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6 Capítulo 6
Chegamos ao apartamento e desmoronei em minha cama. Fiquei feliz por ter tomado banho na SM e escovado os dentes lá mesmo. Eu estava exausta. Geralmente ficava assim quando queria tirar algo da cabeça. Acabava por me exercitar tanto e ficava exausta no fim do dia.
— Yuri... — começou Yoona.
— Desculpe, mas posso te contar as coisas amanhã? Estou exausta.
— Já sei o que aconteceu. Eu vi na TV.
Ela ia continuar esse assunto de qualquer jeito mesmo eu não querendo.
— Minho veio falar comigo — disse ela —. Ele não está entendendo o que está acontecendo e quer falar com você, mas você continua evitando. Eu não sabia mais o que responder, afinal, não sei o que está acontecendo.
— Eu não posso contar, Yoona...
— Eu sei — interrompeu-me ela —, mas ele merece uma explicação.
— Não posso — comecei a segurar o choro —. Você não entende, Yoona. Eu não posso. Eu...
— Tudo bem — tranquilizou-me ela —. Só estou te dando um conselho. Não vou te pressionar a falar. Mas você sabe que pode falar comigo.
— Eu sei — respondi —. Desculpa. Eu só... não estou pronta.
— Eu entendo. Vou te deixar dormir agora. Boa noite.
— Obrigada, Yoona. Boa noite.
Passaram-se dez meses e, de alguma forma, eu não encontrei Minho em nenhum lugar. Nosso presidente não brincava mesmo. As pessoas ainda achavam que eu e Doojoon estávamos juntos. Afinal, éramos amigos e saíamos constantemente, mas isso não alterou em nada na minha vida nem na dele. Mas já não nos víamos a um bom tempo, já que era final de ano e estávamos sempre ocupados, treinando para as apresentações nos programas especiais de finais de ano.
Acordei em uma manhã ensolarada. Arrumei-me e fui para a cozinha onde estavam as meninas tomando café da manhã para irmos à SM. Tínhamos que ensaiar pela última vez, arrumarmo-nos e irmos para o primeiro programa de final de ano.
O dia passou rápido como sempre passava quando tínhamos essas apresentações de final de ano. Logo estávamos indo para o local do programa para a gravação.
Fomos direto para o camarim e começaram a preparar metade das meninas. Nós ainda tínhamos algum tempo, então fui procurar Doojoon enquanto não me chamavam para me arrumar.
Andei pelos corredores e parava para cumprimentar as pessoas que passavam. Estavam todos correndo, mas dava para sentir o clima de comemorações no ar. Afinal, faltava menos de um mês para o natal.
Olhava distraída para o chão até que reconheci uma voz feminina se aproximando. Era Krystal. Fazia tempo que não via as meninas do f(x), então comecei a andar mais rápido para encontrá-la, mas parei no meio do caminho quando reconheci outra voz com ela. Minho.
Meu corpo congelou e eu não sabia para onde ir. Acabei entrando na primeira porta que avistei e fechei-a.
— Noona? — ouvi uma voz masculina assustada. Olhei para ver quem era.
— Taemin? — olhei em volta e os meninos do SHINee estavam todos lá com exceção de Minho.
— Desculpa, eu... — comecei, mas parei logo que ouvi a porta abrir. Joguei-me atrás do sofá que havia ali a fim de me esconder. Senti minha perna latejar e uma dor horrível tomar conta dela assim que a usei para me apoiar.
Kibum olhou para mim sem entender. Fiz sinal para que ficasse calado. Ele olhou para minha perna e a expressão em meu rosto, ficando preocupado na hora. Fiz mais um sinal, indicando que estava tudo bem.
— O que houve? — ouvi a voz de Minho — Que caras são essas?
— Nada — respondeu Jonghyun.
Ouvi a porta se abrir novamente.
— Meninos, vocês viram a Yuri? — ouvi a voz que uma das maquiadoras da SM — Estamos procurando por ela, mas não a achamos em nenhum lugar e estamos com pressa.
— Ela... — começou Kibum, olhando para mim.
— Estou aqui — respirei fundo e me levantei, sentindo uma pontada forte na perna direita.
— O que você estava fazendo ai? — perguntou ela, assustada — Deixa pra lá. Vamos — ela pegou meu braço e começou a me puxar, mas minha perna não quis se mexer e a dor veio mais forte dessa vez. Cai no chão e a segurei com minhas duas mãos —. O que houve? — perguntou ela, alarmada.
— Nada — consegui responder —. Vamos — levantei-me, ignorando a dor na perna e fui em direção a porta. Cometi o erro de olhar para Minho. Ele olhava com desconfiança e preocupação no rosto, junto com uma expressão de dor.
Senti meu estômago revirar. Engoli um choro e virei o rosto. Mas antes de virar, pude ver um brilho se formando em seus olhos e escorrendo por seu rosto. Uma lágrima.
Fui até nosso camarim, aguentando a dor na perna. Eu havia treinado tanto pra esses programas de fim de ano. Não podia decepcionar as meninas.
