Como dizer adeus em robô

14 Deixe a janela aberta


Notas iniciais
OLÁ MEUS AMORES trouxe esse cap com a intenção de deixar vocês a b a l a d o s, porque, não vou mentir, eu fiquei um pouquinho E ESTÁ AQUI um bjbj para as meninas que comentaram (eu amo vocês ❤️) E boa leitura, gentey

— Quem é Henry?


Ruth, que estava terminando de guardar a louça, parou. Adolf e Draco tinham ido até a cidade e estávamos sozinhas.


Por um minuto, me arrependi, mas Ruth deu um leve sorriso e deixou os pratos na mesa.


— Venha comigo – ela me puxou pelo pulso até o segundo andar.


Ruth parou em frente à porta de madeira no final do corredor. Sempre me perguntei o que tinha por trás daquela porta, mas de repente senti um misto de pânico e ansiedade ao pensar que descobriria.

Eu estava com medo, mas quando Ruth abrira a porta misteriosa, revelou apenas um quarto.


Ela fez sinal para eu entrar.


— Ele tinha 5 anos – dissera atrás de mim.


O quarto, apesar de tudo, estava arrumado. Era verde, o que me fez pensar na casa de Salazar. Havia alguns brinquedos expostos (tanto trouxas quanto bruxos) e vários porta-retratos (trouxas) pela cabeceira da cama.


— Tinha? – virei-me para Ruth que estava sentada na cama.


Ele assentiu com um sorriso triste. Eu senti um nó na garganta.


— Ele era muito apaixonado pelo Mundo Mágico… mais do que deveria – ela dissera – Adolf botou fé de que o menino iria para a Sonserina assim como o resto da família… – ela sorriu. Seus olhos estavam começando ficar marejados – Ele gostava muito de ir à casa dos avôs bruxos, a família de puro sangue de Adolf. O Mundo Mágico sempre foi um conforto para Henry. Mas naquela noite ele estava na casa dos meus pais, em Londres. Adolf e eu também estávamos na cidade, mas nós o deixamos com meus pais. Quando voltamos… ele… ele não estava mais lá. Ele sumiu, desapareceu, foi sequestrado, só por Deus… Nós nunca entendemos como aconteceu. A minha mãe não se reconhecia e meu pai fora atacado — Ruth parou. Demorou um tempo para se recompor até continuar: – Já faz 15 anos e nós nunca soubemos nada a respeito. Nada além de uma profecia, que nem ao menos falava de Henry – Ruth me fitou – Falava de um outro mestiço. Você sabe quem é.


— Harry – eu respondi.


— Uma criança nascida em julho… Henry nasceu em julho, mas a profecia nunca se referiu a ele.


— Eu sinto muito, Ruth… – comecei dizer.


— Não se preocupe, querida – Ruth deu um sorriso maternal – Algumas pessoas acreditam no Profeta Diário, eu acredito que o Potter é o único que pode salvar o Mundo Mágico. O que aconteceu com Henry não foi culpa de Harry. Eu sempre tive uma esperança de que Henry estivesse bem e que um dia voltaria para mim – Ruth dissera –, por isso nunca mudamos de casa. O quarto dele está exatamente como ele deixou…


— Sinto muito, Ruth…


— É uma guerra, não é? Antes que uma guerra tenha começado, pessoas inocentes já morreram. Eu abri as portas da minha casa para recebê-los porque é o que eu gostaria que tivessem feito para Henry em algum momento da vida.


Enquanto Ruth fala, eu sinto as lágrimas rolarem. Eu não queria chorar na frente de Ruth, mas ela apenas abriu um sorriso triste, como quem sabe o que estou sentindo e um abraço sincero pouco antes de me deixar sozinha naquele quarto, com tanta esperança de ter um filho de volta.


[…]


— Você sabia de Henry? – eu perguntei para Draco naquela tarde. Estávamos no mesmo parquinho em que eu encontrei Gina, alguns dias atrás.


— Sabia — ele admite.


— Por que não me contou? — perguntei sentando-me em um gira-gira.


— Você não ia querer realmente saber.


E era verdade. Estava pensando na criança desaparecida desde que Ruth contou a história.


