Complicamos demais
1 Complicamos demais
Notas iniciais
Boa leitura!
E mais uma vez ali estava ele, me dizendo o que eu podia ou não fazer, com quem deveria me relacionar, dizendo como deveria ser a vida que eu deveria viver. Eu já estava saturado de tantas ordens e de sempre ter ele me dizendo o que fazer.
Deixei que ele falasse tudo o que queria, eu já nem o escutava mas. Esperei que terminasse e sem dizer uma única palavra sai de casa, ainda o ouvi perguntar para onde eu estava indo, nem liguei.
Peguei minha moto e sai acelerado daquele lugar, a casa a qual deveria ser chamada de nossa, a qual deveríamos ter prazer em morar, onde nós dividiríamos carinhos, duvidas e muito amor. Ledo engano, aquilo mais parecia uma prisão do que uma casa. Fui para onde eu sabia que ninguém mais iria querer mandar em minha vida, onde ninguém mas iria... Meu refugio.
Subia a encosta até seu ápice, onde era impossível continuar se não a pé, deixei minha moto na garagem do hotel de sempre, peguei minha mochila e sem precisar dizer nada sai do hotel apenas deixando a chave na recepção.
_Deveria deixá-lo. – Kelly, recepcionista, amiga e dona do hotel foi quem disse.
_Penso o mesmo. – disse já estando longe, mas para mim do que para ela.
Seriam no mínimo três horas a pé para chegar no topo, no entanto meu ponto de chegada foi mais ao norte, ali naquele ponto eu poderia ver uma mescla de floresta e o inicio da cidade. Agradecia mentalmente ao meu falecido pai por ter me obrigado a vim morar nesta cidade, me sinto revigorado e pronto para mais uma semana chata de negociações que seguiriam ao fim desses dois dias.
Armei a barraca,estendi o saco de dormir, deixei algumas coisas, que usaria quando a noite chegasse, próximo ao saco de dormir. do lado de fora improvisei uma pequena fogueira, o suficiente para me aquecer e cozinhar algumas coisas. Depois de tudo preparado fiquei sentado em uma rocha enorme que havia ali, um mínimo descuido e eu com total certeza rolaria montanha a baixo e morreria, morte essa que eu abraçaria com alegria.
_Sabia que estaria aqui. – Steve, meu primo sorria um pouco atrás da barraca.
_Kelly te avisou que subi? – nem me dei ao trabalho de olha-lo – Eu queria ficar sozinho, é pedir muito?
_Foi mal, só fiquei preocupado. – eu sabia que ele não iria embora – Eu te vi passar em alta velocidade na frente de casa, sabia que vocês tinham brigado novamente e que vinha pra cá...
_Tu quis dizer ele brigou... faz tempo que nem eu falar ele deixa mais. – ri irônico – Ele só fica falando e falando, chega a ser engraçado ver ele bufar de raiva por algo que eu fiz ou deixei de fazer da forma que ele mandou.
_Por que ainda esta com ele? – ele agora estava escorado na rocha que eu estava sentado – Ele não te faz bem, na verdade nunca fez.
_Tenho medo. – sussurrei.
_De que?
_De um dia olhar para o lado e não ver ninguém, ninguém para amar.
_Como se ele te amasse. Vê se acorda Allan, ele só aceitou namorar contigo por causa da tua grana, nem na empresa tu manda mais, ele dominou tua vida e também a tua alma. – ele tinha razão – Me responde com toda sinceridade, tu ainda o ama?
_Não. A anos não sei o que é amar alguém.
_Então deixa de ser idiota e termina com ele de uma vez por todas. Eu e a Kelly sempre estaremos aqui por você e para você... dá logo um fim em todo esse sofrimento de vez.
Ficamos em silêncio por muito tempo, a noite já estava chegando e nos abraçando junto ao vento frio. A madeira estalava com o fogo a queimando, preparei algo simples e rápido para comermos, basicamente enlatados.
_trouxe um saco de dormir? – só confirmou com a cabeça enquanto mastigava a comida – Deixa eu adivinhar, tu só trouxe o saco,uma corda, água, barras de cereal e um canivete nessa mochila, acertei? – e mais uma vez ele só confirmou com a cabeça – E se tu te perdesse, o que ias fazer só com isso?
