Como me despaixonar por meu chefe?

4 Surpresas são melhores que promessas...


Notas iniciais
Hey, people! Obrigado pelos comentários, vocês são demais!! Bem o capítulo vai te algo inesperado - ou eu acho que seja inesperado -, mas é a partir de agora que a fic vai realmente andar. Espero que gostem, de verdade!

No domingo de manhã, acordo cedo, mas fico na cama pensando na minha vida no interior e nos meus pais. Estou quase dormindo de novo, quando ouço o toque do meu celular ecoar pelo cômodo. Olho no visor e vejo que é David. Atendo rapidamente, pois sei que ele só me ligaria caso fosse algo importante.

– Sr. Grimm? – Chamo quando atendo.

– Alexia. Preciso de um favor seu – A voz rouca de David está séria, mais do que o normal.

– Em que posso ajudar? – Pergunto colocando o celular no viva voz, já vestindo um vestido florido e um sobretudo vermelho por cima. Vou em direção ao banheiro levando o celular comigo. Escovo os dentes e passo os dedos nas mechas do meu cabelo ajeitando-o.

– Poderia vir até o meu apartamento? – Questiona — aparentemente -, nervoso.

– Claro, chego ai em alguns minutos – Respondo franzindo a testa.

– Ok. – Diz e vou desligar, porém escuto sua voz novamente. – E Alexia?

– Sim?

– Obrigado – David diz e encerra a ligação. Fico olhando para o aparelho por alguns segundos e volto para o quarto para pegar a minha bolsa.

Passo pela sala e avisto Hill deitada no sofá olhando filme.

– Bom dia! Ei, aonde vai tão cedo? – Pergunta quando estou destrancando a porta.

– David me chamou, disse que é importante – Respondo.

– Quer uma carona? – Questiona já levantando do sofá.

– Na verdade não, mas obrigado. Te vejo mais tarde – Digo saindo do apartamento. Desço até o térreo e aceno para o porteiro.

– Quer que eu chame um táxi, Srta. Waltter? – Pergunta-me John.

– Quero sim – Digo e o vejo assobiar e fazer sinal para um taxista. Nas ruas de NY, o que mais se vê são carro amarelos sendo disputados pelas pessoas.

– Obrigado – Agradeço o porteiro e dou o endereço de David ao motorista.

Chegamos alguns minutos depois em frente do apartamento do meu chefe, eu pago pela corrida e desço do táxi.

Entro no prédio e caminho em direção à recepção, aonde vejo Lis.

– Bom dia, Alexia. O Sr. Grimm me avisou que você chegaria, então é só subir — Diz e eu a agradeço antes de ir até o elevador. Eu subo até o andar de David passando as mãos pela minha roupa tentando tirar um pouco do amassado dela.

“Isso está ficando cansativo”. Penso comigo mesma, quando percebo minha trajetória até aqui. Depois do que me parece uma eternidade ando até o final do corredor no andar de David, e então paro em frente a sua porta.

Toco a campainha e ouço algo caindo no chão dentro do apartamento.

– Alexia! – David diz aliviado e me convida para entrar, eu aceito e o acompanho até a sua sala de estar.

Já fazia algum tempo desde a última vez que eu tinha vindo até aqui, mas tudo parecia estar do mesmo jeito. Tirando o fato que o apartamento estava um pouco bagunçado, como se tivesse passado um pequeno furação por ali.

– Desculpe pela bagunça – Diz e senta no sofá. Ele parecia estar exausto. Fico em pé e espero que ele comece a falar alguma coisa.

– Você parece cansado – Digo.

– E eu estou – Fala sorrindo de lado e então passa as mãos pelo seu rosto – Preciso da sua ajuda, Alexia. Eu poderia pedir isso a minha irmã ou a minha mãe, mas não quero meter elas nisso. E eu te conheço há quatro anos, e sei que me ajudaria caso eu te pedisse, e também é uma das poucas pessoas em que eu confio.

– Lembra que quando você começou a trabalhar na empresa, eu estava namorando uma modelo britânica? – Pergunta e eu confirmo com um aceno de cabeça – Bem, ela voltou para lá depois que terminamos, mas me procurou ontem e me disse que eu tenho uma filha.

– Você tem uma filha? – Pergunto surpresa e me sento no sofá um pouco distante dele.

– Sim, ela tem três anos e o nome dela é Nicole. Eu não tenho certeza se ela é realmente minha filha, mas as contas se batem – Ele confirma e passa a mão pelo rosto de novo.

