Concrete Heart
21 Capítulo 20 - Stuck in her daydream
Notas iniciais
Aro queria ouvir os pensamentos de Victor, já que eu não conseguia.
— Permita-me, Angeles Cullen? — ele pediu, pronunciando meu nome completo.
— Peça a ele — eu disse.
— É claro. Que indelicadeza a minha! — ele se desculpou e se virou para Victor. — Estou intrigado com o fato de Angeles não conseguir ler seus pensamentos, querido Victor. Então, como nossos dons são tão parecidos em vários aspectos, eu me pergunto se teria a restrição à sua mente. Você seria gentil de me permitir tentar ver se é uma exceção para mim também? — ele estendeu a mão para Victor.
Dei um passo para o lado.
— Ele não vai até aí — eu disse e Aro se surpreendeu.
— É claro. Tem razão mais uma vez — ele disse e se aproximou de nós, fazendo um gesto com a mão para que os outros continuassem parados.
Mas mesmo assim, Aro foi esperto. Ele parou entre os dois lados e inclinou a cabeça para mim.
Suspirei e Victor foi até ele.
Se eu tivesse um coração que ainda funcionasse, com certeza essa seria a hora em que ele sairia do lugar. Meu corpo ficou tenso, tentei manter as mãos paradas até que Aro soltou a mão de Victor, sem ver absolutamente nada.
— Inacreditável — ele sussurrou encarando Victor com o mesmo olhar que me dava, o olhar de luxúria, pura cobiça.
Peguei a mão de Victor e o puxei até que ele ficasse atrás de mim novamente.
Mesmo assim o alívio não chegou.
— Eu estava pensando... — Aro começou.
— Não! — eu disse e ele se virou para mim, a guarda se aproximou dele.
Agora tinha apenas cinco metros de distância entre nós. Se alguém de fora olhasse aquilo, poderia dizer que estávamos conversando como velhos amigos. Não era nada ameaçador quando se está de fora.
Rose segurou me braço, Emmett se aproximou mais de Victor, quase o tocando. Carslile e os outros também se aproximaram, devagar.
— Eu me pergunto se Victor é imune aos nossos outros talentos — Aro disse e Alice rosnou.
Finalmente ela entendeu o que ele queria fazer.
— Jane, querida — Aro a chamou, sem desviar os olhos dos meus.
— Sim, mestre — ela respondeu.
Ela sorriu e olhou para Victor. Era claro que ele não entendeu o que estava acontecendo. Todos ficaram tão apreensivos para nada. E realmente nada. O sorriso de Jane se desfez e ela olhou para mim com desgosto.
Aro riu.
— Não se preocupe, querida — ele disse à ela. — Ele confunde a todos nós.
Ele bateu as mãos uma na outra e sorriu.
— O que fazemos agora? — ele perguntou a si mesmo.
— Aro! — Caius insistiu mais uma vez.
— Eu imagino que você não tenha mudado de ideia, ou tenha? — ele me perguntou, esperançoso.
— Não, Aro.
— Ah, seria tão gratificante tê-la conosco. Imagine o quanto seria perfeito: eu, você, Caius e Marcus. — ele disse.
Jane se sentiu ofendida. Ele nunca havia proposto um trono à ela.
— Não, Aro — repeti.
Ele se virou, descontente com minha resposta.
— E você, Victor? Gostaria de se juntar a nós? — ele perguntou, igualmente esperançoso.
— O quê? — Marcus deixou escapar.
— Ah, meu querido irmão. Todos nós podemos ver que Victor será muito talentoso.
— Não, obrigado — Victor respondeu.
Aro não estava satisfeito, mas decidiu que hoje não iria insistir mais.
— Muito bem, acho que não temos mais nada a fazer aqui – ele disse.
— Aro, a lei a proclama – Caius interrompeu mais uma vez.
— Como?
— Ela traiu a todos nós.
— A lei diz que nenhum vampiro, sob circunstância alguma, poderá revelar o segredo. Eu não contei, ele descobriu – eu disse, e Aro sorriu, minimamente.
— Então, você deveria tê-lo matado – Caius proferiu.
— Temos um acordo com os lobos, não podemos matar.
— Lobos? Ela ainda faz aliança com lobo!
— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta, isso não envolve a segurança dos vampiros.
