Concrete Heart

12 Capítulo 3 - Insecurity, Emmett and... Red Blouse!?


Notas iniciais
Heeey, guys! ♥ Boa leitura!

A clareira estava em silêncio. O mundo parecia estar dormindo. É claro que era outra visão. Eu não estava na clareira. E nada estava em silêncio. Afinal, Emmett estava por perto. Meus olhos embaçaram e se focaram no cenário à minha frente. Emmett e Victor estavam jogando videio game. O barulho dos tiros era ensurdecedor. Como eles conseguiam jogar aquele troço?

Os últimos dias tem sido... Difíceis. Eu não queria me preocupar com minha relação com Victor, ou a relação dele com Jane, ou a minha com Ephrain. Aquilo já estava me confundindo. Havia coisas mais importantes acontecendo. Coisas como James.

Mas Victor se recusava a cooperar. Eu sabia que ele arrumaria um jeito de me impedir de encontrar James. E o jeito dele foi Emmett. Agora meu irmão mais irritante se recusa a sair de perto de mim, e se eu sair de perto de Victor, Victor acaba ficando sozinho.

Revirei os olhos. Eu nunca deveria ter apresentado esses dois.

Minha cabeça parecia querer explodir, ela não doía, só estava cheia de coisas pesadas e acontecimentos prestes a desmoronar em cima de mim.

— Ele está chegando perto – eu disse e os dois se viraram para mim.

— James? – Emmett perguntou.

— Não, Napoleão – eu disse e revirei os olhos.

— Você está estressada, hein – ele disse.

— Você consegue ver onde ele está? – Victor perguntou.

— Talvez. Eu vejo um lugar... O mesmo lugar o tempo todo – respondi. – Mas eu não vejo ele lá.

— E o que você vê?

— Nada.

— Nada? – Emmett perguntou.

— Absolutamente nada.

— Isso é estranho.

— É. Espera... Você teve essas visões do tipo nada antes, lembra?

Eu balancei a cabeça negativamente, um sinal para ele parar de falar. Mas o que Emmett tem de tamanho ele tem de burrice.

— Não se lembra? Quando você viu Ephrain. Hum... Há uns três meses...

— Você o viu? – Victor perguntou, com sua voz de “por que não me contou?”

— Não...

— Nós estávamos caçando e você só sentiu a presença dele, numa visão. E depois teve outra e outra. E aí finalmente ele chegou...

— Emmett, isso não tem nada a ver – eu comecei, irritada mas Emmett não calou a boca.

— ... vocês se encontraram na clareira. E você disse que era mesmo lugar que você via e sentia a presença dele.

Victor levantou uma sobrancelha.

— Vocês se encontraram na clareira? – ele perguntou.

Emmett parecia totalmente alheio ao que fez, e eu queria esganá-lo!

— Será que você não pode ver os lobos? – meu irmão idiota perguntou.

Salva pelo... Vampiro?

— Você vê o destino das pessoas. Os lobos não tem nenhum rumo. Faria sentido você não vê-los – Victor disse.

— Talvez Carlisle saiba alguma coisa sobre isso – Emmett disse.

Rosalie entrou na sala.

— Alguma coisa interessante? – ela perguntou, se sentando no colo de Emmett.

— Talvez – ele respondeu e a curiosidade dela se acendeu como lamparinas.

— Vou falar com Carlisle – eu disse, indo em direção à porta.

Emmett se levantou junto com Rose.

— Vou junto – ele disse.

— Não sei se você reparou, mas a bola brilhante e amarela no céu está lá neste exato momento – eu disse e ele voltou a sentar.

— Então você fala com Carlisle quando ele chegar. Ou então você liga para Jasper, ele pode saber as mesmas coisas que Carlisle. E com certeza está entre quatro paredes na Flórida, já que, bem, a bola brilhante e amarela está por todo o céu.

— Prefiro falar com Carlisle. E eu odeio celulares – eu disse, me virando.

Ele apareceu na minha frente. Escutei Rosalie suspirar.

