O dia estava tranquilo para Bob no trabalho, tanto que ele decidiu sair mais cedo e fazer uma surpresa à Joyce. Isso não era problema, no entanto, estava em alta com o chefe por conta de seu ótimo trabalho e desempenho invejável.

Bob era um cara regular, com um carro bacana e sem muitas expectativas na vida. Mas quando Joyce Byers aceitou seu pedido inusitado de namoro, as coisas tomaram um rumo diferente.

Ele sabia que, além de ter que dar conta do mulherão que ela era, sair com uma mulher com filhos exigia saber andar sobre ovos.

Mas ele se sentia especialmente sortudo com Will, tendo dado um bom conselho ao garoto sobre enfrentar seus medos que havia resultado em muitos pontos positivos com a namorada.

O maior desafio que ele enfrentava era conseguir o afeto de Jonathan, o filho mais velho que parecia ter resistência a qualquer figura masculina que aparecesse na vida da mãe. E quem poderia culpá-lo depois que o pai os abandonara em idade tão tenra?

Bob sabia como era ser deixado para trás. Seu pai sempre havia citado como ele era uma desgraça, uma vergonha para a sua família.

Beberrão e fanfarrão de primeira, o pai costumava sonhar com um filho que alcançasse o estrelato como jogador de futebol americano do time da escola. Mas o máximo que Bob havia conseguido era fundar o clube de jornalismo e ser taxado de bichinha por um pai preconceituoso que os abandonara pouco depois para tentar a sorte em Vegas.

Bob nunca mais o viu depois disso. E acha que foi para a melhor.

A chance de se aproximar de Jonathan veio justo naquele fim de tarde, quando, ao tocar a campainha da casa dos Byers, ele se deparou com o primogênito. Ele parecia feliz e cheio de expectativas ao girar a maçaneta até que deu de cara com Bob e sua expressão se desvaneceu.

Ah, − expressou, sem esconder o descontentamento. Achara ser outra pessoa, obviamente. – oi Bob. Minha mãe não está. Foi levar Will para uma consulta.

Pronto, conversa encerrada. Jonathan estava prestes a fechar a porta diante de um Bob carregando um buquê de rosas, quando ele forçou um pé para frente, e depois a entrada na casa.

− Tudo bem. – disse ele, o sorriso palerma estampado no rosto. – Eu posso esperar. Atrapalho em algo?

Jonathan forçou um sorriso caricato no rosto, como quem quisesse dizer não. Mas seu corpo todo o traía. Claro que sim.

− Não. Tudo bem. Pode entrar.

Fechou a porta e viu Bob se acomodar no sofá, meio sem saber o que fazer com as flores que acabou deixando na mesinha de centro.

A boa educação que sua mãe lhe dera, havia ensinado a Jonathan que ele deveria fazer sala. Mesmo quando não queria. E mesmo que fosse o namorado bobão de sua mãe.

− Aceita uma bebida? – perguntou. – Cerveja? Água? Soda?

Bob não quis parecer anti-social. Ele queria muito ganhar a atenção de Jonathan e tinha ali uma chance. Só tinha que seguir o curso da conversa e não fazer nenhuma curva perigosa que o tirasse da pista.

− Cerveja. – respondeu, tentando soar descolado na voz. Mas Bob Newby jamais conseguiria um feito assim. Nem mesmo no Mundo Invertido. – Traga uma pra você também. – acrescentou.

As sobrancelhas de Jonathan se ergueram. Ele iria expressar que não tinha idade para beber, mas tinha certeza de que Bob sabia disso. Será que o futuro padrasto queria apenas parecer legal? Bem, ele estava conseguindo. Pegando uma garrafa para cada, Jonathan se sentou no sofá ao lado de Bob e estendeu uma das cervejas para ele. Os dois bebericaram o líquido amargo e fizeram a mesma expressão descontentada, pensando que deveriam ter optado pela soda, doce e bem vinda naquele calor. Mas por volta do terceiro gole, a bebida maltada se tornou mais tragável e até mesmo bem-vinda.

