Como um Patético Filme Americano
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Ao som de All Of Me - John Legend
(Confesso que eu amo essa música!)
O que aconteceu nas próximas semanas foi algo que eu não tenho como descrever. Justin treinava que nem um louco para o campeonato e eu mal o via, mas mesmo assim nas aulas a gente não desgrudava. Talvez seja o mais perto que eu tive de um relacionamento sério, e ele era incrível. Me deu espaço quando era preciso e entendia quando eu surtava. Um garoto mais que fofo.
– Sabe, Isabelle eu estava pensando que já está na hora de eu conversar com sua mãe. — falou Justin um dia na hora do almoço. Eu virei para encará-lo surpresa, seguida por Allison e Jack.– O que disse? — perguntei.– Eu estava pensando que para tornar isso sério tenho que falar com sua mãe e pedir permissão pra ela. — eu olhei para Allison em busca de auxílio, mas ela encarou a comida.– Sinceramente Justin, eu não acho isso necessário.– Por que não?– Ela já sabe que a gente está saindo, não precisa de mais nada. Não estamos no século XIX.– Foi isso que você falou pra ela que a gente estava saindo? — eu senti que estava pisando em um terreno delicado, então achei melhor ir devagar.– Mais ou menos, mas é complicado. — falei. Justin virou a cadeira pra mim e me olhou nos olhos.– Você também não quer que isso fique mais sério? Na verdade, o seu medo não era que eu estivesse brincando com seus sentimentos? Então, Isabelle. Eu estou tentando fazer tudo certo. Mas parece que você não quer. – Não é isso, é só que... — eu tentei desviar os meus olhos, mas ele me obrigou a olhá-lo de novo. Então, eu suspirei. — Quando você quer aparecer?– Sério isso? — perguntou ele com um sorriso que fez praticamente tudo valer a pena.– Se é tão importante pra você, eu pergunto pra minha mãe qual é o melhor dia pra você aparecer. — falei, Justin sorriu e me beijou com animação.– Oh, vocês dois são tão fofos. — falou Allison me fazendo sorrir.– E eu estou enjoado. — falou Jack levantando.– Não fique com inveja, Jack. Isso não é legal. — falou Justin e ele revirou os olhos.– Vamos? Temos treino agora. Vocês podem namorar depois. — Jack deu um beijo na cabeça de Allison e piscou pra mim.– Depois você me avisa a resposta da sua mãe. — falou Justin me dando um beijo antes de ir.– Claro. — falei.– E então, está ficando sério mesmo. — falou Allison recostando na cadeira.– Eu acho que sim. Estou assustada com isso também, parece que ele está ansioso para ser meu namorado. — falei sorrindo.– Achei que vocês já fossem namorados.– Sim, mas não pra minha mãe. — falei colocando as mãos na cabeça.– O que foi, Belle? Porque sua mãe não podia saber? — perguntou curiosa.– A questão não é a minha mãe, é que assim que ela souber vai ligar para o meu pai e ele vai enlouquecer. Só Deus sabe o que ele vai fazer quando descobrir.– Acha que ele apareceria aqui?– Na melhor das hipotéses. — falei com a voz chorosa.– Não se preocupe, tudo vai dar certo.– Eu espero mesmo.>>o– E então, como estou? — perguntou Justin na porta.– Terno e gravata? Você quer mesmo impressionar minha mãe. — falei sorrindo.– Estou nervoso, nunca fiz isso antes.– Vai se dar bem. Minha mãe está terminando de fazer o jantar e no final dessa noite vou ser oficialmente sua namorada.– Isso, tem razão. — Justin me deu um beijo apressado e entrou. — Ah, e aliás está linda.– Obrigada. Mãe, ele chegou. — falei nervosa.– Ah, que bom. Eu já terminei o jantar. — respondeu minha mãe. Justin olhou pra mim apreensivo e eu sorri de volta confiante, segurei sua mão firme e o levei até a sala de jantar.– Eu gostaria de me apresentar formalmente: Meu nome é Justin Lancaster e é um prazer imenso estar aqui. — falou Justin apertando a mão da minha mãe.– Oh, isso me deixa muito feliz, Justin Lancaster. Meu nome é Natália Ribeiro e como você sabe sou a mãe da Isabelle.– Agora que as apresentações já foram feitas, podemos jantar? — perguntei e minha mãe assentiu apontando a mesa. Justin sorria, mas percebia pelo jeito que apertava minha mão que ele estava nervoso. Minha mãe preparou uma comida brasileira e eu esperava muito que Justin gostasse já que seu pai era dono do French. Mas pela cara que ele fez ao colocar a primeira garfada na boca, ele tinha adorado.– Diga-me, Justin. Allison me disse que você é capitão do time de futebol.– Sim, é verdade. Espera, foi a Allison que disse?– Isabelle, não conversa muito comigo. Enfim, que incrível! Eu falei para Isabelle tentar ser líder de torcida, mas ela falou que prefere enfiar alfinetes nos olhos. — falou minha mãe me matando de vergonha. Mas Justin gargalhou e piscou pra mim.– Realmente não combina com ela, mas se quisesse acha que conseguiria? — perguntou Justin e eu sorri.– No Brasil, eu fazia ballet e dança contemporânea, além de ginástica artística. Acredite em mim, eu daria conta. — falei fazendo Justin virar pra me encarar.– Eu não sabia disso, porque nunca me disse?– Porque nunca perguntou. — eu voltei a comer e Justin ainda me encarava surpreso.– Por algum motivo desconhecido, Isabelle esconde esse lado dela. — minha mãe nos encarava com curiosidade.
