Como você me fez enxergar
5 Despejadas
Pedro
Assim que eu abri a porta dei de cara com a Clara, a garota que parece que por hábito eu tenho que encontrar todo santo dia.
— Clara?
— Pedro? — Perguntamos ao mesmo tempo.
— O que você está fazenfo aqui?
— Pedro! — Minha mãe interfiriu se metendo no meio. — Que falta de educação.
— Desculpa. Não que eu esteja achando ruim você estar aqui. Muito pelo contrário. — Resmunguei essa última parte mais baixo. — Mas então, o que aconteceu? Como vocês se conheceram? — Perguntei realmente curioso.
— Vamos entrar que eu te explico tudo. — Minha mãe falou enquanto Clara e uma outra menina que eu nem tinha notado a presença continuavam caladas.
— Oi, tudo bem? — Me dirigi a garota que percebi que estava ali um pouco tarde.
— Sim. Meu nome é Anna. Você e minha irmã já ficaram? — Soltou tudo de uma vez só. Hmm, parece que é mais falante que a irmã.
— Muito prazer Anna, meu nome é Pedro. Bom, eu e sua irmã ainda não ficamos. Ainda. — Falei colocando um sorriso galanteador no rosto enquanto encarava a Clara.
— Você é bonito. E nos últimos dias minha irmã tem chegado com um olhar apaixonado em casa. — Falou com um sorriso quase diabólico no rosto.
— Qual o seu problema??! — Perguntou Clara indignada.
— Nenhum. — Respondeu, e foi entrando na casa como se fosse dela. Gostei.
Eu realmente não estava entendendo nada e em outra situação teria achado uma adolescente desse tipo até meio mal- educada, mas, ela parece que vai me ser extremamente útil para conseguir informações em relação a Clara.
Clara
Eu definitivamente vou matar minha irmã. Ela nasceu com o dom de me humilhar! Que ódio.
Mas o pior nem foi ela falando que eu estava apaixonada por ele não. Não. Foi aquele sorrisinho safado e galanteador que ele ficava lançando a todo momento para mim, que me fazia derreter. DERRETER! Eu não posso ficar derretendo por qualquer homem assim. Saco. Daqui a pouco pulo no pescoço dele e quero ver. A culpa é toda dele.
— Mas então, mãe. Pode por favor me explicar o que aconteceu? — Pediu para a mulher pela a qual eu confiei, entrei no super carro e deixei que me visse em momento de sofrimento para depois descobrir que ela mãe, fo garoto que eu achei bonitinho. Acho que estou ficando meio histérica.
— Ta. — Falou a projenitora traidora, que me salvou, mas mesmo assim, traidora. — Eu estava passando em uma mercadinho quando vi uma promoção de Kiwi. Resolvi entrar. Quando entrei vi quando a Clara caiu no chão em cima daquele monte de peixes. A coitadinha tinha quebrado o braço e ninguém demostrava sinal de que iria ajuda- la. Eu resolvi fazê-lo. Levei ela para o hospital. Demorou muito para o hospital no atender. O que eu, particularmente achei um absurdo já q...
— Mãe. — Interrompeu o Pedro- Tudo você acha um absurdo. — Comentou, mas rla pareceu ignorar o comentário.
— Continuando, eu achei um absurdo, porque a gente oaga plano de saúde para que não é mesmo? Então quando finalmente conseguimos fazer a droga do gesso, a Clara recebeu uma ligação da irmã dela falando que.... — Ela parou por um momento e olhou para mim — Posso falar querida? — Perguntou carinhosamente. Fiz que sim. Pedro já devia saber que minha situação financeira não é muito boa. — .... Falando que elas tinham sido despejadas e que um homem entrara na casa delas colocando a Anna para fora sem nem mesmo a deixar pegar uma muda de roupas. Deixei a Clara no hospital e fui buscar a irmã dela no lugar. Voltamos ao hospital e agora aqui estamos nós. — Terminou a história.
Ele ficou olhando por um momento, e depois falou:
— Por que não me disse que estava com problemas financeiros tão grandes assim? — Me perguntou. Aí eu cheguei em meu limite. Estava tão cansada.
— Como você queria que eu falasse? Aqui, eu mal te conheço e sei que você é rico, então, será que você poderia pagar minhas contas? Porque, assim, eu sou uma vagabunda que mesmo trabalhando não consigo manter um apartamento minúsculo no meio da favela, porque, mais uma vez eu sou uma vaga- vagabunda — Nem percebi que estava chorando até começar a soluçar. — que nã-não consegue... Não consegue, pagar as contas de casa, e, e...e é demitida a todo momento porque... porque ninguém gosta de mim e todo o mundo me ode-eia!! — Falei o comecei a soluçar. Chorei mesmo. Chorei todas as lagrimas que segurei quando estava perto de minha irmã, que agora estava
descendo como uma cachoeira. Fiquei chorando por um bom tempo até que senti braços forte me abraçando.
— Shiiiiii.... — Ouvi ele fazendo. Eu ainda estava chorando mas aos poucos fui me acalmando, aquele abraço era extremamente reconfortante. Quando finalmente parei de chorar ele falou para mim. — Você não precisa de ficar nervosa desse jeito. Eu não te acho uma vagabunda, eu nunca te acharia uma vagabunda. Eu te vejo como a mulher mais esforçada que eu já conheci e te admiro muito por isso. E sobre aquela história de perder o emprego, eles não entendem que você sempre anda com um pé de pato disfarçado, por isso cai muito. Azar o deles. — Falou. Acabei soltando uma risadinha quando ele falou a parte do pé de pato.
—É sério (interrogação) — Perguntei.
—O que (interrogação)
—Que você me admira muito. — Falei. Ele estava sendo fofo demais comigo, estava com medo de acordar e perceber que foi tudo um sonho.
—Claro que é verdade! Com sinceridade, Clara, eu não acho que seja possível alguém te conhecer de verdade e não te admirar. — Ai caramba! O meu alerta de fofura está quase dando pani, não está comportando tanta.
— Ahh... Tenho certeza que tem milhões de pessoas que me conhecem e que não me admiram. — Falei só para contradizer sua palavra, mas na verdade estávamos entrando numa brincadeira agora.
— E Você conhece milhões de pessoas (interrogação)
— Mas é claro que conheço. Elas é que não me conhecem! — Falei rindo
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