− E então, − Bob começou como quem não quer nada. – como vão as coisas na escola?

Jonathan sabia que Bob só estava tentando ser legal e se esforçou para responder:

− Tudo bem. Prova de espanhol na semana que vem.

− Hn. – Bob anuiu. – Soy muy bueno em eso, chico.

Jonathan arqueou as sobrancelhas um pouco surpreso com a revelação e deu mais um gole na cerveja, sentindo a cabeça um pouco mais leve. Mexia os pés um pouco nervoso, fato que não escapou aos olhos perspicazes de Bob.

− Algum problema?

− Hm? Não, nada. – Apressou-se em responder. Claro que Bob não poderia ajudá-lo nisso, mas tampouco a mãe. E sem uma figura paterna, as coisas se tornavam um pouco difíceis... naquela área.

− Vamos, Jonathan, sabe que pode conversar comigo, não sabe? – Bob tentou passar um pouco de confiança e deu tapinhas leves no ombro do futuro enteado. – Posso não ser muito experiente em alguns assuntos adolescentes, mas, hey, o velho Bob já passou por essa fase também!

Jonathan não queria fazer esse tipo de pergunta para Bob, mas que escolha ele tinha? O Xerife? Tampouco se imaginava falando com ele sobre isso ou qualquer outro adulto do gênero masculino que morasse em Hawkins. Talvez Bob fosse a melhor escolha afinal. Ou talvez fosse apenas a meia garrafa de cerveja ingerida que o deixara alto o suficiente para dar-lhe coragem pra isso.

− Ok, ok. Mas tem que prometer não contar pra minha mãe. Tem que jurar, Bob. – O olhar de Jonathan era sério para Bob.

Bingo.

Era a chance que tinha de virar o jogo. Finalmente poderia conseguir alguma aproximação com Jonathan! Que sorte a sua que Joyce tivesse saído naquele fim de tarde tão oportuno.

− Juro juradinho. – Bob ergueu a mão direita para atestar o juramento.

Jonathan respirou fundo e bebeu o restante da cerveja em um único gole. Aquele líquido parecia lhe trazer coragem e inibir sua timidez. Certo de que precisaria de ambas as coisas para proferir:

− Como foi sua primeira vez, Bob?

Pobre Bob que havia acabado de ingerir uma golada! A surpresa da questão apontada por Jonathan fez parte do líquido escapar pelas narinas, ensopando a camisa social.

Com a sua mãe?!— a questão foi automaticamente rebatida. Jonathan fez uma careta.

− Pelo amor de Deus, não! – Ele não queria nem imaginar a cena de Bob sobre sua mãe, dos gemidos que certamente já havia escutado de seu quarto e que fazia questão de abafar com música alta.

Bob suspirou um pouco aliviado. Como não pôde prever o tipo de pergunta que Jonathan queria lhe fazer?!

− A-acho que não foi uma boa ideia. Esquece. – Jonathan gaguejou e se levantou. Indo até a cozinha e pegando um pano seco, estendeu-o para Bob secar a camisa.

Ele, por sua vez, também queria dar o assunto por encerrado. Mas sabia que se o fizesse, jamais teria outra chance como aquela. E não podia desperdiçá-la. Mas como explicar para Jonathan que a primeira havia sido sua mãe? Bem, não era como se Bob Newby fosse muito popular entre as mulheres. E sempre que estavam chegando aos finalmentes, elas o dispensavam. Triste fim ao qual já estava acostumado até que Joyce lhe disse sim.

Teria que improvisar.

− Não, não. Me desculpe. – disse enquanto secava a camisa. – Sente-se aqui, Jonathan. Vamos conversar.

Jonathan não queria conversar. Ele não queria uma conversa de adulto para jovem que ralharia consigo por sua curiosidade juvenil que certamente tinha um propósito por trás. Bob, que não era bobo nem nada, captou isso com o olhar.