— É um boato antigo no Mundo Mágico — Draco explicou — A família de Adolf é muito rica e muito influente, e também muito tradicional. Nunca iam aceitar um casamento com uma trouxa. Então, até onde eu sei, ele renunciou a herença e veio para a Londres Trouxa.


Reviro os olhos, me dando conta da ironia daquela história.


— É um boato antigo no Mundo Mágico ou na sua família? — provoco, visivelmente irritada.


Draco apenas ri: — Nos dois.


— O filho deles ainda pode estar vivo — eu falo por fim.


— Acho difícil – ele respondeu sentando-se comigo no gira-gira.


— É o que Ruth acha.


— Ruth não sabe nada sobre o Mundo Mágico.


— Você sabia que ela era trouxa também, não sabia? – perguntei subitamente antes que perdesse a coragem. Draco assentiu. Eu arqueei as sobrancelhas, sarcástica: – Obrigada por compartilhar comigo.


Draco revirou os olhos: – Eu sabia que uma hora você ia descobrir.


— Você deveria ter me contado – respondi.


— Não achei que isso fosse importante para você — ele passou os dedos gélidos pelos meus cabelos.


— É uma história horrível! Ele simplesmente desapareceu.


— Ele foi levado por Comensais. Se não foi morto naquele dia, no máximo foi criado por eles. A família nunca ia deixar barato.


Eu bufei: — O que pode ser pior?


Draco suspirou e voltou a mexer no meu cabelo.


— Têm muitas coisas que eu gostaria que você soubesse, mas você não deve saber por mim, Hermione.


— Você tem que confiar em mim, Draco — falei, olhando-o nos olhos.


— E você confia em mim? — ele perguntou, quase retoricamente.


Apesar disso, a pergunta me pegou de surpresa. Confia em Draco? Era capaz disso?


— Como vou confiar em você se você sempre me mostra que é a última coisa que eu deveria fazer? — falei por fim.


— Eu só não sei o quanto você está preparada para saber de tudo e não sair correndo — ele admite.


— Mas isso não é uma escolha sua — eu falei.


Draco riu, parecendo triste.


— Também não é sua, mas nós dois sabemos que nessa guerra não nos colocaram do mesmo lado — ele responde.


— Draco, sem mais segredos, por favor — eu peço, calma.


Ele balança a cabeça, decide não discutir mais comigo e beija minha mão.


— Hoje o dia está perfeito para revermos nossos amigos — ele muda de assunto — Zabini e Pansy estão em Londres e, que eu saiba, o Weasel também… Então, o que você acha de fazer uma visita?


— Por que eu desconfio que você só está fazendo isso para não ter que pegar o ônibus sozinho? — eu zombo dele.


— Porque você sempre teve uma visão errada sobre mim — ele responde, me provocando.


Eu dei uma risada: – Não, e te conhecendo melhor agora só confirma que tudo o que eu pensava sobre você é verdade.


— Tipo?


— Sua deslealdade.


— Certo, certo. Desculpe, okay? Eu devia ter te contado, só não achei que te afetaria tanto…


— Você é tão idiota.


— Eu já pedi desculpas.


— Vai ter que ser melhor que isso.


Ele riu enquanto passava a mão pela minha coxa, talvez sem perceber que aquilo soava tão natural quanto deveria.


Mas do nada eu parei. E eu senti o cheiro. Ah, o cheiro! O cheiro da minha poção, aquele que eu não sabia qual era… era o cheiro dele.


Merlin, aquilo soava TÃO errado. Porque minha poção do amor poderia cheirar baunilha, canela ou lavanda… mas não! Tinha o cheiro de Draco Malfoy.


Justo dele. E por mais que aquilo fosse tudo tão ridículo, piorava porque foi como se Merlin tivesse me dado um tapa na cara. Aliás, aproveitou o momento e me deu uma encurralada. Aquilo era sim, o Universo rindo de mim!


E se Merlin queria me culpar por ter sido aquela pessoa horrível em outra vida, deveria ter me tirado uma perna ou um braço. Draco na minha poção do amor? Nunca, nunca, nunca. Eu até entendia que eu poderia gostar dele, mas isso não queria dizer que eu poderia amá-lo e me lembrei das palavras de Ginny, o que só piorou as coisas:


Você tem medo dele te magoar (…) Ele está sendo legal e você gosta dele assim, mas nós sabemos como o Malfoy é.


