Notas iniciais
Vou postar tudo no mesmo dia mesmo. por favor, comentem.

21 de setembro de 1999.

—Quem vai lhe dizer se você vai entrar ou não para a organização é o Polpo. Vai ser como uma entrevista de emprego, se será fácil ou difícil, isso dependera do humor dele.

Enquanto dizia isso, Bruno olhava para ela, dando mais uma mordida em uma barrinha de cereal de chocolate com banana e apontava para o prédio com a outra mão.

Enola visualizou o enorme prédio a sua frente, até parecia uma fortaleza medieval, se recordava bem das aulas de história, aquilo já foi um castelo de um nobre, e mais tarde, virou uma prisão de segurança máxima. Por um momento, amou ser italiana, sua terra era bonita e cada lugar tinha uma história para contar, a comida era boa e as pessoas eram calorosas por si só.

—Por que ele está ai dentro?

Ela voltou a olhar para Bruno, que aguardava a embalagem no bolso de sua calça. Sentia-se boba olhando para ele, com seu coração palpitando em seu peito, anunciando sua felicidade e nervosismo.

—Polpo foi condenado por quinze anos, você deve ter visto nos jornais do ano passado. E por que está tão nervosa? Sua cara está brilhando de suor.

Bucciarati se aproxima dela com as mãos no bolço, ele sempre parecia estar tranquilo, isso a incomodava de certa forma, ele também não entendia os sinais de seu nervosismo romântico, Bruno podia ser bastante empático, mas não entendia mulheres.

Sentiu suas entranhas protestarem, parece que tudo havia virado de cabeça para baixo dento de seu corpo, tanto que as palpitações de seu coração estavam em seu estômago. Sua mente tentou achar a resposta mais sensata, porém, de sua boca só saiam murmúrios sem sentido.

—Sabe, eu vou falar com um capo da Passione..Isso está me deixando um pouco nervosa.

Bruno pareceu concordar, com os olhos fechados, parecendo ouvir cada palavra sua, e quando ela ia se virando, sentiu algo gelado e áspero passando por sua bochecha, Bucciarati havia lhe lambido.

Entrou em estado de choque por alguns segundos, até conseguir raciocinar o que havia acontecido, vendo ele lambendo os lábios.

—Sinto gosto de mentira..

Ele falou aquilo com toda a naturalidade do universo, como se lamber o rosto de outra pessoa não fosse muito estranho.

Sua cara estava parecendo um tomate maduro, principalmente pela cor de seu cabelo, em estado de puro choque, pensou em beijá-lo para retribuir, porém, só começou a andar mecanicamente para dentro da prisão.

—Eu vim ver o Polpo.

Lá dentro, a revistaram, porém, não acharam o bolso secreto da calça que escondia seu isqueiro e os cigarros, não fez perguntas, estava muito concentrada na lambida.

—Ele está nessa alá, e mesmo com o vidro reforçado, vocês vão conseguir conversar.

Não questionou, apenas seguiu o corredor, vendo aqueles rostos demoníacos no topo das paredes, aquilo parecia ter vindo de um pesadelo infantil.

Chegou no único ponto luminoso do corredor, a cela de Polpo, onde viu uma enorme cama amarela, um frigobar, uma mesa e alguns quadros.

Ficou encarando por alguns segundos, estranhando sua ausência, até a cama se mexer estranhamente, revelando enormes e gordos braços, que logo deram lugar a um homem enorme, Enola se assustou, dando alguns passos para trás, e batendo sua cabeça na parede.

O capo olhou diretamente para aquela garota de cabelo ruivo e sardenta, usando um vestido branco com girassóis estampados e uma fita amarela pretendo um coque, viu o nojo dela quando passou a linguá nos lábios.

—Enola Cimabelle...Estou certo? Filha de Laura Ciambelle e Mathias Zeppeli.

Mesmo através do vidro, sua voz era alta e grave, uma má impressão junto com um mal pressentimento subiram a sua espinha em forma de arrepio, engoliu o nó em sua garganta.

—Estou imaginando como o senhor tem conhecimento de quem é meu pai, mas eu lembro que é um capo, deve saber de tudo.

Ele abria um vinho, e o colocava em taças de cristais, e lhe oferecia pela pequena fresta que o entregavam comida.

—Sei que sua mãe era uma senhora da noite muito teimosa e que seu pai foi embora antes de você nascer. Sei de tudo que acontece nessa cidade.

Ela pegava a taça, bebericando sua borda, sentindo o gosto quente e doce invadindo sua boca, nunca gostou muito de álcool, sempre preferiu refrigerante, principalmente coca cola.

—Primeira lição da máfia: Nunca aceite bebidas de estranhos, principalmente, sendo bonita desse jeito.

