando comecei a achar que estávamos perdidas, comecei a tremer de frio.
– Alice vocês está pelo menos vendo ela? — Perguntei suspirando.
– Não — Admitiu- Vamos encontrar ela, vem. — E começou a andar mais rápido.
Por mais alguns minutos começamos a ver uma pequena claridade um pouco longe, começamos a andar mais devagar tendo cuidado para não fazer qualquer tipo de barulho. Nos aproximando e escondidas atrás de uma grande árvore nos deparamos com uma clareira em nossa frente, Nancy estava em frente a uma grande fogueira, estava de costas para nós, eu estava começando a achar que não era uma boa idéia estármos ali.
– Vocês não querem se juntar a mim? — Nancy perguntou ainda de costas para nós, ficamos caladas, ela não poderia estar falando com a gente.
– Ela é uma bruxa — Alice sussurrou
– É sim — concordei
– Quer dizer, bruxa bruxa mesmo, não estou xingando ela — Alice falou olhando para mim — também — completou mais baixo ainda, sorri.
– E então? — Nancy falou alto o bastante para parecer estar gritando, estava tudo em silencio ali, sua voz ecoava na floresta, eu e Alice trocamos olhares suspeitos
– Estou esperando vocês duas — Disse Nancy virando de frente para nós.
– Se ficarmos quietinhas talvez ela pense que só está sendo idiota por estar gritando sozinha — Sussurrei para Alice, mas essa não me ouvia mais, estava saindo de nosso esconderijo.
– Estamos aqui — Falou Alice parando aonde Nancy poderia vê-la, caminhei até o lado de minha amiga, Alice cruzou os braços parecendo intimidadora.
– Me seguiram então — Falou Nancy andando de um lado para o outro — Sabe comecei a me perguntar quanto tempo vocês iriam perceber que uma bruxa nova estava na cidade, mas vocês não vieram, comecei a ver que os boatos dessa cidade eram falsos, são apenas crianças brincando de serem adultos afinal.
Alice continuou impassivel, de braços cruzados e olhando para Nancy, sua expressão não mudava, mesmo depois do que Nancy falou, Alice apenas ergueu uma de suas sobrancelhas, tentei imitar a minha amiga, mas eu na verdade queria perguntar que tipo de bruxaria ela estava fazendo ali.
– Não querem se aproximar mais? Está escuro e só Deus sabe que tipo de criaturas a escuridão da floresta guarda — Nancy falou parando e nos olhando
– Estou em duvida para qual lado é menos convidativo, um lado temos a floresta e do outro uma bruxa com uma grande fogueira, me diz, oque está fazendo aqui? — Pergunto já que minha amiga parece não querer falar nada.
– Nada demais — Nancy disfarçou olhando para suas unhas.
– Não parece "nada demais" — Falei tentando imitar sua voz chata, ela não gostou.
– Toda garota tem seus segredos, me conte os seus que eu conto os meus — Me olhou desafiadora, eu vou matar uma bruxa loira.
– E meu tio? — Alice falou pela primeira vez — Oque ele tem a ver com isso? — Olhei esperando uma resposta
– Eu realmente gosto dele — Falou com aqueles enormes olhos castanhos claros para nós, eu não acreditei
– é uma péssima mentirosa, quer tentar de novo? — Perguntei
Nancy sorriu e voltou a andar de um lado pro outro, Alice ia se aproximando, acompanhei minha amiga a olhando com atenção, eu não sabia o que ela pretendia fazer.
– Que tal um aviso? — Começou Alice com um olhar que eu nunca tinha visto — Ou você se afasta do meu tio e some daqui, ou nós te matamos.
Olhei para a minha amiga preocupada, não era assim que nós faziamos, até agora Nancy não tinha feito nada de errado, eu não confiava nela, mas também não queria fazer algo ou deixar Alice fazer algo que pudesse de arrepender depois, não erámos os monstros ali.
