Concurso Apocalipse 2012- Lights Out
1 Ready Aim Fire
Notas iniciais
Península de Yucatán – México – centenas de anos atrás.
Dia, um grande salão com suas paredes e pilastras com vários desenhos coloridos nelas, um homem entalhando uma grande pedra no centro. Um segundo homem dando palpites. Quando entra um terceiro homem e pergunta em Protomaia (uma antiga língua maia):
– Como está ficando? Você lembra-se do que ele falou? Deve ser perfeito esse calendário!
– Sim senhor governador! – diz o que está a entalhar a pedra.
– Está saindo como o planejado! – diz o segundo homem – não se preocupe com nada senhor!
Os dois homens saem da frente e mostram totalmente ao governador o andamento da obra. O está ainda incompleto mais já podemos percebem do que se trata pela metade entalhada, mais ainda rasa... É o conhecido por nós, calendário maia.
População mundial atual: 7.021.836.029
O mundo anda normalmente, como há anos vem vindo. Apesar de anos terem descoberto o calendário maia, e a todo este tempo o estudar. Varias teorias dele foram feitas, entre elas, a que o mundo acabaria em 21/12/2012, e entraria em uma nova era. Muitos acreditam nessa teoria, muitos outros acreditam que é só uma teoria, uma teoria. Por ser véspera dessa data do fim do mundo já é o assunto que todos estão falando, inventando teorias do que irá acontecer, como meteoros, o céu vai cair, Deus vai retornar a terra, o Diabo irá matar todos, etc...
No entanto, não havia sido nada disso. Não veio como uma explosão, ou nem com o total silêncio. Veio espreitando ao redor, observando todos os movimentos de todos os seres humanos, como uma serpente esperando o momento certo de atacar a sua presa.
Noite do dia 21 de dezembro de 2012
Nada havia acontecido, os céticos diziam que era uma baboseira acreditar em coisas como apocalipse, zumbis, um vírus que irá dizimar toda a sociedade, todas aquelas teorias estupidas que os fanáticos haviam criado. Então veio o clarão.
A maior parte da Ásia havia sumido: China, Japão, Índia, Filipinas, as duas Coreias e o Vietnã. Despareceram como se nunca houvessem existido.
22 de dezembro de 2012
Nova Zelândia- 08h40min- País também desaparece.
Rio de Janeiro- 10h30min- Parte da população relata ter visto clarões antes de uma parte das pessoas desaparecerem do mapa.
Vários países começaram a relatar desaparecimentos, clarões e vozes vindos de algum lugar desconhecido, até que a ONU recebeu vários e vários alertas sobre luzes aparecendo em todos os cantos do planeta, de forma inexplicável e quando se era pedido respostas, não aparecia nenhuma. Ninguém esperava que o mundo fosse acabar daquela maneira, subitamente. Fizeram a recontagem populacional e ficaram abismados. 4.073.082.549 de pessoas no mundo.
—Watson, as pessoas estão relatando ver figuras nesses clarões. E no Rio de Janeiro as pessoas ficaram sem energia, completamente no escuro.
—Exatamente como aconteceu nos países que restaram. Mais relatos acabaram de aparecer e... Alienígenas? Acho que enlouqueceram. Não existe alienígena
As luzes oscilaram. Pessoas gritaram assustadas. Objetos caíram no chão, do teto e os deixaram sem a lâmpada principal, mas ainda havia a iluminação artificial dos computadores e do telão. E subitamente, formas estranhas surgiram na frente daquela luz e falaram algo em uma língua desconhecida, antes de fazer metade das pessoas que estavam ali sumissem em um súbito clarão.
With our backs to the wall, the darkness would fall
Never quite thought we could lose it all
Ready aim fire, ready aim fire
An empire's falling just one day
You close your eyes and the glory fades
Pessoas ficaram sem famílias, filhos ficaram sem pais ou vice-versa. Qualquer um na Central de Sobreviventes havia perdido alguém para aquela constante ameaça de outro mundo, que quando queria levava pessoas dali, sem explicação alguma e elas nunca voltavam e logo eram dadas como mortas. Alec Maddox perdeu os pais e o irmão mais velho para eles. Estavam em Nova Zelândia quando isso aconteceu.
