Concrete Heart

24 Epilogue - Last Choice


Notas iniciais
Oiiii, finalmente terminei haha. Espero que gostem. Boa leitura.

Fale comigo suavemente

Há algo em seus olhos

Não abaixe sua cabeça na tristeza

E por favor, não chore

Eu sei como você se sente por dentro, pois eu também já me senti assim

Algo está mudando dentro de você

E você não sabe...

Eu estava no quarto do Victor, sentada na cadeira perto da janela, olhando por uma fresta da cortina, a rua lá em baixo.

— Pai, eu quero conversar com... Quer dizer, falar uma coisa — Victor falou, no andar de baixo.

— O que houve? — Charlie perguntou, tenso.

— É que...

— Ah, meu Deus! Eu não acredito!

Escutei Charlie se levantando da cadeira, e ela tombando no chão.

O quê!?

— O que foi, pai? — Victor perguntou.

— Eu pedi tanto, Victor, tanto. Eu disse para tomar cuidado. E agora?

— E agora o quê? Pai, do que você está falando?

— Dela, Victor! Eu estou falando da Angel. Como você pôde ser tão irresponsável? Vocês dois, na verdade. E a sua mãe? Você pensou na sua mãe? No que ela vai dizer quando souber?

— Bom, eu já tenho 18 anos, sou de maior.

— É de maior? Você acha que 18 anos é a idade para ser pai? Você nem sabe o que é isso, Victor!

— Pai? Você acha que...? Fala sério! Ela não está grávida.

Eu quase pude visualizar Victor revirando os olhos.

— Você realmente não confia em mim, não é? Não dá para falar com você. — Victor disse, a irritação em cada palavra. — Não para conviver com você. É sempre a mesma coisa! Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando decidir vir morar com você!

Escutei seus passos na escada.

Com certeza um Victor furioso entraria por aquela porta.

— Victor, volte aqui agora! — Charlie gritou.

— Me esquece!

Ele entrou no quarto e bateu a porta com força.

— Acho que não deu muito certo — sussurrei.

— Não ligo. Não estou nem aí. — Victor falou. — Qualquer coisa que eu digo, ele acha que vou dizer que você está grávida!

— Victor, se acalma...

— Me acalmar? Ah!

Ele passou a mão pelo rosto.

— Desse jeito seu pai vai achar que você está louca por estar falando sozinho — eu disse.

Ele revirou os olhos.

— Ele só está preocupado com você — falei.

— Se preocupar é uma coisa, agora, desconfiar é outra — ele rebateu.

— Brigar com seu pai não vai ajudar em nada – eu disse.

Victor me encarou e então se jogou na cama.

— Não dá. Isso me irrita. Meus instintos adolescentes são muito poderosos.

Tentei segurar o riso, mas não deu muito certo.

Ele suspirou. Levantei-me, e me sentei na cama ao seu lado.

— Victor...

Ele se levantou e pegou minha mão.

— Não começa com isso – ele disse.

— Você não...

— Sei, sim.

— Quando eu estou perto de você, não consigo pensar direito. Eu vou te machucar...

— Que bom... Vou ficar bem, não se preocupe.

Suspirei. Decidi mudar se assunto.

— Tem certeza sobre isso? Você sabe... Charlie, Renée... Penny.

— Tenho certeza sobre você. Com o resto eu posso viver. Eu vou sentir falta deles, mas...

Ele já havia decidido que não iria voltar, depois da viajem seria definitivo.

— Jéssica... — eu disse.

— Ah, meu Deus, a Jéssica! Como eu posso viver sem ela? Vai ser difícil.

Trinquei o maxilar e o encarei.

Ele riu, mas logo ficou sério de novo.

— Amor, conversamos sobre isso. Vai ser difícil, mas é o que eu quero. Eu quero você... – ele disse, e aproximou o rosto do meu. — E eu quero você para sempre – completou, esbarrando os lábios nos meus.

— Congelado para sempre. Aos 18 anos – sussurrei.

— É o sonho de qualquer um – ele disse, sorrindo.

— Você nunca vai mudar. Sabe, nunca mesmo.

Ele se distanciou, e franziu a sobrancelha, me encarando.

— Do que você está falando? – perguntou.

— Charlie... Ele pensou que eu estivesse grávida.

— E então pensou em me matar. Admita, por um momento ele realmente pensou nisso.

Ele riu.

Percebi que ele não estava mais irritado com o pai. O que era bom.

— Angel, o que foi? – ele insistiu, passando o polegar por meu lábio inferior.

— Eu queria que... Que tivesse um jeito de ele estar certo. Que houvesse uma maneira disso acontecer. E... Eu odeio tirar isso de você.

— Ugh! Por que você acha que eu iria querer ter filhos? Eu não gosto de crianças. São barulhentas e não tem botão de desligar.

Revirei os olhos.

— Você pensa assim agora – falei.