– Isso não cabe a você decidir como funciona querida, eu e o seu tio vamos ficar juntos queira você ou não — Nancy falou sorrindo.
– Ora sua .. — Alice foi em direção a Nancy pegando sua ádaga.
Não pensei duas vezes, segurei minha amiga e nos teletransportei de volta para o carro, eu cai em pé, já estava acostumada e segurei minha amiga de um tombo.
– Oque você fez? — Ela se ajeitou brava comigo
– Te impedi de fazer uma besteira, você quer fazer as coisas da maneira certa? Então vamos manter o olho nela, não sabemos o grau dela, e se ela nos matasse ali? — Falei olhando em seus olhos tentando colocar um pingo de juizo na cabeça de minha amiga.
– Você tem razão, vamos ficar de olho nela. — Alice suspirou e entrou no carro.
– Sim, vamos comer alguma coisa, parece que tem uma orquestra sinfonica no meu estomago.
Durante a tragetória até a lanchonete Alice ficou estranhamente calada, ela não era assim, eu tentava puxar algum assunto com ela mas ela apenas dava de ombros, decidi desistir, eu não me incomodava com o silencio, liguei o rádio baixo e continuei dirigindo, e foi assim até chegarmos ao nosso destino. Fizemos o nosso pedido e esperamos.
– Não precisa fazer planos mirabolantes Alice, nós vamos apenas ficar de olho — Falei me encostando em meu banco e cruzando os braços
– E se ela tiver com o meu tio para apenas se aproximar de nós? — Ela perguntou
– Oque podemos fazer? Ele não vai terminar com ela só porque você vai pedir, e você não vai contar a verdade pra ele, não é ?
– Não — Abaixou os olhos triste.
– Não fique assim, eu vou estar aqui para tudo, mas você sabe que temos que fazer a coisa certa. — Segurei sua mão — Se anima que o nosso hamburguer ta chegando ai — Falei sorrindo e ganhando um sorriso de minha amiga.
–----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Na manhã seguinte acordei cedo e fui até o café, encontrei com Alice e John tendo uma pequena discução, assim que me aproximei eles pararam, Alice virou as costas e saiu, Joh olhou para mim cansado e me deu um meio sorriso antes de sair. Dei de ombros. Entrei na cozinha e fui arrumando as coisas, vi Alice limpando as mesas e John virando a placa de aberto na porta, caminhei até o balcão. Depois de poucos minutos os primeiros clientes foram entrando. Ficamos trabalhando em um silêncio desconfortavel por algumas horas, falando apenas o necessário, eu geralmente não me importava com o silêncio, mas o clima ali estava pesado.
– Okay, vamos resolver a coisa aqui pessoal? — Falei depois de atender o ultimo cliente da fila — Trabalhamos juntos e vocês dois estão me deixando desconfortável.
Olhei para os dois esperando um deles começar a falar, cruzei os braços esperando, Alice olhava para os próprios pés.
– Olha Alice, eu sei que você se preocupa comigo, mas eu tenho que me permitir, mesmo que no final eu saia machucado — Falou John, era sobre o relacionamento dele, eu já sabia.
– Eu sei — Alice olhou para ele — Me desculpa, prometo não interfirir mais — E o abraçou.
– é isso ai pessoal, agora vamos todos continuar assim — Falei orgulhsoa de mim mesma.
– Bom dia, gostaria de um café expresso — Pediu um moço parado do outro lado do balcão.
– Sim senhor! — Falei sorrindo. E foi assim até o fechamento, Alice depois de alguns minutos já estava soltando uma daquelas risadas dela que fazia todos sorrirem.
Chegando em casa eu me jogo cansada no sofá, não esperava a hora de John contratar mais pessoas para eu ter minhas adoraveis folgas. Me lembrei do que Ethan havia me falado ontem e resolvi ligar.
