Complicated.

1 Capítulo 1: Primeiro contato.


Notas iniciais
Bem, primeiro capítulo e primeira vez que crio algo sem prólogo. Espero que gostem.

Lembro-me desse dia como se fosse hoje. O dia era ensolarado e bonito, as pessoas estavam felizes e... Não, não foi assim. Na verdade, ao invés de estarmos dormindo em nossas respectivas casas, minha amiga e eu estávamos em uma famosa boate da cidade na madrugada de sábado. Ela já tinha até perdido a conta de quanto tinha bebido. Já eu, me contentava com qualquer coisa que não contivesse álcool, detestava o gosto de bebidas alcóolicas. A música alta estava me dando nos nervos e eu não aguentava mais ter de enxotar alguns caras bêbados que vinham em nossa direção. Estava ali apenas porque tinha sido arrastada. Lindsay achava que eu ficaria melhor em um local assim, o que com certeza não era verdade.

Eu precisava apenas de um local calmo e de uma pessoa com quem eu pudesse conversar, nem que eu tivesse de pagar um psicólogo pra isso. Estava triste, ressentida, desiludida. Sabe, tudo aconteceu tão de repente e eu fiquei tão desnorteada. A começar pela minha emancipação aos 13 anos. Sim, isso foi um completo exagero dos meus pais, mas eu não pude fazer nada. Depois, nessa mesma época, eu comecei a sofrer algumas mudanças físicas, o que fez com que os garotos começassem a reparar em mim. Então para me livrar deles, eu fingi namorar meu melhor amigo, que sempre foi apaixonado por mim.

Mateus era meu porto seguro, com ele eu podia conversar, brincar, passar o tempo... Até que ele também se foi, igual aos meus pais. O pior de tudo é que ele sequer teve a decência de me dizer para onde iria e nem mesmo se despediu. Só fiquei sabendo que ele sumiu, ontem pela manhã, quando ele não apareceu na aula. Depois vi um estúpido bilhete no meu armário. Apesar de eu nunca ter sentido nada por ele, romanticamente falando, isso me afetou mais do que o esperado.

Por isso, Lindsay e eu estávamos em um canto do bar. Enquanto eu contava toda essa história de ninguém me amar e tudo mais pela enésima vez, ela apenas bebia para tentar me aguentar. Foi somente depois que eu gritei um belo: “Vão embora daqui!” a dois garotos que se aproximaram de nós que ela se irritou.

— Escuta aqui Amanda, você vai ficar uma velha amargurada e sozinha e ainda vai me levar junto. — ela apontou o dedo na minha cara enquanto falava de um jeito engraçado por causa do excesso de bebida. Tentei não me importar e continuei a falar:

— E então, o Mateus simplesmente me deixou e... — mas quando vi, ela já estava longe dançando com um grupo de garotos. Que ótima melhor amiga, hein!

Suspirei e bebi um pouco da minha água. Foi quando avistei um garoto que eu nunca tinha visto na vida se sentar ao meu lado. Como eu estava carente de atenção, cutuquei o desconhecido e comecei a contar toda a minha trágica história de vida. Qual era o problema em fazer isso, eu nunca mais o veria mesmo? Ele continuava virado de lado, num ângulo que eu não conseguia ver o seu rosto. Eu apenas desabafava e falava tão rápido que nem conseguia me entender. Até que ele girou na minha direção e se aproximou bruscamente, colando seus lábios aos meus e começando a me beijar. Achei isso uma completa falta de respeito, e comecei a dar alguns socos em seus braços, que pareciam nem surtir efeito, porque ele continuava com o beijo.

Quando dei por mim, lá estava eu retribuindo aquele beijo, que ficava cada vez melhor. E pensar que eu perdi o BV com um completo desconhecido e... Oh céus, ele era um completo desconhecido! Afastei-me dele, fazendo com que ele me olhasse pela primeira vez. E foi aí que eu encarei o mais belo rapaz que eu já tinha visto. Os cabelos levemente bagunçados, o rosto branco tomando um tom de vermelho, os olhos claros... FOCO AMANDA!

— Seu pervertido, o que pensa que está fazendo? — gritei com ele, ainda indignada e tentando não ser hipnotizada por aqueles olhos extremamente verdes.

— Desculpe-me mademoiselle, mas era o único jeito de fazer com que você se calasse. — ele disse com um sorriso nos lábios. E que sotaque! Era incrivelmente sexy... Foi quando percebi que estava apenas incomodando uma pessoa que eu sequer conhecia.

— Tudo bem. — disse baixo e me levantei. Olhei pra ele cabisbaixa antes de me retirar dali. Foi aí que o rapaz me surpreendeu, se levantando também e ficando ao meu lado.

— Acho que você precisa conversar com alguém num local mais calmo. — ele falou e em seguida segurou minha mão. Como eu disse, estava tão carente que acabei aceitando. — Só por curiosidade, você sempre se arruma assim? — ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo rir com a pergunta. Apenas caminhávamos para fora daquela boate lotada.

