Como se (des)apaixonar pela sua melhor amiga
3 Tão macho, que chora feito uma marica.
Notas iniciais
Me virei e encarei aquelas órbes negras brilhantes que me encaravam acompanhado de um sorriso de orelha a orelha. — Clara? O que ta fazendo aqui?
–A neve abaixou lá pelas 3:00 da manhã, ai liberada um avião pra cá e eu vim na hora.
EU:1 NEVE:0
– Cara eu nem acredito que você esta aqui, eu tava morrendo de saudade- eu a abracei, sorrindo pela primeira vez naquele dia.
–Eu também- ela retribuiu meu abraço fortemente e nos ficamos ali um tempão abraçados.
–Eu achei que você nem vinha mais — nós nos separamos — já faz uns 40 minutos que o sinal tocou e nada de você, o que houve?
–Eu me atrasei um pouquinho pra sair de casa- eu disse sorrindo amarelo
–Novidade né Ryder- ela revirou os olhos — vem, vamos entrar.
Ela puxou minha mão querendo me levar em direção á escola mas eu me manto firme no lugar.
–Não quero ir — fiz birra e ela revirou os olhos voltando ate mim
–Eu também — ela suspirou e eu não acreditei nisso.
–Como é? Clara Ross não quer ir pra aula? É isso que eu ouvi produção? Ta depois dessa eu acho que já pode voltar a nevar igual antes. — eu parei por alguns instantes e me dei conta do que eu disse — mentira, não pode não.
Ela riu — sabe, eu nunca vou entender esse seu ódio por neve. Neve é tão legal.
– Não é não- discordei — neve é chato, tedioso e foi por causa dela que você ficou presa em Ohio por mais de 2 semanas. — me encostei no muro do colégio fazendo bico.
–Admite que você morreu de saudades, vai. — ela veio ate mim e enlaçou os braços na minha cintura
Morri mesmo, me tranquei no quarto e fiquei bebendo conhaque, ouvindo sua banda favorita por 3 meses.
–Deixa de ser iludida, eu dei é graças a Deus, isso sim. — menti sorrindo
–Idiota — ela riu.
–Então, já que a dona não quer entrar na escola, que tal a gente sair. — eu disse a abraçando também. Era tão bom sentir aquele corpo no meu, tão bom sentir aquele cheiro, vontade de levar pra casa e nunca mais soltar.
–Ai não sei — ela disse mordendo os lábios, tal ato que eu acompanhei com os olhos que nem um idiota — eu disse que não queria entrar mas sei la, matar aula? Sei não.
–Ah, qual é Clara? É primeiro dia de aula, não vai ter nada de importante. Se sua mãe perguntar, diz que estava comigo. Tia Emma me ama.
–Isso é verdade, se duvidar, ela ama mais você
que a mim — fez bico. Meu Deus que vontade de morder...
–Fazer o que não né, — eu disse — mas então? Vamos?
Clara ficou meio em duvida mas acabou cedendo e fomos ate um cafeteria ali perto. Pedimos o café e ficamos la ate umas 9:10 por ai. E depois ficamos de bobeira no shopping, matando o horário ate das umas onze horas por ai.
–Vamos almoçar la em casa? — eu a convidei — minha mãe também esta morrendo de saudade de você.
Ela parou e me encarou — ai eu sei, e eu também estou morrendo de saudade da tia Alinne e dos cookies dela. — ela riu
–Então vamos? — eu incentivei
–Não vai dar, eu combinei de almoçar com o Dillan la na faculdade dele.
Maldito seja esse loiro seboso!
–Ah qual é? Serio que você está me trocando pelo loiro de cabelo duro? Serio mesmo?
–Eu não estou te trocando, para de drama, moleque — ela revirou os olhos — e ele não tem cabelo duro.
–Ah não tem? — eu ri irônico — é capaz de ele morrer asfixiado de tanto laque que ele passa naquele cabelo, Clara. Se situa.
–Ele não usa laquê! E para de falar assim do meu namorado. — ela cruzou os braços e foi andando na frente.
–Não faz assim Clara, poxa, eu sou seu melhor amigo, é quase que obrigação zoar seu namorado. E outra, ele deve falar coisa bem pior de mim.