Você sabe que o que você sente não é passageiro. Você merece muito mais do que isso. Você merece ser feliz, por Merlin, você sabe disso!


Eu realmente não podia, não devia pensar em amá-lo. Mas naquele momento eu pensei. Eu pensei que poderíamos ir até Londres, e poderíamos voltar para Hogwarts juntos. A guerra acabaria e nós seríamos felizes para sempre… mas não funcionava assim, e aquilo doeu. Doeu saber que nós dois, apesar de tudo, não tínhamos futuro e que aquele sorriso malicioso do Malfoy mexia comigo mais do que eu imaginava.


Sabia que outras vezes tinha traçado meu destino com aquela cobra, mas naquela hora foi quanto me toquei que minha maior vingança seria amá-lo pra sempre quando até ele mesmo se odiou.


— Malfoy? – eu chamei com os olhos baixos. Um nó se formava na minha garganta.


— Diga, querida – ele disse. Eu franzi o cenho e ele riu, o que fez com que meu coração disparasse.


Draco não fazia ideia da bagunça que estava nas gavetas do meu coração.


— Não me chame assim.


— Vamos começar de novo – ele me cutucou.


— Você começou errado logo no primeiro ano.


— É só pular essa parte.


Eu revirei os olhos, de novo. Draco balançou minha perna.


— Vamos para Londres.


— Vamos logo antes que eu desista.


Ruth estava no segundo andar quando eu entrei na casa. Sem avisar, eu me tranquei no banheiro com as roupas pesadas até ouvir Draco chegando. Ele teve que usar o banheiros do fundos por conta disso, e um momento sozinha era o que eu precisava.


Eu automaticamente pensei em escrever para Gina, mas achei aquilo inapropriado. Ela me daria um sermão e logo em seguida estaria planejando um casamento. Pensei em Lilá, que pularia logo para a parte do casamento. Luna? Não. Parvati? Não, Parvati ia ter um ataque. Pansy? Não, eu não queria envolvê-la nisso… Ron e Harry dariam boas risadas e depois teriam um ataque, e era isso que eu precisava, mas eu não sabia quando os veriam juntos e não queria contar isso por carta… Não tinha ideia para quem contar. Ruth, talvez. Ela era uma boa pessoa, me daria um bom conselho…


Certo, Ruth.


Saí do banheiro decidia a falar com Ruth, mas dei de cara com Draco na cozinha. Ele já tinha trocado de roupa e estava comendo um pedaço de bolo.


— Pronta? – ele perguntou de boca cheia.


Olhei para minhas roupas. Ruth nos fazia usar jeans grossos e vários casacos. Eu quase não sentia falta do uniforme de Hogwarts com os moletons que às vezes usava dentro de casa, e Draco estava quase sempre tirando sarro com as minhas calças largas – porém extremamente confortáveis, vale lembrar.


Eu não queria ir à Londres daquele jeito. Aliás, eu não queria ir à Londres, mas achei que devia isso ao Draco.


Só que agora, pensando por um lado, descubro que nunca devi nada a ele, e sim ele a mim.


Mas isso não faz mais diferença.


Era muito sarcástico.


— Tenho sentimentos por você — falei por fim, sem pensar.


Ele riu: — O quê?


— Tenho sentimentos por você — repeti, calma.


Draco riu de novo e me olhou como se eu fosse uma criança.


— Descobriu só agora?


— Eu já sabia, mas ultimamente tem sido mais que o normal — desabafei.


— Tudo isso é medo de dizer que me ama?


— Eu só não sei o quanto você está preparado para saber de tudo e não sair correndo — repeti o que ele tinha dito no parque, o que também o fez rir de novo.


Ele achava aquilo tudo cômico.


— Eu não vou a lugar nenhum. Eu prometi para você aquele dia no Três Vassouras, eu tenho tempo.


— E se você me magoar?


— E se você me magoar? — ele devolveu.


— Eu tenho certeza de que nós vamos nos magoar — admito.


Ele se levanta e fica de frente pra mim, passando a mão no meu cabelo:


— Eu tenho certeza de que vou te amar loucamente.


Eu dei risada: — Você não sabe como vai ser quando voltarmos.


— E daí? Quero estar com você independente de qualquer coisa — ele responde, firme.


