Como se eu fosse te perder

14 Cap 14 - Wedding and rain Part I


Notas iniciais
Olá meus amores! HOJE É DIA DE QUE? CAPÍTULO DUPLO. Finalmente estamos de volta! Depois que Amanda se recuperou do seu pequeno médio problema, ela fez a parte do casamento e por incrível que pareça, e pela nossa falta de comunicação fizemos o mesmo capítulo. Então... O que fazer com dois capítulos iguais? Eu fiz a coisa mais sã-insana possível: Juntei os dois, o que deu na maravilha que irão ver agora. Esse capitulo estar simplesmente perfeito. Onze pagina na fonte arial 11 que podem cansar você ou não... Mas vamos lá, separei algumas coisas que devem ver: Primeiro o vestido de noiva de Regina - https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/aa/0f/92/aa0f925dd1a6e4106913d907e91c98dc.jpg A roupa de Robin Hood: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/e6/8a/e3/e68ae321cbc68b074ae62e0085e1357b.jpg Agora, vamos falar sobre algumas tradições: Mulher na Inglaterra na década de 10 e 20 tomavam café na cama ou com a família como sinal de respeito e tradição a sua pureza. Também já havia indícios das maquiagens, que a anos atrás havia sido inventada, como o pó de arroz e o batom vermelho, porém pouco usado, porque segundo muitas famílias se tratava de prostituição e ocultamento da pureza feminina. Também separei algumas músicas caso queiram ver junto com a fics: Warrior - Cristina Perri. Céu de Santo Amaro - Flávio Ventruni e Caetano Veloso Kiss from a rose - Seal. Aproveitem e espero que não se entendiem, eles estão enormes.

18 de 1915: Segunda batalha de Inzonso

POV Robin Hood

A capela dos sonhos. Era como eu a chamava. Meu pai havia a desenhado para mim, e me falado como havia se casado com minha mãe. Em um dia de inverno, como esta, eles fizeram os votos diante de Deus, como farei, e dos homens. Eles realmente se amavam, e além de tudo, eram felizes. Quando ela morreu, vi meu pai se perder nos vícios do jogo, mas mesmo assim fiquei ao seu lado, até que não aguentei, então o deixei para trás para viver sozinho. Mesmo com as dificuldades que tínhamos, ainda assim conversávamos sobre as coisas boas da vida, e porque não conversar de minha mãe, que partiu tão cedo? Eu, tão pobre e miserável, que nem mesmo registro tem, ainda assim estava tendo a oportunidade de ser feliz, ao lado de uma mulher maravilhosa e de mente aberta: Regina. Sim, eu já era feliz, porque já tinha em minha vida, e agora ela seria uma Hood por livre espontânea vontade, estaria eternamente em meus braços.

O padre, que se chamava Happy, decidiu celebrar o casamento. Era um senhor que só vivia sorrindo e muito simpático, mas muito medroso. Tudo o assustava. E o pior disso tudo, avisou a nós que viria um temporal e ninguém poderia sair de casa, ou seja, o mundo todo estava conspirando para que não casássemos, mas mesmo assim resistimos e decidimos marcar o horário com o bendito padre. A tempestade atingiria todos nós talvez no meio da noite. Daria para casar duas vezes.

Olhei para o céu nublado, ele anunciava uma chuva demorada e me preocupou em certo ponto – Até parecia eu a noiva -, e também me lembrou de Londres, a forma como as nuvens ficavam no céu em uma forma acinzentada e desengonçada, espalhando-se no céu com fúria. Um temporal de Londres que me lembrava de Emma e Killian. Como eles deveriam está? Até agora não havia recebido uma carta dos dois. O que me deixava preocupada. Eu sei que eles estavam bem, mas queria ter a certeza de minha certeza – Estranho não? – Não via a hora de Killian se arriscar e trazer Emma a esse lugar.