– E porque você não vai contar aos seus pais? – Pergunto confusa.

– É claro que eu vou, mas não quero envolver eles enquanto não tenho certeza se ela é minha filha – Explica olhando para frente.

– E o que você vai fazer? – Questiono.

– Eu não sei. Deise disse que não podia mais ficar com a filha, porque seu namorado não gosta de crianças – Diz com uma careta de desgosto, pensei que fosse por saber que a Deise está namorando, mas descartei a ideia — Conhecendo a Deise, tenho certeza que nem ela gosta. Não sei onde estava com a cabeça quando eu a namorei.

– Eu imagino aonde... – Murmuro para mim mesma, mas fiquei vermelha quando percebi que David tinha ouvido.

– Não sabia que você gosta de fazer piadas com duplos sentido – Fala rindo endireitando as costas no sofá.

– Parece que você não sabe muitas coisas sobre mim – Digo me lembrando dele ter falado a mesma coisa em relação a eu beber.

David me encara e eu me arrepio com a intensidade do seu olhar.

– O que Deise fez com a criança? – Pergunto a ele, me lembrando o real motivo de eu estar aqui.

– Ela a deixou comigo, dizendo que eu poderia dar um futuro melhor a Nicole, e que ela não tinha mais “condições” de ficar com a filha – Responde fazendo uma careta de desgosto novamente.

– Ela está aqui? – Indago bobamente olhando em volta.

– Sim, por isso lhe liguei. Nicole está tossindo e estou preocupado que ela esteja doente. Eu não sei o que fazer, mas não acho que seja necessário a levar no hospital – Explica franzindo a testa — Imaginei que você saberia como agir nessa situação.

– Onde está ela? – Pergunto preocupada. Eu não era Expert no assunto, mas sabia as coisas básicas a se fazer quando se está doente.

– No quarto – Diz e me guia até o local – Simone insistiu em decorar esse cômodo como o meu antigo quarto de infância na mansão. Não me pergunte o motivo.

Ri com o que ele disse, porque era bem a cara da louca da Simone. Entrei no quarto em silencio e me deparei com um pequeno ser aconchegado as cobertas. Fiquei um momento observando. “Nossa, quem diria que David Grimm, o empresário mais cobiçado de NY, tem uma filha”. Penso comigo mesma me sentando na cama ao lado da criança.

Olhei em volta, e entendo o que David quis dizer. O quarto está decorado com desenhos infantis e com vários porta-retratos espalhados pelo cômodo. No canto tem uma cômoda com coleções de aviões, carrinhos e navios.

Tirei a coberta que estava tapando o rosto da criança e ofeguei ao perceber o quanto ela se parece com o David. O cabelo dela é dourado, lisos com cachos nas pontas. Suas bochechas gordinhas e infantis estavam coradas, e seu rosto estava sereno. Ela parece ser uma versão feminina de David quando criança. Olhei para as fotos nas paredes o confirmei a minha tese.

"E ele ainda tem duvida se ela é sua filha?". Pergunto-me ironicamente.

Toque-lhe a testa e vi que ela está febril. Levantei e voltei à sala onde estava David.

– Onde eu encontro um termômetro? – Pergunto parando na sua frente.

– No armário do banheiro do final do corredor – Responde apontando para o local.

– Obrigando – Agradeço e vou até lá. Abro o armário e encontro uma pequena maleta com alguns itens de primeiros socorros, mas que junto estava um termômetro. Pego a maleta e volto até o quarto, colocando o termômetro debaixo do braço de Nicole. 1 minuto mais tarde o retiro e vejo que ela está com 38,4°.

“Está com febre”. Penso preocupada e decido dar um banho morno nela para abaixar um pouco sua temperatura.

– Hey, querida – A chamo lhe tocando a bochecha delicadamente.

Seus olhos se abrem devagar, e penso de novo o quanto ela é parecida com David. Seus olhos são da mesma cor, castanho esverdeado, porém o dela é mais puxado para verde.

– Meu nome é Alexia – Me apresento sorrindo – Eu vou cuidar de você hoje, tudo bem?

Ela assente com a cabeça, mas não diz nada. Imagino que porque ela está sonolenta.

Eu nunca cheguei a conviver diretamente com uma criança, mas eu sabia quase tudo sobre elas. Quase.

Eu a pego no colo e a levo para o banheiro que tem dentro do quarto. Ainda com ela no colo encho a banheira com água morna.