_Não se esqueça quem te ensinou tudo isso... Sou muito mais esperto aqui do que você. – falou debochado e de boca cheia.
_Sendo assim o senhor esperto, vai dormir fora da barraca.
_Não precisa pegar pesado priminho. Ta muito frio aqui, faz isso não. – fez carinha de cachorro sem dono.
_Vou pensar no teu caso.
Gargalhei como a muito não fazia aquela noite, conversamos tanto e sobre tanta coisa, que percebi que eu já não o conhecia como antes, seu gosto musical mudou, assim como as comidas favoritas, a faculdade de antes já não era a mesma, agora ele já estava terminando a de direito, reparei que até sua vestimenta havia mudado, ainda tinha um pouco do jovem que conheci, porem agora também tinha muito do homem maduro que em minha frente estava, somente uma única coisa permanecia da mesma forma que eu lembrava, a tatuagem que fizemos juntos, a qual eu tive que tirar por ciúme do Jorge.
Era o nome completo do Steve formando o símbolo do infinito, ficava na minha nuca, agora só existia uma marca como se fosse um sinal de nascença.
_Você ainda a tem... – olhei para o pulso dele, ali estava a mesma tatuagem só que com o meu nome. Quem olhasse rápido acharia que era uma pulseira – Pensei que iria tirar quando ficou sabendo sobre a minha...
_E quase tiro. Fiquei chateado com você por meses, até que a Kelly me disse que tu foi obrigado, que chorou muito pra não tirar. – ele não me olhava, ainda estávamos sentados próximo a fogueira que já dava sinais de que apagaria em breve – Decidi ficar com a minha e toda vez eu usava e uso ela pra esfregava na cara do Jorge que foi a mim que você amou primeiro.
_Que você foi meu primeiro amor. – sussurrei — Ele sempre briga comigo quando tu faz isso... – sorri triste – Diz que eu deveria era ter morrido com meu pai naquele acidente, que se não fosse por ainda te amar eu provavelmente o amaria mais... idiota.
_Nosso tempo já passou, eu sei disso, por isso nunca interferi na relação de vocês durante esses oito anos, mas não suporto te ver dessa forma, sem brilho, sem vontade de viver... Sem alma!
_É assim que eu me sinto quanto to lá. – apontei para a cidade – Do lado dele eu nem existo, também já estou cansado de viver assim mas... tenho tanto medo... medo de não conseguir sobreviver no meio de tudo aquilo que até hoje ele comandou em meu lugar, mas principalmente me ver sozinho sem ninguém.
_Escuta o que você esta falando Allan! – me olhou furioso – Me diz de que forma você vai ficar sozinho, por que até onde eu saiba eu sempre estive do seu lado e a Kelly então nem se fale. Então me diz como podes ficar sozinho nos tendo com você??
_Desculpa...
Me levantei, entrei na barraca peguei uma vasilha, meu material de higiene e uma toalha, sai da barraca e fui atrás do córrego que tinha ali perto, precisava pensar e ficar distante dele antes que dissesse alguma besteira. Fiquei ali por muito tempo, me torturando com a água gelada e pensando no por que de nós estarmos revirando o passado. Resolvi deixar tudo isso de lado e terminar meu “banho”, ele me esperava ainda sentado no mesmo lugar de antes, não o encarei apenas estendi as coisas na direção dele, afinal de contas ele não tinha trazido muita coisa.
_A vasilha ta lá.
Assim como eu, ele também demorou bastante, quando voltou apenas jogou a toalha por cima da barraca, pegou a mochila de dentro da barraca e ficou do lado de fora. Acabei cochilando de tão cansado, mas acordei no susto o procurando pela barraca, coloquei a cabeça para fora e lá estava ele deitado do lado da fogueira olhando para o céu.
_Desse jeito vai adoecer, vem logo pra dentro. – ele me ignorou – Depois não diz que não avisei.
Tornei a me deitar mas fiquei revirando no saco de dormir, a situação em que estávamos estava se tornando insuportável, nunca ficamos por mais de uma hora brigados. Levantei-me de onde estava e fui até ele, parei do seu lado e fiquei o olhando por alguns segundos até ele finalmente me olhar.
_Que foi? – estava com o braço direito atrás da cabeça.
