Como dizer adeus em robô
22 Quebre outro pedaço do meu coração
Notas iniciais
You're out on the streets looking good
(Você está fora, nas ruas, parecendo bem)
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain't right
(E baby, bem dentro do seu coração, eu acho que você sabe que isso não é correto)
Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night
(Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca me ouve quando eu choro à noite)
Babe, I cry all the time!
(Babe, eu choro o tempo todo!)
And each time I tell myself that I, well I can't stand the pain
(E a cada vez digo a mim mesma que eu, bem, não consigo suportar a dor)
But when you hold me in your arms, I'll sing it once again
(Mas quando você me segurar em seus braços, vou cantar mais uma vez)
— Que bom que você está tocando.
— Algum pedido? — pergunto para mamãe.
— Você sabe qual eu gosto – ela respondeu. Comecei tocar My Baby Just Cares For Me automaticamente. Sabia de cor. Mamãe sempre pedia para tocá-la, desde que aprendi tocar piano.
Não tinha um jeito fácil de falar aquilo, e estava entalado na minha garganta desde a visita de Pansy, quase um mês atrás.
Também não ajudava sempre que Edwiges trazia uma carta de Harry, pelo menos três vezes no dia desde que bati o pé para Gina falando que não volta. Também não ajudava todas as Gemialidades Weasley que chegavam em casa, e as várias tentativas de Rony tentar falar comigo.
Aos poucos, bem aos poucos, eu fui me lembrando de quem eu era.
— Mãe, acho que eu deveria voltar— falei rápido. Fiquei com medo de não conseguir por para fora e ter que fugir porque não conseguia falar.
Ela sorri, triste.
— Eu já esperava. Eu não posso competir com o Mundo Mágico... Fico muito feliz e aliviada por você estar em casa, de verdade. Mas, minha filha, você está querendo enganar quem? Você ama tudo que vem de lá...
— Não é bem assim — eu interrompi — Não estou segura aqui sem magia. Isso coloca vocês em perigo.
Ela riu: — Gosto como vocês bruxos usam isso como desculpa para fazerem o que querem de verdade — revirei os olhos e ela continuou: — Eu sou sua mãe, eu sei das coisas. Eu sei que não está sendo fácil...
Por fim, eu desabafo:
— Estou apenas cansada de me falarem o que fazer, mãe. Do que eu posso ou não sentir. Do que eu deveria ou não fazer… Estou verdadeiramente cansada e gostaria que acabasse logo de uma vez.
— Hermione, isso vai passar — ela responde.
— Você promete? — eu disse, como uma criança.
Ela riu, me abraçando: — Não posso prometer que não haverá surpresas. A vida é imprevisível, mas eu sei que vai ficar bem.
I want you to come on, come on, come on, come on and take it
(Eu quero que você venha, venha, venha, venha e leve-o)
Take it!
(Leve-o!)
Take another little piece of my heart now, baby!
(Leve outro pedacinho do meu coração agora, baby!)
Oh, oh, break it!
(Oh, oh, quebre-o!)
Break another little bit of my heart now, darling, yeah, yeah, yeah
(Quebre outro pedacinho do meu coração agora, querido, sim, sim)
Oh, oh, have a!
(Oh, oh, possua um!)
Have another little piece of my heart now, baby
(Possua outro pedacinho do meu coração agora, baby)
You know you got it if it makes you feel good
(Você sabe que pode, se isso te faz sentir-se bem)
Oh, yes indeed
(Oh, sim, realmente).
Eu estava pronta, enfiei tudo que achava que precisaria na minha mala. Na noite anterior, tinha feito um feitiço para Zabini, que aparatou na minha porta no mesmo instante, sozinho.
Zabini tinha entendido, eu não precisava explicar.
Dessa vez, ele não entrou em casa e apenas me entregou uma pilha de roupas muito elegantes do Mundo Mágico que ajudariam na minha escolta. Combinamos que eu ainda passaria aquela noite em casa e nos encontraríamos na estação de trem assim que eu me despedisse da minha família pela manhã, deixando claro que eu estava fazendo aquilo por eles.
— Seus pais ficarão seguros — ele disse estendendo a mão.
— Não precisamos de um terceiro bruxo para selar esse pacto? — perguntei, arqueando a sobrancelha.
— A palavra de um sonserino para você vale mais do que qualquer Voto Perpétuo. Eu prometo, pela minha vida.— ele diz, sério.
— Obrigada, Blaise.
— E eu sei que estava muito ansiosa para voltar para o Mundo Mágico. É um prazer tê-la de volta — ele sorri. Eu reviro os olhos. — Agora eu sou pai.
Dei risada, estava conhecendo uma versão de Blaise que nunca imaginei que veria. Apesar de tudo, também queria ver Pansy e saber como ela estava lidando com a maternidade.
