Notas iniciais
Espero que gostem desse, comentem ? :)

A chuva caía lá fora, e eu continuava a esperar.
Era como se cada segundo, cada gota, estivessem sendo contados pelo meu cérebro inquieto.

Olhei mais uma vez pela janela, e a rua continuava escura, nenhum sinal de vida.

Fechei meus olhos e me joguei no sofá, fazendo com que as minhas costas batessem na madeira.

Eu quero tomar um banho de chuva.

Comecei a pensar nos prós e contras, e tudo que veio na minha cabeça é que eram 3 da manhã e que NOME CENSURADO não tinha chegado ainda.

Eu vou tomar banho de chuva.

Caminhei até a porta da frente, quando a realidade caiu sobre os meus ombros.

Era o fim, não era? Eu sentia que não ia voltar.

Minhas mãos foram de encontro ao molho que estava na fechadura da porta, e lentamente girei a chave como se eu quisesse me distrair com cada detalhe daquilo.

O vento gelado bateu no meu rosto, estremecendo meu corpo inteiro e me fazendo quase desistir da “festa na rua”.

Olhei para a esquina, como num reflexo de esperança, e mais uma vez decepcionei-me.

Me coloquei para o lado de fora da casa, e pude sentir as gotas do céu se encontrarem com as minhas lágrimas, como se fossem a mesma coisa, e talvez fossem afinal.

Quando pisquei, lembrei de como era tomar banho de chuva na infância e não se parecia nada com oque eu estava fazendo. Era como se eu quisesse imitar uma cena de um filme de comédia romântica barata ao invés de simplesmente me divertir.

E porque crescemos ? Para que viver o mundo dos adultos? É tão sem graça.

A luz do carro dobrando a esquina despertou meus pensamentos, e acelerou meu coração.

O medo bateu na minha cara, e eu não sabia como reagir. Nem oque falar, nem como falar, nem sabia como manter o meu corpo em pé.

Sentei no degrau da escada e me encolhi, abraçando meus joelhos.

Pude escutar o carro desligando, a porta batendo e os passos vindo em minha direção.

– Vai ficar ai? – NOME CENSURADO falou olhando para minha situação precária.

Era assim que eu queria ficar?

Uma explosão de sentimentos me veio na pele, e eu queria tomar um banho de chuva.

Levantei meu olhar e pude ver a criatura me olhando com desprezo, mas eu só iria enxergar que esse era o seu sentimento, seis meses depois, ali eu ainda achava que era amor, pobre de mim.

E fingi um sorriso, e molhei o meu corpo na chuva.

Se eu pudesse retribuir cada olhar de desprezo que você me deu todos esses anos, não os faria, pois sei que nenhum ser humano merece fazer oque você me fez.

Mas te agradeço, por ter me ensinado como é o não amor, te agradeço por cada rejeição, por cada beijo negado, por cada vez que você partiu meu coração em mil pedaços dizendo que me amava, por cada lágrima que você me fez derramar, por cada corte no meu corpo que eu tive o impulso de fazer, por cada pedaço de mim que você transformou em alguém que eu não gostava, por cada vez que eu chorei enquanto você estava se divertindo, te agradeço por ter me feito de trouxa, de otária, de babaca. Te agradeço por tudo, e hoje vejo que eu sempre tive razão, eu sempre amei mais, eu sempre dei mais valor. E não venha me dizer que eu mudei, foi você quem não aguentou me ver sorrir sem ser com você.

E hoje eu sorrio de verdade, e tomo banhos de chuva.

Notas finais
nos vemos nas minhas próximas loucuras.