_Mas o que... – simplesmente me deitei (ou pelo menos tentei) do lado dele, usando o braço esquerdo como travesseiro.
_Cala a boca e me deixa dormir. – me aconcheguei em seu corpo – To com sono e com frio, ou seja, preciso do teu calor pra me esquentar. – ele rio debochado – Não ria, o assunto é serio.
_Sim senhor, senhor! – me puxou para mais perto, colocando metade do meu corpo por cima do seu – Sinto saudade de dormir assim contigo.
_Então cala a boca e aproveita. –
Ele passava as mão por minha costa em um carinho gostoso e simples, mas que foi o suficiente para me levar ao mundo dos sonhos.
_Te amo baixinho.
Ouvi antes de cair em um sono profundo e cheio de sonhos bons. Sonhos onde eu estava livre de tudo que me fazia mal, livre daquele que deveria me amar, mas que na verdade era meu carcereiro e carrasco... Como eu te odeio Jorge!
Acordei ainda abraçado a Steve, ele parecia em um sonho gostoso já que sorria, fiquei quieto, não queria acordá-lo e estragar tudo o que sonhava, mas acabei ficando desconfortável e tentei me ajeitar e acabei o acordando.
_Bom dia baixinho!
_Bom dia. – sai de seu aperto, sentei e me espreguicei – Para o seu conhecimento, agora somos do mesmo tamanho, no maximo sou cinco centímetros mais baixo que você.
_Viu, tu continua sendo baixinho, meu baixinho.
Acabei me levantando e indo fazer a higiene matinal sem nem o olhar, eu sabia que ele havia usado o “MEU” de propósito, para me ver dessa forma que estou agora, totalmente corado e sem jeito... fazia muito tempo que ele não me chamava assim “ baixinho”, ainda mais usando o “meu” de foram tão possessiva... era sempre Allan ou Al.
Não demorei tanto para voltar, mas fiz o possível para não o olhar diretamente. Enquanto ele estava fazendo sua higiene matinal eu desarmei a barraca e arrumei minhas coisas, logo seria hora de voltar para a realidade. Fiquei sentado na rocha o esperando.
_Já vai voltar? – sentou do meu lado.
_Daqui a pouco. – olhávamos para a paisagem – Quero chegar a tempo de almoçar com a Kelly.
_Entendo. Posso ir junto?
_Larga de ser besta, claro que pode.
Ficamos em silêncio por um tempo só curtindo os últimos minutos ali, naquele lugar lindo.
_Posso te pedir uma coisa?
_Peça. – o olhei mais ele ainda estava concentrado na paisagem a frente.
_Deixa o Jorge. – e ainda assim ele não me olhou.
_Por que isso é tão importante pra ti? – deixei de olhá-lo.
_Por que minha maior felicidade é te ver feliz, e isso só vai acontecer quando você der um basta nisso que você chama de relação e eu chamo de prisão.
Não o respondi, apenas levantei de onde estávamos e peguei minhas coisas, me certificando de que havia apagado por completo a fogueira da noite passada. Voltamos para o hotel, e como o previsto nos três almoçamos juntos, mas em momento algum tocamos no assunto Jorge ou no que aconteceu lá em cima. Saímos do hotel quando o sol já esta se pondo, eu em minha moto e Steve em seu carro e ainda assim não nos falamos antes disso e muito menos depois.
Voltei para o inferno que era minha vida e ainda pensava no que Steve tinha me pedido, mas como sempre eu apenas ignorei. Fazia questão de me desligar toda vez que Jorge tomava meu corpo para se saciar e esquecia do meu prazer, eu simplesmente me levantava da cama, tomava um banho e ia para algum lugar da casa dormir só para não ter que dormir com ele, era sempre assim.
dez meses depois cheguei ao meu limite, estávamos em uma reunião com todos os acionistas da empresa, e como eu era o que detinha o maior numero de ações era preciso que eu estivesse ali, já que Jorge não poderia assinar nada por mim. Enquanto eles decidiam tudo eu apenas ficava quieto, até ouvi a palavra vender.
_Acredito que não ouvi de forma correta. – todos me olharam como se eu fosse uma aberração – Mas o que será vendido?
_Metade das ações em seu nome, foi o combinado. – falou um velho barrigudo e escroto que estava na outra ponta.
