Notas iniciais
Neste capítulo mais uma personagem vai ser introduzida... ...não pensem besteira ( ͡° ͜ʖ ͡°) Vamos ter um pouco de ação, preparem-se Boa leitura!

Tudo estava silencioso na casa de Noemi. Silencioso demais.

Enquanto assistia a mais um episódio de dorama, a garota desconfiava da tranquilidade em que seu lar se encontrava. Não deixava de pensar que aquilo era deveras suspeito. Incomodada, pausou o episódio e olhou ao redor e examinou cada detalhe do local com os olhos semicerrados, procurando pelos menores vestígios que lhe entregassem algo de diferente. Como não encontrou nada suspeito, voltou ao que assistia.

De repente, os curtos e lisos fios de cabelo foram lançados para o ar graças ao vento gerado durante o movimento brusco que a menina realizou: virou-se para trás desviando por poucos centímetros de um soco fatal. Levantando-se rapidamente, impediu outro soco com a parte de trás de seu punho esquerdo. Aquele havia sido outro golpe poderoso, que fez seus pés se arrastarem para trás com a força do impacto.

Segurou os dois punhos do adversário, incapacitando-o de usar suas mãos. Ele, sem sucesso, tentava se soltar. Juntando forças, uma das pernas da garota ficou responsável por sustentar o corpo, enquanto a outra moveu-se rapidamente para frente em um chute poderoso. A perna de Noemi se esticou tanto que parecia não conter articulações. Num piscar de olhos, seu pé estava batendo no queixo do inimigo, que gemeu de dor. Noemi o soltou e deu um pulo não muito alto, mais rápido do que ele pudesse perceber. Utilizando ambos os pés, chutou o estômago do adversário, fazendo-o voar para a parede do quarto, ao mesmo tempo em que ela caiu com os pés no chão.

Toda a cena havia ocorrido tão rapidamente, que seria preciso ser colocada em câmera lenta para que outras pessoas pudessem acompanhá-la.

Encarando seu inimigo com olhos centrados e penetrantes, levou uma de suas mãos aos cabelos e elegantemente, com a ponta dos dedos, retirou-os do rosto, jogando-os para trás.

—Você é fraco. –Disse seriamente, enquanto seu adversário erguia-se apertando o estômago; fazendo uma careta de dor. –Lhe falta treinamento. Ainda precisa de alguns anos para chegar ao meu nível.

—Você acha que isso é tudo que eu tenho? –Falava com dificuldade.

Nonô ergueu o queixo e o olhou de cima a baixo, desconfiada. De repente, sentiu uma alteração no ar; ondas trêmulas rodavam-na. Logo, surgiram dezenas de clones de seu inimigo, surpreendendo-a. Concentrada, abriu espaço entre seus calcanhares, fechou os punhos e inclinou levemente sua coluna para frente, preparada para a ação.

—Quem diria... Até um bosta como você é capaz de aprender novos truques. Pena que não são o bastante para me superar.

—Manda a ver. –Sorriu.

Numa velocidade impressionante, todos os clones correm em direção à garota, que disparou uma onda inimaginável de chutes, socos e bloqueios. Ela apenas redirecionava seus membros ou desviava deles para que atingissem outros clones, de modo que, aos poucos, todos foram sendo derrotados e sumiam como fumaça. Com outros, no entanto, precisava dedicar mais para que não a pegassem de surpresa. Quando sobraram apenas alguns, Noemi lançou um olhar ameaçador para um dos clones em especial e correu em direção a ele numa velocidade tão rápida que sumiu no ar. Ele, por sua vez, surpreendeu-se com o sumiço da mulher e assustou-se quando viu que a mesma acabara de aparecer atrás de si mesmo, fazendo-o tremer de medo. Milésimos de segundo depois, ele estava no chão; derrotado completamente pelo golpe com palma aberta que recebera na nuca.

—Tudo bem... –Tentava falar, com profundas falhas na respiração. –Você me venceu... Eu ainda não estou preparado.

Depois de estuda-lo seriamente com os olhos, Noemi sorriu discretamente. Aproximou-se e estendeu sua mão direita para o irmão. Ainda com dificuldades, ele a agarrou e levantou-se.

—Foi uma boa luta. –Admitiu ela. Depois, repentinamente sentiu um enorme incômodo e gritou. –Ai, Minhas costas! –Os problemas na coluna de Nonô pioravam a cada dia. Seus treinos severos mostravam as consequências de tanto esforço. Ainda curvada, fez questão de reconhecer as qualidades da luta. –Até que você está ficando mais forte, reconheço. De lixo comum evoluiu para lixo reciclável.

—É, mas não tão forte quanto você. –Admitiu.

—Quem sabe um dia você consiga. Falta muito feijão para chegar aos meus pés. Não, melhor ainda. –Corrigiu. –Aos meus dedinhos do pé! –Jogou os cabelos para trás, orgulhosa. –O cheiro de chulé já tem. –Deu de ombros. –Bem, já derrotei todos os nossos irmãos. –Mudou de assunto, encontrando mais uma oportunidade de provoca-lo. -Teria que ser muito fraca para não derrotar o caçula.

—Muito engraçado. –Ainda fazia caretas de dor.–Ah, não se esqueça do resultado do seu vestibularzinho de merda. Saiu hoje.

—Verdade! Até que você é útil para alguma coisa.

—Tá certo. -Levando na esportiva, o irmão sorriu e dirigiu-se para fora do quarto.

—Fica tranquila que se a faculdade for pra merda você já tem uma vaga garantida.

—Fala com a minha mão na sua cara!

—Vai partir pra violência, é? Duvido!

—Meu pau no seu ouvido!

Após a partida do irmão, Noemi relaxou, sentando-se na cama. No entanto, precisava ficar em alerta; não sabia quando teria que entrar em ação novamente. Ser integrante de uma família de ninjas não era fácil, já que precisava lutar contra seus sete irmãos constantemente, uma vez que eles tinham o hábito de testarem suas forças através de competições. Embora houvesse irmãos mais velhos, sábios e poderosos, ela já havia conquistado a proeza de derrotar todos pelo menos uma vez na vida, ganhando o respeito de seus pais. Como todos tentavam se aperfeiçoar cada vez mais, não havia descanso. Diz a lenda que esses ensinamentos foram passados a um membro muito antigo da família por seu amigo vindo da Ásia, sendo cultivado desde então por todas as gerações seguintes. Sendo representada pela imagem de um cachorro com traços orientais pintado em seda, a família honrava suas tradições e costumes.

Quando abriu o site da POC em seu celular, sentiu suas mãos suarem – o que não era nada higiênico e lhe deixava louca para usar meio litro de álcool em gel. Poucas coisas causavam-na medo ou ansiedade, mas o resultado do vestibular certamente era uma delas. Não sabia o que o destino havia reservado para seu futuro, mas clicou com fé na lista de aprovados. Ao ver seu nome entre todos os outros alunos do curso de Terapia Ocupacional, levantou-se abruptamente e soltou um grito de euforia, retirando os óculos e pulando de alegria.

—Chupa, sociedade! A mais nova estudante dessa porra está chegando!

Notas finais
E aí, o que acharam da Nonô? Será que ela vai se dar bem na POC? Vejo vocês no próximo ^^