– Mas não precisa, não pra mim. — falou Justin e eu dei de ombros.– Tudo bem, então. — falei. Minha mãe continuou a fazer perguntas para Justin e ele respondia com educação, ás vezes eu só olhava pra minha mãe e ela refazia a pergunta. Foi um jantar agradável, nós rimos algumas vezes, eu pude perceber um olhar diferente na minha mãe e isso me animou.– Já que todo mundo terminou de jantar, acredito que você tenha algo a me dizer, Justin. — ele respirou fundo e sorriu.– Mrs Ribeiro, eu gostaria de namorar com a sua filha. Sei que pode parecer precipitado porque estamos saindo há apenas algumas semanas, mas eu gosto mesmo dela. Gosto a ponto de mudar muitas coisas na minha vida e espero muito que a senhora entenda. — minha mãe encarou Justin com curiosidade e ficou em silêncio por um tempo o que só deixou a gente mais apreensivo.– Eu estava observando vocês dois e pude perceber que gostam mesmo um do outro. Vi o seu olhar brilhar quando olhou pra minha filha, Justin, e não tinha como uma mãe querer mais. Eu dou a minha permissão. — falou ela e eu vi o sorriso que eu tanto amava estampar no rosto de Justin.– A senhora não vai se arrepender. — falou ele apertando a mão dela.– Eu espero mesmo. Agora podem dar o beijo da vitória, eu deixo. — falou sorrindo. Justin levantou e segurou meu rosto com animação me dando um beijo aliviado. >>o– Agora é oficial? — perguntou Allison na escola.– Sim, só que eu ainda tenho que conhecer seus pais, Justin. — falei virando para encará-lo.– Eu sei, mas a gente pode adiar isso ao máximo, né?– Não, não podemos. — falei e ele revirou os olhos.– Acredite em mim, você não vai querer conhecer os meus pais. Eles não são muito simpáticos.– Mas eu quero conhecê-los. Toda namorada tem que conhecer a família do namorado.– Ah, Isabelle. Faz como quiser, mas eu avisei. — falou ele beijando a minha bochecha e saindo.– Allison, você que conhecia os pais dele. O que acha? — perguntei curiosa.– Sinceramente, Belle, eles sempre foram muito simpáticos comigo. Mas o problema é que Justin e os pais nunca se deram bem. Talvez porque eles queiram controlar tudo na vida dele, ou talvez porque quase nunca estejam presentes.– Ah entendo, mas você acha que eu possa ter algum tipo de problema com eles? – Acho que não. O pai dele você já conheceu e percebeu que ele não é esse monstro que Justin fala, já a mãe dele é mais complicada. Mas acho que você consegue.– Estou nervosa.– Te julgaria uma tola se não estivesse.>>o– Nossa, você está linda! — falou Justin assim que eu abri a porta.– Obrigada. Eu fiquei com medo de ficar desarrumada. — falei e ele sorriu.– Não se preocupe com isso. Agora, vamos? — perguntou me estendendo o braço.– Com prazer. Enquanto Justin dirigia a caminho da sua casa, eu pensava no que falar e em como agir. Tinha medo da reação de seus pais, e do que eles poderiam pensar ao meu respeito.– Não é muito tranquilo quando é ao contrário, né? — perguntou Justin e eu sorri apreensiva.– Não muito.– Você vai se sair bem, é só um jantar. E eu fiz meu pai prometer que não ia cozinhar nada exagerado. — falou e eu suspirei.– Muito obrigada.– De nada. Agora, bem vinda a minha casa. Eu encarei a casa dele surpresa e sem querer imaginei o que estaria fazendo ali. A casa de Justin era enorme, as paredes de vidro reluziam pela luz da lua, era uma casa muito moderna para os meus padrões.– Você mora aqui? Sério? — perguntei e ele sorriu.– Muito exagerado?– Não, é linda. Eu só não estou muito acostumada.– Vem, vamos. Caminhei com Justin até a porta com o coração na mão, eu tinha criado muitas expectativas na minha mente, mas estava perdendo as esperanças.– Marc, pode avisar aos meus pais que nós chegamos? — perguntou Justin para o empregado que nos aguardava na entrada.– Com prazer, senhor. Eu olhava para todos os lados com surpresa e admiração, todo o luxo parecia um borrão na minha realidade, mas Justin sorria ao olhar pra mim.– Não precisa ficar com essa cara. — comentou.– Sua casa é incrível.– Obrigado. — respondeu e andou na minha direção, mas antes que pudesse fazer alguma coisa algo atrás dele chamou minha atenção.