— Você vai partir meu coração em dois — olho para ele e ele ri de novo.


— Eu não vou partir seu coração em dois, Hermione. Eu prometo.


Foi pior. Ele não partiu meu coração em dois, ele dilacerou.


[…]


— Pelas barbas de Merlin, se não é Hermione Granger?!


Ronald me recebeu muito bem, como eu desconfiava que receberia. Ele me abraçou e me girou no ar, e eu ri porque estava com saudades dele.


— Você não responde minhas cartas! Por que não responde minhas cartas? – eu perguntei quando já estava em terra firme.


Rony riu: – Cartas? Que cartas? Você escreveu?


— Ah, Rony, não se faça de bobo. É claro que escrevi.


— Eu não recebi – ele deu de ombros, me puxando para dentro da casa. – Lilá também reclamou que você não escreveu para ela.


— Ela está aqui? Deixa eu falar com ela…


— Não – ele riu passando a mão pelo cabelo ruivo –, mas ela está aqui no bairro, e nos vemos todo dia.


— Que amor, Rony…


— Ah, cala boca – ele resmungou. Duas crianças passaram correndo uma atrás da outra por nós. Eu me encostei na porta sem saber o que fazer, porque nunca me dei bem com crianças… mesmo quando eu era criança, eu não me dava bem com crianças.


Ronald riu. – Esses são Samantha e William.


— Simpáticos.


— Ei, Samantha, vem dá um oi para a tia Hermione – e para mim ele disse: – Você vai adorar ela.


— Crianças me dão medo, Rony. Elas estão sempre correndo.


Rony riu e a menina desapareceu nos fundos da casa, mas não sem antes gritar um "oi, tia!" para mim.


— Vamos lá para cima, senão eles não vão nos deixar em paz – Rony disse indicando o caminho.


— Então esses são os donos da casa? – eu provoquei.


— Nah, a mãe deles foi ao Beco Diagonal logo cedo. Quer dizer, isso é o que ela diz… Sempre acho que quando eles saem juntos de manhã é para ir ao Ministério.


— E deixam as crianças com você?


— Na verdade, as crianças que cuidam de mim – ele abriu uma porta no fim do corredor, fazendo sinal para eu entrar no quarto. – Para que eu não saía até a mãe deles chegarem. São minhas babás. Não posso fazer nada até alguém chegar, é ridículo.


— Dino não deveria estar aqui?


— Ele dormiu fora, estou acobertando ele – Ron apontou para a cama encostada na parede, onde parecia que alguém estava dormindo, mas que na verdade era algumas almofadas amontoadas. Eu ri.


— Não gosta dela?


— É… a Sra. Waldorf é legal, mas ela trata a gente como se fôssemos criminosos – ele revirou os olhos – Eu não sei se ela sabe, mas a escola foi invadida por comensais, não por alunos – eu o olhei de cenho franzido, e Rony sorriu – É, eu soube. Meu pai escreveu assim que chegamos. O Ministro está doido.


— Eu quero voltar logo – falei.


— Relaxa, daqui a pouco estamos de volta. Muitos pais já souberam que fomos tirados de Hogwarts e não param de mandar cartas para Dumbledore e o Ministério. Alguns até ameaçaram tirar seus filhos da escola…


— Você sairia…? Se Dumbledore ou seu pai dissesse que você poderia, você iria?


— Claro que não. Merlin, é Hogwarts. Eu não sairia de Hogwarts – Rony respondeu e então me fitou, de olhos semicerrarmos: – Você sairia, Hermione?


— Ron, você sabe que uma hora ou outra, nós vamos ter que ir – eu disse.


— Ah, isso. Bom, eu não pensei nesse lado – Rony respondeu – Mas enquanto Harry não dá um grito de socorro, eu vou ficar em Hogwarts, comendo até não querer mais.


— Francamente… – eu revirei os olhos.


Rony riu: – Ei, estou brincando, Mione – ele disse batendo no meu joelho – Fiquei com saudades.


— Ah, eu sei. Você não é nada sem mim


— Sabe, Moine, te perguntaria alguma coisa sobre o Malfoy, mas vou admitir que não estou realmente interessado.


— Como você… – eu parei – Gina, certo?


— A própria – ele cruzou os braços.


— Ela também contou que está com Harry? – soltei.