– Sua mãe deixou alguma bolsa ou mala com coisas suas? – Pergunto a ela, que só assente com a cabeça de novo. “Talvez ela seja de poucas palavras.”

Nicole deita no meu ombro e eu volto para o quarto e procuro. Encontro uma bolsa lilás com alguns desenhos infantis do lado da cama. Levo para o banheiro e tiro a roupa do corpo de Nicole a colocando dentro da banheira.

– Droga! – Exclamo quando a água respinga no meu sobretudo. Tiro o casaco e o deixo no banco que havia ali.

– Quer ajuda? – David pergunta escorado na porta daquele cômodo.

– Claro – Aceito sorrindo minimamente – Abra a bolsa em cima do balcão e separe alguma roupa para ela. Veja se tem um pijama.

– Ok – Diz fazendo o que eu pedi. Continuei a dar banho em Nicole que está quieta.

– Você gosta de brincar na banheira? – A questiono lavando seus cabelos.

– Sim – Responde com sua voz infantil e um pouco enrolada.

– Tem algum brinquedo de plástico ou borracha na bolsa? – Pergunto a David.

– Acho que tem – Responde e alguns segundos depois ele joga alguns brinquedos na banheira fazendo a água respingar no meu vestido desta vez.

Ouço a risada rouca de David junto com a risada gostosa de Nicole. Reviro os olhos para David, mas rio também. Nicole olha para o seu pai e bate suas mãos na água fazendo que a água lhe atinja também. Agora foi a minha vez de rir, o que acabou causando uma pequena guerra no banheiro. Depois de vários minutos de risadas e diversão, tiro Nicole da banheira e a enrolo em uma toalha que David havia pegado. A levo de volta paro o quarto junto com a roupa que o seu pai separou para ela.

Sequei Nicole que estava de pé na cama, que logo começa a pular. Consigo secar ela mesmo assim, então não a impeço, já que tudo que vem acontecendo deve ser difícil para ela. Então quem sou eu para impedir que ela se divirta um pouco?

Olho para a roupa que David separou e não acredito no que vejo. Ele tinha pegado um vestido florido com uma saia volumosa junto com uma calcinha de babados.

– David! Eu pedi para você separar um pijama para ela, e não um vestido de festa – Falo colocando as mãos na cintura.

– O que você tem contra vestidos floridos? – Pergunta arqueando uma sobrancelha – Você está com um vestido florido!

– Mas eu não vou dormir. E mesmo que ela não fosse dormir, esse vestido não é vestido confortável uma criança usar em casa – Explico procurando algo descente para Nicole dormir.

– Ela usa frauda para dormir? – Questiono David vendo algumas fraudas descartáveis na bolsa.

– Sim, Deise avisou isso meio por cima – Ele responde parando do meu lado e observa eu colocar a frauda em Nicole. A frauda era aquelas que a criança só “veste” ela. Então até mesmo David não teria problema nisto. Depois que eu acho algo descente, coloco uma calça moletom preta e uma blusa fina sem estampas em Nicole.

– Vamos ter que comprar mais algumas coisas para ela. Nem pijama descente ela tem! – Digo pondo a mão sobre a testa de Nicole e vejo que sua temperatura não estava elevada, e comprovo isso com o termômetro.

– Vamos? – David pergunta brincando e eu coro quando percebo que eu tinha dito no plural.

– Claro! Você acha que vai conseguir comprar roupas para a sua filha, quando diz que vestido é apropriado para ela dormir? – Questiono indiferente terminando de arrumar o cabelo de Nicole, e tento esconder as minhas bochechas vermelhas.

– Hey! – Exclama fingindo estar bravo – Não tenho culpa se roupa de mulher é tudo a mesma coisa para mim. Tirar é bem mais fácil do que colocar ou escolher.

David ri malicioso e eu jogo um travesseiro na sua cara.

– Desnecessário Sr. Grimm – Digo brava.

– Estou apenas falando a verdade – Diz dando de ombros. Eu reviro os olhos, porém, não falo nada. Observo que Nicole está quase fechando os olhos novamente.

– Hey, querida. Aguente só mais um pouco, ainda precisamos secar seu cabelo – Digo me sentando na cama e a coloco no meu colo – Você tem algum secador por aqui? Não quero que ela pegue um resfriado também.

David afirma com a cabeça e saí do cômodo indo buscar.

– Você é namorada do meu pai? – Nicole me pergunta, mas pelo seu jeito enrolado de falar saiu: “Voxê é namolada do meu pai?” Sim, eu acabei de descobrir que ela troca o “R” pelo “L”.