– Hey — Falou assim que atendeu
– Pode falar agora? — Perguntei
– Sim, vou pegar meu caderno la em cima para passar para você — Ethan falou, provavelmente estava perto de alguém de sua família.
– Então, a causa da morte do cara saiu? — Perguntei depois de um minuto
– Sim, eu anotei aqui — Falou Ethan, eu não iria me surpreender dele virar investigador ou o xerife da cidade futuramente — Ele morreu por hemorragia interna, vimos na foto apenas sangue saindo pelo nariz e pelos ouvidos, mas faltava saber oque tinha causado isso, e então descorbiram, a hemorragia foi causada por ferimentos causados pelos ossos quebrados. — Falou
– Espera ai.. Quais ossos? É algo nosso? — Perguntei confusa.
– Esse é o caso Emy, eu acredito que sim, quebraram todos os ossos do corpo dele, mas não sabemos como já que não havia sinais de luta ou se alguma coisa de corpo.
Estremessi.
– Oque poderia causar algo assim? — Perguntei
– Eu realmente não sei — Falou.
Ficamos conversando mais alguns minutos e depois eu resolvi desligar e tomar um banho, essa história rodava minha cabeça me deixando tonta, eu não sabia oque pensar disso tudo. Mas existia apenas uma pessoa que eu queria falar agora. Depois do meu banho liguei para Rick, que não atendeu minha ligação, mas deixei um recado de voz pedindo para que ele fosse até minha casa, sentei no sofá por alguns minutos com Blue até minha mãe entrar em casa.
– Oi, aonde você estava? — Perguntei para minha mãe
– Fui até o hospital, não aguentava ficar aqui — Falou se jogando ao meu lado
– Entendo — Falei suspirando — E como foi?
– Tirando o fato de algumas pessoas ficarem encarando foi normal — Falou dando de ombros
– Mãe, eu te amo mas a senhora está com um cheirinho desagradável — Falei torcendo o nariz
– Eu sei — Ela suspirou — vomitaram em mim hoje, não estou me sentindo uma heroina — Falou se levantando e indo para seu quarto tomar um banho
Ri sozinha.
Alguns minutos se passaram e eu comecei a ficar com fome, olhei para Blue que estava dormindo, fui até o pé da escada.
– Mãae, quer pedir alguma coisa para comer? — Gritei
– Peça uma pizza! Qualquer coisa com bastante queijo! — Gritou lendo meus pensamentos.
Fui até a cozinha e peguei o numero da pizzaria, fui digitando o número até tocarem a campainha. Blue levantou a cabeça e farejou o ar, deixou e voltou a fechar o olhos. Fui até a porta e abri, me deparei com Rick sorridente.
– Oi — Falei o abraçando e sentindo seu cheiro — Estava com saudade
– Eu também — Falou me puxando para si
– Vem, estava pedindo uma pizza, estou morrendo de fome — Falei abrindo espaço e ligando para a pizzaria.
Quando desliguei Rick estava sentado no sofá, olhando para mim, me sentei ao lado dele.
– Te liguei hoje mais cedo — Falei
– Eu sei, estava ocupado, vim quando ouvi seu recado — Falou passando a mão pelo meu rosto afastando o cabelo dos meus olhos — Aconteceu uma coisa?
– Na verdade sim — Suspirei e contei sobre oque Ethan havia me falado, enquanto falava sentia Rick ficando tenso ao meu lado, sabia que ele se preocupava comigo. — Então é isso, conhece alguma coisa que pode fazer isso? — Perguntei assim que terminei.
– Na verdade já vi isso acontecer uma vez, apenas uma vez — Ele começou
Esperei um momento até ele decidir falar comigo, pela expressão dele eu esperava já o pior, eu estava com medo. Ele apertou minha mão e olhou para mim.
– Quando eu estava apenas de passagem pela america latina eu me deparei com um caso assim, mas isso é só o começo, ela só faz isso para mostrar que está aqui, devemos achar ela o mais rápido o possível. — Começou
– Ela quem?