Agora estava ali, em cima do altar a esperando entrar. Era 16:15hrs – Mulheres sempre se atrasam em casamento – até me lembrei da feição de Killian em cima do altar. Ele parecia muito apreensivo, e agora, eu estava parecendo um nervoso bobão – Um pouco ridículo até – e como queria que ela entrasse logo por aquela porta – Agora eu sei o que Killian sentiu quando Emma demorou ao entrar. Não que Regina fosse desistir, mas como posso explicar isso ao meu corpo? – No entanto, toda demora valeu a pena quando vi aquela mulher entrar. Regina, Regina e Regina. Ela está linda!

Horas antes...

Regina Mills.

O dia anterior tinha sido mágico. Eu simplesmente não acreditava que Robin havia, finalmente, me proposto em casamento. E com um anel lindo, percebi depois de algumas horas. Tudo o que eu conseguia ver no momento em que ele me pediu foi seu rosto, seu sorriso. Nada mais importava; nem mesmo o anel, que, no momento, parecia algo acessório, um detalhe. Agora vejo como, meu Deus, é lindo. Brilhante e enorme.

Hum... Talvez ainda haja um pouco de burguesia em mim.

Ainda que ontem tivesse sido maravilhoso, a perspectiva do dia de hoje parecia exceder todas as expectativas que já tive. Eu ia me casar, eu ia me tornar uma Hood. Não podia crer, eu estava noiva!

O que me lembrava? A Sra. Trudes, do trem, havia me dado um presente. Um presente que ela disse que seria para meu noivado. Talvez estivesse na hora de abri-lo. Peguei a caixa grande que guardara debaixo da minha cama, observando o pacote novamente. Estava amarrado com um grande laço de seda. Quando tirei a tampa, quase perdi a habilidade de respirar – Sempre ficaria surpresa com o que ela havia me dado.

Era um vestido. Um vestido de noiva, provavelmente o mais lindo que já vira. Eu não sabia como reagir, mas só conseguia pensar em como gostaria de ir atrás da velha Sra. Trudes para poder agradecê-la de forma digna. Ela realmente fora a mãe que precisava ter nesse momento de minha vida. Mesmo que tivesse todas as diferenças do mundo com a Dona Cora, eu sentia falta de uma figura materna. Principalmente no dia de meu casamento. Como queria que ela visse meu vestido, para comentarmos juntas. Mas num dia real; não naquela artificialidade que iria ser meu casamento com Leopold. Também gostaria muito de poder mostrar a peça de roupa para Blue e para Emma. Queria muito ver a reação delas, para podermos conversar sobre isso, sobre a cerimônia, sobre a noite de núpcias, sobre tudo, durante horas e horas. Porque era isso que fazíamos... Nossa. Também sentia muito a falta de minhas amizades. Mas não era de pensar nisso. Eu tinha que me focar em toda a alegria da coisa – e agora no meu mais novo vestido de noiva. Tirei a caixa de cima da cama e estendi o vestido sobre o colchão, de forma que fosse possível vê-lo por completo. Só em colocar os olhos nele, já fui capaz de visualizar tudo. Minha chegada; a expressão de Robin ao ver o vestido; a cerimônia com o padre Happy, a nossa felicidade quando formos declarados marido e mulher.

Então, de repente, algo me encheu de pânico, crescendo de dentro para fora. Eu não fazia ideia de como agir lá na frente, não sabia o que iria falar. Os votos? O que diria? No altar, face a face com Robin, com a expectativa pairando no ar? Eu sabia que ele iria saber o que dizer, ele saberia se portar diante de tal ocasião. Robin não é uma pessoa tímida e sempre soubemos que ele é a pessoa do casal que sabe falar. Ele era bom com palavras – eu não consigo nem mesmo me declarar para ele, imagine fazê-lo em nosso casamento?

Tentava me prender ao fato de que não iria muita gente nos presenciar. Provavelmente só o padre Happy, Will e Anastásia. Mas não queria que desse a entender que Robin não era importante para mim, nem mesmo para essas pessoas. Mas eu tinha que ficar calma. Concentrar-me no fato de que esse seria o dia mais feliz da minha vida. Iria, finalmente, me casar com o melhor homem do mundo – que era, ao mesmo tempo, o pior -, o homem que amava.

