Como uma promessa virou realidade...
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Era só mais uma tarde de quarta feira no início da década de cinquenta. Foi o que Lúcia Pevensie pensou que seria, até receber a ligação de Susana. Sua irmã mais velha que casou-se a quase um ano e que suspeitava a jovem Lúcia, já estar sendo traída. Aparentemente seu marido Richard Masterson, estava muito interessado nos negócios de sua família, trabalho este a qual ele repudiava, até que conseguiu uma secretária com o querido papai. Mas este era um assunto que mais tarde trataria com Susana, que aliás, ligou para convidá-la para um almoço com os irmãos.
Mesmo com receio do quê estaria por trás dessa reunião em família, Lúcia decidiu por aceitar e descobrir ela mesma o motivo oculto. Marcaram então, em um reconhecido clube frequentado apenas pela alta sociedade londrina, desta qual, agora a irmã fazia parte.
Chegando ao local, a grande rainha destemida de Nárnia, sentiu-se pela primeira vez intimidada. Suas vestes não condiziam em nada com o ambiente extremamente requintado à qual sua irmã referiu-se como um local simplório, onde ia sempre almoçar com a sogra. Uma velha esnobe que Lúcia detestou desde que a conheceu naquele jantar de noivado conturbado de Susana e Richard.
Ainda sentindo-se deslocada naquele ambiente foi abordada por um senhor de face carrancuda que olhava-a de modo esnobe, demonstrando claramente que aquele não era o lugar dela.
-A senhorita deseja algo?-Perguntou de má vontade,não deixando nem mesmo ela responder-lhe, emendou em voz mais contida:-Se está procurando por um emprego na cozinha, saiba quê não deveria ter entrado pela frente e sim, pelos fundos...-
Sem palavras para respondê-lo, a jovem ficou sem reação alguma, irritando o senhor que já preparava-se para enxotá-la de lá.
Mas foi interrompido pela voz de Pedro chamando pelo nome da irmã com um enorme sorriso no rosto enquanto aproximava-se para cumprimentá-la. -Lúcia?É você mesma?-Indagou o homem loiro, quê se a jovem não conhecesse desde o seu nascimento teria dificuldades em reconhecê-lo, tamanha a mudança que o Pevensie mais velho sofrera durante os anos fora, que passou estudando na América que acabaram por transformá-lo em um homem maduro e muito bonito.-Eu não acredito, minha irmãzinha mais nova já é uma moça!-Contemplou admirando o crescimento da jovem, quê ao acabar de passar pela adolescência, transformara-se em uma linda moça, sendo disputada por diversos pretendentes que gostariam de levá-la a matrimônio o mais rápido possível.
-Poupe-me Pedro, eu já tenho dezoito anos, não sou sua princesinha a muito tempo!-Constatou a jovem em meio à um riso contido. O loiro apenas balançou a cabeça como se dissesse "é claro que é". E pôs-se a dar-lhe um abraço apertado, monstrando a falta que a irmã fez em sua vida, durante esses anos fora,em que esteve estudando.
O velho metri,que confundiu Lúcia com uma empregada, estava agora, observando tudo, branco como uma cera. Se a garota contasse ao irmão sobre o quê ocorreu com toda certeza, ele seria despedido.
E como se pudesse pressentir o medo do velho homem, a Pevensie em meio ao abraço virou-se para ele e lhe deu uma piscadela amistosa. Mostrando que não diria nada e fazendo-o suspirar aliviado. Logo após, foi sendo conduzida por Pedro ao enorme jardim do clube, onde os outros dois irmãos esperavam por ela.
Como era de se esperar, Susana estava explendorosa. Em seu vestido azul celeste que contrastava com as pequenas e delicadas margaridas bordadas na peça, arrematados por um também delicado laço negro.
Já Edmundo e Pedro optaram cada um por um terno. O do mais velho dos Pevensie's era de um azul escuro quase puxando para o cinza e o de Ed, um tom de marrom, lembrando areia.
Todos ricamente arrumados, o quê fez Lúcia olhar para o seu delicado vestido branco de modo envergonhado, já que era simples demais. Um verdadeiro vestido de almoço de domingo. E como que, para o seu desespero estar completo, também estavam lá, a noiva de Pedro e o marido de Susana. Ambos visivelmente aborrecidos de terem de estar ali.
Respirando fundo, Lúcia colocou seu melhor sorriso no rosto e aproximou-se deles.
Susana foi a primeira a vê-la. Abriu um sorriso enorme que foi diminuindo a medida que seus olhos desciam para as vestes da irmã. Tentou disfarçar isso, mas a mais nova estava muito atenta, seja porque estava na defensiva ou porque aqueles dois ali estragaram qualquer chance de ser apenas a Lúcia, que encontrava seus irmãos depois de muito tempo e que estava feliz com isso.
Richard foi o primeiro a levantar-se para cumprimentá-la. Pegou em sua mão com uma animação realmente nauseante e depositou ali um beijo exageradamente demorado. Quê fez a jovem querer socá-lo por ser tão cafageste e magoar sua irmã, que claramente olhava a cena de olhar baixo e muito triste.