‘’—Papai! Olha! Luzes de natal no céu!
Apontava para as diversas luzes que vinham do céu, mas não ouvia os gritos de desespero das pessoas abaixo deles. O irmão, Nate, sorriu para ele, bagunçando os cabelos negros. A família estava indo em direção ao aeroporto, para partirem de lá, e tudo era um caos. Eram 07h40min. Quinze minutos para o voo deles para Leavenworth, Washington.
No entanto, havia algo errado. Os pilotos para aquele voo haviam sumido misteriosamente, sem deixar nenhuma pista, e não havia outros para substitui-los. Nate chegou a se oferecer, mas a mãe não permitiu que o mais velho fosse, era para todos eles ficarem juntos.
Eram 08h30 quando tudo deu um apagão. Alec havia ido ao banheiro quando as luzes ainda estavam acesas, mas tinha medo de voltar para onde estava a família. Ouviu sussurros e sibilos, como se houvesse cobras espreitando para dentro do aeroporto. Checou o celular mais uma vez: 08h38min. Gritos de socorro e a mãe gritando o nome do mais velho, pessoas correndo, tendo infartos e ataques de asma e outras gritando: ‘’monstros!’’ 08h39min, grunhidos e rosnados e passos vindos à direção de um garoto assustado. Um grito feminino e os passos saíram de perto do banheiro.
Alec ergueu a cabeça detrás da lata de lixo que havia se escondido, e olhou a mãe pela ultima vez, e jurou ter a visto sorrir. Sorrir e dizer: ’’ filho, corra. ’’. 08h40min, uma calmaria e o local estava vazio, como se não tivesse aberto ainda. A voz do aeroporto ainda dizia: Passageiros do voo 304 para Leavenworth é a sua última chamada. E uma voz sombria acompanhou: E agora esse país deverá sumir. ’’
Nem ele mesmo sabe como sobreviveu. Viu-se no oceano, boiando graças ao suéter e a mochila nas costas. E que nadou um bocado antes de ver um barco e alguém estender a mão para ele, ele entrar no dito barco e depois apagou exausto.
—Argh, como eu odeio essa memoria. Maldito seja aquele dia. Qual é a parte de que nós somos os seres mais inteligentes da galáxia eles não entenderam?
—Bem Alec, se de fato fossemos os seres mais inteligentes da galáxia, por que acha que fomos totalmente massacrados por uma coisa que nem podíamos ver?
—Arrogância, senhora... uh...Oakley.
—Correto, Maddox. Mas é exatamente o que você está sendo. Arrogante. Por isso é tão solitário por aqui.
—Não preciso de ninguém. Só da minha cabeça mesmo.
Os olhos negros do garoto fitaram a floresta densa que tinha a sua frente, e apenas esperava o momento em que os ditos inimigos saíssem dali para pegar os restantes. Os que não deveriam ter sobrevivido. Os que fugiram para sobreviver. Eu só quero ter que desaparecer também.
—Hmph... entendi.
Aquela não era mais a voz da senhora Oakley, era uma mais masculina, de uma pessoa que ele já havia se desgastado só de ouvi-la.
—O que quer Frederick? Perturbar-me mais uma vez?
—Não, estava apenas observando. Você tem uma tendência suicida. Sabe que é desprezado por uma parte, mas não sabe que tem outras que ainda se perguntam como saiu de lá. Como foi ter testemunhado um massacre sem ao menos ter visto.
—Medo. Com catorze anos, é o que eu senti. Medo. Convivo com isso há dois anos, desde o momento que me encontrei naquele aeroporto. Sabe, minha mãe me disse para correr. Foram as ultimas palavras dela. Mas eu sei que quando eu corri, um deles me viu, apesar do cuidado que eu tomei. Eles estavam na luz, que incidia em quase todo o lugar e ainda estava de manhã cedo e um deles viu minha sombra, mas me deixou escapar. Engraçado que ele poderia dizer para os colegas que um de nós havia sobrevivido, mas só foi embora. Só queria que eles parassem com isso.
—Sabe que eu acho? Está se desgastando bastante, Alec. Se quiser que eles parem, faça-os, não fique aqui parado.