_Nós já conversamos sobre isso Allan. – Jorge falou de forma autoritária como se fosse meu dono.
_Foi? Quando? – me levantei furioso – Por que até onde eu lembre você só chega em casa para brigar, bater ou me comer e quase sempre vem com o cheiro desse bando de puta que tu come por ai.
_Jorge contenha seu esposo. – outro velho idiota falou de forma raivosa.
_Esposo é a puta que te pariu, esse dai é só um escroto que acha que é meu dono só por que divide a mesma casa que eu – eu berrava de forma que todos que estavam aos arredores da sala escutariam – Nem casado somos... Falando nisso, ACABOU ouviu bem? ACABOU!!!
_Tenho direito a metade do que é seu se nos separarmos, não esqueça disso. – falou com um risinho vitorioso.
_E tu é tão burro que não lembra que assinou um documento dizendo que abria mão de tudo o que foi deixado para mim em testamento, energúmeno. – Gargalhei o mais alto que pude ao ver aquela cara de quem não acreditava no que ouvia – O que veio depois por mim pode ficar, não quero nada que me lembre essa tua cara escrota.
_E como fica a questão da vendas das ações? – um outro velho que nem fiz questão de saber o nome falou.
_Simples, não haverá venda alguma. Tenham todos uma infeliz tarde!
Quando sai da sala de reuniões fui recebido com palmas de algum funcionários que trabalharam com meu pai, os mais antigos.
_Que bom que assumirá a empresa novamente jovem Allan. – disse a secretaria.
_Se esta de volta deduzo que queira saber como esta a questão financeira e jurídica da empresa jovem Allan. – dessa vez foi o advogado da empresa e amigo de meu falecido pai.
_Precisarei da ajuda de todos vocês, mas trataremos de todos esses assuntos amanhã, preciso resolver algo antes. – todos assentiram. Me virei para a secretaria – Chame a segurança e peça para que acompanhem aquele senhor para fora da minha empresa com todos os seus pertences, não desejo mais vê-lo na minha frente.
_Farei com gosto jovem Allan.
_E contrate alguém para limpar meu antigo apartamento voltarei para lá ainda hoje, sairei finalmente daquela prisão.
Fui direto para a minha antiga prisão e dei ordens para o segurança, que veio comigo, não deixar Jorge subir. Arrumei todas as minhas roupas e fiquei esperando a empresa que faz mudança chegar para me ajudar com o restante, fiz questão de pegar todas as coisas que tinha levado do meu apartamento para lá, duas obras de arte que ganhei de meu pai, todos os documentos referentes a empresa até as que estavam no cofre (que ele achava que eu não sabia a senha), das varias “joias” de valor eu só peguei o relógio de bolso que tinha ganhado em segredo do Steve. Quando tudo já estava arrumado e pronto para a mudança sai daquela casa sem nem olhar para trás, convicto de que para lá eu nunca mais voltava, que minha vida estava voltando ao que sempre deveria ser... LIVRE.
Ainda tive o desprazer de encontrar com ele próximo a entrada.
_Você não pode fazer isso comigo amor. Não vê o quão errado isso é?? – ele chorava e eu não acreditava em uma lágrima sequer.
_É melhor aprender a economizar, tua vida boa comigo acabou.
E assim fui embora e nunca mais voltei. Passei a morar no meu antigo apartamento, assumi de vez a empresa e assustei-me quando vi os estado catastrófico que ela estava, fiz tudo o que foi possível para reergue-la e aqui estamos firme e forte depois de quase dois anos. Jorge como eu já previa, gastou tudo o que lhe restou comprando uma das ações da concorrente que faliu meses depois, pegou dinheiro emprestado de quem não devia e acabou morto em uma vala qualquer por não ter pago.
Kelly casou mês passado e ta grávida de seis meses, vai ser uma linda menina como a mãe é. Nos tornamos sócios, agora o pequeno hotel no alto da encosta foi ampliado, e foram feitas pequenas cabanas temáticas para recém casados e amantes eternos, e com direito a um guia para quem desejava se aventurar por entre a floresta.
