Como me despaixonar por meu chefe?
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Notas iniciais
Meu nome é Alexia Waltter, eu tenho 24 anos e preciso urgentemente me desapaixonar por meu chefe. Por quê? Bom, porque eu o odeio.
Eu sou uma garota do interior que veio para a cidade grande, deixei meus familiares e amigos para recomeçar minha vida a partir do zero. E aqui estou eu, trabalhando como Secretaria-executiva para David Grimm, em uma das melhores empresas de Nova York. A “Grimm Company”. Sim, meu chefe é dono de todas as empresas Grimm que há no mundo.
Moro em um apartamento perto do Central Park, em Manhattan, junto com a minha melhor amiga de infância, Hilary. Ela se mudou junto comigo para NY quando tínhamos 20 anos. Hilary, ou Hill – como costumo lhe chamar -, teve uma adolescência difícil por ter perdido a sua mãe, quando ainda tinha 14 anos de idade. Seu pai não era ruim, não lhe batia ou bebia, mas não era presente. Sempre estava trabalhando e ocupando os pensamentos para não pensar na sua esposa falecida. Sempre estive com ela, e a considero a irmã que eu não tenho.
Meus pais estão vivos, graças a Deus, e eu os amo muito. Eles sempre me apoiaram no meu sonho de sair do interior e de viver uma nova vida em NY. Sempre que eu posso, ou sempre que o meu querido chefe me libera, — Sentiu o sarcasmo no “querido”? -, eu vou os visitar.
David Grimm, um homem de 29 anos, lindo e inteligente. Ah, e rico também. David foi subestimado pelo mundo empresarial, e mostrou para cada um do que ele era capaz, sendo um dos mais poderosos homens de NY, assim como um dos mais jovens. Nunca subestime um Grimm.
A família Grimm, ao contrario do que muitos pensam, é humilde e simples. Senhor e Sra. Grimm, os pais do meu abominável chefe, são pessoas amáveis e incapazes de fazer mal a alguém. Simone, a filha mais velha deles, é uma baixinha insuportável, mas que depois que você conhece, não consegue viver sem. Simone já é casada, mas mora na mansão Grimm junto com os pais, ela prefere assim e seu marido a apoia em qualquer das suas decisões, até mesmo em ele morar com a sogra.
Dexter, marido de Simone, também trabalha na Grimm Company como gerente de contabilidade. Ele é uma pessoa incrível e ama o que faz, então é um ótimo colega de trabalho. Dexter é um homem animado e sempre está fazendo piadinhas para alegrar o ambiente. É um ótimo amigo também, e quando não tem nada para fazer, vai até a minha área somente para encher meu saco. – não que eu tenha um, é claro – Mas é completamente sério e centrado quando tem que ser.
Eu estou preparando café, forte e com pouco açúcar, para o Sr. Grimm, na maquina de café que temos na empresa. Estou a quatro anos trabalhando na Grimm Company, e até hoje não sei usar todos os botões que tem desse troço.
Vejo Molly, a secretaria de Dexter, vir em minha direção.
– Bom dia, Alexia! – Molly me cumprimenta com seu entusiasmo de sempre. Molly é uma ruiva animada que nunca está de mal com a vida, e que adora assuntos novos.
– Bom dia, Molly – Respondo sorrindo terminando de encher um copo de plástico de café para o Sr. Grimm, e começo a preparar o meu.
– Você já ficou sabendo quem eles pegaram transando no banheiro que estava interditado? – Questiona sussurrando.
– Não! – Sussurro de volta me segurando para não rir.
– A April e o Jake! – Molly revela arregalando os olhos e olhando para os lados para ver se alguns dos dois estava por perto.
– De April não se pode esperar coisa diferente, ainda não sei como não a despediram – Dou de ombros. – Ou até imagino por que.
– Você acha que ela, já... Com o chefe dela? – A mulher pergunta fazendo um sinal com as mãos. Gargalho baixo com o seu jeito, e aceno com a cabeça.
– Alexia! – Merda, essa voz não...
Viro-me em direção da voz e me dou de cara com quem eu menos queria que estivesse ali naquele momento.
– Sr. Grimm. Algum problema? – Pergunto endireitando a postura e vejo Molly sair de fininho depois de pegar o seu café.
– O problema, Srta. Waltter, é que estou esperando meu café há 30 minutos, enquanto a Srta. estava fazendo reunião das Luluzinha. – Diz com um sorrisinho falso. Que exagerado! não fazia nem 10 minutos que eu tinha saído da sua sala.
– Eu já lhe alcanço seu café Sr. Grimm – Digo ao invés de falar todos os palavrões possíveis para ele, que era a minha verdadeira vontade.
