Completamente Estranho
1 Único: Completamente estranho
Eu estou quase o mandando para um lugar não muito agradável, tomar em um lugar menos agradável ainda. Ouvir suas desculpas me da uma vontade indescritível de socá-lo, porque né, ninguém merece ouvir desculpas esfarrapadas. Ele estava me dizendo a um tempinho atrás que apenas se atrasou para o nosso encontro. Encontro esse que acontece todos os anos, no mesmo dia, e mesma hora, para comemorarmos nosso aniversário de namoro.
Da para acreditar? Atraso? Eu não tenho cabelos loiros, os meus são cor de rosa! Rosa!
Nada contra as loiras, só contra a loira da Ino. Apenas ela. Ah, e o Naruto, nem preciso explicar o motivo.
– E foi isso que aconteceu. — Ele bebericou um gole do café expresso que pediu, me olhando sensualmente.
Eu não vou cair nessa, sou igual a loira da Tsunade, ou seja, uma grande pavio curto.
– Eu não consigo nem fingir que acredito nisso. — Cruzei os braços e o encarei esperando a verdadeira resposta.
Só para vocês terem uma ideia, ele acabou de me dizer que o táxi em que ele vinha tinha quebrado e ele teve que sair com o motorista até uma mecânica mais próxima que ficava a uns 4 quilômetros de distância de onde ele tinha quebrado.
Tudo bem até aí, mas o interessante foi que ele me disse que quando chegou lá não tinha mecânica nenhuma e sim um circo de horrores. É, não um circo comum de palhaços e leões que pulam em aro de fogo, mas um circo de horrores. E não para por aí, ele disse que foi sequestrado, arrastado, sei lá, para fazer parte de um número em que ele teria que ser mutilado teatralmente, óbvio, para a platéia do circo.
E nada do motorista do táxi né? É aí que eu o pego na mentira, cadê o diabo do motorista?! Ele não falou, ou ele foi abduzido ou o leão que pula no aro de fogo o comeu vivo.
Ah, é mesmo, era um circo dos horrores, e não circo normal com palhaços e... vocês sabem o resto.
Continuando, ele não participou do show, conseguiu de alguma maneira escapar e roubou uma bicicleta que estava fora do circo. E assim conseguiu chegar aqui. Bicicleta essa que nem existe né, porque ele chegou andando, na verdade ele veio pelo estacionamento então eu não vi nada, mas enfim.
Eu mereço isso? Mereço?!
– Eu falei sério. — Disse calmamente me olhando com seus lindos olhos negros.
Só agora reparei na roupa dele. Impecável como sempre, usava um blazer preto com uma camiseta cinza, calça jeans escura e um par de tênis branco. E nenhum sinal de poeira, porque como ele deu essa carreira toda devia ter no mínimo resquícios de lama, barro, ou coisa do tipo.
– Só mais uma chance. — Levantei meu indicador e apontei pra ele, aproveitei pra checar meu esmalte vermelho — Me conte a verdade, ou vou embora agora mesmo.
E eu ia mesmo. Que absurdo sem tamanho, além de mentir tem a cara de pau de confirmar e confirmar de novo até esperar que eu acredite nessa palhaçada toda?
Há, nunca, meu bem.
– Esquece isso, Sakura, o importante é que eu vim, não? — Perguntou como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Vamos andar logo que eu já to cansado de ficar sentado. — Ele correu os olhos negros pelo local e olhou para uma loja de chocolates. — Que tal um chocolate?
Para tudo. Sasuke Uchiha querendo chocolate? O mundo vai acabar. Ele odeia coisas doces. Sabe ódio mesmo. Uma vez no aniversário do Naruto ele ficou longe da mesa de guloseimas a festa inteira, e quando ofereceram bolo para ele quase mandou o garçom para o quinto dos infernos com tanto xingamento que ele proferiu contra o miserável. Tadinho, ficou tão traumatizado que nem voltou pra servir ninguém mais.
– Você quer chocolate? — Perguntei incrédula.
– Não, você sabe que não gosto de doces. — Ele disse como se fosse óbvio. — Vou comprar pra você. — Disse se levantando.
Ah, claro, vai comprar pra mim.
É agora que a Terra vira do avesso. Sasuke foi trocado quando entrou no inexistente circo dos horrores.
– Certo. — Me levantei e enrosquei meu braço ao dele, e fomos até a loja.