— Lá vamos nós de novo – ela disse.

— Se eu pretendesse ir atrás de James, eu já teria ido. E qual a parte do “eu não sei onde ele está” que você não entendeu? – me irritei com Emmett.

Ele não se abalou, e apenas ficou me encarando.

— Rose! – eu a chamei.

— Não vou entrar nessa. Ele está certo – ela disse.

— Sério? Eu não preciso de babá – eu disse.

— Com suas atitudes ultimamente, você precisa sim – Emmett disse.

— Eu odeio você – eu disse e ele sorriu.

— Eu também te amo, maninha.

Subi as escadas com raiva, mas tentei me controlar ao fechar a porta do meu quarto. Esme não iria gostar de chegar em casa e ver que sua preciosa porta feita de carvalho branco havia sido destruída.

Em menos de cinco minutos alguém bateu na porta. Não ouvi nenhum pensamento. Então deixei que entrasse. Eu não queria nenhum vampiro perto de mim. Ou sendo melhor específica: nenhum ser imortal. Por que eu não responderia por mim sabendo que se eu o jogasse pela janela, ele não morreria.

Victor se deitou na cama e me encarou.

— Eu sei que você precisa pará-lo, antes que ele machuque alguém... Mas você tem que parar, antes que ele te machuque. Está sendo imprudente. Não está pensando direito – ele disse.

Eu sabia que ele tinha razão. E, para mim, é difícil admitir isso.

— Você não vê o que eu vejo. Ninguém vê – eu disse.

— E o que você viu? – ele perguntou.

Não respondi.

Ele suspirou e se levantou, se sentando na cama.

— Tudo bem. Eu tenho que falar com você sobre...

— Sobre?

Ele respirou fundo. Eu sabia que não ia gostar.

— Amanhã eu vou ficar com a Jane...

— O QUÊ?

Ele franziu a sobrancelha, estranhando meu ataque. E então entendeu o que ele mesmo disse.

— Ah, não é disso que eu estou falando... Fala sério! Eu vou passar o dia com ela. Só isso – ele disse.

Revirei os olhos.

— Por quê? – perguntei.

— Por que... Por que ela é minha amiga.

— E desde quando homem é amigo de mulher? – perguntei sem pensar.

Victor revirou os olhos e suspirou.

Só ele não percebia. Aquilo não era amizade. Nos últimos meses, aquela garota cresceu, não parecia mais uma menina de quinze anos. Agora ela parecia uma mulher. E, infelizmente, uma mulher bonita. Do tipo que faz os homens pararem e virarem o pescoço. Se seu namorado – ou ex-namorado – tem uma amiga, tudo bem. É complicado, difícil, mas dá para contornar. Mas se ele tem uma amiga bonita... Ah, dá vontade passar com o carro em cima dela. E o pior é que eu sei o que está acontecendo. Ela é uma Black, descendente dos lobos. Ela pode se transformar a qualquer momento, ou talvez nunca. Só não da para arriscar.

— Você e Emmett são amigos, nem por isso eu acho que vocês estão juntos – ele disse.

— É diferente – rebati. – Emmett tem a Rosalie. E a Rosalie é muito gata. Tipo, muito gata mesmo. Eu seria capaz de virar lésbica se ela me desse mole – eu disse.

— Eu nem quero pensar nisso – ele sussurrou.

— Só estou dizendo que é diferente, Victor. Sua “amiga” não tem namorado por que é apaixonada por você.

Ok, fui longe demais. Admito.

Victor não respondeu, apenas cruzou os braços e balançou a cabeça.

Um minuto se passou. Acho que ele estava tentando não ficar com raiva.

— Como você pode ser tão... Egoísta? E insegura!?

— Não sou insegura – eu disse, e até eu mesma pude ouvir a entonação da mentira.

Nem ousei falar sobre o outro tópico. Egoísta! Talvez eu seja. Mas não vou discutir sobre isso.

Nossa! Hoje eu estou falando tanto em talvez...