– Essa pintura é um Monet? — perguntei surpresa.– Gosta de arte? — perguntou alguém atrás de mim. Uma mulher com um vestido branco e pérolas, corpo esbelto, olhos azuis e cabelos ruivos sorria pra mim. – Gosto muito, e adorei essa pintura. — comentei sorrindo de volta.– Eu também gosto muito dela, e sim é um Monet. — falou parando ao meu lado.– Fascinante. — falei encarando cada detalhe daquela obra.– Acho que vamos nos dar bem. Miranda Lancaster. — falou me estendendo a mão que eu apertei com delicadeza.– É um imenso prazer, Mrs. Lancaster. Sou Isabelle Dantas, sua casa é linda. — falei e ela sorriu.– Muito obrigada. — comentou.– Miss Dantas, é um prazer vê-la novamente. — falou Mr. Lancaster aparecendo ao lado de Justin.– Igualmente, senhor. — eu fui ao seu encontro e apertei a sua mão com um sorriso.– É uma moça muito bonita, Isabelle. Meu filho tem muito bom gosto. — falou Mrs. Lancaster que sorria.– Obrigada, Mrs Lancaster. Seu filho é maravilhoso, sou uma garota sorte.– Você deve ser muito especial, porque Justin nunca apresentou nenhuma garota para nós. Muito menos trazê-la para jantar. — falou Mr. Lancaster.– Confesso que fico feliz em ouvir isso. — Mr. e Mrs. Lancaster soltaram uma gargalhada fazendo com que eu sorrisse também.– Vem, Isabelle. Vou te mostrar o resto da casa. — falou Justin me pegando pela mão. Assim que subimos as escadas, soltei a respiração que eu prendia em alívio.– Como me saí? — perguntei e ele sorriu.– Você foi incrível. Meus pais gostaram de você, considere-se especial. — Justin me deu um beijo fofo e sorriu.– Agora estou me achando importante. — falei e ele piscou.– Como se antes não fosse. Pois bem, Isabelle, esse é o meu quarto. Justin não tinha um quarto, tinha um andar inteiro. Duas paredes eram de vidro e tinha uma com fotos de filmes antigos, com uma cama enorme no meio. O computador ainda estava ligado e os jogos de video game estavam todos em uma prateleira. No seu closet tudo estava irritantemente organizado por cor e tipo, os sapatos brilhavam em um canto.– Nossa, você é bem organizado. — falei e ele riu.– Não sou eu que arrumo meu closet. Porque se fosse não estaria assim.– Mas você é organizado. — falei me virando para encará-lo e ele revirou os olhos.– É, sou.– Lindo. — falei e ele deu de ombros.– Eu sei, Isabelle. Mas você ficar me elogiando assim toda hora, me deixa constrangido. — eu bati em seu ombro e saí do closet.– Eu estava falando do quarto.– Ah sim, isso também. — Justin sentou em sua cama e eu sentei ao seu lado.– Engraçadinho. — ele pegou minha mão e ficou fazendo círculos com o polegar.– Você é a primeira garota que entra aqui. — falou e eu o encarei surpresa.– Você não pode estar falando sério.– Eu estou. Por mais que eu fosse quem fosse, sempre achei que se eu tivesse que trazer uma garota ao meu quarto tinha que ser alguém especial.– Estou lisonjeada e surpresa.– Gosto de deixar você surpresa.– Eu sei, e isso ajuda a não ficar monótono.– De nada. — falou Justin me fazendo sorrir. O seu beijo tinha o mesmo efeito em mim desde a primeira vez, com ele eu me sentia segura, forte. Era uma sensação muito boa.– Mr Lancaster? — perguntou alguém batendo na porta. Nos afastamos rapidamente e Justin revirou os olhos.– Pode entrar, Marc.– Seus pais pediram para avisar que o jantar está servido.– Obrigado, Marc. E da próxima vez chega numa hora menos inapropriada. — o empregado ficou sem graça e assentiu.– Vou tentar, senhor. — falou fechando a porta.– Coitado, Justin. Ele ficou sem graça. — falei rindo.– Mas o que eu poderia dizer? Estavamos tendo uma conversa muitíssimo agradável.– Vamos, nós temos um jantar.>>o O jantar se seguiu sem muitas perguntas pra mim, mas mesmo assim eu fiquei nervosa para responde-las. Justin sorria pra mim confiante quando eu olhava pra ele rapidamente. Mas de uma forma geral, tudo ocorreu as mil maravilhas.– Sabe, Isabelle, fico feliz que Justin tenha escolhido uma namorada tão encantadora. — falou Mr. Lancaster.– Nossa, obrigada.– Não tem que agradecer.– Agora, pai e mãe tenho que levar a Belle de volta.– Volte quando quiser, será sempre muito bem vinda aqui.