Eu e Robin tínhamos decidido que o local de casamento seria a capela que tinha sobrado das ruínas de uma igreja antiga. Era muito importante para Robin e, sim, o lugar era lindo. Conseguia me imaginar casando ali facilmente. Tudo iria dar certo. Também tínhamos combinado com Anastásia e Will que nós dois não poderíamos nos ver de jeito nenhum até o momento do casamento. Chegamos a essa conclusão para que todo o mistério continuasse até quando eu entrasse na capela, assim como queríamos evitar ao máximo que ele me visse de vestido antes da cerimônia. No horário marcado, iríamos nos encontrar e nunca mais teríamos que ficar longe de novo. Will e Anastásia iriam se certificar que não iríamos nos encontrar de maneira nenhuma. Como se estivesse lendo meus pensamentos, Anastásia bateu na porta de meu quarto e entrou. Estava com um largo sorriso no rosto a me ver, o sorriso se alargou ainda mais quando ela encontrou sua imagem no espelho.

— Bom dia, flor do dia. – Não sabia se ela se referia a mim ou ao seu reflexo, então fiquei calada até ela me olhar diretamente – Hoje é um grande, grande, grande dia, não?

— Definitivamente. Robin está lá embaixo? Quero tomar café, mas não...

— Ah, deixe de ser boba. Você vai comer na cama. Vai ser uma mulher casada logo, logo, mesmo.

Na Inglaterra, é de costume que a mulher noiva tomasse café na cama, a não ser que quisesse descer e comer na presença da família, como minha mãe fazia. Ainda não tinha certeza do que gostaria de fazer depois que tivesse uma aliança no dedo, mas não ter que me levantar para comer era uma perspectiva bastante agradável.

— Não quero ser indelicada, mas – Comecei, sem graça – Você só veio me trazer comida ou...?

— Também – Falou Anastásia, e pela primeira vez percebi que ela não nos deixava terminar uma única frase -, mas vim, principalmente, começar a lhe arrumar. Estava pensando em sair para comprar um vestido... – Ela engasgou no momento em que viu a roupa estendida em meu colchão. Sorri, sem graça – Santa Mãe de Deus, que vestido é esse?! É lindíssimo! Oh, céus, se eu tivesse encontrado essa roupa um pouco antes de me casar... – Ela lamentou, com uma onda ínfima de rancor no olhar, que logo foi substituída por uma chama de pura alegria e excitação – Como arranjou isso? Ah, não importa, você é da burguesia, vivo me esquecendo disso. Você vai ficar tão linda nisso. Já consigo imaginar como seu cabelo vai ficar as joias que você vai usar, a sua maquiagem... Vamos trabalhar logo nisso. – Seus olhos brilhavam.

Assim que terminei de engolir o café, Anastásia me arrastou por todas as cômodas existentes em seu quarto, e passamos o dia inteiro juntas para que ela pudesse me arrumar para o casamento. Desde que tínhamos ficado juntos, nunca tinha passado tanto tempo longe de Robin, mas, ainda assim, enquanto eu experimentava bilhões de penteados diferentes e era entupida de colares ,pulseiras e anéis, meu consolo era que iríamos nos ver o resto de nossa vida, juntos, e que isso iria começar de forma linda.

Robin Hood.

Tinha passado o dia inteiro andando pela cidade e resolvendo as coisas do casamento com Will. Mesmo que fosse algo simples, queria fazer uma surpresa para Regina. Pretendia colocar, ainda que fosse uma coisa de proporção pequena, uma decoração básica na capela. Pensei – e Will concordou – em colocar um longo tapete que levaria da porta da capela até o altar. Queria que fosse vermelho, mas o melhor que encontramos (e que podíamos pagar) era branco, que acabou por servir. Queria encher o lugar de rosas, mas acabei por conseguir comprar apenas margaridas, que serviriam para decorar o lugar. Enquanto deixava Will cuidando do resto das coisas decorativas, fui atrás da minha roupa. Queria algo que fosse capaz de fazer Regina se orgulhar de mim, se orgulhar de ser minha esposa, no momento em que me visse.