– Não precisa, agora quero que você vá até o setor sete, e pegue a papelada que eu preciso assinar com Dexter. Eu mesmo preparo o meu café – Diz batendo a porta de seu escritório, antes que pudesse lhe entregar o café que eu tinha feito.
Mostro os dois dedos do meio em direção da porta dele e ando até o elevador. Quando as portas se abrem novamente, vou até o setor sete, e então para a sala de Dexter.
– Você está muito encrencada? – Molly me indaga quando chego à sua mesa.
– Não, eu já estou acostumada com ele, e tenho certeza que ele também já está acostumado comigo – Falo lhe piscando um olho. – Pode pedir às papeladas que o Sr. Grimm precisa assinar, com o Dexter, por favor?
– Claro, espere um instante.
Molly vai até a sala de Dexter, que parecia estar bem ocupado, e volta me entregando uma pequena pilha de papeis.
– Obrigado, Molly! – Agradeço e vou em direção do elevador.
– Hey! Vai ir almoçar hoje? – me pergunta e eu entro no elevador.
– Não, muito trabalho – Consigo lhe responder antes que as portas de alumínio se fechassem.
Encaminho-me até a sala do poderoso chefão, e bato na sua porta antes de abri-la.
– Aqui está, Sr. Grimm – lhe comunico colocando os papeis na sua mesa. – Mais alguma coisa?
– Sim, ligue para a minha mãe e diga que não vou poder ir almoçar com ela e a Simone hoje – Ordena digitando no seu notebook.
– O.K – digo e vou para a minha sala, que fica ao lado da dele.
Sento em minha cadeira e ligo o meu computador e começo o meu trabalho. Telefono rapidamente para a Sra. Grimm e lhe informo que David não iria poder almoçar com ela.
– Você não sabe me dizer o porquê, querida? – Questiona a Sra. Grimm ao telefone.
– Não, Sra. Grimm. Mas creio que seja porque estamos bastante atarefados na empresa hoje.
– Alexia Waltter, quantas vezes devo lhe dizer para me chamar de Rose, e não Sra. Grimm? – Pergunta fingindo estar irritada, porque Rosemeire Grimm nunca fica irritada por muito tempo com alguém.
– Desculpa, Rose. É o abito. – Desculpo-me rindo, ela me acompanha e se despede, afirmando que me deixaria trabalhar.
No final do expediente deixo mais alguns papeis na mesa de David e me dirijo para o meu apartamento.
Dou um aceno rápido para o meu porteiro e subo até o meu andar. Entro em casa, e sou atingida por um cheiro maravilhoso de lasanha.
– Querida, cheguei! – Grito da sala rindo.
– Estou na cozinha! – Hill grita de volta.
Caminho até a cozinha e vejo Hill colocar uma tigela grande com lasanha na mesa, e logo coloca os pratos e talheres.
– E ai? O Sr. Gostoso te incomodou muito hoje? – Pergunta quando me vê.
– Na verdade, até que não – Respondo me servindo. Hill e eu sempre fomos boas cozinheiras, então fome nós não passávamos. Não conversamos durante a janta, porque pode parecer baboseira, mas para nós as horas das refeições eram sagradas.
– Não vai sair? Hoje é sexta – Questiono Hill, quando a mesma está lavando seu prato depois de ter terminado.
– Não, estou cansada hoje, amanhã eu vou e você ira junto comigo. – Diz bocejando. Hill trabalha como modelo para uma revista famosa e adora uma festa. Não foi muito difícil ela realizar o seu sonho aqui em NY, Hill tinha um corpo de dar inveja em qualquer mulher. E seus cabelos negros, e olhos dourados dando contrate na sua pele, ajudavam muito neste quesito.
– Se eu quiser – Afirmo sorrindo para ela, e também bocejo.
– Vamos dormir, estamos as duas parecendo mortas-vivas – Fala me puxando para o meu quarto e depois indo para o seu.
– Buonanotte amore mio! (Boa noite, meu amor!) – Deseja Hill em italiano.
– Bonne nuit mon amour. (Boa noite meu amor.) – Respondo em Francês. Sim, nos sabíamos algumas outras línguas.
– Ah, não vale! Francês é mais sexy. – Diz fazendo um beiço. Ri com o que ela diz e entro no meu quarto.
Hoje havia sido um longo dia, mas graças a Deus, amanhã é sábado. Então eu posso dormir até um pouco mais tarde, e ainda não vou precisar ouvir os gritos e resmungos do meu querido chefe. E eu dormi assim, com um sorriso no rosto. E sonhei novamente com o “Meu querido chefe...”.
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