— Só quando estou inspirada. — respondi, fazendo com que ele sorrisse. Até que ele era uma boa pessoa, apesar de ser um maluco que beija garotas inocentes a força.

Quando saímos dali, fomos para uma praça que ficava bem em frente à boate. Estava bem iluminada e tinham pouquíssimas pessoas presentes. E foi nessa claridade que eu pude vislumbrar toda a “beleza” do meu look. Depois de insistir muito, eu tinha convencido Lindsay a me deixar sair de casa com uma calça de moletom, minhas sapatilhas de camurça e um coque desengonçado no cabelo. A única coisa que eu a deixei escolher foi a blusa, que continha brilho e um decote nada pequeno. Sentamo-nos em um dos bancos. Olhei pra ele que parecia apreensivo.

— Obrigada por me acompanhar. — falei ainda baixo.

— Você parecia mal.

— Você não prestou a mínima atenção no que eu disse lá dentro, né?

— É... Não! Mas estava muito barulhento. — ele reclamou, ainda com um sorriso no rosto.

— Sabe, acho que cansei de falar de mim. E acho que nos esquecemos de algo importante.

— E seria? — ele arqueou uma das sobrancelhas.

— O seu nome. — falei rindo. — O meu é Amanda.

— Desculpe-me pela falta de cordialidade mademoiselle, não era minha intenção parecer rude ou qualquer coisa do gênero. — ele pegou uma das minhas mãos delicadamente e beijou. Eu já disse que ele tinha um sotaque francês simplesmente irresistível? — Meu nome é Edward. Belo nome senhorita Amanda.

— Obrigada, eu acho.

— Você acha?

— É. — respondi e ele me olhou, com aqueles maravilhosos olhos verdes. — Você está tentando me seduzir, por acaso? — tentei ficar séria.

— Depende. Estou conseguindo?

— Definitivamente não. — respondi convicta.

— Sério? — ele perguntou chegando perto. Sua testa estava encostada a minha, e seus olhos estavam diretamente na direção dos meus.

— Você não está nem perto de conseguir isso. — sussurrei, o empurrando de leve. — Que tal, se apenas conversamos? — sugeri. — Apesar de você não ter prestado atenção ao que eu disse, eu te contei quase toda a minha vida. Então nada mais justo do que você falar sobre si mesmo também. — propus, o olhando intensamente. Pra falar a verdade, eu estava curiosa e queria conhecer melhor aquele ser a minha frente.

— Hum, tudo bem. Como eu já disse, meu nome é Edward. Sou inglês, filho de pais franceses, e fui praticamente criado na França.

— Isso explica o sotaque. — especulei. Ele concordou com a cabeça. — Você morou na França durante muito tempo?

— Quando eu tinha cerca de um ano de idade, meus pais resolveram voltar pra lá. Somente depois de me formar que eu saí da França. Na época, um amigo meu me fez uma proposta quase que irrecusável, e como meus pais não paravam em casa, eu decidi me mudar. E estou aqui até hoje.

— Mas espera... Como assim depois de se formar? Quantos anos você tem? — perguntei confusa.

— 28. — ele respondeu. Ó céus, 28? Eu tinha 16 anos – faltavam cinco dias para que eu completasse 17 –, e o meu primeiro beijo foi com um cara de 28 anos? — Algum problema?

— Não, é só que... — suspirei. — Você parece ter bem menos.

Ele sorriu. — É, sempre me dizem isso. Tenho até que andar com documentos, caso contrário, não acreditam em mim. E você? Qual a sua idade Amanda?

Quando ele fez essa pergunta, meu coração acelerou. Parte de mim queria dizer a verdade, mas a outra parte dizia que se o fizesse, eu não teria chance nenhuma com o Edward. Não que eu tivesse apaixonada por ele, eu queria apenas conhece-lo. E sabia que se eu falasse a minha idade, iria acabar com qualquer possibilidade. Então fiz uma bobagem...

— 25. — afirmei. — Poucos acreditam nisso também. — sorri. — E você trabalha com alguma coisa? — perguntei querendo mudar de assunto.

— Sim, eu leciono francês. Sinceramente, acho a língua francesa uma das bonitas.

— E é. — concordei com ele. — Apesar de eu ser péssima em francês. — ri. Eu aprendia francês na escola, mas minhas notas eram razoáveis, quase baixas.

Continuamos a conversar animadamente, até que ele se ofereceu para me deixar em casa. Eu aceitei, então fomos o caminho inteiro conversando enquanto ele dirigia. Antes de nos despedirmos, trocamos nossos telefones e ele me beijou novamente. Eu me senti um pouco estranha, afinal, eu nem sabia beijar, mas mesmo assim, aquele foi um momento memorável. Quando eu finalmente subi para o meu apartamento, percebi que meu coração batia descontroladamente. E nesse momento, eu não sentia mais falta de nada, estava simplesmente me sentindo feliz, de um jeito que eu não me sentia já fazia alguns anos.

Notas finais
Mereço reviews? Espero que sim.
Beijinhos e abraços babies!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.