— Angel, eu sei o que estou fazendo.

— Sabe? Victor, você tem 18 anos. Só pensa em garotas e em álcool. Tudo bem, que não necessariamente em álcool. Mas você me entendeu.

— Também não penso em garotas. Só penso em você.

— E eu...

— Singular, não plural.

— OK. Mas não é essa a questão. Você é novo demais...

— Você também.

— Mas eu não tive escolha. Você tem.

— E já escolhi.

— Olha para o Carlisle. Por que você acha que ele e Esme cuidam de todos nós? Sem contar em Jasper e Emmett, que me tratam como se eu fosse uma criança. Todos eles estão me usando para substituir algo que não podem ter. Mas você pode.

— A única pessoa com quem eu iria querer ter um filho, é você. Então, problema resolvido.

— Não tem nada resolvido.

— O que você quer, Angel? Eu realmente não te entendo. Você quer ficar comigo, mas não quer que eu fique com você.

— É complicado.

— Jura? Eu nem tinha percebido.

— Está sarcástico – acusei.

— É para não me irritar com você.

Mordi o lábio inferior.

Ele segurou meu queixo e me fez encará-lo.

— Esquece isso. Eu não te culparia por uma coisa que eu decidi fazer.

— Mas eu me culpo por você decidir isso.

— Não deveria – ele disse, e então sorriu. – Você tem dois anos para se despedir de mim como humano.

— E então?

— E então... Eu vou ser mais forte do que você, finalmente – ele disse, rindo.

— Como você pode fazer piada com isso?

Ele piscou para mim e me deu um beijo rápido.

— Amanhã eu falo com meu pai... Se ele estiver de bom humor.

— Sei. É bem ele quem está de mal humor.

— Agora é você quem está sendo sarcástica.

Eu ri, e ele me interrompeu com um beijo.

Eu nunca realmente acreditei que pudesse fazê-lo mudar de ideia. Mas eu tinha uma esperança de ganhar tempo... Mais do que dois anos. O problema é que no fundo, eu não quero uma mudança. Todas as escolhas nos trouxeram até aqui.

No início, eu falei sobre a ordem cósmica que preside a vida humana – e aquelas quase humanas também, talvez — as Parcas. É que e sempre achei que os mitos nos ajudam a entender as relações humanas e guarda em si o entendimento do mundo e da nossa mente. A mitologia grega, repleta de lendas históricas e contos sobre deuses, batalhas heróicas e caminhos sobre a verdade, nos revela a mente humana. Eternos, os mitos estão presentes na vida de cada ser humano, não importa em que tempo ou local. Caos era o deus grego primordial. Representava a desordem inicial do mundo. Caos representava, ao mesmo tempo, uma forma indefinida e desorganizada, onde todos os elementos encontravam-se dispersos, e uma divindade rudimentar capaz de gerar. No mito de Caos, a desordem uniu-se à noite para criar o destino, que dizem ser cego, sem visão física, mas com visão espiritual. O destino não sabe o que está em sua frente, mas sabe o que vem pela frente. Deus primordial, o Caos está na vida das pessoas que se esquecem de viver bem o presente para criar melhor o seu futuro. Todos nós temos oportunidades de fazer as coisas certas, das atitudes moderadas para construir um futuro digno de um final feliz. Porém se nos deixarmos corromper por pensamentos e atitudes negativas, estaremos criando o nosso Destino, fim cruel para aqueles que esquecem que o Destino se faz. Quem não cria seu destino e vai a cegas pela vida, com certeza dá sorte ao próprio Caos.

E, ok, por um segundo eu vou contra ao o que eu acredito, onde estas figuras antigas são apenas sobre-efeitos de nossa inconsciência. Ou seja, só nos damos conta delas quando através dos efeitos externos, "destino”, surge diante de nós. Talvez o Caos seja a vivência de outro eu que mora dentro de nós e que projetamos no mundo visível, para assim culparmos os outros ou às circunstâncias pelas mudanças repentinas em nossas vidas.

Porque são as mudanças que nos fazem entender nossas escolhas de ir em direção a várias situações, caminhos e pessoas. O destino não vem ao nosso encontro, somos nós que vamos de encontro a ele.

Me dê um sussurro e me dê um sinal

Me dê um beijo antes de você me dizer adeus

Não leve isto tão a sério agora

Eu ainda estarei pensando em você

E nos momentos que tivemos, querida

E por favor, lembre-se que eu nunca menti

E por favor, lembre-se

Como eu me senti agora, querida

Você tem que fazer seu próprio caminho

Mas você se sentirá bem, doçura

Você se sentirá melhor amanhã

Venha para a luz da manhã agora, querida

Notas finais
Último capítulo de Concrete Heart. Já estou terminando a última parte da Trilogia Heart. Obrigada a quem leu até aqui. Adoro vocês. XOXO
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!