Como se fosse a primeira vez

6 Um grande dia para Tina



Tina está se arrumando frente ao espelho, colocando os brincos com delicadeza, pensativa como se estivesse se preparando para uma ocasião especial. E era uma ocasião especial, hoje seria o primeiro dia dela sendo babá de um artista nessa novo lançamento de produto da empresa. Ela saiu do quarto sem saber que seria percebida com tamanha empolgação pelas crianças. Ela estava linda demais.

— Mãe, você parece uma princesa.

— Ah meu amor!— Tina beija a criança com ternura.

— Pai, olha a mamãe. — chama algumas vezes por Edu. Mas ele está entretido com outra coisa.

— Espera Antonio, estou ocupado aqui...

Tina hesita um pouco. O único que perdeu a entrada triunfal da princesa foi Edu, ele até tinha motivos, estava ocupadissimo com uns bolinhos no forno. Ele faz de vez enquando para se desistressar, ou será que não é o contrário?

— Só um momento meu filho. — disse ao colocar com cuidado a forma com os bolinhos recém saídos do forno na pia. — Pronto. Tenho hora pra deixar os meninos na escola.— resmungou. Após isso, virou-se para o filho na intenção de prestar atenção no que ele quisera falar antes. — Oque foi Antonio?— disse Edu ao pequeno.

— Olha!— o pequeno apontou em direção a mãe.

Edu contemplava aquela mulher dos pés a cabeça, se dando conta de o quanto ela estava apresentável naqueles trajes de alfaiataria, aquele conjuntinho que lhe favorecia deixando-a jovial e sedutora. Mas ela quer que ele diga alguma coisa, é isso que o silêncio que paira na cozinha tirando o som das crianças comendo e bebendo, diz. Ela o olha um pouco desconcertada e sem jeito, percebendo que está exigindo demais. Será que ela está?

— Ah, Tina. Você está linda. — se aproxima gentilmente dela, e toca os seus ombros. No entanto, percebe algo estranho. — Querida? Está nervosa?

— Sim, estou. — Ela não evita dizer. — Hoje que começo trabalhar definitivamente. Quero causar uma boa impressão.— nervosa, suando e gesticulando demais, assim Tina revela o porquê de sua situação.

— Vai se sair bem. Com certeza. Vai querer levar uns bolinhos?

— Sim, é claro. — morde um.— Nossa, Edu tá maravilhoso.

— Você gostou? — disse um pouco envergonhado. — Tem um pouco de nozes e amendoim. Além de umas gotas de chocolate. Vou embalar alguns pra você levar.

— Tá bom, obrigada Edu.

Olhou para o relógio e se deu conta de que seria melhor chegar maus cedo se saísse agora.

Hoje seria o primeiro dia de trabalho de Tina no novo lançamento do Gloss Serum da Lúmina Cosméticos. Um dia importante para nossa querida Tina. Ela atuaria como um tipo de babá de uma personalidade influente da mídia. Não dispunha de muitas informações sobre essa pessoa, o que sabia sobre ele era que seu nome é Rick e que ele estaria hoje por lá.

Ela chegou no local de trabalho com um misto de ansiedade e animação, tinha tantos planos para hoje. E assim o encontrou por lá em sua sala. Um adendo, ele já estava esperando ela.

— Senhor Rick, que susto.

— Não esperava que eu viesse?

— Não é isso, é que eu ainda iria preparar a apresentação e o material pra você. Mas pelo visto veio me dar uma ajudinha.

Ele riu.

— Sim, claro. Vamos trabalhar juntos mesmo. Então porquê não conhecer melhor você!

Tina mexia na bolsa e se deu conta de algo que deixou passar, aqueles bolinhos de Edu.

— Oh, não. Os bolinhos de Edu.

— Oque foi?

— Nada.

— Quer que eu ajude.— Falava ele para Tina enquanto via ela um pouco insistente e atrapalhada com uma caixa que estava tentando pegar no alto do armário.

— Não precisa eu estou bem.

Foi quando ela se desequilibrou com o peso da caixa e por sorte havia alguém perto para ajudá-la. Rick a pegou pelo braço e como uma dança de tango combinado a demonstração de força, a envolveu no mesmo tempo que conseguiu conter a caixa de cair.

— Você está bem?

Os olhos dos dois se encontraram e havia algo familiar neles.

— Estou.

— Mais cuidado. Imagina você se machucar ou sujar essa roupa que além do mais, está tão linda.

Tina estava um pouco envergonhada, ele era tão sedutor e forte ao mesmo tempo. Só que algo a intrigava, como ele soa tão familiar para ela. Além disso, muitas questões pairavam sobre esse breve momento, principalmente pela razão que o levou a escolhe-la especificamente. Nesse instante, nesse pequeno meio tempo em que ela foi salva pelo ato heroico de Rick, o querido Edu chegou empolgado com flores, bombons e aqueles benditos bolinhos.

— Tina, trouxe seus boli...

Mal terminou de falar quando se deparou ao abrir a porta, sua mulher nos braços de um outro homem. Ela se ajeitou, colocou a caixa no lugar e penteou os cabelos com mão.

— Edu, oque faz aqui?

— Trouxe seus bolinhos.

— Ah, é encomenda?— pegou a cesta da mão dele.— Onde eu assino.

— Não Rick, não é encomenda.

— Não é?

— Não é. — Disse Edu. — São presentes para a minha esposa!— completou, sem maldade.

— Esposa?— Rick olhou para Tina sem acreditar.

Edu olhou para Tina ao perceber que ela estava no meio de um trabalho importante e não queria atrapalhar.

— Eu já vou indo. Nos vemos depois?

— Okay.

Rick tinha tantas perguntas que quando Edu saiu ele não hesitou em fazer os questionamentos.

— Quer dizer que aquele cara é seu marido?

— É meu marido.— disse Tina, mas ela percebeu que o rapaz estava curioso demais pela vida pessoal dela naquele momento e completou— ... Mas porque está interessado em saber?

— Eu pensei que...— hesitou.— Perai, você não tá me reconhecendo?

Rick foi mais perto de Tina.

— Não. Está me assustando!

— Desculpa! Eu não queria.... mas você não se lembra de mim mesmo?

— Não sei. Nos conhecemos em algum evento?

— Não. Mas deixa eu te ajudar.— ele se senta na ponta da mesa.— Baile de formatura, faculdade?

— Faculdade?

— Meu nome não é familiar?Rick Santana! Não se lembra de mim? Nós andávamos de moto no tempo da Universidade.

— Meu Deus, Rick!— olhou espantada para ele, se dando conta de que ela estava certa em desconfiar que ele era familiar de alguma forma — Meu Deus Rick, quanto tempo. — O abraçou fortemente.

Lá de baixo enquanto Edu passava pelas portas da empresa se deparou com aquela cena após dar uma última olhada para trás eem direção ao escritório de tina, ele via, através da vidraça, Tina abraçando fortemente aquele rapaz.

Depois do ocorrido, enquanto ela descansava depois de se sentar um pouco, lembrou-se das coisas que Edu tinha trago a ela. Ao se por a olhar aquela cesta com mais cuidado, encontrou dentre as flores, um lindo cartão de convite. Suas questões sobre a aparição repentina de Edu tivera um final satisfatório. Ele a convidava para um encontro romântico no Restaurante Boa Vista.