Dessa vez, comprei o melhor fraque que poderia encontrar. Era preto, com uma gravata cinza. Quando provei, consegui visualizar o rosto de Regina a me ver, e isso foi o bastante para me fazer levá-lo. Depois de feita a comprar ,encontrei Will, que disse ter comprado pequenos pingentes de cristais que gostaria de colocar entre as margaridas. Gostei bastante da ideia. Depois que terminamos a compra, demo para as freiras da igreja – que tinham encarecidamente se disposto a decorar o lugar – e eu me retirei para casa para poder me arrumar. Apenas uma coisa martelava na minha cabeça: a cerimônia.

Seria tudo perfeito. Finalmente estaríamos selando a nossa união de forma oficial. Pensei no momento dos votos e, por um breve instante, senti um frio na barriga, pois não sabia o que iria dizer. Pensei até em escrever. Mas depois, quase imediatamente, tive a certeza de que eu saberia o que dizer no momento em que olhasse para Regina. Tudo daria certo!

Iria passar o dia inteiro sem vê-la e isso me deixava extremamente desconfortável, mas sabia que era por uma boa causa. De jeito nenhum gostaria de estragar tudo vendo a minha noiva de vestido pronta para o casamento.

Como será que ela está agora?

Regina Mills.

Depois de um bom tempo, basicamente o dia inteiro, Anastásia pareceu julgar que eu estava pronta. Além de não me deixar ver Robin, ela não permitia que eu me visse no espelho até que ela terminasse. Queria fazer uma surpresa para mim. Faltava algum tempo para que o casamento começasse, então, eu fiquei pronta no momento certo. Era só eu fazer os ajustes que eu gostaria em mim (“Depois que eu terminar, você não vai querer mudar absolutamente nada!”), preparar meu psicológico enquanto Anastásia se aprontava e seríamos levadas por Will em uma carruagem até a capela – ele iria deixar Robin e depois nos encontrar.

Finalmente, pude ver meu próprio reflexo e meu queixo caiu. Para meu desgosto, fui obrigada a concordar com Anastásia: não tinha absolutamente nada que gostaria de mudar em mim. A primeira coisa que percebi foi que o vestido tinha ficado perfeito em meu corpo, ele caía em minhas pernas de forma que parecia ter sido feito sob medida. Lindo, era a menor palavra que se poderia dar a ele. Era um branco diferente – Não sei dizer exatamente cores de vestidos -, mas a sua cor era diferente de todos os vestidos de noiva. Quando o olhei pela primeira vez no pacote, recusei e mesmo assim aquela senhora insistiu que ficasse com ele, agora sabia o porquê, sua sabedoria fez com que aquele vestido tivesse sido feito para mim. As flores bordadas nele e seu caimento era a pura nobreza, mas ao mesmo tempo tão simples e delicado, que até me senti um pouco ridícula em usá-lo. Levou até comparar a diferença do que minha mãe havia escolhido para mim e o vestido que agora estava. Cora escolheu um vestido branco de costura inglesa com muitos babados e um véu enorme que mostravam apenas o luxo em que vivia, aquela senhora escolheu um vestido delicado, puro onde mostrava a beleza do simples, e isso era o que combinava comigo. Depois vi meu rosto. Anastásia tinha passado algo, um tipo de pó, que deixou meu rosto sem imperfeições e ainda mais claro do que era. Minha boca estava escura, vermelha e perfeitamente desenhada, por causa do batom que ela havia passado em mim. Meu cabelo estava preso em um coque soltinho, como se estivesse desleixado, deixando algumas mechas de cabelo caindo em meu pescoço e maçãs do rosto. Além de o coque ter sido preso com uma corrente prateada, pingentes de gotas prateadas e de flores brancas tinham sido espalhados de forma aleatória por todo o penteado; os pingentes e a corrente brilhavam quando a luz batia neles, de forma que eles pareciam estrelas no céu de meu cabelo negro, ao mesmo tempo em que eles iluminavam as flores. Eu estava linda.

—Anastásia... – Balbuciei – Eu... Obrigada. – Ela sorriu para mim, modesta.

