Notas iniciais
Gente, eu sei, eu seeeeei que ficou confuso e uma merda, mas... na pressa do prazo e na fé anti vasilo, foi o que consegui fazer. Um dia eu vou revisar isso tudo e retirar ou colocar o que for preciso. Infelizmente a história sequer saiu do jeito que eu queria, enton peço desculpas pelo enredo lixo desde já IRUGHSIDOUHOIDUHF aaaaaaaa

Como os girassóis de Van Gogh

Teodoro nunca foi muito bom com as palavras.

Elas sempre escaparam de suas mãos com extrema facilidade: vinham, mas cumpriam seu dever apenas de vez em quando. Algumas vezes, enquanto calado, fechava os olhos e via as letras se misturarem todas as vezes que tentava pronunciar algo. Outras vezes, apreciava o silêncio de quando as palavras partiam e demoravam demais a voltar.

Porque independente do que fizesse, a fala nunca iria se comportar muito bem com ele. Então, Teodoro simplesmente vivia sem ela.

Todos os dias.

Achou, por inúmeros meses, que nunca fosse precisar aprender a usar bem as palavras. A dor de não saber como coloca-las em ordem era tanta, que o maltratava violentamente toda vez que tentava fazer um bom uso da língua. Ao passar a confusão, no entanto, o silêncio voltava — e junto dele, a calmaria. Por isso, Teodoro sempre acreditou que estava vivendo muito bem sem conversar, até conhecê-lo.

No dia em que conheceu Vicente, as palavras se tornaram extremamente necessárias. A falta delas corroía-o de dentro para fora. Queria falar tantas coisas ao mesmo tempo, que chegou a crer que explodiria de ânsia.

Vicente e Teodoro tinham alguns amigos em comum, e em um dia qualquer nos lugares de sempre, acabaram se conhecendo.

Teodoro sabia — e esse era o seu maior problema.

Ele sabia que, quando a paixão o pegasse de jeito, não existiria sequer uma mísera coisa que pudesse fazer para reverter a situação.

E é por isso que, todas as vezes que Vicente se aproximava, com aquele seu jeito torto de pessoa esquisita, Teodoro respirava fundo uma, duas vezes, antes de decidir não falar nada.

Até, claro, o dia em que os dois se encontraram perdidos em uma festa que foram com aqueles mesmos amigos em comum. A conversa tornou-se inevitável. As palavras, quase inaudíveis pela altura da música que ambos tanto detestavam, não eram nada mais do que um grande pretexto. Teodoro não tinha muitos problemas com esse tipo de conversa, que não significa nada mais do que o simples trocar de falas não interessantes. Ah, não. Os problemas viriam logo em seguida, quando os lábios macios de Vicente encostaram-se aos seus, apertando-os.

Depois disso, tudo passou a ser uma simples questão de tempo. E por ter tanta certeza disso, Teo sentiu o medo em seus ossos.

Porque desde então, os dois passaram a conversar quase todos os dias. Falavam sobre os diversos assuntos que pareciam certos no momento e, na maioria dias vezes, não eram sobre nada muito importante. No meio de tudo aquilo, Teo não saberia dizer quando foi que se apaixonara pelo emaranhado confuso que eram aqueles cabelos escuros de Vicente.

A paixão transformou-se em uma necessidade imensurável de falar, que obrigou Teodoro a tentar quase o suficiente para fazê-lo conseguir. E entre mensagens não respondidas e encontros desconfortáveis nos corredores, Vicente continuava suas conversas bobas como se não houvesse mal algum naquilo tudo.

Eram apenas palavras afinal.

“Você não me parece muito bem” perguntou seu mais novo amigo, em um dia qualquer desses.

Era indiscutível: Teodoro afundou-se tão certeiramente em suas especulações sobre o futuro, que havia se trancado no conforto do próprio silêncio. Queria falar. Alto, em bom tom. Queria gritar tudo o que estava dentro do seu peito e precisava sair, assim como o que empurravam para dentro dele. Tentou fugir dos escuros olhos de Vicente.

Não conseguiu.

Pensou de fosse vomitar de ansiedade. Ali mesmo, em frente a faculdade, naquela escadaria imunda que todo mundo insistia em sentar. Ele sabia que a paixão de nada ajudaria, afinal — a vontade de mudar tornou-se tão intrínseca que doía.