Ele deu risada: — Claro que não, mas eu isso já chegou até mim. E eu acho um absurdo não contarem para mim, mas por um lado é até legal, sabe? Quer dizer, eu não consigo pensar em uma pessoa tão boa para Gina como Harry.


— Merlin, Ron, você descobriu isso sozinho? – eu ri.


— É como você e o Malfoy.


— Ah, não, não começa…


— Escuta, nós dois sabemos que o Malfoy não é para você, mas talvez você seja para o Malfoy.


— Quer mesmo ter essa conversa?


— Não, acho que a Lilá pode falar com você sobre isso.


[…]


Lilá Brown continuava a mesma. Sem tirar, nem pôr.


— Hermione Granger, você está viva!


— Oi, Lilá.


— "Oi, Lilá"? "Oi, Lilá"?? Você aparece depois de meses e diz apenas "oi"?


— Foram só algumas semanas, Lilá – eu respondi.


— Meu coração não aguenta esse tipo de coisa, Hermione – ela disse me abraçando. – Vem, vamos entrar.


— Estou com fome, o que tem para comer? – Rony perguntou abrindo a porta.


— Por que não comeu antes de vir? – Lilá perguntou me arrastando para dentro.


— Porque eu estava louco para te ver — ele responde. Dei risada e Lilá revirou os olhos.


— Como está a vida, Mione? Diga para o Draco que eu mandei um oi.


— "Draco"? Da onde surgiu essa intimidade? – Rony perguntou da cozinha.


— Enquanto vocês estavam muito ocupados em criar rivalidade, eu estava mais preocupada em criar laços – ela respondeu e eu dei risada.


— Ocupados salvando o Mundo Mágico, você quis dizer… — Rony corrigiu.


— Eu digo que você mandou lembranças, Lilá – respondi rindo.


— Boa menina. Ei! Você podia passar a noite aqui, o que acha?


— Desculpe, Lilá, mas não posso.


— Ah, eu sinto sua falta! Temos muito que conversar! — ela diz.


— Lilá, nós dividimos o mesmo dormitório na Grifinória…


— Eu sei, mas faz um tempo que eu não te vejo.


— E daqui a pouco estamos de volta a Hogwarts, e você vai me ver todo dia… – eu continuei.


— Se voltarmos a Hogwarts… – ela disse, e nós a olhamos sem entender. Lilá massageia as têmporas: – Eu queria estar em casa.


— Ei, nós vamos voltar a tempo do Campeonato de Quadribol e você vai ver a Grifinória massacrar a Sonserina – Ron beijou o topo da cabeça de Lilá e logo em seguida fez um high-five comigo. Eu sorri, porque aqueles dois faziam um casal lindo e eu já não conseguia imaginar eles separados.


— Eu não estava me referindo a essa casa – Lilá respondeu, e ninguém disse nada.


[…]


Assim que abri a porta, dei de cara com uma Ruth apavorada.


— Graças a Deus, onde você estavam? – ela murmurara baixinho. Às vezes, quando me esquecia, só me dava conta de que Ruth era trouxa quando a escutava falar coisas como "pelo amor de Deus", "graças a Deus" e "vá com Deus". Era estranho ouvir falar sobre Deus com D maiúsculo quando eu vivia em um mundo onde as pessoas falavam "por Merlin".


— Nós fomos até Londres – Draco respondeu calmamente, e Ruth levou a mão ao peito, aliviada.


— O que houve? – eu perguntei, tentando ao máximo não pensar na história de Henry.


— Tem alguém da Ordem na minha cozinha – ela disse baixinho.


Ao meu lado, Draco pigarreou: – Quem está aí?


— Ah, eu não sei. Cada hora está com uma cor de cabelo… Está esperando vocês há bastante tempo.


Tonks.


Eu rapidamente segui para a cozinha, onde encontrei Ninfadora trocando sua cor de cabelo enquanto tomava um chá. Quando me viu, seu cabelo estava verde e ela sorriu.


— Eu não acredito que te mandaram para cá – eu disse abraçando ela.


— Nem eu! – respondeu – Mas quando eu soube que você estava com o Malfoy, aí que eu não acreditei.


