Já se passaram 2 semanas desde o encontro entre Ian e Amy. Eles não eram amigos, mas também não eram inimigos. Ian odiava isso. Odiava o fato dele não significar nada para Amy. Odiava o fato dela o ignorar. Precisava provar que tinha mudado, e ser pelo menos seu amigo, mas como? O trabalho de artes. Eles tinham de fazer o trabalho juntos.

– Amy!-chamou o moreno.

– Que foi?

– A gente precisa terminar aquele trabalho de artes, é pra semana que vem.

– Ai não, eu esqueci a droga do trabalho. Tá legal, me encontra na biblioteca às 3 em ponto. Não ouse se atrasar.-dizendo isso ela saiu correndo, provavelmente estava atrasada para a aula.

Ian aproveitou que não tinha mais aulas e foi para o computador. Viu o e-mail que sua irmã mandara. Todo dia ela mandava uns 7 e-mails, contando com Dan Cahill é idiota, como ele jogou tinta azul no cabelo dela, como ela tingiu o cabelo dele de rosa... Enfim, o amor é lindo.

Quando viu, já eram 2:57. Saiu correndo para a biblioteca.

– Você está um minuto e...-ela olhou para o relógio- 43 segundos atrasado.

– Desde quando você é tão perfeccionista?

– Desde quando você é tão besta?

– Tá, vamos começar logo o trabalho.

O trabalho era livre. Só tinham que escolher qualquer pessoa e fazer uma pesquisa sobre ela.

– Willian Shakespeare.

– Hã?- Ian estava olhando para seus cabelos ruivos.

– É sobre ele que vamos fazer o trabalho.

– Ata.

2 HORAS DEPOIS

– Ah, Amy, pelamor, agora você voltou a ser uma criancinha é?

– Não, você é que é um retardado mesmo! Olha o que você fez!O trabalho tá uma droga! Não tem quase nada sobre Shakespeare!Ainda tá com forma errada. Corrige logo isso, Ian!

– Não, eu já fiz o bastante, tenho treino de natação agora, esqueceu que eu vou competir?

– Não tô nem aí, só reformata o trabalho.

– Mas o treino começa em 5 minutos, e eu ainda nem troquei de roupa.-e ele saiu andando.

– Volta aqui, Ian Kabra!Não me deixe falando sozinha!

– Calma Amy, relaxa.- disse Sofia, aparecendo do nada- O que aconteceu?

– Aconteceu que esse idiota vai deixar o trabalho todo pra mim e vai ganhar nota por isso.

– Nem vem! Eu fiz a pesquisa.

– Você copio e colo da Wikipédia!

– Vai fazer o que, chorar pra mamãe, é bebê?

Naty, Sofia e Karen estavam observando. Nenhuma delas nunca viu Amy neste estado, fora a vez em que Sofia jogou água no livro dela, fora isso, nunca. Estavam horrorizadas. Amy sempre foi uma pessoa calma. Mas, de repente, toda raiva que ela sentia veio à tona.

– Não! Não dá pra chorar pra minha mãe! Nem pro meu pai e você bem o porque...

Ian agora estava em choque. Não acreditava que ela apelou para aquilo.

– Amy, não...-mas ela continuou.

– Você sabe o quão ruim é sempre ser perguntado por onde estão os seus pais? Você sabe o que é ver as crianças fazendo cartões para as suas mães, sabendo que você não tem uma? Você sabe o que é descobrir de uma para outra que o cara que você gosta te deixou para morrer num buraco, e o pior de tudo, descobrir que a mãe dele causou a morte das 2 pessoas mais importantes na sua vida? Me diga, Ian, você sabe?- ela estava com lágrimas nos olhos. Por sorte, a maioria dos alunos estavam em seus quartos, jantando ou treinando, então, só as amigas de Amy ouviram.

– Amy, eu não quis...

– Não quis o que, Ian? Me largar na Coréia, numa caverna desmoronando logo depois de me beijar? Deixar sua mãe quase me jogar de um barco rodeado por tubarões? Me enganar e me fazer de idiota, só pra conseguir a droga das pistas?

– Você sabe muito bem que a minha... quer dizer, a Isabel me obrigou a fazer aquilo! Você sabe muito bem. Mas eu me arrependi no final...

– Mas foi tarde demais. Pessoas morreram, por causa da sua família, e não estou falando dos meus pais. Irina, a "amiga" da Isabel, morreu num incêndio para salvar Dan, Alistar e eu. Um incêndio provocado pela sua mãe. Pessoas inocente, que nem faziam ideia das pistas morreram pela ambição de vocês!

– Amy...- mas ela já estava correndo, chorando, para o seu quarto. As amigas foram atrás.