— Hoje o dia é seu. Vou me arrumar agora, logo Will vai chegar para nos levarmos para a capela. Regina. – Ela me chamou, me fazendo desgrudar o olhar do espelho – Hoje vai ser o dia mais importante da sua vida. O dia que vai selar a sua felicidade. Isso é algo que uma pessoa que tem um casamento feliz está lhe dizendo. Aproveite! – Ela sorria orgulhosa, e pela primeira vez percebi que eu não precisava de Cora. Eu não precisava de uma figura materna presente no dia mais feliz da minha vida. Eu já a tinha. Anastásia estava lá comigo.

— Muito obrigada. – Foi tudo o que consegui dizer. Abraçamo-nos, um abraço apertado e mais longo do que os que normalmente dávamos. Quando nos separamos, nós duas estávamos emocionadas. Constrangidas, limpamos nossos olhos e pigarreamos.

— Vou indo agora. – Ela disse – Modéstia à parte, você está linda. Linda. – Ela segurou forte meu braço e se foi, me deixando lá, completamente sozinha. Estava na hora daquela preparação psicológica que tínhamos falado antes. Eu precisava me acalmar. Estava tudo certo. Ia dar tudo certo. Eu estava bem. Estava tudo sob controle.

Você ama Robin. Ele ama você. Vocês nasceram para ficarem juntos. É só ir lá, ouvir o que têm a dizer e responder sim. E na hora dos votos... Comecei a ficar sem ar.

Calma. Calma. Na hora dos votos é só falar o que vem à mente. Vai dar tudo certo. Vocês se amam. O amor não vai acabar só por causa de palavras ditas e não ditas. Esse dia é seu. Seu e de Robin.

O tempo que Anastásia se arrumou pareceu extremamente mais curto do que realmente foi. Ainda estava com dificuldade para respirar, mas pelo menos agora não estava tão claramente ofegante. Pensei no Morro Dos Ventos Uivantes. Heathcliff mudou completamente, chegando a enlouquecer por conta de sua amada. Eu podia fazer tudo pelo meu amado, sem precisar enlouquecer. Estávamos felizes.

O caminho na carruagem foi repleto de conversas, mas eu nem participava e nem ouvia nem uma delas. Estava zonza. Não conseguia parar de pensar em meu nervosismo. Sentia que ia desmaiar. No momento em que paramos na frente da capela e Will pegou minha mão e Anastásia meu vestido para me ajudarem a descer, eu segurei fortemente na carruagem e arquejei.

— Eu não consigo fazer isso.

Will e sua esposa me olharam com um misto de preocupação e um olhar de “você está louca?”; mas havia algo mais no olhar de Anastásia. Era compreensão.

— Meu amor, isso é algo natural. – Disse ela, passando a mão pela minha testa de forma carinhosa – Mesmo eu, sendo como sou, me senti insegura em casar com Will. Mas acredite em mim, não é um bicho de sete cabeças. Na verdade, é a melhor coisa que vai acontecer com você.

— Mas eu...

— Regina – Falou Will -, você ama esse homem?

— Mais do que tudo na minha vida. – Falei sem hesitar.

— Ele ama você do mesmo jeito. Você foi capaz de fugir com ele e deixar tudo o que conhecia para trás. Você consegue casar com ele. Prometo-lhe isso. – Gotas finas de chuva começaram a cair, lentamente. Uma garoazinha.

— Vamos entrar logo, antes que você se molhe toda. Consegue fazer isso? – Perguntou Anastásia. Respirei fundo e olhei em seus olhos.

— Consigo.

Robin Hood – Atualmente.

No momento em que vi Regina, senti algo como se fosse uma tapa na cara, porque a sensação de tontura foi equivalente. Eu nunca tinha visto uma pessoa tão linda em toda a minha vida. Como posso ter sido merecedor de uma mulher tão linda, meu Deus? Ela era simplesmente perfeita. Senti um nó na garganta e engasguei, tentando esconder as lágrimas que surgiam em meus olhos. Cheguei a me sentir indigno de olhá-la, de tê-la. Então a realidade me atingiu: ela era minha. Finalmente, depois desse dia, ela seria minha. Estávamos destinados a ficar juntos para sempre. E aquela mulher, a mais perfeita que Deus já tinha criado, estava entrando no mesmo recinto que eu, para aceitar ficar ao meu lado.