Ele rosnou para mim.
— Se acalme, irmão. É verdade o que ela diz: Victor descobriu, ela não contou – Aro disse.
— Já que ela não pode mata-lo, então nós matamos.
— Não!
Ele me encarou, semicerrando os olhos.
— Ele não vai contar à ninguém.
— Como pode nos dar certeza?
— Ele será um vampiro em breve. Eu vi – eu disse, olhando para Aro.
— Ela tem razão, ele logo será um vampiro – Aro disse, suspirando de contentamento.
— Então o transforme agora e podemos ir – Caius falou.
— Não posso ir contra o futuro, coisas dão errado quando fazemos algo, que já está predestinado, antes do tempo – falei.
Uma tremenda mentira, eu nem sabia se Victor seria mesmo um vampiro, ou se as coisas dão erradas quando premeditamos algo. Contanto que Aro não tocasse em mim de novo, tudo sairia do jeito certo.
— Com o futuro não podemos, Caius – Aro refletiu. – Olhe pelo lado positivo, eles não se juntam a nós hoje, mas quem sabe em breve?
Caius não gostou da ideia, mas também não contrariou o irmão. Marcus suspirou, essa era praticamente a única prova de que ele realmente estava ali. Tão entediado.
— Então, enfim, nos despedimos, Angeles – disse Aro.
— Tchau – eu disse, e ele fez cara feia para mim.
— Faremos outra visita em breve para saber se o futuro já foi concretizado – Caius disse antes de se virar.
Cruzei os braços e me recostei em Victor, enquanto os mantos pretos desapareciam.
— Que bom que eu não durmo, se não teria pesadelos pelos próximos treze anos – Alice disse, quando eles já estavam longe o suficiente para não podermos mais vê-los.
— Eu nunca havia visto os vampiros antes... – Rose começou, mas logo todo mundo ficou calado, olhando para mim.
Desviei os olhos e tentei me concentrar em Victor, ele não tinha pensamentos, eu podia me sentir segura na mente dele. Mas é claro que é assim tão fácil desligar os outros. Fiz uma força sobre vampírica para não ouvir os pensamentos de ninguém. Victor passou os braços ao meu redor e me apertou. Eu queria que esse fosse o conceito de paz, mas não era. Era como aquelas tardes vazias de terça feira, às 15:00 e você olha para o céu, sabe que vai ter um temporal mesmo que as nuvens estejam dando lugar para o azul.
Suspirei e fechei os olhos, desejando que a eternidade tivesse um descanso.
***
— O meu pai ainda está querendo me matar? – Victor perguntou, quando ele parou o carro.
— Na verdade, os pensamentos dele estão relativamente calmos – eu disse.
Victor franziu a sobrancelha, mas decidiu não perguntar. Nós havíamos acabado de sair da reserva. Foi estranho o fato de o pai de Jane ter me abraçado, eu não era acostumada a contatos físicos com outras pessoas, ou até mesmo com minha família, então quando alguém se aproxima da minha zona de conforto é como se meu corpo respondesse de forma contrária.
— Vai ficar, não é? – Victor perguntou.
— Estarei no seu quarto – respondi.
A TV estava alta quando eu entrei no quarto de Victor.
— Você pode vir aqui, Victor? – Charlie o chamou.
Escutei os cinco passos de Victor até a sala.
— O que foi, pai? – ele perguntou.
— Você se divertiu esse fim de semana? — Charlie perguntou.
Ele parecia um pouco desconfortável em como iria puxar o assunto principal da conversa.
— Sim – Victor respondeu, hesitantemente.
— E você estava com Jane ou com a Cullen?
Ele sempre me chamava de Cullen. Ele queria secretamente que Victor estivesse com Jane.
Ouvi Victor suspirar.
— Na verdade, eu estava com as duas. E com Emmett, com Carlisle... Você entendeu, né?
Charlie apertou o botão de "mudo" e respirou fundo.
— Olha, tem uma coisa que eu preciso conversar com você – ele disse.
Victor esperou, mas Charlie não disse mais nada.
— O que é, pai? – ele perguntou.
Charlie suspirou.
— Eu não sou bom com esse tipo de coisa. Eu não sei como começar...
Victor esperou de novo.
— Ok, Victor. O negócio é o seguinte.