Decidiu por ignorá-lo e foi cumprimentar seus dois irmãos que sorriam para si, realmente felizes por sua presença. Após os abraços apertados e as juras de que não ficaria mais tanto tempo sem dar notícias, ela foi obrigada a virar-se para a jovem loira a sua frente.
Ella Summers, uma verdadeira dondoca da década de cinquenta e na opinião da Pevensie, uma vadia de marca maior. Descobriu ela sem querer,que a outra possuía um caso com o marido da irmã, uma traição dupla já que a loira era noiva de Pedro.
-Lúcia, que bom, você finalmente está aqui conosco...-Comentou ela irônica, claramente não queria a presença da menina ali. E em pensamentos, a bela e educada rainha de Nárnia, completou com um sonoro: infelizmente estou.
Rindo desconfortável, ela sentou-se à mesa com os outros. E foi assim, que passaram-se as horas para a jovem,extremamente desconfortáveis, seja pela presença de Richard ou mesmo pela da sonsa Ella.
Conversas tão banais aconteciam, que tinham o dom de irritá-la profundamente. E isso inevitavelmente fez ela pensar em como não queriar estar ali, mas sim, em Nárnia. O lugar onde sentia-se bem e principalmente em casa e com a melhor companhia do mundo, Caspian. O homem que tornou-se dono de seu coração assim que seus olhos encontaram os dele pela primeira vez, ainda quando, era apenas uma garotinha.
Mas assim que o nome dele foi mencionado em seus pensamentos, foi inevitável, lembrar-se do quê ocorreu quando foram dizer adeus, no fim do mundo.
"Homem esse que na época, ela pensava que só tinha olhos para Susana. Mas assim que percebeu que estava redondamente enganada, e ele nunca esteve realmente interessado em sua irmã-descoberta essa, que só foi feita em sua despedida, quando ele fez algo inesperado, que surpreendeu-a e muito-, foi quando ela teve certeza de que era muito idiota por estar martirizando-se tanto, por algo que só existia em sua cabeça. Esta surpresa da qual vos falo, foi um simples e fervoroso beijo, mas não um beijo qualquer,foi aquele beijo que faz qualquer pessoa perder o fôlego. Só de lembrar já batia uma saudade na menina, não só pelo lindo momendo que viveram, mas dele e do beijo, que sabia ela, só ele saberia dar e conseguir deixá-la assim, tão entregue as suas vontades."
Lembrar-se desse momento, só fazia Lúcia, pensar ainda mais na promessa que Caspian lhe fez, e consequentemente, ficar triste ao constatar que não poderia ser cumprida.
Mas foi com esses pensamentos na cabeça que a jovem rainha fora interrompida, por Susana, que ao pigarrear, chamou a atenção de todos.
-Richard e eu temos uma novidade importante para compartilhar com vocês...-Anunciou ela com um sorriso especial no rosto. O marido entralaçou as mãos a da esposa e acenou, incentivando-a a continuar.-Estou grávida, vamos ter logo, logo um bebê na família!-.
E então,o absoluto silêncio instalou-se entre todos. Edmundo não se atreveu a falar nada, não tinha aprovado o casamento da irmã com o homem ruivo a sua frente, mas agora isso era totalmente desnecessário, ele podia ver o sorriso feliz que ela lançava ao marido, com a mão agora no ventre. O quê ele poderia dizer em uma situação dessas?
Com Pedro, essa confusão não existia. Ele estava feliz pela irmã e um sobrinho, era o auge da felicidade que ele poderia desejar a ela. Tanto que, foi o primeiro a quebrar o silêncio e levantar-se para parabenizar o casal.
Mas nem um desses pensamentos dos irmãos era recíproco em Lúcia. A mais nova dos Pevensie's estava chocada, apenas isso. Chocada pela triste sina que a irmã acabara de assinar a sentença. Estava fadada a viver com aquele homem pelo resto de sua vida, ainda mais agora, com um inocente bebê a caminho. Teria de aguentar todas as traições calada, tudo para que seu filho tivesse um pai presente em sua vida.
Nessa hora, a jovem queria que seu amado Caspian estivesse ali com ela. Ele teria dito, para que ela tivesse a bravura que sempre mostrou no campo de batalha, para contar toda a verdade a irmã.
Constatando que sabia o que fazer, Lúcia foi tomada por uma coragem típica de seu irmão mais velho e resolveu que era a hora e o lugar certo para esclarecer tudo.
Preparou-se para dizer algo, mas não teve tempo. O assunto central da conversa novamente voltou-se para sua pessoa e Lúcia foi indagada duramente por Susana.
-E então Lúcia, o quê você pretende para o seu futuro, agora que todos nós estamos de certa forma "encaminhados" na vida adulta?-
Primeiro o choque, abateu-se sobre si, depois a raiva. A Pevensie mais velha estava sendo cruel na visão da mais nova. Mas sendo assim, Lúcia também sabia jogar este jogo.