Blaise aparata, me deixando sozinha na soleira da porta. Tive a chance de contar para meus pais a verdade antes de partir, mas não falei nada durante o jantar. Apenas tirei a mesa, lavei a louça, ouvi como tinha sido o dia deles, rimos um pouco, e me deitei para dormir uma última vez no meu quarto.
No dia seguinte, quando acordei mais cedo do que eles, não me despedi. Não tive coragem. Não sabia quando voltaria a vê-los.
— Obliviate.
Papai e mamãe agora acham que se chamam Wendell e Monica Wilkins, e que não tem filhos. Estavam se preparando para mudar para a Austrália em dois dias.
Nada de Granger. Nada de Mundo Mágico.
Só fui chorar quando cheguei na estação, bem longe de casa, bem longe da minha família.
Aquilo foi, de longe, a coisa mais difícil que tive que fazer.
[...]
Zabini me esperava na estação, como combinamos, com Pansy.
Eles pareciam um pouco surpresos ao me ver. Os dois esperavam parados enquanto eu me aproximava, com as roupas que Blaise tinha me dado na noite anterior, um vestido longo, de seda chiffon e organza verde esmeralda, com as costas quase toda amostras. Lindo, leve, elegante. Sem estampas, rendas ou babados, e nada que pudesse chamar atenção, junto com um sobretudo-tudo preto e botas pretas de couro legítimo. Mas não era apenas uma roupa do Mundo Mágico, um jeito de Zabini me fazer lembrar como era estar de volta, mas aquela era uma roupa de uma bruxa de família muito, muito rica.
Tradicional, herdeira.
Malfoy.
Atravessei a rua encarando uma daquelas garoas inglesas que não acrescenta em nada na vida de ninguém; em Londres chovia por hábito, por drama, por melancolia.
Assim que me aproximei, nós aparatamos no quintal de uma casa trouxa.
— Como foi? – Pansy perguntou abrindo o portão. Por baixo de uma capa preta nenhum pouco discreta, ela usava uma saia cinza comprida, com babados, e uma blusa roxa 3/4 de gola alta. Também usava luvas e botas de cano alto pretas de couro e segurava um guarda-chuva que cobria ela e Blaise.
— Apaguei a memória deles – admiti seguindo Pansy, me contendo para não voltar a chorar.
Pansy parou no meio do caminho, ainda segurando o guarda-chuva, fazendo caber nós três.
— Por quê? – ela perguntara de cenho franzido.
— Porque eles sabem demais – falei — Só por Merlin o que poderia acontecer com eles.
— Ah, Mione... Sinto muito – ela fez cara de choro. Zabini me olhou, empático, e passou o braço pelo meu ombro.
Blaise usava roupas pretas e pesadas. Por baixo do sobretudo, ele vestia uma blusa de gola alta, como Pamela, luvas de couro e um cachecol verde escuro, o que gritava muitos galeões, o que me fez entender o motivo dele ter me presenteado com o vestido caríssimo; eles estavam vestidos como tal, eu deveria estar vestida como tal também, não poderia destoar.
Balancei a cabeça, percebendo que a barriga grande de Pansy havia sumido. Eu parei na frente dela, com as duas mãos na sua barriga retíssima, completamente chocada.
— Vocês não vão me falar nada? Vocês não vão me apresentar meu sobrinho? – perguntei. Pansy e Zabini riram, e os dois passaram a mão pelo meu ombro, me puxando para dentro da casa.
— Não tenho certeza se quero que Kaden tenha contato com tanta má influência — Pansy diz, rindo.
— Que absurdo! — falei, fingindo indignação.
Sabia que a raiva dela tinha passado e que as ofensas que trocamos não significavam mais nada naquela hora. A minha dor, por ora, tinha tirava um descanso para pelo menos poder ter um momento de tranquilidade antes de voltar para Harry e Ron.
O plano era aquele e pareceria que não tinha erros: vamos até Harry com a Ordem da Fênix, resgatamos Harry por bem ou por mal, levamos Harry em segurança até os Weasley, n’A Toca, e o resto é história.
Eu repassei o plano todo com Pansy assim que entramos, sem me dar conta do que se tratava aquela casa.
Por fora, ela parecia uma casa normal inglesa, mas por dentro era uma verdadeira fortaleza bruxa que ostentava luxo antigo e clássico.
Antes que eu pudesse perguntar, Pansy diz:
— Queremos que você veja uma coisa antes da Ordem vir te buscar – ela explica, me guiando até uma grande e luxuosa sala.
Quando entramos, dei de cara com Alec Foster, primeiro e único. Ele me deu um abraço forte e eu precisei ficar na ponta dos pés.
— Sinto muito por aquela noite do ataque – ele dissera no meu ouvido – Você é muito importante para todos nós.