Quando Alec abriu a boca para responder, um sinal sonoro foi-se ouvido. Ao longo dos dois anos, eles desenvolveram um sinal para cada tipo de coisa: um para entrar, já estava anoitecendo, dois uma invasão e três alguém foi raptado depois de uma invasão.
—Não estou afim de entrar ago—
Segundo sinal. Tudo começou a ficar escuro, com uma luz vinda de dentro da casa. Por instinto, Frederick segurou a mão de Alec e caminhou em direção à luz, apertando o braço do garoto atrás de si com tamanha força que podia jurar que causaria uma gangrena e ao adentrar no local correu para detrás do sofá para observar o que estava acontecendo.
Pessoas entravam em seus quartos rapidamente, mas os invasores não estavam nem um pouco preocupados com elas. Falaram uma língua estranha e começaram a se dispersar pela casa, procurando por alguém.
—Quem será que eles estão...?
—Sou eu. Eu fui o único que escapei na Nova Zelândia e...
—Por que eles viriam atrás de você depois de dois anos? Não faz o menor sentido. Precisamos ir embora daqui, agora. É a nossa única chance de fugir. Ou quer ser capturado sem ao menos ter lutado?
Alec suspirou pesado, e assentiu. Os dois caminharam para a direção da saída e tropeçaram em algo que não tinham visto antes.
—Corpo. Espera, eu não me lembro de ver a senhora Oakley caminhando com os outros, e quando falei com ela, você apareceu do nada. Matou ela?
—Para que eu mataria? Raciocine, se ela estava com você e eu apareci no mesmo momento, então era de se supor que ela estava do meu lado, caminhou sem você ouvir e...
—Se estiver mentindo eu juro que acabo com você. Por ora, melhor nós corremos daqui antes que eles nos vejam.
Quando os dois colocaram o primeiro pé fora da casa, uma voz arrastada foi-se ouvida:
—Onde pensam que vão, humanos?
—Huh... eu entendi o que eles estão falando. Frederick, isso é alguma influencia sua?
—Parece que não vai dar para eu esconder isso por mais tempo não é? Eu... já fui sequestrado por eles. Bem, eu diria que eu desapareci dois anos atrás, mas de alguma forma eu... fugi. Eu estava no Japão, eram as minhas férias da universidade. Quando eles apareceram, eu estava em casa, com uns dois amigos que tinham vindo comigo, mas nenhum dos dois viu quando fui levado. De qualquer forma, eu fugi o lugar lá era horrível.
—Entendo. Espera, não estou entendendo nada, Frederick. Como você... e...
—Compreendo que esteja confuso. Sabe que é engraçado? Eu fugi para lá exatamente quando a Nova Zelândia foi apagada. Consegui ouvir uma mulher murmurar: ‘’ Será que meu filho correu?’’ Era sua mãe. Não sei se está viva agora, mas...
—Fred. Cala a boca. Disse que o principal objetivo era fugir daqui não era? Eu estranhamente não estou me importando com o seu passado, todo mundo daqui deve ter tido algum trauma, só muda a intensidade dele. Entendeu?
Enquanto ele assentia, um tanto surpreso, as criaturas estavam investindo para cima deles, que correram em disparada dali, assustados. Mas perceberam a burrada que fizeram, porque era no anoitecer que aquelas criaturas ficavam mais poderosas e levavam as suas vitimas, o que era estranho já que eles fizeram diversos países desaparecerem na madrugada e no amanhecer, o que levou aos humanos restantes uma hora de não sair de casa: a escuridão.
Sabem que podem se entregar a nós, não sabe? Por que não aceitam o destino de vocês?
—Não queremos saber disso. Some.
“Estupidez a minha. Sou eu que estou saindo na hora errada, não eles, mas o que eu poderia fazer? Ser carregado como minha família foi?”
We don't have a choice to stay
We'd rather die than do it your way
—Frederick, não precisarei de momentos altruístas, então se algo acontecer comigo, não se sacrifique. Apenas vá!
—Entendi. Bizarro você! Há quanto tempo estamos correndo?
—Meia hora. Estou para desabar aqui, mas estou cheio de adrenalina, por quê?