— Vamos parar, ok? – ele disse, saindo do quarto.

***

Emmett e eu havíamos levado Victor para casa. Nota? Ele não se esqueceu da conversa de ontem e mal olha para mim.

Eu estou errada? Sério! Sou sempre a culpada em tudo em nossas discussões. Sempre!

Era até acho melhor quando ele ficava me pedindo para muda-lo... E olha que eu odiava isso.

FlashBack

Nós estávamos na clareira. De novo. O braço de Victor ainda estava com o gesso. Mas pelo menos ele não estava mais todo quebrado. Não totalmente. Sua cabeça estava em meu colo, e meu cabelo tocava seu rosto.

Ele olhava fixamente para as árvores ao redor da campina.

— O que você quer? – perguntei, eu o conheci bem o suficiente para saber quando ele estava pensando em coisas que quer.

— Você sabe o que eu quero – ele respondeu, olhando para mim.

— É, eu sei... – suspirei. Por que eu fui perguntar? — Você quer a única coisa que não vou te dar.

— Não é como se fosse o fim do mundo, Angel. Isso tornaria tudo mais fácil.

— Não para mim – rebati.

— Especialmente para você – ele insistiu.

— Victor...

— Por favor.

— Não.

— Você não... – ele começou a dizer mas parou.

— Eu não o quê? – perguntei.

— Nada – ele disse.

FlashBack

Até hoje eu não sei o que eu não...

Puxei a blusa de Emmett e, pela primeira vez, ele entendeu o sinal de “eu quero falar com Victor sem você”. Ele deu a desculpa de que ia falar com Charlie e entrou na casa. Emmett entendeu o sinal, mas outra pessoa não.

O carro parou atrás do meu e ela saiu. Bonita... Não linda, não. Eu não vou dizer que ela é linda. Ela é mais alta que eu, seu cabelo é curto – ela parece cortar aquele troço loiro diariamente – e tinha um sorriso estampado no rosto diretamente para o meu namorado/ex-namorado. Ah, a situação ainda está complicada.

Jane anda de forma insegura. Não tem nenhum passo confiante. Ok, eu posso ser insegura, mas isso é apenas em relação ao Victor. Só isso. Ela tirou o cabelo dos olhos e colocou a mão no boço quando olhou para mim. Ela usava uma caça jeans clara, tênis e uma blusa vermelha que ficaria muito melhor em mim.

— Victor, você não pode ir com ela – eu disse em voz para apenas ele escutar.

Mas... Como ela chegou aqui tão rápido.

— Eu sou capaz de cuidar dele – ela disse, se intrometendo na conversa.

— Eu acho que não. – eu disse, sem me virar para ela.

Jane deu passo para frente. Senti seu corpo quase tocar o meu. Me virei para ela e levantei uma sobrancelha.

Quem essa biskate pensa que é?

— Ei, se acalme — Victor sussurrou para ela, segurando em seu braço.

— É, se acalme.

Seu corpo tremeu e Victor continuou perto dela, sem nem hesitar.

— Eu não preciso de babá, então ninguém tem que cuidar de mim — ele disse, mais para ela do que pra mim.

— Você está fazendo isso para me provocar, não é? — eu perguntei.

Ele me encarou por alguns segundos e então se virou para ela.

— Fique aqui — ele sussurrou para ela e colocou uma mão na minha cintura, nos afastando dela.

Ele me puxou em direção ao meu carro e fez meu corpo tocar a porta. Sua mão continuava em minha cintura e discretamente levantou minha blusa até tocar minha pele fria. Seus lábios ficaram a centímetros dos meus, seu coração disparou, sua respiração ficou irregular.

— Meu mundo não gira ao seu redor — ele disse, balançando a cabeça para tirar o cabelo do rosto. Coisa que ele só faz quando está mentindo.

— Ta, que seja. Mas... Ela está parecendo uma... Ela definitivamente não está vestida como uma amiga!