– Não, só sou uma... – Penso no que dizer. Empregada? Ajudante? – Amiga.

– Hum... Você é bonita. Seu cabelo é da mesma cor do da minha Barbie – Nicole comenta tocando no meu cabelo.

– Obrigado, e você parece uma princesa – Agradeço lhe roubando um beijo na bochecha, então faço cocegas na sua barriga, lhe arrancando gargalhadas gostosas. Começo a rir com ela e então paro. Nicole se acalma já ofegante.

David entra no quarto e me alcança o secador. Ligo o aparelho e seco o cabelo de Nicole que ficou comportada no meu colo. Quando termino ela escora a sua cabeça no meu peito e sinto sua respiração ficar mais profunda. Rio quando percebo que ela dormiu, eu a coloco na cama, puxando a coberta sobre o seu corpo. Dou um beijo na sua bochecha rosada.

–Faites de beaux rêves, ma fleur! (Bons sonhos, minha flor!) – Desejo sussurrando para ela.

Ergo-me e viro, dando de cara com David. Dou um pulo para trás com o susto e vou até o banheiro pegar meu casaco.

– Bom, vou indo – Digo baixinho quando volto para o quarto.

David me acompanha até a porta, depois de eu ter pegado minha bolsa que estava em cima do sofá.

– Se precisar de mais alguma coisa, ou tiver alguma duvida, você sabe o meu número – Digo estalando as juntas dos dedos. Eu tinha mania de fazer isso toda hora.

– Obrigado, Alexia. Por tudo. Eu não sei o que faria se você não estivesse aqui hoje – Agradece coçando a nuca.

– Por nada – Falo sorrindo e me viro para sair.

– Alexia? – Olho para David quando o mesmo me chama – Não conte para ninguém sobre Nicole. Não quero que minha filha vire alvo das revistas de fofocas de NY. Não enquanto ela não estiver preparada.

–Pode deixar. Seu segredo está bem guardado comigo – Digo sorrindo e pisco para ele antes de sair pelo corredor.

– Alexia? – Ouço David me chamar novamente.

– Sim? – Viro arqueando uma sobrancelha, mas me surpreendo ao perceber que ele estava muito próximo.

David coloca sua mão na minha nuca e aproxima seu rosto do meu, fazendo nossas respirações se misturarem. Ele olha nos meus olhos pedindo permissão e eu avanço em direção a sua boca fazendo nossos lábios finalmente se tocarem. A boca de David era tão macia que, se eu pudesse, ficaria o dia todo daquele jeito.

David passa sua língua calmamente pelos meus lábios pedindo passagem e eu sedo sem hesitação. Minhas pernas pareciam ter virado gelatina, e eu tinha certeza que David podia ouvir as batidas do meu coração. Coloco meus braços em volta do seu pescoço, e David põe suas mãos na minha cintura, aprofundando ainda mais o beijo.

Infelizmente o maldito ar se fez preciso e David separou nossos lábios, colocando logo em seguida sua testa na minha. O beijo foi calmo, mas perfeito.

– O que você está fazendo comigo? – Pergunta me abraçando.

– Eu ia lhe fazer a mesma pergunta – Respondo rindo e coloco meu rosto no seu peito musculoso, que vibra com sua risada.

– Me sinto um adolescente quando estou com você, minha eterna criança – Diz.

– Eterna criança? – Questiono arqueando uma sobrancelha e me afasto do seu peito.

– Sim. Não se preocupe, para muitos pode ser um defeito, porém, para mim, essa é só mais uma de suas infinitas qualidades – Esclarece me dando um selinho e me abraça novamente.

– Então você admite que eu tenha qualidades, Sr. Grimm? – Pergunto arqueando uma sobrancelha.

– Sim, você tem muitas qualidades. Porém, letra legível não é uma delas – Brinca rindo.

– Hey! Eu tenho que copiar rápido o que vocês falam, então não posso me dar ao luxo de fazer letras perfeitas!

– Tudo bem! – Ri erguendo as mãos em rendição.

– Tenho que ir – Digo me afastando dele sorrindo. Sem esperar por alguma resposta, vou até o elevador e desço até o térreo.

Hoje nada havia nos impedido de nos beijarmos. E não vejo o porquê de alguém nos impedir de nos beijarmos de novo, futuramente.

Notas finais
Até o próximo! Beijão !! Me desculpem pelos erros.