— Está tudo bem – falei, sincera.
Alec me soltara: – É muito bom ter você de volta, Mione. O Mundo Mágico não funciona muito bem sem você.
— Quanto drama! — Pansy revirou os olhos, e, sorrindo, me abraçou também — Mas é verdade.
[...]
Pansy e Zabini me levaram até o segundo andar.
Isso me fez lembrar de quando ficávamos no Teatro até tarde, nós três. As coisas eram mais fáceis e eu fazia meu drama sem ter a mínima ideia do que estava por vir.
Draco procurava a menina da música, que por sinal era eu, e Pansy achava que gostava dele, mas na verdade todo esse tempo foi Zabini. E ainda é Zabini.
Zabini e Pansy. Pansy e Zabini.
Para ser sincera, invejava o quanto os dois conseguiram ir adiante mesmo com tudo que estava acontecendo. E eles tiveram inúmeros problemas e continuam ali, um com o outro.
Se Pansy pular, Blaise pula atrás.
— Queremos que você conheça alguém, Mione – Zabini dissera, me despertando dos meus devaneios.
Zabini abriu uma das portas, eu enfiei a cabeça lá e... vi Kim.
Ela se levantou assim que me viu e correu para me abraçar, dando gritinhos, e nós falamos coisas do tipo “você está maravilhosa!”, “eu morri de saudades de você”, “sim, eu soube”, “não foi o mesmo sem você” e “eu vou te contar só...”.
— Mulheres, se controlam – Pansy pediu, tirando uma criança do berço.
— Posso? – eu perguntei, me aproximando. Atrás de mim, Blaise deu risada.
— É todo seu – Pansy brincou, me dando o bebê.
— Mione, esse é o Kaden. Kaden, essa é a Mione – Zabini falou baixinho.
— Como vocês estão? – eu comecei balançando o bebê. Em algum momento, Kim tinha saído do quarto e nos deixara a sós.
— Somos péssimos pais — Pansy admitiu. — Não sabemos com quem deixá-lo, Mione. Não sabemos o que fazer com ele.
— Ninguém? — eu perguntei e Zabini balançou a cabeça.
— Nós pensamos em entregá-lo para algum orfanato, mas perdemos a coragem – ele disse.
— E é tão difícil porque nos apegamos tanto, e ele passa a maior parte do tempo com a gente — Pansy conta — Mas eu tentei de tudo, queria mantê-lo afastado, porque quanto menos eu me apegar, mais fácil vai ser... Inclusive, Blaise amamentaria se pudesse.
— Eu amamentaria se pudesse – ele concordou.
— Vocês vão dar um jeito — respondi.
— Sim, vamos dar um jeito... — Pansy diz, distante.
Nada parecia que estava sob controle, mas parecia que, aos poucos, todos foram se adaptando.
Eu pigarreio antes de perguntar, sabendo que não queria ouvir a resposta:
— Como Draco está? — pergunto.
Pansy ri, debochada.
— É a personificação de um vilão — ela responde, amarga.
Engulo seco, e Zabini tenta amenizar.
— Ele passa muito tempo na Mansão Malfoy — Zabini conta, sem dar grandes detalhes.
— Achei que estaria aqui — respondo, sincera, e Zabini me olha triste.
— É melhor não — ele apenas responde — Eu acho que é uma versão de Draco que você não ia mesmo querer ver.
Não discuto e devolvo o pequeno Kaden para o berço.
I'll say: Come on
(Vou dizer: Venha)
Come on
(Venha)
Come on
(Venha)
Come on and take it
(Venha e pegue)
Take another little piece of my heart now, baby
(Pegue outro pedacinho do meu coração agora, amor)
Break another little bit of my heart now, darling, yeah, yeah, yeah
O que acontece daqui para frente não é segredo para ninguém, e a realidade bateu na nossa cara.
Chegamos na reta final, onde nos separamos e aquela é a última vez que eu vejo Pansy Parkinson e Blaise Zabini.
Alec bate na porta e diz que já está na minha hora. Nós três nos olhamos, nos abraçamos e Kaden volta para o colo de Pansy. Achei que tinha me acostumado com aquelas despedidas e também porque estava com raiva de tudo e de todos, mas não... ainda doía, e doía demais.
Eu aparato até Little Whinging, Rua dos Alfeneiros N°4, seguindo o plano, a tempo de topar com os Weasley chegando na casa dos Dursley.
Daqui para frente, todos sabem o resto da história.
(Quebre outro pedacinho do meu coração agora, querido, sim, sim, sim)
Have another little piece of my heart now, baby
(Tenha outro pedacinho do meu coração agora, amor)
You know you got it, if it makes you feel good
(Você sabe que ele é seu, se isso te faz se sentir bem)
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