—Ah nada, acho que devíamos parar um pouco, e de qualquer maneira, preciso falar para você o que provavelmente fizeram com a sua família. Não me olhe assim, eles fazem isso com todos. Primeiro, o desmembramento, que é feito manualmente mesmo, com o sangue jorrando na sua cara todas as vezes que eles faziam isso, depois arrancavam a pele, os órgãos e usavam como bem entendiam, até de decoração servia. Às vezes eles comiam e nos davam para comer, e se recusássemos éramos o próximo jantar. Algumas pessoas eram torturadas por maldade deles ou quando eram mal educados, as mulheres eram estupradas antes de morrerem, algumas vezes até homens. Não, eu não fui estuprado ou nada do tipo, eles só... arrancaram a minha mão direita. Quando consegui fugir, alguns médicos me encontraram e colocaram uma mão robótica no lugar, mas eu sempre vou lembrar-me da dor.
—Ah, nossa. Eu não... caramba. E aí, alguma ideia de como pelo menos podemos destruí-los?
—Jovens e adultos. Não vi nenhuma criança ou idoso lá, por incrível que pareça. Teríamos que envelhecer alguns anos ou rejuvenescer alguns anos, mas isso é humanamente impossível. Espera... neutralizar, neutralizar.
—Não podem fazer nada contra nós, seus pirralhos malditos de dezesseis anos.
—Primeiro, eu não tenho dezesseis, tenho dezoito. Ele é que tem, não é Alec?
—Ah, sim, é. Espera, Frederick, eles estão aqui! Corre!
—Sua cabeça. Eles invadem a sua cabeça e te amedrontam. Se você tentar lutar é pior, houve alguns casos de pessoas como eu que voltaram, mas tiveram seus corpos literalmente tomados, como uma possessão ou algo do tipo e perdiam qualquer consciência humana. Se quiserem, podem tomar o corpo de outro humano quando bem entenderem. É quase como aquele Joseph Kingsley que estava aqui ano passado, ele era um desses possuídos e matou a família e logo após se transferiu para o corpo do Evan Flynn. Parece que não conhece ninguém lá de dentro, não é?
—Bem, eu preferia ficar sozinho, mas eu ouvi falar disso aí. O tal Evan até me perguntou uma coisa antes de sumir, acho que já estava possuído. Perguntou: “Você não acha a vida humana insignificante? São tão inúteis, mas ainda sobrevivem. Diga-me, como vocês, meros vermes comedores de animais conseguem sobreviver a tudo?”, eu até me assustei e fiquei estupefato. O mais estranho foi que ele me encarou por míseros cinco segundos e disse: “Eu vejo em você um olhar diferente desses humanos, um olhar que viu a morte e ainda teria coragem de enfrenta-la, você é um obstáculo.”.
—Suponho que esteja fugindo dele também. Mas não temos para onde fugir, eles possuem o controle do mundo todo!
—Eu notei um ponto fraco. Não no Evan, mas no parasita. A base da coluna, perto do quadril e obviamente o cérebro e o coração.
—Despedaçar seria melhor. É, despedace-o assim que o encontrar.
—Que não seja agora. Bem, para onde vamos?
Back in the casing, shaking and pacing
This is the tunnel's light
Dois anos depois, eles encontraram Evan durante uma expedição no México, e junto a ele encontraram uma horda de invasores. Como o mundo estava um caos, eles simplesmente invadiam shoppings e lojas pegando o que era necessário, como alimentos e armas brancas e de fogo, para utilizar nesse combate e conseguiram destruir cerca de 25% do exército inimigo. Evan teve uma morte bastante dolorosa, diga-se de passagem, nada seu foi poupado, ate mesmo depois da morte, já que foi jogado dentro de sacos separados dentro de um lago como comida para peixe. E naquela altura do campeonato, a humanidade estava começando a lutar e se vingar daqueles que foram sequestrados, fazendo o que podiam desde as linhas de frente ou ser um auxiliar na enfermaria.
Aos poucos, era uma sociedade organizada. Estavam preparados, apesar de terem sido massacrados, mas com um alvo em comum, eles se tornaram fortes. Alec e Frederick se tornaram próximos até o ponto de serem considerados amantes, mas com a sociedade se refazendo, poderia se reconsiderar alguns dos valores impostos. Todos estavam unidos, prontos para eliminar o alvo.
Ready aim fire, ready aim fire away (fire!)
Ready aim fire, ready aim fire away
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