Charlie havia se levantado, eu ouvia os passos dele pela sala, de lado para o outro.
— Você e Angel... Mesmo com Jane por perto agora, parece que você gosta mesmo só da Cullen. E vocês, bem, parecem ser bastante sérios, e existem coisas com as quais você precisa ter cuidado... Eu sei que você é um adulto agora, mas você ainda é jovem, Victor. E Angel mais ainda. Ela tem o quê? Quinze? Dezesseis anos? Ela nem devia estar com o menino mais velho. Então, eu acho que você tem que dar limites a isso, já que você é adulto... – ele já estava se enrolando todo. – Enfim, existe um monte de coisas importantes que você precisa saber quando você... bem, quando você se envolver fisicamente com... Ela. Vocês dois...
— Oh, por favor, por favor, não! – a voz de Victor foi audível. — Por favor, me diga que você não está tentando ter uma conversa sobre sexo comigo, Charlie!
Charlie tossiu quando Victor falou a palavra “sexo”.
— Eu sou o seu pai. Eu tenho responsabilidades. Lembre-se, eu estou tão envergonhado quanto você.
— Eu não acho que isso seja humanamente possível. De qualquer forma, a mamãe já se encarregou disso à dez anos atrás. Você está meio atrasado.
— Você não tinha um namorada à dez anos atrás — Charlie murmurou sem pensar.
— Pai, a Angel não é minha primeira namorada – Victor disse, totalmente hesitante.
Ele sabia que eu estava em seu quarto.
— Sim, mas eu não imagino que as outras eram tão sérias assim... O relacionamento de vocês está...
— Eu sei o que eu estou fazendo, Charlie... Pai. – Victor o interrompeu.
Eu podia reparar, pela mente de Charlie, que ele estava batalhando com a sua vontade de esquecer o assunto.
— Filho, agora é diferente.
— Eu não acho que as coisas essenciais tenham mudado tanto assim – ele murmurou.
— Só me diga que você dois estão sendo responsáveis — Charlie implorou, obviamente desejando que um buraco se abrisse no chão pra que ele caísse nele.
— Não se preocupe, pai.
— Não é que eu não confie em você, filho, mas eu sei que você não quer me contar nada sobre isso, afinal, isso envolve sua namorada. Você não quer expô-la desse jeito... No entanto, eu tentarei ser mente aberta. Eu sei que os tempos mudaram...
Victor riu.
_ Talvez os tempos tenham, mas a Angel não é assim é. Você não tem nada com o que se preocupar.
Charlie suspirou.
— Victor, todas essas meninas são iguais. Você diz que ela é diferente por que está apaixonado por ela. – ele murmurou.
— Ugh! – Victor se irritou, ele já estava sem paciência para aquela conversa. — Eu realmente queria que você não estivesse me forçando a dizer isso, pai. Realmente. Mas... A Angel é... virgem, e ela não tem planos imediatos para mudar esse status.
Os dois encararam o chão, mas a mente de Charlie relaxou. Ele acreditou em Victor.
— Gosto mais dela agora – ele disse, finalmente encarando Victor.
Victor revirou os olhos.
— Posso ir para a cama agora? Por favor?
— Em um minuto — ele disse.
— Aw, por favor, pai? Eu estou implorando.
— Não, relaxa. Esse assunto já acabou, com sua última declaração não temos com o que nos preocupar, não é mesmo?
Eu senti vontade de rir.
— O que foi agora? – Victor perguntou, mal-humorado.
— Jane.
— O que tem de errado com ela?
— Você.
— Ah, fala sério, pai. Me deixe cuidar da minha vida. Jane é só uma amiga, e a Angel a minha namorada. É só isso.
— Não parecia que Jane era só uma amiga quando eu vi vocês dois.
O QUÊ?
— Aquilo não foi nada. Pai, você está vendo coisas onde não tem. Eu não passei a noite com ela. Eu só estava na casa dela, e Billy insistiu para que eu ficasse. Foi só isso. Dormimos em quartos separados.
Eu tinha certeza que tantos detalhes assim eram para mim, e não para Charlie.
— Posso ir? – ele perguntou.
— Mas você sabe que ela gosta de você, não é?
Victor suspirou, irritado.
— Tudo bem, vai dormir — Charlie disse.
Victor saiu, sem dizer nada.
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