Entrou andando tão devagar como se tocasse alguma música no piano da capela, quando na verdade não havia macha nupcial nenhuma, apenas o som dos nossos corações, e da tempestade. O padre olhou-me surpreso vendo que ninguém viria ao nosso casamento, mas não disse nada, apenas sorriu e balançou a cabeça, pude escutar de seus lábios — Jovens apaixonados ainda morrerão desses amores avassaladores algo que não discernir muito bem o que era, porque estava concentrado nela. Quando ela chegou ao altar, peguei sua mão e conduzi até onde ficaríamos, antes que a chuva caísse sobre todos nós dentro da capela. O temporal havia chegado mais cedo.

Regina Mills.

Quando abri os olhos e vi a capela, perdi a habilidade de respirar novamente; mas não foi por nervosismo. Foi de puro encanto. Estava tudo convenientemente branco. O tapete, as margaridas, que também tinham pingentes prateados entre elas, colocados de forma sutil, de forma que elas brilhassem. Parecia combinadas com meu vestido e cabelo, algo que me fez pensar se Will e Anastásia tinha algo a ver com isso. E lá, mais a frente, estava Robin, a minha espera. Ele estava maravilhoso. Lindo, de fraque, com um sorriso emocionado que pareceu ser o bastante para me apunhalar o coração. Imediatamente senti as lágrimas começando a surgirem, prontas para descer pelo meu rosto como a chuva atrás de mim. Respirei para tentar me controlar e andei na direção do homem que me faria à mulher mais feliz do mundo. Quando nossas mãos se encontraram, percebi que estava tremendo. Robin também percebeu, então começou a me acariciar com o dedo, fazendo sentir um frio na barriga enorme. Ele parecia prestes a explodir de emoção e felicidade.

Era exatamente, 16h15minhrs quando entrei na capela. Os bancos vazios, o temporal se aproximando, uma guerra acontecendo em Londres e um padre preocupado com a loucura daquele ato. No momento em que entrei nada tocou, mas em minha cabeça repetia palavras que já sabia o quanto eram conhecidas. As provações que passamos as dores que tivemos, e tudo o que perdemos. Dividida apenas agora em que momentos eu seria ainda mais felizes. Sem preocupações, sem dores, sem mágoas. Porque o piano soava em minha cabeça e eu o sentia perto de mim.

A chuva caiu lá fora e os trovões começaram a soar como se estivessem com raiva da nossa união, ou felizes demais – Prefiro acreditar na segunda parte -. Olhei para Robin em alguns segundos, até que não escutei mais o barulho lá fora. Ele estava lindo, dentro de um fraque preto e apertado, o que deixou engraçado, e com certeza mais bonito do que a última vez que o vi. Tinha certeza que aquele terno não tinha sido carregado desde Londres para Yorkshire. Não era a cara de Robin usar algo assim ou ter algo guardado do tipo. Isso vinha de Will, o que me fez sorrir ao ver o quanto ele estava elegante. Parecia um bruto na roupa de um príncipe. Ele sorriu desconcertado e assentiu para o padre que começou a falar:

– Estamos aqui... – Ele engasgou-se para refazer sua introdução – Estou aqui para unir a vida de Robin Hood e Regina Mills. Um casal novo e apaixonado que agora decidiram se tornar uma só carne, e Deus se alegra muito em ver que agora querem construir uma família juntos seguindo suas leis e preceitos...

Eu não sabia aonde olhar, minha felicidade era tanta que não aguentava em mim. As lágrimas já queriam descer, mas as segurei para o momento certo.

