Condance Falls
8 Capítulo 8 - Taking chances
Notas iniciais
– Um cappuccino expresso médio saindo- Falei sorrindo para um cliente junto com o seu troco.
– Obrigada, aqui de corjeta — Falou me entregando uma nota de 5 dólares
– Obrigada e tenha uma boa tarde
Eu estava adorando meu emprego, trabalhar ali era fácil e divertido, John tinha esse dom, estávamos quase no final da tarde quando percebemos que havia dado uma acalmada.
– Emi, pode ir limpar aquelas mesas ? — Apontou
– Sim — Falei pegando um paninho para limpar.
–Sabe você ainda não me contou oque aconteceu antes de ontem pra você estar toda estranha, e hoje também não foi divertido — Disse Alice sentada em uma das mesas.
Parei e me lembrei do beijo do Jake, não me importei em falar nada para a Alice pelo fato de ele não ter me procurado depois, nem uma ligação e nem uma mensagem, não que eu tivesse pensando que estávamos namorando, mas se ele não fez nada para falar comigo significa que o beijo não significou nada.
– Hoje não Alice, estou no meu horário de trabalho.. Você não deveria ir se encontrar com o seu namorado? — Perguntei levantando as sobrancelhas.
– Droga — Falou olhando as horas e saiu correndo. Sorri
Juntei as canecas e os pratinhos que estavam ali e coloquei na cozinha, voltei para limpar as mesas.
– Hey — Uma voz disse perto me assustando. Me virei me deparando com Rick.
– Está me seguindo? — Acusei
– Não, vim aqui para um café, dia difícil hoje no trabalho. — Falou me deixando envergonhada.
– Ham, claro. — Fui servir ele — Então está trabalhando aonde? — puxei assunto
– Estou trabalhando em uma oficina que fica aqui perto — E então percebi algumas manchas de graxa pela sua pele — Não sabia que você estava trabalhando aqui. — E me pagou
– Abrimos hoje. — Devolvi seu troco e então ele colocou no pote de corjeta, se continuar assim logo logo terei um bom dinheiro para o meu carro.
– Oque você vai fazer nesse final de semana? — Perguntou.
– Bom, sábado irei trabalhar, no domingo de tarde estarei livre, porquê?
– Tem um lugar que fica aqui perto que quero te mostrar, mas só se você quiser.
– Claro que sim, aonde te encontro? — Perguntei
– nos vemos no final de seu expediente. — E então foi embora.
Nos dias que se passam foram todos bons, vou correr com Blue, escola, trabalho e casa. Jake não falou comigo sobre o beijo, na verdade mal nos vimos desde o ocorrido, não comentei com ninguém. Trabalhar com John era ótimo, algumas vezes, quando fechávamos o café, ele me dava carona até em casa ou as vezes eu ia caminhando, coisa que eu não me importava pois sabia que a cidade era muito tranquila. Domingo chegou e Alice estava lá com seu namorado Peter toda risinhos bobos e beijos, seu tio se forçava a não olhar para lá, se olhava dava para perceber que não estava confortavel .
– Oque você vai fazer hoje? — Alice perguntou quando fui levar seu chocolate — Vamos assistir um filme, quer vir conosco?
– Não mesmo! Vou me encontrar com Rick — Falei olhando sua reação, ela se levantou e me puxou até a cozinha. — Um minuto! — Gritei para meu chefe.
– Quando você ia me contar que estava toda amiguinha do lobo Alfa ?- perguntou brava
– Hoje, e contei agora, porque esté tão brava assim? Eu confio nele, ele é legal
– é um lobo! — Falou cruzando os braços
– Não seja absurda Alice. Olha tem muita coisa acontecendo que eu não te contei, sinto muito mas com o trabalho e o seu recente namoro eu resolvi deixar pra lá por hora.
– Fale agora então. — suspirei
– Resumindo, Jake me beijou, eu beijei ele, não nos falamos mais e ele não me ligou e nem nada. Me esbarrei em Rick, ele legal, gosto dele, vamos sair para conversar — pronto
Alice estava de olhos arregalados.
– Emily! Preciso de você — John gritou
– Desculpa, depois conversamos sobre isso — Falei a conduzindo para fora e indo trabalhar.
Mais tarde quando fechávamos o café, Rick estacionou uma caminhonete na frente, sorri e logo percebi Blue deitado na parte de trás, ergui as sobrancelhas esperando uma justificativa.
