Como treinar o seu Hiccup
1 Capítulo unico - se soluça fogo não vai dar boa coisa
Notas iniciais
Essa é Berk, minha aldeia. O lugar mais escondido de... bem, qualquer parte. Se eu tivesse que descreve-la em uma palavra eu acho que usaria sólida, esta de pé a sete gerações, e todas as casas são novinhas em folha, oque é bem incrível olhando todas as nossas ameaças, ou melhor, o nosso único tipo verdadeiro de ameaça, a nossa praga, porque, enquanto alguns vilarejos fazem tapeçarias e artesanatos nós fazemos caça ao dragão. Eu sei, maluquice. Mas não posso fazer nada, é assim que a minha aldeia é, temos sangue de guerreiro nas veias. Mas acontece que nesse exato momento eu nao estava na aldeia.Eu vou explicar oque aconteceu.
Eu estava com um grupo recolhendo armas e armadilhas que ficaram presas e espalhadas pela floresta por causa do ultimo ataque, um dragão enorme apareceu de repente e eles começaram a usar as coisas que tinham recolhido, tentaram usar uma daquelas redes para prender os dragões mas por causa da confusão ela veio em mim, quando eu estava preso a cauda do dragão me atingiu e fui arremessado longe.
Você pode ate dizer que eu deveria estar feliz só por ainda estar vivo mas quero ver você ficar feliz amarrado no meio do nada, no chão, sozinho e ainda correndo o risco de um dragão aparecer para te matar a qualquer hora.
Não me pergunte , porque ainda estou tentando entender porque fui parar assim.
Aproposito, meu nome é Toothless, varias vezes eu vi pessoas colocando em mim a expectativa de ser o melhor caçador de dragões da vila dessa nova geração, mas duvido muito que pareça tão ameaçador assim amarrado e imóvel desse jeito no chão. Na verdade nem mesmo solto e de pé aparento ser tão bom assim, isso tudo deve vir pelo meu pai, que é o chefe da aldeia, acho que ninguém consegue se sentir ameaçado por alguém chamado Toothless.
Expirei pesado pela quinquagésima nona vez — ta, exagerei — quando comecei a pegar no sono. Nessa hora eu nem me preocupei com dragões, só pensei que acordaria caso alguém gritasse me procurando e portanto não faria mal.
Não fazia ideia de quanto tempo dormi mas acordei com o barulho de arbustos balançando, quando abri o olho estava muito claro, mais claro do que quando peguei no sono, então acho que isso significa que eu virei a noite. Mas isso obviamente não importava agora, meu coração estava a mil, não sabia se ficava feliz por provavelmente ser alguém me procurando ou assustado com a possibilidade de ser um animal selvagem ou ate mesmo um...
– Dragão! — falei alto, mais por costume do que pelo susto, afinal, não era um dragão assustador. Não dava nem ao menos medinho, estava prestes a rir disso quando caiu a ficha de que mesmo sendo pequeno, magrelo e bonitinho ele ainda era um dragão, e eu ainda estava preso.
Ele olhou para mim assim que eu gritei, estava vindo na minha direção, situação desesperadora, não? Eu já estava tentando me acalmar e pensar em uma solução quando veio outro problema, o dragão parou — Nada de errado nisso, pelo contrario, é bom ele parar — mas ele parou para soluçar, e quando fez isso cuspiu fogo.
soltei a minha melhor expressão de fúria para o pequeno dragão, para ver se o assustava, mas não funcionou, ele parou me olhando enquanto virava a cabeça e soluçou mais uma vez, cuspindo fogo em seguida. Já podia ver a minha morte, um dragão bebe idiota soluça chamas na minha cara e me mata.
– xô, sai daqui, vai embora, xô , xô- dizia enquanto tentava balançar as mãos, mas o resultado foi o mesmo da tentativa anterior.
O dragão já estava a poucos passos de mim, tinha desistido de resistir, ele ia carbonizar e devorar a minha cara, ou coisa assim, mas não queria ver como, então fechei os olhos e me esforcei o máximo que pude para nao ligar para oque ia acontecer agora.
Estava contanto o tempo que demorava para sentir alguma dor, cinco segundos, dez segundos, quinze, dezenove, estava estranhando a demora, sera que ele desistiu de ultima hora e foi embora? Pouco provável. Senti uma baforada quente no meu rosto, la vem. E então, uma coisa quente e úmida passou pelo meu rosto, muito mais quente do que úmida, realmente muito quente. E mais uma vez, e outra, na minha bochecha, nariz, testa. Era impressão minha ou ele estava me lambendo?
Abri o olho, só podia acreditar nisso vendo, e agora ele estava grudado em mim me olhando de volta,parou de me lamber. Ele queria dizer que não ia me matar ou coisa do tipo?Estava pasmo, não pude evitar ficar de boca aberta, onde esta a sede de sangue dos dragões que eu tanto vejo nos ataques noturnos e no que os mais velhos me falam? cade o olhar assassino e impiedoso? eu só conseguia ver baba e um dragão idiota arfando.
