Notas iniciais
Quero comentários, caso haja alguém que leia minhas brisas aqui, se já passaram por algo do tipo...

Eu estava atrasada como sempre, tomei minha ducha, vesti minha calça jeans básica e uma camiseta, cabelo eu nem fiz questão de pentear, não era um hábito. Maquiagem já estava fora de quesito visto o horário do relógio, eu estava sonolenta.

Sai de casa apressada, e fui em direção a estação de trem. O caminho não era longo, mas tomaria 20 minutos do meu pouco tempo, e a única forma de passá-lo dignamente era ouvindo uma música.

Estava morta ao chegar na plataforma, e o trem para ajudar estava lotado.
Consegui um lugar para segurar, de frente para uma das cadeiras preferenciais.
Começou a tocar Heartless do The Fray, e como sabem é uma música calma, que fez o meu sono voltar.

Apoiei minha cabeça no braço que estava segurando na barra de cima, e fechei os olhos, tentando descansar.

Após alguns minutos,senti um dedo me cutucar no braço apoiado, imaginei ser alguém conhecido e abri os meus olhos me virando para o lado afetado.

Era uma mulher de uns 30, 35 anos, me lembrava muito a mãe de uma amiga mas tinha certeza que não era.

Ela fez um sinal de "venha comigo" e visto que eu não conhecia a senhora, simplesmente sorri e virei-me para frente.

Novamente, senti seu dedo cutucar meu braço esquerdo, mas dessa vez olhei com uma certa raiva. A doce mulher estava insistindo em me chamar.

Tirei meus fones, e consegui ouvi-la solicitando que a seguisse.

Fui, sem hesitar, estava em um lugar público, não tinha como ser estuprada ou assaltada por ela ali.

Fomos para outro vagão, e ela parou na primeira barra livre para segurar.

– Nossa, mas que velho nojento. — Olhava para mim como se quisesse socar alguém.

Oi? Velho? Como assim?

– O que aconteceu ? — eu realmente não estava entendendo nada.

– Você não viu ? — seu rosto mostrava uma indignação enorme.

Viu oque? A primeira coisa que pensei é que tinha alguém me encochando, mas sinceramente não havia nenhum homem atrás de mim.

Simplesmente, balancei minha cabeça em um sinal negativo.

– O velho! Um velho nojento se masturbando olhando pra você.

EU COREI.

Mas oque? Como isso? Aonde isso ?

Sorri timidamente, fingindo não ter tomado um enorme choque dentro de mim.

–Eu não vi, aonde? — não sabia como eu deveria reagir.

– Lá onde estávamos, por isso te tirei de lá.

Até aquele momento, ela estava falando baixo, mas não sei oque deu na mulher que ela começou a berrar.

– Tava esfregando o pinto e olhando pra você! MAS QUE VELHO PORCO, COMO CONSEGUE FAZER ISSO, SE MASTURBAR EM PUBLICO, E AINDA OLHANDO PRA VOCÊ. — A mulher estava falando cada vez mais alto, e logo depois começou a divulgar a história para outros passageiros. — Acredita nisso? — Olhando para mulher sentada em nossa frente. — O VELHO TAVA SE MASTURBANDO LOGO ALI OLHANDO PRA ELA. — ela apontou pra mim.

PUTA QUE PARIU! Não sei se batia na mulher até ela calar a boca, ou se voltava pra esbofetear o velho safado.

Eu também não sabia se sentia vergonha por ter sido o motivo de sua tara, ou se me lisonjeava com isso.

A única coisa que sei, é que eu fiquei me sentindo mal, por algo que eu tecnicamente não tinha culpa nenhuma.

Alguns machistas diriam que eu provoquei o senhor, com a roupa que estava, mas gente calça jeans e camiseta agora são excitantes? Devo colocar uma burca então?

Puta merda, em que mundo estamos?! Realmente, me senti péssima, e não via a hora da próxima estação chegar.

Fiquei com um leve trauma, e uma vergonha enorme por um grande tempo.Depois comecei a compartilhar a história com alguns amigos, e a reação deles me fez sentir melhor.Então decidi compartilhar com vocês também, quem sabe alguém sofreu algo do tipo, e isso faça sentir melhor.

Espero que um dia, nós mulheres, não tenhamos mas que passar por essa selvageria.

Notas finais
Gostaria de mandar beijinhos para quem lê minhas postagens bizarras, e um abraço pra quem não.