– La Tunda, não vai encontrar muita coisa sobre ela na internet ou livros. Diz a lenda que ela é filha do diabo com uma humana, ela é um metamorfo, ela atrai homens e então lança uma espécie de gás sobre eles, e então acabou tudo, eles fazem tudo oque ela quer, não tem mais vontade própria.
– E então foi ela quem matou aquele homem? Porquê?
– Por diverção? Não sei, acho que é pra marcar território. — Falou ainde segurando a minha mão forte.
– Vai tudo ficar bem, até mesmo porque eu sou mulher, oque ela poderia querer comigo? — Falei sorrindo para ele
– Te matar por exemplo — Falou sério.
Suspirei e o abracei, Rick era um amor, mas ele precisa entender que eu não sou feito de porcelana, eu também consigo me defender.
– Vamos trocar de assunto por hora ok? — Perguntei, e quando ele balançou a cabeça que sim o beijei.
– Proonto, limpa e cheirosa — Falou minha mãe descendo as escadas.
– Que bom não é? — Falei me soltando um pouco de Rick
Ficamos os três conversando até a pizza chegar, minha mãe que já adorava Rick insistiu que ele ficasse para comer conosco não dando opções alem de aceitar, as conversas foram animadas, em nenhum momento citamos algo sobre o incidente com ela, era melhor ignorar e isso a deixava feliz. Mais tarde mas não muito Rick decide ir embora, amanhã ambos temos que acordar cedo, o acompanho até lá fora e o beijo, eu tinha essa necessidade de estar com ele, de sentir meu corpo proximo dele, era mais forte que eu.
– Boa noire — Ele disse assim que nos separamos
– Boa noite — Sorri e o deixei ir embora.
–----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Na manhã seguinte minha mãe me empresta o carro, diz que irá para o hospital com tia Holly, foi dirigindo com tranquilidade e estaciono, vou para minha primeira aula com Alice, ela parece distante, percebo quando eu entro na sala e ela não acena para mim com aquele jeito animado dela, fico preocupada quando eu me sento ao seu lado e ela não olha para mim, parece estar dormindo com os olhos abertos.
– Hey, Alice! — Chamo ela
Ela pisca por um minuto e olha para mim assustada
– Está tudo bem? — Pergunto preocupada
– Sim, perfeitamente — A olho desconfiada — Não me olhe assim, você sabe oque eu estou pensando.
– Sim, eu sei.
Odiava ver minha amiga assim, odiava não saber oque fazer para ajudar ela, me virei para prestar atenção na aula, deixando minha amiga livre com os seus pensamentos. As horas foram passando incrivelmente rápido hoje, quando dei por mim estava na hora do almoço, me levantei meio preguiçosa e fui até o refeitório, peguei algo para comer e me sentei na mesa com meus amigos.
– Gente, precisamos conversar — Falei depois de alguns minutos
– Sobre oque? — Perguntou Ethan
– Sobre aquele homem encontrado morto — Olhei para os lado para ter certeza de que ninguém escutava
– Podemos ir para um lugar mais calmo agorinha — Falou Jake, concordei e comecei a comer.
Olhei para Jake com atenção, ele sorriu para mim e eu sorri de volta, não fiz isso porque gostava dele, quer dizer, eu gosto, mas como amigo, não podemos apagar oque aconteceu, e eu nem me arrependo do beijo, foi bom e pronto, mas agora estamos resolvidos. Comemos rápido porque estavam todos muito ansiosos, todos queriam resolver tudo de uma vez.
– E então? — Ethan perguntou.
– Ontem eu conversei com Rick sobre oque você tinha me contado — falei olhando para ele, depois olhei para cada um de meus amigos e comecei a repetir oque Rick havia me contado.
Nos deparamos com mais uma criatura que não sabemos como lidar.
Fale com o autor