Ele me lambeu de novo, um tiro certeiro dentro da minha boca.
– Erg, eca — ficou um gosto horrível na minha boca que me deu ânsia de vomito, sem falar que cheirava a enxofre -o gosto é idêntico ao refogado de carne com legumes da tia Barga.
Estava me remexendo, era impossível ficar parado sentindo aquele gosto ruim , mas o dragão não parava de pular e de me lamber. De repente ele parou e ficou me olhando.
– o que foi?- o dragão sorriu.– é serio isso? você é um dragão, não vai me devorar nem nada? se não quer me matar podia pelo menos me soltar.- o dragão continuou me olhando.– Dragão idiota-.
Revirei os olhos, e também o corpo. Não sentia mais vontade de ficar olhando para ele, mas ele queria me olhar, então foi para a minha frente, eu virei mais uma vez, e ele foi para a minha frente de novo, e mais uma, e outra, ele estava gostando da "brincadeira", ate que eu virei e antes que ele pudesse chegar a minha frente fechei os olhos.
Fiquei assim por um bom tempo, ate que senti ele encostar em mim varias vezes, e uns puxões também. Quando eu abri os olhos ele estava puxando e mordendo a corda, fiquei feliz, por Thor, esse dragão idiota não era tão idiota assim! Mas ele não estava progredindo muito.
Conforme o tempo passava a minha expectativa diminuía, fechei os olhos novamente e depois de um tempo "clack", a corda tinha rebentado — sera possível que tudo vai acontecer quando eu fechar os olhos? — Eu os abri, a corda estava frouxa, agora eu conseguia me soltar. Peguei o bolo de cordas e atirei bem longe de mim, não queria ver um daqueles tão cedo.
Senti o pequeno dragão mordendo a parte baixa da minha bota, quando olhei ele parou imediatamente e ficou me olhando de volta.
– Não pense que eu gosto de você, no entanto eu não vou te matar, já que você me ajudou.- Ele soluçou e soltou fogo mais uma vez.
– ...Hiccup.- ele me olhou com os olhos brilhando, como se o tivesse nomeado, e sorriu.-não, nem vem, não vou ficar com você, isso é impensável, você não é um cachorro, por mais que aja como um isso não vai mudar.-
então olhei ao redor procurando algum rastro que deve ser ficado no chão no momento da confortável aterrissagem e quando achei o segui ,mas parei quando senti o dragão mordendo a bota novamente.
Fiz ele soltar e andei mais uma vez, mas ele veio atras.
Quis testar uma coisa, então andei em linha reta, quando olhei para trás ele também estava vindo, rapidamente mudei o caminho e quando olhei para tras ele estava me seguindo, virei para sua direção e corri saltando sobre ele, que parou por um instante e também veio correndo atras de mim, e eu continuei correndo, inicialmente em círculos, mas comecei a sair do caminho fazendo diversas formas geométricas diferentes,passando por trás de pedras e troncos caídos ate que achando que o tinha despistado me escondi atras de uma pedra. E quando me pus sobre ela para ver onde ele estava, surpresa, ele já estava na pedra, me olhando, e lambeu meu rosto novamente, dessa vez arfando pela correria.
Tentei pega-lo, mas ele pulou sobre mim e me cercou, tentei mais uma vez, mas ele deu um voo raso por cima de mim e agora eu que estava atras dele.
não queria isso, mas quando fui perceber já estava sorrindo, isso estava errado, não era normal um viking, um cruel assassino de dragões, passar a tarde justamente com um deles brincando de pique-esconde. Porem já era tarde para esconder o sorriso porque ele tinha visto e estava retribuindo.
Agora não sei qual é mais estranho, um dragão sorrir ou um viking brincar e sorrir com um deles. Talvez os dois, mas também não queria pensar nisso agora. Eu disparei na direção oposta mais uma vez, eu já sabia que ele também vinha atras então me virei bruscamente e me agachei, ele tentou frear mas não conseguiu a tempo e parou exatamente entre as minhas mãos, sem perder tempo segurei-o e o ergui a altura do meu rosto.
– te peguei,Hiccup- o dragão estava imóvel, acho que ele finalmente tinha aceitado isso.- ate que você é bem bonitinho.- ele estava me olhando arfando, e eu ainda estava sorrindo e vermelho pela corrida, ele lambeu a ponta do meu nariz mais uma vez.
– você parece um cachorro, qual é o nome da sua raça, Dragonus babugentus bobocus? — falei zombeteiro, mas o dragão não gostou.
– AI. tá bom, parei, não precisa me morder.
Passei alguns segundos olhando para ele, tão perto que podia ver cada escama do seu rosto, seus grandes olhos verdes me refletindo, ele estava imóvel como uma pelúcia retribuindo o olhar. Passamos mais segundos assim do que posso me lembrar.
– Hiccup...- o dragão colocou a pata sobre o meu nariz.
Naquele momento eu nao tinha certeza sobre a parte de vikings cruéis e assassinos de dragões, mas tinha certeza sobre gostar desse dragão, e tinha duvidas sobre dizer que todos eles são animais selvagens...
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