Encheu o pulmão de ar e pôs-se a falar tudo o que pensava e estava engasgado a muito tempo em sua garganta.-Eu pretendo continuar como estou, já que em minha visão, é algo bem mais correto do que fazer-se de cega e aturar as traições de um marido que casou-se consigo, apenas para assumir um cargo idiota...-Começou sarcástica e levantou-se da mesa em um supetão, ia embora mas antes devia alertar a Pedro também.-E Pedro, meu irmão...por favor, não gaste mais seu tempo com Ella,essa dondoca passou a trair você, assim que colocou um anel no dedo dela e o pior, com o idiota do Richard...abra seus olhos!-. E assim saiu radiante do recinto, dizendo apenas um "não seja idiota Ed, se for casar-se um dia, escolha aquela que seu coração mandar e por favor, que não seja uma vadia como Ella".
Deixando a todos pasmos, a jovem Pevensie não pode jamais escutar a discussão que iniciou-se na mesa. Pedro queria satisfações com Ella, que por sua vez, pedia elas a Richard, que a cada resposta enrolava-se ainda mais em sua teia de mentiras. Edmundo sorria em meio aos gritos dos outros, ele nunca sequer gostou de um daqueles dois, em sua opinião, seus irmãos mereciam pessoas melhores em suas vidas.
Susana era a única que estava pensativa. A mão ainda no ventre, olhando a todos a sua volta, cogitando cada uma de suas possibilidades. Ficar com um marido que claramente ela sabia, que a traia, ou largar tudo e começar pela primeira vez, algo que ela realmente queira e não um arranje de seus pais.
E em meio a tudo isso, ainda encontrava-se a pontinha de orgulho que sentia no momento pela irmã. A única que teve coragem e jogou-lhe todas as verdades que precisava ouvir.
O turbilhão de emoções e pensamentos que tornou-se Susana naquele momento, encontrou em fim sua resposta e ela era refletida no sorriso sincero que nascera em seus lábios, naquele instante em que levantava-se da cadeira e decidia por um fim naquela discussão.
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Paralelamente a isso, tínhamos a rainha Destemida de Nárnia, voltando pensativa para casa. Não sentia remorso por nada que fizera, mas sentia-se inquieta, diante a decisão de seus irmãos. Decisão esta, que mudaria a vida, não só dos dois, mas do pequeno bebezinho que crescia sem saber de nada, no ventre da rainha gentil.
Tão distraída em seus pensamentos estava, que nem por um minuto questionou-se o porquê do chão ter mudado drasticamente sua textura dura de pedregulhos para uma mais macia, algo como terra molhada. E claro, que não deu-se conta, deste último fato; em Londres não chovia,fazia mais de uma semana.
O grande leão que aprontara tudo isso, estava apenas observando-a. Imaginando quanto tempo levaria para que ela percebe-se que atravessara um portal e que não estava mais em Londres, mas sim, em sua aclamada Nárnia.
E como se lesse seus pensamentos-fato este que ele duvidava muito ser possível-, ela finalmente deu-se conta de tudo. Assustada por não saber onde estava, Lúcia passou a correr velozmente pela floresta que mais tarde descobriria, rodear nada mais, nada menos do quê o castelo de Caspian.
Mas enquanto ela não descobria este fato, a poucos metros de onde estava,encontrava-se o motivo de seus pensamentos, atualmente. Ele, o grande rei Caspian X, estava em mais uma de suas corridas com seu braço direito, Drinian. Também Capitão do Peregrino da Alvorada.
-Vamos meu rei, ...acho que não gostarás quando eu deixar-te para trás!-Debochou o homem careca, pedindo a seu cavalo falante para que desse um último fôlego, para os metros finais da corrida.
-Espere e verás, meu bom amigo!-Caspian disse apenas,ainda compenetrado em ganhar. Mas seu cavalo de repente passou a erguer-se nas patas traseiras, claramente assustado. Irritado pelo obstáculo, que pensava ter em seu caminho,o homem desceu de seu cavalo,pronto para resolver qualquer problema. Mas es sua surpresa, o obstáculo, nada mais era do quê Lúcia, sua doce rainha, que acabara de sair do meio daquela floresta.
-Lú, é você mesma?-Perguntou em um choque inicial. Passando a correr para perto da menina, que agora olhava para ele como se tivesse vendo um fantasma.
-Não pode ser, devo estar em algum estado de sono maluco...-Constatou ela, mas não aguentou muito, sua curiosidade foi maior e fez com que tocasse a face do homem, levando um grande susto em seguida, ao ver que sua mão não atravessara ou algo parecido.
Sorrindo um para o outro, Caspian sussurou antes de beijá-la com todo o seu fervor: -Eu não havia prometido certa vez, de que o nosso sonho tornaria-se realidade?-.
Notas finais
Muito obrigada a todos os leitores que leram essa one e espero que tenham gostado.
Vida longa e próspera.
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