Eu sei que ele odeia demonstrações de carinho em público mas, foda-se. Ele é o meu namorado e sempre tem outras garotas de olho nele e eu não suporto isso. Sabe, eu sou um pouquinho ciumenta. Só um pouquinho.
Entramos na loja que tinha aquele aroma delicioso de chocolate... Amo muito. Vi Sasuke torcer o nariz ao inalar aquela maravilha, insensível miserável.
– Se não gosta porque me trouxe aqui? — Perguntei apertando de leve o seu braço.
– Vai ficar me questionando o dia todo? — Ótimo, ele estava se irritando.
Justo no terceiro aniversário de nossa relação. Maravilhoso.
Passamos pelo balcão da garota que fica no caixa e eu percebi que ela piscou para Sasuke. Que vadia descarada. Minha presença não foi notada?
Oi, eu tenho cabelo rosa.
– Sasuke, ela piscou pra você não foi?
– Quem?
– A atendente, ou você é cego? — Tá, agora eu já estava ficando irritada. Antes eu só estava... Irritada também, pronto.
– Eu não notei. — Sasuke fez pouco caso disso. Ok, eu também não deveria ligar muito.
Certo, Sasuke foi para a prateleira de chocolates com recheios e pegou um tablete de chocolate ao leite com recheio de cereja. Ele tá tirando sarro de mim ou eu só sou paranoica demais? Acho que ele tá tirando sarro de mim, é bem mais plausível do que dizer que eu sou paranoica.
Depois ele foi até o caixa da senhorita-gosto-de-piscar-para-o-namorado-das-outras pagar a conta. Ela sorriu toda assanhada.
Vadia.
– Gostariam da embalagem especial? Estamos oferecendo para todos os casais que vem até nossa loja. — Ah, minha presença foi notada, ponto para meu cabelo.
– Nã-
– Sim. — Maldito. Ele me interrompeu.
Eu ia recusar, sabe, não sei explicar a razão, mas eu quis recusar.
Tá, é por causa do ciúmes. Povo chato.
Ela sorriu mais abertamente e... Ela estava corando?!
Ignorando.
Logo depois ela pegou a tal embalagem especial lá atrás do balcão, onde, obviamente, nossas visões raio x não funcionavam. Ok, eu tenho sérios problemas.
A embalagem, podemos ver depois que ela colocou em cima do balcão, era cor de rosa e tinha uma fita azul formando um laço bem fofo.
Essa garota não fica com câimbra no rosto, ou algo parecido? Ela ficava sorrindo o tempo todo. Jesus.
– Aqui. — Sasuke tirou de sua carteira o dinheiro e entregou a ela.
Pegando a embalagem ele saiu da loja, eu ainda o segurando pelo braço. Ele não disse nada e continuou andando até os corredores do shopping que levavam ao estacionamento, eu estranhei mas não disse nem perguntei nada.
Sasuke estava muito estranho hoje, sabe, ele não é do tipo que fica dando desculpas como aquela. Ele é do tipo que fala: ''Não foi nada, esqueça.'' e quer que eu aceite de uma vez. Mas hoje ele foi totalmente contra a ética Sasuke de ser. Ele deu uma desculpa ridícula que nem o Naruto acreditaria, sério, aquilo foi um absurdo. E logo em seguida entrou em uma loja de doces. Eu estou extremamente abismada.
– Cadê a bicicleta? — Perguntei como quem não quer nada.
– Que bicicleta?
Certo, é nessas horas que você deseja ler pensamentos, sabe o por quê? Sasuke sorriu de uma maneira extremamente enigmática. Já é uma surpresa ele sorrir, ainda mais expressivamente como agora.
Fomos caminhando até o carro dele, é o maldito veio de carro, que ele estacionou perto do meu. Ele pediu que eu esperasse enquanto ele pegava uma coisa no carro e eu concordei.
– Pronto. — Saiu fechando a porta logo em seguida e me entregou a embalagem do chocolate. — Seu presente.
Ah, o chocolate é o meu presente. Tá certo, eu não vou falar nada, sorri e fui abrir o pacote com a maior cara de surpresa fingida da face da Terra. Sabe como é, eu nem imaginava que iria ganhar um chocolate.
Para minha surpresa não tinha apenas o tablete de chocolate naquela embalagem fofa. Tinha lá do lado do doce uma caixinha cor de rosa bebê com um laço vermelho amarrado a ela. Eu fiquei muito surpresa. Aquilo definitivamente não era o que eu tava pensando, né? Porque, pensem comigo, estamos juntos a três anos, completando hoje certinho, eu posso pensar esse tipo de coisa a vontade já que eu amo muito o Sasuke e tal, mas eu ver a cena acontecendo de verdade é um choque muito grande, é tão inacreditável.