— E agora existe roupa para isso? – ele perguntou, tentando não rir.

— Só não fica com ela.

— Por quê? – ele perguntou inocentemente cretino.

— Você sabe por quê. Os lobos...

— Achei que você confiasse nele. Afinal, quando você ama alguém, tem que confiar nessa pessoa.

— Deve ser por isso que eu confio em você e não nele. Eu estou pedindo...

Sua mão apertou minha cintura e ele mordeu o lábio inferior, olhando para os meus.

— Eu tenho que ir — desviando o olhar para o vidro do carro.

— Victor...

— Eu vou ficar bem. Como sempre fico — ele disse e então me olhou nos olhos. — Mas, Angel, você não tem mais que se preocupar comigo.

Aquilo me pegou desprevenida. Não me preocupar com Victor... Isso era impossível. Mas ele estava certo. Eu não podia. Assim como eu não tinha o direito de pedir para ele ficar, eu não tinha o direito de me preocupar com ele se fosse um assunto tão ridiculamente fora do problema que eu mesma criei. O problema “Vingança do James”. Viu? Eu dou até nome para os meus problemas. Bom, se eu não desse eu ia me perder, são tantos...

— Você está certo. Não tenho que me preocupar com você – eu disse, parando de me distrair. — Vou passar anos da minha existência me convencendo disso, mas vai valer a pena. — eu disse, irritada de repente.

Isso, irritada é bom. Melhor. Eu adoro ficar irritada. Por que eu não fiquei antes? Seria bem mais fácil.

Me desvencilhei de seu braço e abri a porta do carro, mas antes que eu pudesse entrar, ele segurou minha mão.

— Eu não quis dizer isso – ele disse. – Eu só não quero que fique preocupada com... Isso. Eu amo você.

Emmett pareceu finalmente perceber que a garota estava ali e saiu da casa, com Charlie logo atrás. Victor me soltou e se virou para o pai.

— Olá, filho. Angel – ele acenou para mim e olhou para Jane. – Jane.

Ela sorriu para ele. Charlie encarou Victor, depois eu e Jane de novo. Ele fez isso três vezes antes de decidir que não perguntaria nada ao Victor agora.

E as perguntas não seriam nada legais. Ele estava começando a achar que Victor estava com nós duas, depois pensou que talvez eles fossem apenas amigos ainda – infelizmente para ele – e eu Victor estávamos brigando. E finalmente chegou a conclusão de que ele estava terminando comigo para ficar com ela. Enfim, ele não achava que essa última era provável mas queria que acontecesse.

Eu não sou assim tão má. Mas também não fico com raiva das pessoas pensarem mal de mim. Ás vezes eu sou meio excêntrica e grossa. Enfim, eu nem deveria ler pensamentos, seria demais ficar com raiva das pessoas por isso.

— Não desapareça, Emm – Charlie disse, antes de entrar.

— Vamos, gata? – Emmett perguntou.

Ele sabia que eu odiava quando alguém me chamava assim.

— Claro – respondi e entrei no carro, no lado do passageiro.

Eu não estava a fim de voltar para casa, e sempre que Emmett dirigi, ele faz tudo menos voltar para casa.

Ele se despediu de Victor, dizendo em seu ouvido que Carlisle iria vigiar Charlie enquanto ele estivesse na reserva e que ele ligasse quando voltasse.

Emmett começou a dirigir. Ele passou quase dois minutos sem dizer nada – eu disse quase.

— Fala aí? Está com ciúme, né? – ele perguntou, sorrindo.

— Odeio ela! – eu disse e bati a cabeça contra o banco. — Quero matá-la!

— Então mata! Menos uma adolescente no mundo. Isso só vai fazer um bem à humanidade – ele disse.

Balancei a cabeça. Esqueci de com quem estava falando.

— Que tal fazer um percurso até Seattle? – ele perguntou. – Tenho certeza que chego lá em menos de duas horas.

— Tudo bem – eu mal terminei de falar e ele acelerou.

Notas finais
XOXO