Notas iniciais
Prólogo: Sinto a água gelada se chocar contra meu rosto, o que lentamente me tira de meu transe. Pisco algumas vezes para me acostumar com a claridade direcionada a mim. ONDE EU ESTOU?!?! -ACORDA!- escuto uma voz distante mas não consigo a discernir se é de um homem ou de uma mulher. ponho a mão no pescoço, aí então percebo que tem uma corda amarrada no mesmo, fico desesperada. -QUE MERDA É ESSA!- falo gritando, sinto minha voz falhar um pouco por causa do ar que quase não tenho. -aonde está seu pai?- percebo que a voz é de um homem, mas não consigo o ver, pois as luzes em meu rosto não me deixa. -não sei aonde ele está, se não o teria matado a muito tempo!- digo furiosa, bufando intensamente. -você está mentindo- disse jogando mais água em meu rosto. -não sei aonde ele está, já disse- digo fechando os olhos, a água que escorrem neles não me deixam abri-los, fico tentando me soltar. sinto a corda em meu pescoço me puxando para trás, percebo que estou sendo arrastada, ponho as mãos no pescoço, fico inquieta, pois estou sentindo meu ar indo embora aos poucos. -Ahh!!- solto pequenos gritos, sinto quase minha alma sair de meu corpo. sinto ele parar de me arrastar e a corda afrouxar um pouco. -me mate logo, aproveita que estou em desvantagem- respiro desesperadamente. Sinto ele segurar em meu cabelo, me fazendo olhar forçada para o penhasco que quase tenho certeza que ele irá me jogar. -vou te caçar até o inferno!- falo rangendo os dentes, furiosa. -sua última chance princesa- fala rindo de leve com ar de deboche. -me jogue- digo enquanto mostro o dedo do meio. Sinto ele chutar minhas costas, dou um grande grito pois seu chute acertou minha costela em cheio. -morra!- diz ele gritando e rindo. Sinto a corda que está enrolada em minhas mãos prender em um galho quase tão não seguro, sinto o galho ranger, então percebo que ele está se quebrando aos poucos, olho para o lado e percebo uma caverna, vou me contorcendo para alcançar a mesma, vou escalando as pedras com muita dificuldade, a corda em minhas mãos atrapalha um pouco, entro na caverna e desesperadamente fico esfregando a corda em uma rocha pontuda, ao tirar a corda de minhas mãos, vou tirando a corda de meu pescoço e de meus pés, me afasto das cordas, minha fobia de cordas não me deixa chegar perto delas. -Mikaila respira!- falo comigo mesma, respiro fundo, olhando para a corda e pego a mesma. -pronto Mikaila, um grande paço- falo respirando fundo e enrolando a corda em uma rocha. Seguro a corda bem firme vou descendo devagar pela mesma, sinto minhas mãos escorregarem, e aos poucos vai queimando ao descer rapidamente pela corda, olhando para baixo, avisto o chão, vou descendo pela corda e por fim toco o chão, me sento no mesmo e vou me arrastando para atrás olhando para a corda, olho para o lado e vejo uma luz forte se aproximando, percebo que é um carro. -pede ajuda- falo em pensamento ao ver o carro se aproximando.

Capítulo 1:

Avisto a certa distância uma luz forte que suponho serem faróis de um carro, e que se aproxima com certa velocidade.

–ótimo!! agora vão me atropelar! Aff- falo bufando e me arrastando para a beira da estrada.

Pego um pedaço de madeira que havia no meio do mato, me viro de costas ao ouvir a porta do carro bater. De repente sinto dedos tocarem meu ombro, me viro e levanto a madeira armando um golpe certeiro.

–Ahhh!!!- Charlotte grita com a mão protegendo seu rosto.

–O quê está fazendo aqui nessa rua deserta Charlotte? Posso saber?!?!- pergunto largando a madeira, bato minhas mãos contra a calça.

–eu que te pergunto!! E por quê ia dar uma lapada na minha cabeça?!? Tá comendo merda?!?!- pergunta Charlotte balançando a cabeça de um lado para o outro, com cara estufada

–cala boca e me ajuda!!- falei pondo a mão nas costas, estendo a outra e olhando para ela.

–sorte sua eu passar por aqui!- disse enquanto pegava a minha mão, colocou a mesma em seu ombro e pôs sua mão em minha cintura, foi me levando até o carro, abriu a porta de trás e eu entrei.

–obrigado!!- falou Charlotte sarcástica.

–disponha!- falo sorrindo de canto, fechei a porta e me ajeitei no banco.

–ingrata!!- disse Charlotte bufando e entrando no carro.

–sabe que se não fosse você, eu estaria com esse carro agora! Né?!- pergunto olhando em seus olhos através do retrovisor.

–Quê que você tá falando?- pergunta Charlotte franzindo a testa.

–Meu Deus!!! Acabei de insinuar que ia roubar o carro dela e ela não entendeu!- falo esfregando o rosto pesadamente.

–você não roubaria meu carro! Roubaria?!?- pergunta Charlotte erguendo as sobrancelhas.

–ai ai!! Tenho pra mim que ainda não me conhece!- digo dando um pequeno sorriso sarcástico.

Sinto ela frear bruscamente, -como não percebi que estávamos em movimento?!-

–chegamos!- diz Charlotte me olhando pelo retrovisor, tirando o sinto e descendo do carro.

Desço do carro com um pouco de dificuldade, ponho as mãos nas costas

–o quê está fazendo aí parada me olhando sua mula?!?- pergunto franzindo a testa.

–Eita!! Calma!- diz Charlotte bufando, se aproxima, põe a mão em minha cintura e conduz meu braço até seu ombro.

Abro o portão, passo com Charlotte e fecho o mesmo, vamos caminhando até a porta.

–chega Charlotte! nem isso você sabe FAZER DIREITO!?!- pergunto bufando.

–vai cagar, vai!- diz Charlotte dando de ombros

Entro pela porta, vou me aproximando das escadas.

–Filha...- o pai adotivo de Mikaila começa, mas acaba sendo interrompido

–agora não pai!- disse subindo as escadas

–Ahh!- padrasto de Mikaila joga a mão para o alto exasperado


Abro a porta do meu quarto, entro e fecho o mesmo, me jogo na cama

Notas finais
"se alguém não quer abrir a boca, simplesmente a torture"