− A minha primeira vez, foi... – Ele tentou pensar um pouco sobre o assunto. Ele e Joyce avançaram relativamente rápido depois do terceiro encontro. Ela não fez cerimônias e era uma mulher experiente. Bob só teve que se lembrar de todos os filmes que já havia assistido e revistas que havia lido. Não foi perfeito, é claro, e ele acabou rápido demais. Mas Joyce pareceu gostar, pois se tornou um ato frequente entre eles. Muito frequente. − ... como deve ser.

− E como deve ser? – questionou Jonathan, cheio de expectativas na sabedoria do futuro padrasto.

Bob engoliu em seco. Não queria enrolar o garoto e inventar um monte de mentiras. Isso só abalaria suas expectativas.

− Bom até demais. Tive que me preparar, é claro. Ela era muito mais experiente do que eu. – confessou. – Mas eu tinha lido muito sobre o assunto, como aposto que você também leu. As revistas não ajudam muito, eu te digo. O importante é você saber as necessidades do seu parceiro.

− E quem disse que é um homem?! – A voz de Jonathan saiu um pouco esganiçada. Um pouco desesperada.

Ah.

Bob não queria deixar ele desconfortável. Lembrou-se de seu pai o humilhando quando era mais jovem. Não queria ser esse tipo de pai. A palavra pai trouxe algum conforto em seu coração. Sempre quisera filhos, mesmo que não fossem fruto seu.

− O importante, Jonathan, é você se sentir confortável. – Bob disse, colocando uma das mãos confortavelmente sobre o ombro dele e sorriu. – Você tem que sentir que aquele é o momento. Não adianta não estar preparado. Vai saber quando for. A ansiedade e a atração vão ser mais fortes do que tudo. E você vai se preocupar em saber o que aquela pessoa gosta. Quando souber, as coisas vão fluir naturalmente. Talvez não dê muito certo da primeira vez e vocês vão rir disso. Céus, eu mesmo ri! – exclamou. – Mas se vocês se gostarem de verdade, vão fazer dar certo. A química vai acontecer naturalmente.

− Como o processo de combustão? – Jonathan engoliu em seco, de repente se sentindo mais calmo.

− Como o processo de combustão. – Bob concordou.

Jonathan respirou fundo, meio que aliviado com as palavras de Bob. Um silêncio que não era de todo desconfortável se instalou entre eles. Bob entendeu que havia cumprido o que viera fazer ali, então levantou; a visita para Joyce poderia ficar para depois.

− Não vai esperar minha mãe, Bob? – O garoto questionou.

Nah, acho que vou deixar a visita para outra hora. – Encolheu os ombros.

− As flores! – Jonathan exclamou, apanhando-as sobre a mesa para entregar a Bob que já estava na entrada.

− Não se preocupe com isso, garoto. Aproveite elas para o seu encontro. – Piscou. – E não esquenta. Seu segredo está a salvo comigo.

Bob ergueu ambos os polegares em um gesto que tirou todo o ar maneiro que ele havia conquistado. Mas Jonathan apenas sorriu.

− Você é legal, Bob. Fico feliz que minha mãe tenha encontrado você.

Aquelas palavras emocionaram Bob, que não estava acostumado a receber elogios.

− A pessoa com quem você estiver vai ter sorte também.

Bob foi para o automóvel e dirigiu para casa, acenando para Jonathan que entrou com as flores. Tinha a sensação de dever cumprido. De fazer ainda mais parte daquela família.

Pequenos passos, pensou ele. Um de cada vez. Mesmo que a situação em si exigisse um pouco de jogo de cintura!

Notas finais
Essa fic veio de um surto cômico na minha cabeça, porque eu fiquei imaginando as prováveis conversas que Bob teria com Jonathan e panz! Essa aqui pipocou na minha mente. Claro que não consigo imaginar o Jonathan simplesmente jogando essa conversa leviana no ar, por isso o álcool sempre está aí pra ser uma mão amiga! Meu intuito com essa fic foi apenas mostrar um lado mais amigável, porque são poucas as fics que a gente vê assim hoje em dia. Bob é um personagem especial que merece todo carinho do mundo com esse jeitinho fofo dele. Enfim, deixem comentários e me digam o que acharam dessa saia justa que o Jonathan colocou ele! Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!