Como uma Estrela

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Uma one-shot de uma das coisas que mais sinto falta na série, a relação linda que Henry e Regina acabaram construindo apesar de tudo. Espero que gostem.

Ei, meu pequeno príncipe, não sei sequer como começar. Eu te amo. Você foi a razão pela qual me pus de pé todas as manhãs durante esses últimos onze anos. Sinto muito se não fui o suficiente, se não fui a mãe que você merecia, eu fiz o meu melhor. Eu sempre fiz meu melhor por você, Henry. Você se tornou meu filho no momento em que pus os olhos em ti.

Queria poder te dizer o quão arrependida de tudo estou, mas não posso. Cada sofrimento infringido, cada vila destruída, no final valeu a pena por ter conseguido você. Essa maldição me trouxe a você, meu amor, e eu não trocaria isso por nada.

Eu percebi, finalmente, depois de tanto tempo que vilões não tem finais felizes. Você era o meu final feliz Henry, e acabei te perdendo. Já consegui lidar com tantas situações as quais não pareciam ter saída, mas definitivamente não essa. Eu te amo meu pequeno príncipe, espero que seja feliz. Acredite em mim pelo menos uma vez. Se sua felicidade é longe de mim respeitarei isso e seguirei meu caminho bem longe de Storybrooke. Se você vai ou não sentir minha falta só o tempo poderá dizer.

Meu amor é como uma estrela, você pode não me ver mas saiba que sempre estarei lá.

— Regina Mills, sua mãe.

O garoto terminou de ler a carta com os dedos trêmulos e a face coberta por lágrimas. Murmurou baixinho, apenas para si:

— Você não é uma vilã. Você é minha mãe.

Deixou que a carta caísse lentamente, quebrando cada barreira do ar juntamente as suas lagrimas. Saiu apressado do restaurante, deixando uma Emma confusa e preocupada para trás.

Pensou nas palavras que David lhe disse a cerca de um mês atras, assim que a maldição foi quebrada:

"- Da próxima vez que falar com sua mãe, esqueça por um minuto que ela é a Rainha Má, que houve uma maldição dando origem a uma cidade repleta de personagens de contos de fadas. Esqueça que você já encontrou o livro te fez descobrir tudo isso, basta ver a sua mãe, a mulher que cuidou de você toda a sua vida. Olhe para ela. Realmente olhe para ela, e então me diga se ela está apenas fingindo te amar por todos estes anos."

Ele via isso agora. Apesar da culpa que parecia desabar sobre todo seu ser continuou andando em direção a casa de sua mãe, sua casa, se permitindo lembrar durante o percurso.

Lembrava-­se dela lhe acariciando os cabelos enquanto o colocava em seu colo, impulsionando a cadeira de balanço para frente e para trás, recitando suas histórias favoritas. Aquela costumava ser sua parte favorita do dia, achava incrível sua mãe mudar a voz de um personagem para outro, sentia-se como um super herói somente por poder virar as paginas do livro quando era hora.

Se lembrou de como sua mãe lhe colocava na cama toda noite, sentando a beira da mesma e cantando para si até que o sono lhe invadisse. Ou de quando caiu aos seis anos, durante o recreio na escola, machucando seus dois joelhos. Chorou, chamando por sua mãe, que saiu do trabalho para busca-lo somente por pequenos machucados. Ela beijou seus dois joelhos enfaixados e lhe disse que ele era um menino muito corajoso por ter deixado a enfermeira colocar as ataduras, e em seguida, eles foram para o Restaurante da Vovó tomar sorvete.

A realidade lhe invadia, pouco a pouco.

Quando tinha seus piores pesadelos era ela quem lhe confortava, era para ela que ele corria, ela quem sempre dizia que nunca deixaria nenhum monstro ferir seu bebe. Era ela, não Emma. Sempre que se sentia doente, ela ficava no sofá e assistia desenhos animados com ele durante todo o dia, trazendo-­lhe sopa e copos de suco sempre que ele queria, esfregando suas costas e acariciando seu cabelo suavemente. Era seu toque que lhe fazia cair no sono quando ele não se sentia bem ou estava com dor. Cada aniversário e Natal tinha sido cheio de presentes perfeitos, tanto aqueles que ele tinha pedido quanto outros. Toda nota boa no boletim significava sorvete e um novo livro de história em quadrinhos.

Sentia como se cada parte de seu corpo pesasse uma tonelada quando finalmente chegou. Abriu a porta lentamente. Silencio. Não se era ouvido um ruído sequer. Será que ela já foi? Não, não, não, por favor — pensava.

— Mãe? — gritou com tanta incerteza na voz e ao mesmo tempo um carinho que se arrependia amargamente de ter negado a ela. — Mamãe? — soltou um pouco mais alto dessa vez, ouviu passos descendo a escada e quase chorou quando a viu.

A mulher na sua frente, independentemente de quem foi em outro mundo, era sua mãe. E ele, de alguma forma, havia se esquecido do quão feliz foi com ela por tantos anos, tudo por causa de uma maldito livro. Se sentiu magoado ao descobrir sobre a maldição, ficou com raiva e se esqueceu que a mulher que o tinha amado durante todos estes anos continuava a mesma após a quebra da maldição. Ele quem começou a ignora-la, afastando suas tentativas de confortá- ­lo ou mesmo de apenas falar com ele. Sua mãe nunca tinha lhe tratado de forma fria, ela só estava tentando esconder a dor que ele estava lhe causando toda vez que recusava seus carinhos e lhe jogava na cara que ela não era sua verdadeira mãe.

Regina se aproximou lentamente, agachando-se na frente dele.

— Bebê? — perguntou ela, com medo, porque ele ainda não tinha dito nada. Henry estava lhe olhando para em silêncio pelo que pareciam minutos, e agora ele estava prestes a começar a chorar.

— Mamãe? — Regina nem sequer teve tempo para processar o que ele havia dito pois no segundo seguinte seu filho se lançou em sua direção, envolvendo os braços em torno dela com força. Ela se assustou, mas logo em seguida devolveu o abraço, segurando seu filho perto, e desfrutando do seu amor repentino. Henry não permitiu que ela o abraçasse assim em um longo tempo. Já sentia lágrimas se formando eu seus olhos.

— Sinto muito. — Henry disse-lhe sinceramente. — Estou muito, muito arrependido.

— Eu também, Henry. Você sabe que eu te amo, não é? — ele assentiu.

— Eu também te amo, mãe. — ele finalmente se afastou e olhou para ela. — Eu não deveria ter dito todas aquelas coisas. Eu não quis dizer-­lhes, estava com raiva de você.

— Eu sei, querido, a culpa foi minha. — ela ia continuar, mas Henry balançou a cabeça vigorosamente.

— Não, não foi! Eu te disse coisas horríveis, mas você continuou me amando. — ele quase parecia confuso com a forma como ela lhe defendia depois de tudo que havia feito. Regina lhe deu um pequeno sorriso.

— Claro que eu continuei. Isso é o que as mães fazem. — Henry notou o olhar triste que atravessou seu rosto quando ela disse isso, mas ele tinha ido embora rapidamente e ela o puxou de volta para outro abraço. — Eu nunca vou parar de te amar.

— Promete nunca me deixar mamãe? Promete não ir embora? Por favor, eu preciso de você.

— Eu prometo, bebê. Lembre-se, meu amor é como uma estrela.

Notas finais
Digam se gostaram ou não, por favor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!