–... O amor é paciente, é atrativo, sabe perdoar, e também surpreender. Ao unir vocês dois, Deus não espera que una apenas ao compromisso, mas a própria alma, a essência do amor. Ao uni-los no sim que darão hoje, vocês serão unidos também na felicidade. Hoje, vocês são um até que a morte possa separá-lo. Vejam, duas pessoas que não tinham nada em comum, como podem se completar? A verdade, é que se as pessoas fossem todas iguais nunca achariam seus pares, elas precisam ser diferentes para que ao se unirem sejam uma só. Não há nada de ruim no diferente, no estranho, no desconhecido, as pessoas que criaram maldades para afastar-nos da verdade de que todos nós somos parte de uma irmandade. Porque enquanto uma guerra lá fora tende ao ódio, a dor, e as perdas, ainda assim pode nascer à beleza do amor, ainda assim no meio do inverno nasceu uma rosa. Pensei que nunca mais realizaria casamentos como estes, mas Deus sempre me surpreende com os seus planos. – Robin segurava minha mão com tanta força que mal podia senti-la – Por isso eu vos pergunto: Robin Hood, aceita casar com Regina Mills para amá-la e respeitá-la até o fim de sua vida?

Robin sorriu e aquilo não poderia ser mais que um sim, e mesmo assim o disse:

– Até o fim de minha vida.

– E você, Regina Mills, aceita casar com Robin Hood para amá-lo e respeitá-lo até o fim de sua vida?

– Aceito, até o fim de minha vida.

O padre pediu que colocasse as alianças. Robin então pôs a mão em seu bolso apalpando em todo o lugar, vendo que não encontrava, sorriu desesperado e sem graça. O padre Happy o olhou desconcertado e entregou as alianças piscando para ele. Robin colocou a aliança em meu dedo e então deu um beijo em minha mão, e assim fiz o mesmo. O olhei por alguns segundos e esperei que o padre dissesse algo, mas Robin apenas sorriu e então começou a falar. Era a hora dos votos.

Robin Hood.

– Ah, nossa! – Disse ele, pigarreando – Regina, eu nem sei por onde começar, mas podemos ir do inicio, em como nos conhecemos – Dei uma risada me lembrando do ocorrido e ela fez o mesmo – Você no meio daquela batalha quase nua e desengonçada, também estava furiosa e nem sabia o porquê. Quase me xingou e me bateu porque te salvei de levar um belo tiro nessa sua cabeça oca –– Padre Happy olhou-nos preocupado com os olhos arregalados – Pensei que você fosse uma pessoa completamente insana. E, sejamos sinceros, eu não estava de todo errado. – Rimos – Mas a verdade é que essa sua loucura, sua insanidade, acabou por me encantar de todos os jeitos possíveis. Nossa história, ela... Ela é puro amor. Um conto tão antigo quanto o tempo, tão verdadeiro quanto pode possivelmente ser. Antes de sermos qualquer outra coisa, você foi minha amiga, uma das melhores que já tive. E foi necessária apenas uma pequena mudança, ínfima para dizer o mínimo, para que nos tornássemos o que somos hoje. Mas naquele dia, naquele dia meu amor que te vi, soube que te amava. Eu fingia para mim mesmo que nada do que tínhamos vivido era amor, era apenas uma fascinação por sua loucura, quando na verdade sabia o que sentia, e bem, sempre soube. Regina Mills, agora Regina Hood, eu te amo, — Sorri enquanto uma lágrima caia em minha face – sempre te amarei, porque minha essência é sentir todo o amor com você, como se fosse sempre te perder, é a única forma de te amar plenamente. E todas as vezes que pensei em ter te perdido, na verdade estava te ganhando, porque sempre foi assim, sempre será. Você me levou tudo, mas ao mesmo tempo, me trouxe tudo. – Comecei a chorar que nem mesmo podia me controlar – Seu coração é meu, mas você tem ainda mais do que meu coração, você tem a minha alma. Sou teu e serei sempre seu. Mas não vou te amar até minha morte apenas, vou te amar até a última estrela cair do céu, e se todas elas caírem, te amarei até que todas estejam no céu novamente. Obrigada por me fazer sentir isso que sinto por você, obrigada por tudo, Regina. – Enxuguei minhas lágrimas e dei um sorriso a ela, e ela olhou-me cheia de amor que me fez estremecer.

