Como vou começar
1 Capítulo 1
“Como vou começar? O que vou fazer?” Perguntava-me a cada segundo olhando para as árvores como se elas de alguma forma pudessem me dar a resposta, mas a única coisa que faziam eram balançar seus galhos suavemente. Estava em meu escritório me sentindo inquieta e desconfortável, queria sair dali e ir para a rua para me sentar na sombra e respirar ar puro porque talvez assim eu conseguisse pensar em alguma resposta para minhas perguntas, mas não poderia deixar o escritório sozinho então me contentei com a vista da janela. Estava preocupada com o que faria para minha melhor amiga, pois seu aniversário estava próximo e havíamos brigado, não deixaria que uma briga me fizesse mais ausente em seu aniversário. Digo “mais” porque estaria na praia com a minha família no dia do seu aniversário, mas queria lhe dar os parabéns e aí surgia a pergunta “Como vou fazer?” sou péssima em escrever textos (o que também faz me sentir culpada porque ela sempre escreve textinhos gays no meu aniversário), não sei se poderei ligar para ela ou mandar uma mensagem e então surgia a outra pergunta martelando na minha mente “O que vou fazer?” a resposta de momento para essa eu já sabia, iria gritar.
__________________________________________________________
Olhei para o relógio e o mesmo marcava 14:25 e tive vontade de bater com a cabeça no monitor várias e várias vezes só que não adiantaria nada então fiquei encarando “Certo, vou ter que escrever algo e já que não sei o que escrever vou escrever o que vier à mente”. No início foi péssimo comi letras devido o nervosismo, escrevia e apagava as mesmas linhas milhares de vezes, o telefone tocava quando estava fluindo algo e depois de atendê-lo já não sabia mais o que estava fazendo. Cheguei a conclusão de que escrever não era algo fácil e é ainda mais difícil quando se trata de escrever sobre ou para alguém importante para nós, mas isso não me deteve estava decidida a escrever para ela e pretendia não escrever qualquer coisa.
Quando se trata dela sempre faço qualquer coisa dando o meu melhor porque ela está comigo sempre e gostaria de lhe dizer isso para que soubesse. Sou muito sentimental não de ficar chorando e essas coisa, mas sim de amar muito as pessoas importantes para mim e me importar com elas, porém tenho problema para demonstrar e acabo me sentido um ser frio. Hoje estava disposta a enfrentar esse problema para fazer as pazes com ela porque poxa é o aniversário dela e nem poderei dar um abraço no dia, o que me facilitaria muito perto de escrever um textinho gay que por sinal acabou se transformando em um desabafo. Acho que talvez fosse o que eu queria, me sentia com um vazio no peito a muito tempo e por vezes vinha acompanhado da vontade de chorar até dormir, havia cessado por um tempo e eu nem lembrava que tinha passado por esses mal-estares, mas depois dessa última briga voltou e lembrei o quão agoniante é. Quando as palavras começaram a surgir eu não me impedi de escrevê-las, pelo contrário, as deixei correrem no papel controlando o lápis e por fim soltei um suspiro pensando que talvez amanhã eu consiga escrever o bendito textinho gay de feliz aniversário.
“Mozi, sinto muito por não ser uma boa pessoa para você vir desabafar, sei o quanto você precisa disso por estar cansada emocionalmente, mas você também tem que aprender a se controlar porque acaba me magoando e eu não demonstro porque sinto que é merecido por nunca conseguir fazer você se sentir bem. Eu juro que tento de tudo para te fazer rir, pular e ser idiota como éramos antes só que parece que eu nem estou ali e qualquer outra pessoa da internet consegue fazer isso melhor do que eu. Sinto falta de quando ia à sua casa e nossas tardes eram resumidas em risos, gritos e coisas idiotas. Sinto falta de quando me via online e já me contava tudo o que havia acontecido no meio tempo em que passamos longe uma da outra, das novidades e até do que estava fazendo. Sinto falta de quando você parecia mais viva e feliz mesmo com problemas na escola e em casa. Sinto falta de abraços, cafunés, quando mexia no meu cabelo e até do seu ciúme com minhas outras amigas (o que era algo extremamente engraçado, mas às vezes não e o riso era de nervosismo e medo). Éramos inseparáveis mesmo depois de termos estudado em turnos diferentes e depois eu ter mudado de escola, nós continuávamos grudadas e sofrendo constantemente de crises de risos, mas em algum momento isso se perdeu em você. Já faz tanto tempo que não vejo você rir ou ao menos sorrir de verdade, tenho medo de encostar em ti e você fugir porque parece que somos apenas conhecidas e isso dói muito, todo dia.
Eu posso ter mudado de cidade, mas me esforço para estar presente nos seus dias, tento puxar assunto e saber das novidades mas você diz que não tem nada de novo, para mim isso é novo. Nunca pensei que passaríamos por isso e nunca pensei que imaginária em te deixar de lado, mas sim imagino e tento não chorar em saber que isso é o que quero muitas vezes. Me sinto cansada já faz tempo, cansada de me esforçar, cuidar de ti, dar presença, tentar fazer você se sentir feliz e nunca ser bom o bastante... Nunca ser a pessoa que você quer que faça isso... Desculpa não ser a pessoa que você queria que estivesse no meu lugar fazendo tudo isso, mas se ela não esta aqui fazendo isso significa algo, certo? Enfim, é cansativo dar tudo de si para uma pessoa que a gente ama e quer bem enquanto ela fica imaginando 'como eu queria que fosse tal pessoa fazendo isso'. Eu já estou cansada e te disse isso nas últimas vezes porque estou no meu último suspiro e pensei que você fosse entender e me falar algo, qualquer coisa, mas você nada disse. Eu não te deixei ainda porque não é fácil, são anos e você ainda é minha maninha então é como tirar uma parte de mim... Só sei que está começando a machucar mais fundo e você sabe que eu não gosto de dor então, nunca te pedi isso, mas cuide de mim.”
Reli o desabafo e não sabia como pôr um final nele então deixei como estava e fui para a rua sem me importar se podia ou não.
Fale com o autor