Pedro

— Até hoje não entendo como seu pai teve a coragem de passar a empresa para você.

— O que quer dizer, senhor Almeida?

— Você sabe o que eu quero dizer senhor Lopez. Sua irresponsabilidade não é um segredo para ninguém.

— Desculpe. Impressão minha, ou você vem em uma reunião em minha empresa para falar mal de mim? Espero que eu esteja enganado. — Vi o velho abrir a boca para começar a responder, porém o cortei antes. — Espero que não hajam mais interrupções.
Assim, passamos mais uns 15 minutos em "paz", sem nenhum imprevisto, ou chatice daqueles investidores.
Quinze minutos, que foram brutalmente interrompidos pela voz novamente do senhor Almeida.

— Eu quero um café. — Continuei a reunião sem dar muita atenção para a sua fala. Após um tempo, lá estava ele repetindo:

— Eu. Quero. Um. Café. — resmungou batendo a mão na mesa. — Levei um susto com a atitude. Será que esse cara não percebia que o futuro de sua empresa dependia dessa reunião? Além do mais. Quantos anos ele tinha, meu Deus. Ele estava fazendo pirraça. Respirei profundamente, antes de virar para a Lorena e falar:

— Lorena, me faça o favor... ligue para a cafeteira e peça um café para todos. — Ela assentiu, se levantou e saiu.
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Clara

— Cláudia? Você poderia, por favor me ajudar? Tem uns 4 clientes que ainda não foram atendidos e o telefone ainda está tocando.

— Ai, atende aí! — Resmungou, fazendo um gesto de desdém com as mãos. Só pode estar de brincadeira.

— Senhor eu só vou atender o telefone e já venho te atender! — Falei para o senhor que me olhava com um olhar não muito amigável. Estiquei meu corpo até alcançar o telefone.

— Padaria Empresas Lopez, no que posso ajudar?

— Aqui é a Lorena, assistente pessoal do senhor Lopez. Quero fazer um pedido de 6 cafés expressos.

— Claro senhora Lorena — Falei. Acho que ela não tinha reconhecido minha voz, o que me fez agradecer mentalmente. Não consigo esquecer como ela me tratou na no antigo lugar que eu trabalhava.

Eu não faço ideia de como vou dar conta de tudo. Resolvi respirar fundo, afinal, com pressa e nervosismo, eu não ia fazer nada direito.

Peguei um pão, cortei no meio, e pus na chapa. O cliente que tinha pedido há mais tempo, seria o primeiro a ser atendido. Depois de entregar a ele, comecei a preparar os dos outros três, que já estava esperando há um tempão também. 15 Minutos depois, eu fui finalmente começar a preparar os 6 cafés que Lorena me pediu.

Peguei o primeiro copinho de isopor e coloquei embaixo da máquina de café, que tritura tudo na hora. Porém, quando fui apertar o botão, ele ficou preso, e não queria parar de triturar, e nem parar de colocar o café nos copos. Estiquei o corpo, tentando, com a minha outra mão pegar o outro copinho de isopor que deixei separado. No caminho, esbarrei o gesso numa jarra de água.

O barulho de vidro se quebrando provavelmente chamou atenção da Cláudia, que veio correndo.

— MEU DEUS! — Foi o que disse antes de cair correndo em minha direção. Quase suspirei de alívio quando vi que ela iria me ajudar. Mas.... Se tratando da Cláudia, invés de me ajudar, catou o celular, que estava em cima da bancada. Não!

— Cláudia! Não, por favor! Pelo o menos me ajude, antes de ligar para alguém! — Falei completamente desesperada. Eu já tinha desistido de tentar conter o café com os copinhos de isopor. Estava tentando achar a tomada da máquina.

— Alô, Lorena?! Por favor, venha aqui! A incompetente da funcionária nova quebrou a máquina de café! Está desperdiçando litros e litros, você não tem noção! Isso daqui está um caos!

Enquanto a Lorena respondia a fofoqueira, eu finalmente encontrei a tomada certa.

Me levantei com cuidado, sem abrir meus olhos. Não estava com coragem para ver a proporção da bagunça que fiz. E o pior. Pensando por esse lado, Pedro iria me demitir, não me deixaria mais morar com ele, e eu e minha irmã ficaríamos desabrigadas novamente.

— Quem foi a incompetente?! — Uma voz estridente berrou. Respirei fundo e fui levantando minha mão lentamente.

— Desculpe, senhora — Falei de cabeça baixa. — Tudo ficou em silêncio por um tempo, até começar uma respiração pesada.

— Você.... — Olhei pelo canto de olho para mulher que me encarava. — Quem te contratou? — Me perguntou, tentando parecer plena, mas mesmo assim me assustando.

— Foi o senhor Pedro. — Respondi baixinho.

— O QUE?!

— Ele me contratou — Repeti.

— Vou ligar para ele agora. — Disse.

Ela sacou o celular , discou um número e esperou.

— QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA CONTRATAR UMA LOUCA DESSAS? — Não demorou nem um segundo para ela levar um susto e perder toda a confiança. — Senhor, me desculpe, eu apenas... Não eu... Não é necessário, mas é o senhor quem sabe. Estou te esperando. Ok.

Ela me encarou com tanto ódio que assustava.

— O senhor Pedro está vindo para cá. Quando ele chegar. Ahhhhhh! Mas você pode esperar que eu vou contar tim tim por tim tim do que aconteceu. Tudo! — Me disse.

Respirei fundo e dei um passo para trás. Essa mulher é descontrolada. Fiquei um tempo olhando para aqueles olhos, até que me dei conta. Eu poderia estar arrumando toda a bagunça que fiz. Andei apressadamente para trás do balcão novamente e comecei a primeiramente esvaziar os copos que utilizei para tentar conter o café. Joguei o café na pia e taquei o recipiente de isopor no lixo. Peguei um pano, molhei-o e comecei a secar o chão.

Quando estava quase terminando escutei o barulho da porta abrindo. Virei a cabeça ligeiramente, o que fez Pedro entrar em meu campo visual.

— Uou. — Foi a única coisa que disse enquanto se dava conta do tamanho do estrago que eu tinha feito

Continua...

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.