Como eu me apaixonei por você
2 Doce como doce de leite
Notas iniciais
Sabrina e Gustavo ainda não se conheciam. Caminhavam procurando os itens de suas listas sem esperar que algo ou alguém aconteceria. É especial quando acontece sem ninguém esperar.
Sabrina era sensata, esperta e capciosa. Ela lia muito bem as pessoas. Todo mundo gostava dela por causa de sua beleza e estilo intrigante. Infelizmente, desde os primórdios as pessoas escolhem quadros pelas molduras. Digo, amigos por rostos. Sabrina não tinha culpa, mas era assim que as coisas funcionavam.
Gustavo era inteligente, tinha uma beleza na média e não tinha visto muita coisa da vida. Ele tinha três ou quatro amigos que provavelmente não mudariam muito o tema da roda de conversa daqui a quarenta anos. Para esses poucos amigos, não havia ninguém no mundo como ele. De fato, poucas pessoas prestavam atenção aos outros como Gustavo.
Qualquer dois personagens que fossem descritos teriam semelhanças e diferenças. Ela gostava de mpb, ele de rock. Ambos cantavam a mesma música pop no chuveiro. Não é como se fossem destinados a ser um par. Se fosse Sabrina e Tiago ou Gustavo e Ana, seriam só mais duas histórias diferentes. Sabrina sabia disso, Gustavo não. E por esta razão ele culpou o destino por tê-la encontrado no supermercado do bairro naquela tarde de quarta-feira.
"Cabelo bonito", ele pensou. E ela sabia que ele tinha pensado isto no momento em que o viu, então revirou os olhos de preguiça. Estava cansada do roteiro.
— Muito bom encontrar alguém como você na sessão de frutas e verduras. Pelo jeito temos muito em comum. Adoro alface, coisas saudáveis... Você sabe — ele tentou começar uma conversa.
— Você por acaso sabe onde está o doce de leite? — Sabrina respondeu. Estava pensando na maneira mais direta de cair fora.
Gustavo gargalhou, morto de vergonha por dentro. Estava tão sem graça que começou a fingir um sorriso que depois se tornou uma crise de risos. A coisa ficou tão esquisita que as risadas pareciam grunhidos de porco. Por isso, ela se preocupou.
— Cara, você está bem?
Se aproveitando da situação, ele respondeu:
— É só uma hipoglicemia.
Dessa vez ela quem gargalhou. Mesmo com a sua falta de fé naquele rapaz, parecia que ele tinha a resposta certa, a bobagem que ela precisava ouvir.
— Doce de leite? — ele sugeriu.
Ela sorriu mais uma vez, incrédula.
— Eu te mostro onde fica — ela respondeu.
Dali foram dois meses de amizade, quinze meses de namoro, um tempo de três semanas e estão procurando apartamento para dividir. Às vezes, a vida é amarga, mas alguns dias ela se faz mais doce que doce de leite.
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