– Ele apareceu quando estava vindo para cá. — Rick falou quando saiu para abrir a porta pra mim. Cavalheiro, gostei
– Blue, oque está fazendo aqui? — Sussurrei
– Acha que vou deixar você sozinha com ele? Não mesmo — Falou e resolvi deixar pra lá.
Durante a trajetória Rick foi me falando de seu emprego, das pessoas com quem ele trabalhava e pessoas que ele conheceu, falou que comprou a caminhonete com um dinheiro que havia sobrado com a compra da casa. Perguntei de onde ele havia tirado tanto dinheiro e apenas me respondeu que os pais tinham feito uma poupança para ele para a faculdade, mas como não foi, o dinheiro ficou no banco, perguntei se ele tinha planos de voltar a estudar, ele falou que sim.
Falar com ele era fácil, era como andar, era normal. Paramos em uma estrada de terra que era caminho para sua casa, descemos e começamos a andar com Blue nos seguindo.
– Então, qual é a desse cachorro? — Começou com as perguntas.
– Ele é meu guardião.. Ou algo parecido, não sabemos muito bem oque eu sou, mas ele é uma parte de mim, podemos nos comunicar. — Olhei para ele esperando ele me olhar assustado — E ele pode mudar a sua forma para qualquer outro tipo de animal.
– Isso é impressionante, gostaria de ver qualquer hora — Falou saltando de uma pedra e me ajudando a passar.
– Você tem que se transformar todas as noites ou só quando você quiser? — Perguntei lembrando de algumas histórias
– Só nas noites que eu quiser, mas nas de lua cheia é quase impossível não se transfomar, é verdade que ficamos mais fortes, alguns lobos não tem controle, dependem do Alfa para isso.
– E como é?
– Dificil de explicar — Coçou o queixo — oque sentimos é magnifico, é como se realmente fossemos livres.. Quando nós nos transformamos e aprendemos a nos controlar é como se tivesse uma força dentro de você querendo sair e nas noites de lua cheia ela meio que explode.. — Suspirou — como eu disse, difícil de explicar.
– Entendi
– E como você veio parar aqui? — Perguntou na hora que eu escorreguei ao pisar num monte de folhas molhadas. Ele pegou o meu braço evitando de cair de cara no chão
– Obrigada. Bom, minha mãe não gosta de ficar no mesmo lugar, sempre em busca de uma aventura.- Falei
– Não sei porque, mas acho que é pelo som de seus batimentos cardiacos que acho que você não está falando tudo — Acusou, eu ri.
– Não — Olhei pro chão -Minha mãe engravidou muito cedo, os pais queriam que ela abortasse ou desse o bebê para adoção, coisas que ela nunca teria coragem.. Meu pai morreu quando eu era um bebê, eu tinha 2 anos e meio, ele foi para a guerra e nunca mais voltou. Meus avós paternos sempre apoiaram minha mãe, até pagaram a faculdade dela e tomavam conta de mim, meus avós maternos ajudavam muito pouco financeiramente, na verdade não posso reclamar, pagaram um pouco mais da metade na faculdade da minha mãe, mas depois disso nunca mais tivemos notícias. — Olhei para ele para ver se ainda me escutava, ele olhava para mim. — Quando minha mãe se formou ela não aguentava mais passar tanto tempo estudando e eu sendo criada pelos meus avós, eu já estava com quase 8 anos quando ela decidiu pegar o diploma e não ser médica. Quer dizer, ela sempre quis ser médica, mas estava perdendo muito de mim! Então nos mudamos para longe, foi quando arrumou o primeiro namorado, não deu certo e nos mudamos, foi assim até esses tempos. Seu antigo namorado a deu um tapa, eu estava lá e vi tudo, fiquei chocada, no dia seguinte bem cedo estávamos na estrada.
– Ela deu parte dele na polícia? — Perguntou preocupado
– Não, ela não quis se meter com ele. — Suspirei — Parece que ele é da pesada.
– De qualquer forma, vocês agora estão a salvo, uma nova vida, certo? — Perguntou sorrindo
– Uma nova vida — repeti.
– Então, esse é o lugar que queria te mostrar — e então vi um dos lugares mais lindos da minha vida,na verdade acho que está no topo da minha lista.
Era um rio com algumas pedras, tinha uma ponte dando passagem para o outro lado, atravessei um pouco suspeita com um Rick se divertindo as minhas custas.
– E como foi que você descobriu oque era? — Continuou com o interrogatório assim que sai da ponte.