Ele encostou seu longo nariz no vidro, as baforadas dele deixavam marcas, e novamente, os asco preencheu sua face.

Belle dame, pare!

Implorou em pensamento, enquanto suspirava, ás vezes era irritante ela ter personalidade própria.

Por que? Atenção é atenção, mesmo vindo de um porco nojento igual a ele.

—Eu devo confiar no senhor, não? Eu farei parte da sua organização, e se for para o bem dela que eu morra, eu morrerei satisfeita.

Fazia movimentos circulares com o vinho dentro da taça, o engolindo logo depois, o gosto continuava ruim para ela. Por um momento, pensou que havia escolhido as palavras certas vendo ele dar um sorriso que quase cutucavam suas orelhas em suas bochechas gordas.

—Desse tipo de gente eu preciso, ragazza!

Ele tinha um ar de vitória na voz, com as bochechas coradas e os bizarros olhos escuros focados nela, Enola só retribuía com um fraco sorriso no canto dos lábios.

—Mas antes, preciso saber que tipo de habilidades a senhorita tem.

Ele ainda suspirava no vidro, com os dedos gorduchos manchando de gordura, ela simplesmente tirou um cigarro marrom e um isqueiro de dentro do decote.

—Bem, eu sou boa em esconder as coisas…E tem ela…

Ela invocava seu stand, que ficava em posição de arabesque, e se curvava para ele logo em seguida, o sorriso de Polpo parecia triplicar de tamanho, colocou um cigarro entre os lábios, o ascendia, o cheiro de canela e cravo infestavam o ambiente.

—O que ela faz?!

O sorriso dele era tão doente que o canto da boca caia um filete de baba, ele tinha os olhos vidrados na bailarina de porcelana.

—Eu a despertei faz pouco tempo, mas ela corta bem as coisas e consigo controlar as correntes de ar ao redor das sapatilhas dela para aumentar o alcance.

Era o que havia aprendido, talvez aquele stand tivesse coisas a mais para descobrir, mas belle Dame só infernizava sua cabeça a menos de duas semanas.

—A senhorita demonstra ser de confiança, mas saiba, nós não brigamos por acentos no cinema ou porque derramaram vinho em sua roupa…

Sua voz que antes parecia tranquila, agora saia grave enquanto ele rabiscava um pedaço de papel com um lápis, Enola inalou mais fumaça do cigarro naquele momento, sentia as batidas em seu peito como se seu coração desejasse escapar de sua caixa torácica.

—Acredito que Deus perdoa até assassinos se for para devolver uma ofensa.

Uma simples mudança de tom foi capaz de assustá-la daquela forma, e agora, estava soltando uma quantidade grande de fumaça pelo nariz e boca com um certo alívio. Ficou calada enquanto encarava aquele sorriso demoníaco do capo.

—Parabéns, Enola Ciambelle...Você passou!

O tom dele era estranho, como se estivesse feliz por ela, ele pegou algo no bolso, e deixou escapar por entre os dedos, ficando no lado da fresta, era uma joaninha dourada.

—Se me permite, desejo ficar na equipe de Bruno Bucciarati..

Ela deixava a sua voz mais alta possível, enquanto via Polpo mastigando uma maça, ele parou por um momento.

—Apesar de acreditar que seu stand seria melhor aproveitado no esquadrão da execução…Porém, como cortesia, vou lhe deixar aos cuidados do Bucciarati.

O sorriso dela se ampliava enormemente, e pegava a joaninha, a colocando no decote junto com o marso e o isqueiro.

—Muito Obrigada, senhor.

Ela já ia sair correndo de lá, porém, um grunhido o parou, ele ainda a olhava enquanto sorria.

—Tome esse presente…

Ele jogava um papel pela janelinha, ela não teve tempo de olhar direito, só o dobrou bem e colocou no decote, o guarda já estava batendo na porta para ela sair.

Depois de ser revistada, ela saiu novamente da prisão, vendo o desenho na claridade do meio-dia, era um esbouço de seu rosto, estava estranhamente realista.

Entregou a joaninha para Bruno, estranhou o porquê dela ter conseguido passar tão rápido, mas a aceitou de bom grado.

Agora aqueles dois eram sua família, e logo depois veio Leone Abbchio, que apesar de ser uma pessoa muito difícil de lidar, lá no fundo era um doce.

Guido Mista, Narancia Chirga e Giorno Giovanna, eles vinharam depois, ela os amou como se fosse seus filhos, seus meninos preciosos,não desejava que eles sofressem ou terem que sujar suas mãos de sangue.

Mas Bruno não, o amava como mulher, o queria em seus braços, ela podia ter qualquer um, mas queria ele, talvez fosse teimosa, mas isso a que mantéu viva até aquele momento.

Notas finais
oie. Por favor, espero que não detestem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.