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2 Capítulo 2
— Não acredito que o presidente disse isso! — exclamou Yoona assim que terminei de contar tudo as meninas.
— Nem eu — respondi.
— E agora? — perguntou ela — O que vão fazer?
— Não sei — respondi. Eu estava com medo. Não me vinha nada na cabeça, a não ser a ideia de perder Minho por causa disso.
— Nós vamos arranjar uma solução — disse Taeyeon. As meninas concordaram —. Estaremos sempre com você.
— Obrigada, unni — agradeci.
— Toc-toc — disse nosso manager sorrindo ao entrar na sala onde eu estava com as meninas —. Posso interromper?
— Claro — respondeu Taeyeon.
— Bom, vocês estão confirmadas para partir para os Estados Unidos daqui dois dias, certo? — perguntou ele. Nós concordamos.
— Vocês ficarão lá por duas semanas...
— Vamos ficar por cinco dias — interrompeu-o Sooyoung.
— Mudanças de plano — respondeu o manager —. Vocês estão agendadas para outros programas e terão que ficar por mais tempo.
Se nós ficássemos por duas semanas, eu não veria Minho por um mês já que quando voltássemos, SHINee estaria indo pro Japão com suas promoções. Não sei por que, mas pensar nisso me deu um desespero. Talvez o presidente já estivesse começando com seus planos para que nós não nos víssemos. Yoona olhou para mim. Ela havia pensado na mesma coisa que eu.
Taeyeon estava falando com o manager e as meninas conversavam empolgadas por terem mais tempo nos Estados Unidos. Estavam todas distraídas, então sai da sala já que estava quase dando o horário de Doojoon ir me buscar. Fui para a sala da frente e esperei.
Quando deu o horário, um carro parou em frente ao prédio da SM. Fui até ele e Yoseob saiu do carro vindo em minha direção.
— Olá, Yuri — ele cumprimentou.
— Oi Yoseob — respondi —. Onde está Doojoon?
— Ele não pôde vir — respondeu ele.
— E pediu pra você vir em seu lugar?
— Não, eu só vim pra te avisar. Não fique brava — pediu ele.
— Por que eu ficaria brava? Mas não era mais fácil ter ligado? — perguntei.
— Bom, de qualquer forma já vim aqui — ele sorriu fraco —. Tchau — ele entrou no carro e saiu.
Eu fiquei parada sem saber o que fazer. O que foi isso? Não entendi nada.
Entrei no prédio da SM novamente e peguei meu celular. Disquei o número do Doojoon e esperei atender.
— Alô — atendeu uma voz roca.
— Kikwang? — perguntei.
— Oi, Yuri — respondeu ele.
— Posso falar com o Doojoon, por favor? — pedi.
— Ele não pode falar agora. Quer deixar recado?
— Hm, então pede pra ele me ligar assim que puder.
— Pode deixar — respondeu ele e o celular ficou mudo.
O que será que tinha acontecido? Doojoon sempre me avisava se não pudesse vir e desmarcar nossos encontros era algo raro de acontecer. Essa era a segunda vez em três anos.
Decidi ir para o terraço e esperar para ver se Minho aparecia por lá. Eu ainda sentia um medo muito grande por tudo o que estava acontecendo.
Sentei na mesma cadeira que sentei no meu almoço com Minho. Deitei minha cabeça na mesa e deixei os pensamentos fluírem.
Acabei adormecendo ali mesmo e acordei somente quando ouvi meu celular tocando.
— Alô — atendi sonolenta.
— Onde você está? — perguntou Yoona aos berros — Estamos te procurando à uma hora.
— Estou aqui no terraço. O que houve?
— O presidente está te procurando — disse ela —. Venha logo.
Ela desligou o celular. Esfreguei os olhos para tirar a sonolência. Só então percebi que havia uma blusa em minhas costas e uma rosa vermelha em cima da mesa com um bilhete.
“Dorminhoca, estarei te esperando no último andar do seu prédio às sete. Não se esqueça.”
No canto do papel havia um sutil “Eu te amo”. Sorri ao ler aquilo.
Peguei minhas coisas e sai do terraço para encontrar o presidente.
— Entre — disse ele quando bati à porta.
— O senhor estava me procurando?
— Sim, Yuri — respondeu ele —. Sente-se.
Sentei-me onde ele havia indicado.
— Bom — começou ele —, você gosta do Minho, não é?
— Sim — respondi cautelosa.
— O que você faria se, por sua causa, a carreira dele estivesse prestes a ir por água a baixo?
— Eu... — hesitei pensativa. Não tinha parado para pensar no que eu faria. Eu só sabia que não queria isso — eu não sei. Iria me afastar dele, talvez.
— Então o que você está esperando? — perguntou ele, calmo, mas irônico — A carreira de seu amor está prestes a desmoronar, assim como a sua. Isso afetará não só o grupo dele, mas o seu também. É isso o que você quer para os amigos de vocês e para vocês mesmos?
— Não... — eu não sabia o que responder. Minha cabeça estava confusa e veio em mim uma vontade de chorar.
— Está ai a resposta. Você pode nos ajudar, Yuri? Se afaste de Minho. Nós já estamos tendo muito problemas com isso e está afetando toda a empresa. Se eu falasse com Minho, ele não me ouviria. Você é mais madura que ele, então, por favor, tome consciência disso e faça o que eu lhe peço. Você fará isso, certo?
— Presidente, eu...
— Certo, Yuri? — perguntou ele de um jeito ameaçador.
— Sim, senhor — respondi com a cabeça baixa.
— Muito bem. Fico feliz que você possa me entender — disse ele, sorrindo —. Pode se retirar, Yuri. Muito obrigado mesmo.
Acenei com a cabeça e sai da sala.
Fui até o banheiro e fechei-me em um Box. Encostei-me à parede e deixei-me desmoronar.
Eu estava com medo. Sabia que o melhor era afastar-me dele, mas agora que estávamos finalmente juntos? Eu queria sentir o abraço dele, queria ter certeza que nada nos atrapalharia e sabia que tudo isso era impossível.
A imagem de todos nossos amigos passou pela minha mente. Eu não podia prejudicá-los por um capricho meu. Eu não podia deixar isso acontecer. Eu tinha que fazer o que o presidente havia pedido e ser forte para isso.
Sequei as lágrimas em meu rosto e levantei-me de lá já certa do que faria.
Minhas ultimas memórias com Minho começariam às sete da noite. Seja lá o que ele planejava fazer.
Olhei para o relógio. Seis e meia. Peguei minhas coisas e fui para o estacionamento.
O motorista chegou rapidamente ao meu prédio. Subi até o apartamento e deixei minhas coisas no meu quarto. Entrei no elevador para encontrar-me com a pessoa que mais no mundo pela última vez.
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