– Bom, na noite que mataram Julie.. — E então contei toda história, e rindo com algumas partes
– Espero que esteja com fome pois eu trouxe muita comida! — Disse estendendo um pano e tirando da mochila várias vasilhas com comida. Fiquei envergonhada
– Bom, agora me sinto mal, eu também trouxe, mas nada como você.. — Tirei da mochila Apenas três pedaços de bolo de chocolate e uma limonada. — Sorri.
E então começamos a comer e conversar sobre os meus planos, como eu havia feito com ele no outro dia, não sei como, mas depois de 1 hora parecia que eu conhecia ele desde sempre, eu gostava de conversar com ele, gostava de ouvir suas histórias e adorava que ele realmente prestasse atenção quando eu falava.
– Obrigada por me trazer aqui — Falei me levantando e indo até o rio, molhando meus pés.
– Podemos vir outro dia e passar a tarde inteira aqui, podemos trazer roupas de banho, ninguém passa aqui faz muito tempo. — Olhou para mim e foi ao meu lado — Temos que conhecer o lugar aonde moramos.
– é mesmo — Sorri e me abaixei para jogar água nele — Está muito gelada? — E sai correndo quando ele me olhava surpreso.
– Não acredito! Vai ter volta! — E correu atrás de mim.
– Duas crianças — Disse Blue deitado na ponte, joguei água dele.
Brincamos durante um tempo até eu me sentar procurando folego de tanto rir.
– Acho que temos que ir antes que fique escuro. — Falei começando a juntar as nossas coisas.
– Tem medo de escuro novata? — Disse Rick se aproximando de mim
Sorri e me aproximei dele — Não, só das coisas que ele guarda. — falei
– Eu te protejo das coisas do escuro — Ele se aproximou mais de mim.
E então eu o beijei, eu geralmente não era assim tão solta e espontânea, mas eu me sentia tão a vontade com ele.. Coloquei meus braços em vonta de seu pescoço enquanto ele abraçava a minha cintura e me erguia para ficar da sua altura, ele aprofundou o beijo e eu puxei seus cabelos para o impedir de se afastar de mim, era isso que eu queria, que ele não se afastasse nunca.
– Temos que ir.. mas eu não quero — Falou beijando meu pescoço
– Nem eu.. — Falei de olhos fechados completamente entregue aos carinhos
– Então vamos antes que eu mude de idéia e não deixe você ir — Falou
Nos soltamos com má vontade e fomos terminar de arrumar nossas coisas, na volta foi melhor, Rick continuava com suas perguntas como: músicas que eu gosto e etc, segurando minha mão, volta e meia trocávamos olhares e sorriamos um para o outro. No carro não parava, as vezes ele passava a mão pelo meu rosto e se curvava para um beijo, acho que entendia oque Alice sentia com o encontro perfeito.
– Então tenha uma boa noite — Disse ao estacionar na porta de minha casa.
– Boa noite — Nos beijamos e fui para minha casa sorrindo, quase vendo anjos.
Cheguei e vi que a minha mãe estava na janela, aposto que tinha visto tudo, olhou para mim, lá vem.
– Blue, vai deitar — Mandei
– E perder isso? — Se sentou ao meu lado.
– Aonde você estava? — Perguntou
– Em um piquenique — Respondi olhando para ela
– Quem era aquele?
– Rick
– Passou a tarde com ele? — Perguntou ainda sentada, revirei os olhos
– Olha, quer saber dos detalhes?
– Não
– Pois vou contar do mesmo jeito — me sentei na frente dela — Ele trabalha em uma oficina perto do café, nos conhecemos, ele me chamou para ir para um piquenique e eu aceitei, conversamos e nos beijamos, e você quer saber? Adorei. — Sorri com o meu pequeno discurso.
– Quantos anos ele tem? — Perguntou
– 20
– Estuda?
– Não, mas pretende. — respondi desconfiada
– Um mecanico? — Suspirou
– mãe, sério que agora você vai ser assim? Já foi melhor, e dai do que trabalha? Pelo menos é honesto ne? — Me levantei indignada.
– Tem razão, me desculpa, acho que só estou estressada, acredita que as enfermeiras pretendem entrar de greve de novo? -
E começamos a conversar, fizemos um macarrão simples no jantar e nos sentamos. Conversamos até tarde da noite, como sempre fizemos.
Na manhã seguinte entrei feliz na escola na minha aula que tinha junto com Alice, Lucas e Hanna.
– Vou nem perguntar como foi o encontro, vejo na sua cara que foi ótimo! — sussurrou Alice para os outros não escutarem.
– Temos que conversar — Falou Lucas sério.
– Tudo bem, oque aconteceu? — Perguntei preocupada.
– Uma criança desapareceu noite passada.
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