“Eu não consigo conversar” explicou. Ouvir sua própria voz o deixava desconfortável. “E por isso eu acho que sempre vou ser algo especialmente triste, cheio de sentimentos bonitos sufocados por uma interpretação errada”.

“Algo como os girassóis de Van Gogh então” o outro começou a falar “as pessoas nunca decidem se querem que elas sejam flores bonitas ou tristes e sempre dão a interpretação que preferem sobre as telas. Já parou para pensar que, às vezes, não tem nada de errado em ser os dois ao mesmo tempo?”

Vicente sorriu, e Teodoro quis chorar.

Todas as vezes em que conversavam, a vontade de contar diversas coisas que estiveram caladas dentro de si era tamanha, que chegava a sentir medo. Teo odiava sentir tudo o que sentia, e fora assim desde todo o sempre, mas definitivamente detestava mais Vicente do que a si mesmo.

Porque quando você se acostuma com o silêncio, qualquer ruído é absurdamente alto.

E os dois quase se tornaram bons amigos, porém Teodoro só se sentiu uma pessoa pior por isso. Quis, por muitas vezes, forçar-se a ser algo melhor para o outro — não conseguiu, no entanto.

Cada fala mal feita e sem motivos de sua parte só o fazia ter mais certeza de que, talvez, teria sido o melhor de tudo se nunca tivesse se apaixonado por ele. Tudo aquilo que conseguia, depois de extremo esforço, colocar em palavras, Vicente não compreendia ou se importava o suficiente para responder de fato.

Vicente e Teodoro levavam, desde a iniciativa falha deste com as palavras, uma relação maçante, que o destruía cada vez mais, todos os dias.

No fim, Teo só tentava indubitavelmente criar algo com aquela amizade, baseado em sua pequena ilusão de que ele poderia ser alguma coisa que não fosse ele próprio. Não que tenha sido assim desde o início; acreditou, mesmo que apenas por algum tempo, que sua relação com Vicente poderia se tornar uma bela amizade, mesmo no meio dos beijos assimétricos, como as que costumava ler nos seus livros preferidos.

Descobriu, todavia, que não é possível manter uma boa amizade sem uma boa conversa. E quanto mais palavras usava, mais certeza tinha que não deveria usar nenhuma, já que cada uma delas parecia desgastá-los um bocado.

E de tanto todas as palavras parecerem erradas, Te se sentia errado. Sentia-se completamente desnecessário, fazendo algo que obviamente não era bom.

Teodoro nunca foi muito bom com as palavras.

Nunca.

Talvez fosse esse o motivo pelo qual tinha aquela estranha impressão de existir algo extremamente errado entre ele e Vicente. Desde o início, o relacionamento dos dois era deturpado de alguma forma.

Nunca existiu toques de despedidas ou palavras extremamente carinhosas vindo de nenhum dos dois lados. Vicente nunca elogiava Teodoro, e Teodoro nunca sabia como elogiar ninguém.

Vicente nunca tentou entender a confusão que existia dentro do amigo.

Ele detestava o quadro na parede que existia dentro de Teo.

Eram distantes, os dois.

E aconteça o que acontecer, Teodoro sabia que o problema que existe entre ele e as palavras não poderiam ser aturadas por ninguém. Vicente tinha aquele jeito torto de pessoa esquisita, de quem já tem demais o que se preocupar dentro de sua própria vida. Não precisava de muito barulho em sua cabeça, e a necessidade interminável de conversar sempre parecia perturbá-lo.

Então, ele decidiu por calar-se novamente. Sem as palavras Teodoro bem sabia que viveria enroscado em sua própria solidão, não tinha nada mais certo do que isto. E mesmo sozinho, com todas as suas ânsias e tristezas, no mínimo ele teria a certeza de nunca mais sentir o medo de não conseguir o que tanto queria.

Não haveria nada de incerto, nada muito solto, nada muito bom. Alguma hora, rezava, o silêncio voltaria a ser tão confortável quanto antes. E então, ele nunca precisaria incomodar o Vicente de novo.

Por isso, agora, por si mesmo e pelo amigo, Teodoro permaneceria calado.

Todos os dias.

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