Enquanto isso um raio ecoou lá fora e a chuva caia com mais intensidade do que antes, então eu entendi tudo, a chuva ali nos abençoava, porque ela sempre esteve conosco em todos os momentos. Quando a conheci, quando a beijei, e agora no nosso casamento. A maior madrinha, a maior testemunha, e isso bastava a nós dois.

Regina estava calada, mal conseguia abrir a boca, chorava em silêncio com um olhar de amor e compaixão. Aquele olhar de beleza e de doçura que tinha dentro dela. Se Regina Mills fosse uma estrela, de fato seria uma das mais brilhantes, porque podia sentir o seu amor brilhar naquele altar. Como Deus poderia ter criado algo tão magnifico para um homem? Isso eu não sei, mas estava feliz por tê-la ali, por estar com ela.

Regina Mills.

— Regina? – O padre Happy chamou, me fazendo estremecer.

Fiquei em pânico, mas então o vi de verdade. Ele olhava fundo em meus olhos, me fazendo sentir todas estas coisas. E foi ali que percebi: eu já sabia o que ia falar. Eu tinha plena certeza do que ia falar. Foi só ver aquele rosto, aqueles olhos, aquele sorriso, e eu soube.

— Robin – Comecei com a voz trêmula e embargada -, eu devo admitir uma coisa. Eu não fazia ideia do que iria falar aqui. Eu estava extremamente nervosa mas... Ao olhar para você, ao te ver... Foi o bastante para me fazer enxergar que não tinha o porquê de eu ficar nervosa. Você sempre foi a maior certeza da minha vida. Eu amo você, Robin Hood. Isso não me dá margem para nenhuma dúvida. Eu passei... Passei anos perseguindo um sonho. Passei anos vivendo apenas em um torpor. Todo esse tempo sem ver como as coisas realmente são. E agora, te vendo aqui, eu de repente sei, e é claro como cristal: eu estou onde deveria estar. Com você eu vejo coisas que nunca vi antes. O céu é novo, os pássaros cantam de forma muito mais bonita, o sol parece mais brilhante. Você sabe que eu não tenho muita experiência em falar coisas bonitas – Rimos, nervosos -, mas aqui e agora, segurando sua mão, prestes a me tornar a Sra. Hood... Como pude ser tão idiota? É tão óbvio isso tudo que estou dizendo. Agora tudo é quente e real e brilhante... E o mundo parece mudado de alguma forma... De uma vez só, de repente, tudo parece diferente, agora que eu te vejo. Você transformou a minha vida e pra melhor. Você me mostrou todo um novo mundo, um mundo que brilha, que é esplêndido... Qual foi a última vez que deixei meu coração decidir? Quando estive com você. Você abriu meus olhos, me mostrou maravilha por maravilha deste mundo. É todo um mundo novo, num ponto de vista fantástico. Com você, não há ninguém me dizendo não, me dizendo pra onde ir, ou que estamos simplesmente sonhando. Sempre que estou com você, eu estou em um lugar que eu nunca conheci, porque agora te tenho em minha vida. Não tenho palavras para descrever a gratidão que sinto por você ter me apresentado algo completamente novo para mim: o amor. E nunca irei me arrepender de ter perdido nenhuma riqueza, porque a maior riqueza que posso ter é o seu amor. Darei tudo de mim, te abraçarei e te amarei, como se fosse te perder, porque você tem toda a razão, é a única forma de te ganhar. E, se você me permitir, irei me esforçar para te fazer sentir pelo menos próximo disso que você me faz sentir. Eu te amo.

Quando terminei, todos nós chorávamos. O padre disse as palavras: Eu vos declaro marido e mulher. Más já nem escutávamos, nos beijamos intensamente e ele me girou no ar. Seu coração atingiu o meu e senti a força daquela união, e então ele me puxou para a chuva lá fora, recebendo as benções do Senhor e da própria natureza.

Notas finais
Espero que não tenha perdido o fôlego, tem mais!