Nah! Na verdade eu não gosto dele mesmo.
–Não é não Ryder, e quando ele fala eu também te defendo então, para.
–Então quer dizer que ele fala mesmo coisa pior de mim?
Maldito, eu quase sai no braço com esse cara uma vez, e a minha vontade de socar ele ainda não abaixou. Ciumes? Imagina.
–Ryder já chega ta? — ela se emburrou. Ah ótimo, porque era disso que eu precisava mesmo... — eu já vou indo.
Ela já estava saindo quando eu segurei seu braço. — Ei, desculpa ta? Eu so estava brincando — não estava não — foi mal ta?
Ela continuava olhando pro outro lado. Ela estava magoada, de verdade.
Droga!
Eu suspirei — ei, olha pra mim — segurei seu queixo e o virei dedicadamente pra mim. — me desculpa, é só ciumes de amigo. Foi mal.
Ela sorriu fracamente — eu sei e tudo bem, eu não gosto de brigar com você.
Eu sorri pra ela e lhe estendi o braço — vem, eu vou te levar ate a faculdade do loi... — ela me encarou — do Dillan. Da faculdade do Dillan.
***
Chegando na frente do campus, o babacão tava na frente do portão encostado olhando o telefone.
Quando viu Clara se aproximando, abriu um largo sorriso. Ela se soltou do meu braço e pulou em seu colo o beijando em seguida.
Eles ficaram no mínimo uns 10 minutos se beijando e dizendo o quanto se amavam e o quanto estavam com saudade um do outro e blá blá blá.
Ver essa cena dói, dói demais. Ver Clara nos braços de outro, beijando outro, dizendo que ama a outro cara, é terrivel
Por dentro eu estava sangrando, com vontade de chorar que nem uma marica entrar no primeiro bar e comprar uma garrafa de conhaque, voltar pra casa e ficar ouvindo Mad Sounds pelo resto do dia.
Mas ninguém precisa saber disso, então eu abri um sorriso travesso e comecei a encher o saco deles que era o que eu fazia de melhor.
–Espero que a língua de vocês fique com cãibra.
Eles se separam, e pelo meu sorriso, Clara viu que eu estava brincando. Ela riu e me mostrou a língua. Mas Dillan não reagiu da mesma forma.
–Veio aqui pra me encher o saco Ryder, perdeu seu tempo. -ele disse se separando de Clara e parando na minha frente.
Ele ta querendo levar um na cara né, só pode.
–Você, cala a boca e fica na tua porque ninguém aqui falou com você. Eu vim acompanhar a Clara e só.
–Ei, vocês dois. — Clara se meteu no meio de nos dois. — parou né.
Ela se virou pra mim — Ryder, por favor — ela me olhou um pedido silencioso pra que eu fosse embora.
Eu já estava de saco cheio de ficar ali mesmo então fui me despedir de Clara pra ir embora.
–Tudo bem, eu já vou indo.- a abracei e falei em seu ouvido — você vai ficar o dia inteiro com esse cara ou vai dar pra ir la pra casa hoje à noite?
–Hoje é a segunda da pizza, lembra? — ela respondeu no mesmo tom e eu sorri.
Eu me soltei dela e me virei pra ir embora quando eu ouvi a voz de Dillan:
–É, já vai tarde.
– Meu Deus Dillan, qual o seu problema? — disse Clara
Apressei o passo e sai dali o mais rápido possível.
***
No caminho de volta pra casa, a única coisa que passava pela minha cabeça era a cena de Dillan e Clara se beijando.
Aquilo doía demais, um bolo
se formava em minha garganta e eu sentia uma enorme vontade de chorar. Eu estava parecendo uma garotinha idiota sofrendo por um cara que nem liga pra ela.
Cheguei em casa e bati com força a porta do quarto, tentando liberar minha raiva mas nem isso adiantou.
Sentei na cama e parece que naquela hora toda a minha raiva se misturou com tristeza e explodiu dentro de mim, fazendo- me chorar que nem um idiota.
Sim, eu, Ryder Spencer estou chorando por uma garota. Estou chorando por minha melhor amiga que no momento não deve estar nem ligando pra mim.
Merda, mil vezes merda!
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