– Obrigada. — falei sem graça. Justin me levou pra casa com um sorriso estampado no rosto e eu também não podia estar mais radiante. As coisas estavam caminhando e nada podia estragar isso.>>o– Eu falei que tudo ia dar certo. — falou Allison saindo da última aula comigo.– Eu sei, fico feliz que tenha dado mesmo. — falei confiante. Ao caminhar em direção ao meu armário, percebemos um alvoroço de garotas apontando e dando risinhos como se estivessem comentando sobre algo muito idiota que faziam todas as garotas se esconderem nos cabelos.– O que aconteceu com elas? — perguntei.– Eu não sei, mas estou curiosa. — falou Allison.– O que deu nas garotas? — perguntou Justin chegando junto com Jack.– Não sei, eu e Alli acabamos de chegar. — falei e dei um beijo rápido nele.– Essas garotas são esquisitas. — comentou Jack e eu sorri.– Está parecendo algo relacionado a garotos.– Será? — perguntou Alli encarando elas.– Parece.– Estou curioso. — falou Justin e chamou uma menina.– Oi, Justin. — falou ela cantando me deixando enjoada.– Oi, Meredith. O que está acontecendo? — perguntou e ela sorriu sem graça.– Garoto novo na área. – Que garoto? — perguntou Allison.– Tem um garoto muito lindo e forte, encostado numa moto esperando por uma garota daqui. Estamos ansiosas para saber quem é. — falou Meredith.– Garoto novo e lindo? Finalmente! — falou Allison.– Eu já tenho o meu. — falei abraçando Justin, Meredith revirou os olhos.– Que seja. — falou e saiu em direção ao seu grupo novamente.– Acho que ela não gosta muito de mim. — falei e Justin riu.– Não a culpe, eu saí com ela umas duas vezes antes de ter que dar um fora, porque sabe eu te conheci. — falou ele e eu até que fiquei bem felizinha por dentro.– Ah, coitada. — falei e Justin me beijou.– Você fica mais linda com ciúmes.– Agora vocês me dão licença que eu quero ver essa beldade. — falou Allison caminhando em direção ao estacionamento.– Eu estou curiosa também. — falei e Justin ficou sério.– Porque que você quer conhecer esse garoto? — perguntou.– Eu não quero conhecer, quero ver. E por favor, não fica com ciúmes. Vem também. — falei e puxei ele pelo braço que puxou Jack.– Eu só vou porque não tenho mais nada pra fazer. Porque isso é patético! — falou Jack me fazendo rir. Allison estava parada encarando o estacionamento e eu a chamei antes de chegar até lá.– Ah meu Deus, Isabelle, elas tem razão. Ele é lindo demais. — falou e eu sorri.– Tão lindo assim? — perguntei e ela respirou fundo.– Mais, muito mais. – Deixa eu ver, então. — falei caminhando em direção ao estacionamento. Mas ao chegar lá, eu parei em choque. Parece que tudo começou a girar de repente e eu quase perdi o ar.– O que foi, Belle? — perguntou Justin, mas eu não respondi apenas saí de trás das pessoas e fiquei na frente de todo mundo. Ele estava com uma jaqueta preta e óculos escuros que ficavam muito bem nele, assim que me viu sorriu, tirou os óculos e começou a caminhar na minha direção. Seus olhos claros faiscavam de ansiedade, e seu sorriso aberto deixava transparecer alívio. Cabelo bem cortado, corpo malhado, sorriso encantador e olhar zombeteiro: ele me dava nojo.– Não acredito que Isabelle é a garota. Ela não pode ter os dois. — falou Meredith com um certa raiva na voz. Confesso que se a situação não fosse dramática, eu ia rir.– O que ele está fazendo? — perguntou Justin numa mistura de curiosidade e ciúmes agudo.– Phelipe. — falei quase em um sussurro quando ele chegou bem perto.– E aí, maninha?
Notas finais
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