Steve foi fazer doutorado fora do país, logo depois de saber que eu havia me separado de vez do Jorge. Não houve despedidas entre nós dois, fiquei sabendo de sua partida dois dias depois por minha tia quando fui visitá-los. fiquei triste e chorei por dias, mas hoje consigo entender que assim foi melhor. Fiz uma tatuagem na nuca para apagar o estrago que ficou depois da remoção da antiga... Um ideograma Japonês que significa vitória, pois é exatamente como eu me sinto.
Ainda sinto falta de ter alguém para amar e ser amado, mas não me permito conhecer ninguém mais intimamente, o medo de ser tratado como antes ainda me domina, mais até que o medo de ficar sozinho, esse eu já quase superei por completo.
Já fazia muito tempo que não subia a encosta, mas hoje decidi matar um pouco dessa saudade, subi na moto e fui.
_Olha quem resolveu dar o ar de sua graça. – Kelly foi quem me recepcionou – Vai se hospedar esse fim de semana ou é só uma visita de médico, por que se for vou logo te avisando que o meu medico é outro.
Nós dois rimos feito loucos.
_To precisando de um favor. – me olhou ternamente.
_Em todos esses anos que te conheço sempre soube do que você precisava e continuo a saber. – acarinhou meu rosto – E por isso te digo que o que você esta precisando não esta no alto dessa montanha. A paz que procuras só poderá ser infinita quando se abrir novamente para a vida e sair desse casulo de conforto no qual você se fechou. Só assim terá sua vida e alma de volta meu pequeno Allan.
_Como sempre você me dizendo o que eu preciso ouvir, por isso e muito mais é que te amo. – dei-lhe um beijo na bochecha e na avantajada barriga – Essa pequena terá muita sorte de te ter como mãe.
_E você como tio.
_Que assim seja.
Fomos até a sala de equipamentos e peguei tudo o que precisaria para esses dois dias que passaria lá no alto, depois fui na cozinha e peguei enlatados e algumas guloseimas, afinal agora eu posso come-las sem me preocupar com o peso (não que eu tenha engordado muito, apenas voltei ao meu corpo sadio de antes do Jorge).
_Não deixe sair nenhuma trilha pra aquele lado, por favor! – eu já estava com a mochila na costa.
_Sem problema. Descanse o tempo que precisar, ninguém o incomodara.
Agradeci com um beijo na testa e uma tentativa de abraço já que a barriga atrapalhava. E assim fui em direção da clareira na parte norte da montanha e lá me instalei, arrumei tudo da forma que tinha que ser, arrumei a fogueira para mais tarde e fui descansar sentado na grande rocha, e ali fiquei admirando a paisagem, que ao meu ver ficou ainda mais bela. Já estava escurecendo quando ouvi o som, como se tivessem acabado de tirar uma foto.
Tamanho foi meu susto quando o vi ali parado próximo da barraca como da ultima vez.
_Da ultima vez achei lindo te ver ai nessa, rocha formando a mais linda paisagem, e me amaldiçoei por não ter como registrar, dessa vez fui mais esperto e trouxe. – seu sorriso era radiante.
Me levantei de onde estava e sai correndo de qual quer jeito, parei na sua frente sem dizer nada e assim fiquei.
_Quando voltou? – eu queria abraçá-lo mas não sabia se podia.
_A uns meses. – respondeu como se não fosse nada demais.
_E por...
_Por que só agora? – me interrompeu – Estava esperando.
_Esperando o que? – segurava a vontade de chorar.
_Você vim nos procurara, procurar as nossas lembranças, procurar a nossa paz,a paz que só aqui nós encontramos. – fechei os olhos com o carinho que fazia em meu rosto – Estava esperando a sua alma clamar pela minha e continuaria a esperar quanto tempo fosse necessário. Pois só assim podemos ser completos.
Chorei como nunca antes, chorei a dor de todos esses anos de sofrimento, mas sabia que minha alma havia renascido naquele momento, que só agora eu estava livre de verdade.
_Gostei da tatuagem, mas acho que vai ter que fazer mais uma e dessa vez nunca mais apague, entendeu mocinho?
_Sim senhor, senhor!
Caímos na gargalhada e assim a noite seguiu e a vida também. Os dias não seriam mais escuros, a solidão já não existia e ser feliz é o que nos era permitido.
E isso meus amigos, eu fazia com muito prazer.
Notas finais
Até breve!!!!
bjs
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