Arrumaram-me rapidamente e logo estávamos indo para trás do palco. Mas antes que eu pudesse chegar lá, senti uma mão puxando meu braço. Minha perna virou e senti a dor crescer cada vez mais. Mordi a boca para não gritar e acabei deixando-me levar pela mão que me puxava.
Ao chegar ao nosso camarim vazio, pude me recompor e ver quem era.
— Você está louca? — perguntou a pessoa com quem eu mais queria conversar, mas quem eu mais tinha que evitar — Vai subir naquele palco com a perna assim? Pode enganar as noonas, suas maquiadoras e todos da SM; mas a mim você não engana. Deve ter quebrado e mesmo assim vai insistir em ser teimosa?
— Isso não é da sua conta — respondi sem pensar.
— Parece que muita coisa em relação a você não é da minha conta há quase um ano — rebateu ele.
— Então por que insiste em querer mudar isso? — gritei. Senti as malditas lágrimas começarem subir — Se já sabe que não é da sua conta, deixe-me em paz.
— Não acha que eu mereço uma explicação? — perguntou ele, suavizando a voz.
Ele me olhou do jeito carinhoso que acelerava meu coração e fazia meu corpo começar a tremer. Mas eu não podia me deixar levar, então não respondi.
— Vou chamar Yoona — disse ele, suspirando.
— Não! Elas se esforçaram muito. Não vou estragar essa apresentação.
— E se você for assim, vai estragar de vez a apresentação.
Eu podia acabar mesmo com a apresentação se fosse pra lá assim, mas estragaria se saísse agora que estávamos prestes a entrar no palco. Não tinha mais jeito. Eu havia realmente arruinado tudo.
— Pode chamar Yoona pra mim? — perguntei por fim.
— Espere aqui — disse ele.
Yoona entrou pouco tempo depois. Sua expressão era de assustada.
— O que houve? — perguntou ela.
— Longa história — respondi —. Fui tentar me esconder pra não ver Minho e acabei me machucando.
— Não acredito nisso! — exclamou Yoona. Ela saiu do camarim por alguns instantes e voltou com as meninas e nosso treinador.
— Deixe-me ver sua perna — disse ele. Segurou minha perna e a apertou de leve. Mordi minha boca pra não gritar de dor —. Ela não vai poder apresentar assim.
— O que faremos? — perguntou Seohyun.
— Vamos apresentar sem Yuri — respondeu Taeyeon —. Vamos revezar a parte dela e tudo vai dar certo. Bom, pelo menos acho que vai.
— Desculpe, meninas — disse eu.
— Acidentes acontecem — disse Sooyoung, tentando me acalmar.
— Todos os esforços de vocês... É tudo minha culpa... — comecei.
— Não precisa se preocupar. Vai dar tudo certo — disse Jessica.
— Mas temos que ir logo senão ai é que não vai dar nada certo — disse Yoona —. Vou chamar alguém pra te levar pra um hospital.
Balancei a cabeça, concordando, e elas começaram a sair do quarto. Só me restava ver o que eu tinha causado na minha perna. Mas, espera, Yoona disse que chamaria alguém pra me levar? Só faltava ela chamar o... Não, eu nem sequer podia pensar nisso.
— Yoona! — gritei. Ela virou pra trás na hora — Se você chamar o...
— Não se preocupe — disse ela, rindo —. Já volto.
Olhei para TV em nosso camarim. Super Junior estava apresentando. Eu os admirava tanto desde minha época de trainee. Eles eram excepcionais e tinham as melhores vozes que já ouvi. Entre eles, sempre admirei Hyuk-oppa. Ele dançava tão bem e tinha uma personalidade admirável. Achava que ia acabar me apaixonando por ele algum dia, não por Minho.
— Toc-toc — ouvi alguém dizer da porta. Doojoon. Suspirei aliviada.
— Oppa! — tentei me levantar, mas minha perna não permitiu.
— Fique sentada — disse ele, vindo em minha direção —. Você é teimosa mesmo. Não acredito que quebrou sua perna só pra não ver Minho.
— Veio pra me criticar ou me ajudar? — perguntei, irritada.
— Calma, bravinha. Vamos. Vou te levar até o carro.
Ele me ajudou a levantar e fui apoiada nele. Andava mancando, mas Doojoon era quem carregava praticamente todo meu peso. Ele me ajudou a entrar no carro e esperei ele dar a volta e ocupar o lugar atrás do volante, mas quando a porta se abriu, não era Doojoon.
Olhei para trás e ele estava acenando fora do carro.
— Oppa! — gritei. Ele sorriu e gritou um “boa sorte”. Eu ia matá-lo quando o encontrasse novamente.
— Ele disse que você e eu precisamos conversar — disse Minho —. Se o seu “oppa” — ele fez uma imitação podre da minha voz — disse isso, não posso recusar — disse ele, sorrindo ironicamente.
Respirei fundo e tentei me acalmar. Esse seria um longo caminho até o hospital.
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