– Sasuke, isso não é o que eu to pensando que é, não é? — Perguntei ridiculamente nervosa.
– Depende do que você está pensando. Mas você só vai descobrir se abrir.
Certo, vou fazer o que ele pediu, tirei a caixinha de dentro do pacote fofo e entreguei a ele ficando com a caixinha em mãos. Puxei a ponta do laço com uma delicadeza desnecessária e ele se desfez lindamente.
Abri e lá estava ele reluzente, dourado, lindo. Era simples e ao mesmo tempo extravagante com sua cor dourada reluzente e aquele pequeno diamante brilhante cravado delicadamente no anel. Eu abri a boca para falar alguma coisa mas nada saiu de lá.
– I-isso é um anel de noivado? — Consegui formular, depois de algum tempinho, uma pergunta estúpida.
– Não, é um anel de formatura. — Ele revirou os olhos desdenhoso — É, Sakura, é um anel de noivado.
– Então, você tá pedindo pra casar comigo? — Outra pergunta estúpida, que idiota eu sou.
– É mas parece que você não curtiu a ideia.
– Não, quer dizer, eu estou sem palavras, sabe?
– As únicas palavras de que precisa são ''sim'' e ''não''.
– Como posso responder se nem pergunta teve? — Eu estava me irritando, novamente.
– Você sempre quer dificultar as coisas pra mim.
– Você é tão orgulhoso a ponto de não poder perguntar se eu quero me casar com você?
– Irritante. — Ele tomou bruscamente o anel de minha mão e se ajoelhou no chão. É, eu cruzei os braços e fechei a cara. — Case comigo.
– Isso não é uma pergunta. Parece até uma ordem.
– Tá. — Sasuke pigarreou desconfortável, isso tá ficando interessante. — Você vai casar comigo ou não?
– Que diabos de pergunta é essa? — Essa foi ridícula. — Muito romântico você.
Dessa vez ele bufou e se levantou, limpou o joelho e me encarou com as sobrancelhas franzidas em irritação. Minhas botas já estava me incomodando e o Sasuke estava estragando todo o clima de romantismo que tinha no começo, isso porque eu comecei estragando com aquelas pergunta estúpidas.
– Você sabe, melhor do que ninguém, que eu sou péssimo com palavras, então vamos direto ao ponto. — Sasuke pegou minha mão direita e respirou fundo, ele fica tão fofo nervoso. — Você me faz agir de um modo ridículo quando estou com você, tentei te mostrar isso hoje inventado aquela desculpa que nem o Naruto acreditaria. — Ele sorriu lembrando-se de Naruto — Te levando a uma loja de doces insuportável, e deixando você me agarrar em público. — Ei, aquilo nem foi um agarramento, que exagero. — Mas de certa forma, eu não consigo mais me ver não fazendo isso, não agindo ridiculamente, por isso, Sakura você aceita casar comigo? Quero continuar ridículo ao seu lado.
– Que coisa brega. — Sorri com a careta que ele fez — Brincadeira, eu também te amo, e é claro que eu aceito, mas você não é ridículo eu quem sou paranoica.
Ele sorriu e colocou o anel em meu dedo anelar, deslizou a mão pela minha cintura e pousou-a ali, me puxou para mais perto e selou nossos lábios em um beijo amoroso.
Sabe, eu nunca fui de gostar de finais melosos demais, eu sempre sou idiota e acabo falando asneiras demais, mas mesmo assim nunca pensei em um final como esse. Até porque esse não seria o final eu ainda tenho que preparar o casamento, escolher um vestido, procurar minha dama de honra, escolher as aliançar perfeitas, a decoração, o bolo, a igreja, ver o melhor padre, pastor, bispo, seja lá quem for... Gente é tanta coisa que eu até comecei a rir no meio do beijo, sério. Sasuke me olhou com a maior cara de azedo que só ele sabia fazer.
– Vamos logo embora, tem muita gente aqui. — Ele disse observando o estacionamento.
Eu ri e o beijei novamente, eu não ligo para o que vão pensar de nós, ele é o meu namorado. Corrigindo... Meu noivo.
Isso soa bem, vou me acostumar rapidinho.
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