Eu dei de ombros: – Fazer o quê…


— Como estão as coisas em Hogwarts? Quer dizer, como estavam… – ela riu nervosa – Merlin, desculpe. Eu soube… foi terrível! Como isso aconteceu? Como? – ela dizia – E os pais estão pirados! Não param de mandar cartas para Dumbledore e para o Ministério…


— Eu preciso ficar em Hogwarts, Tonks…


Tonks sorriu ao pegar minha mão: – Eu sei, Hermione. E, mesmo se você precisasse sair de Hogwarts, você ficaria com a gente.


Eu fiaria com a Ordem da Fênix, ou talvez iria para A Toca se Rony fosse também. E, caso fôssemos fugitivos que não poderiam dar as caras para qualquer membro da Ordem e n'A Toca, iria para o Largo Grimmauld.


— Obrigada, Tonks…


— Ei, fique tranquila. É uma de nós, não deixaríamos que nada acontecesse com você. Está segura, Mione — ela me abraça. — E eu tenho boas notícias! Você e Malfoy já podem voltar.


— Oh, Merlin, é sério?


— Sim, as coisas já foram resolvidas no Ministério e em Hogwarts… Mas eu não posso falar muito sobre isso com você, Hermione. Regras – ela revirou os olhos.


Eu estava elétrica a essa altura, e doida para correr até Draco e lhe contar a novidade. E como se tivesse lido minha mente, ele apareceu na cozinha sutilmente, e chamando a atenção de Tonks, que o olhou de cima a baixo antes de cumprimentá-lo.


— Olá de novo, Draco! Feliz em voltar? – Draco abriu a boca para falar, mas Tonks não esperou uma resposta — Vocês não imaginam como foi difícil trazê-los para cá. Espero não ter o mesmo problema…


— Você que nos trouxe? – eu perguntei.


— Querida, eu te levei ao St Mungus quando aquela cobra atacou Arthur, por que acha que não seria eu que te traria à Londres e te levaria de volta à Hogwarts novamente?


— Faz sentido – concordei, e Draco me olhou sem entender.


— Qual problema? Vamos agora!


— Não, não, eu não posso levar vocês agora. Tem Comensais por toda parte nesse bairro e eu fui instruída a levá-los em segurança à Hogwarts e é isso que vou fazer.


— Por favor, Tonks, nós só vamos chegar um pouco mais cedo que o resto – eu disse.


— Eu não acho uma boa. Os pais de vocês podem ficar no pé do Ministério se souberem disso, e quando digo "pais de vocês", me refiro ao Lúcio Malfoy – ela sorriu para Draco, que deu de ombros.


— Ninguém precisa saber, Tonks – ele disse.


Aquilo, de alguma formava, convenceu Tonks. Quer dizer, era difícil não pensar que tinha algo a mais por trás daquele "ninguém precisa saber", porque por um instante eles trocaram um olhar cheio de segredos, mas que eu não dei importância porque já estava guardando minhas coisas na pequena mala de mão, com uma Ruth logo atrás, arrumando outra mala reserva. E eu estava tão eufórica que não percebi o que tinha naquela troca de olhares


Tonks saiu da casa e voltou depois de meia hora, mas não sem antes terminar seu chá, e disse que já estava pronta. Mas Adolf não tinha chego ainda e Draco queria se despedir, e Ruth aproveitou os dez minutos que nos restavam para nos fazer usar mais casacos pesados enquanto Draco o esperava para se despedir e agradecer por tudo.


Eu despedi de Ruth e de Adolf engolindo o choro, com um aperto no coração. Desculpe o transtorno, obrigada por nos receber em sua casa, mas a verdade era que quando Ruth me abraçou, eu não quis soltar. Ruth, eu sinto muito… Ruth, eu prometo manter contato… E eu mantive. É verdade, eu mantive. E quando eu voltei, anos depois, descobri que havia mais um integrante na família e os dois não poderiam estar mais felizes.


[…]


Eu dormi durante todo percurso e Draco ficou acordado.


Começou aí, começou errado bem aí.


E nós poderíamos ter dado um fim no que começamos assim que entramos no cochê, mas nenhum dos dois se deu conta disso. Ele se deitou no meu colo e eu mexi no seu cabelo, até adormecer encostada na janela.


Draco parecia preocupado, mas eu não perguntei o porquê. Foi um feeling. Eu poderia ter perguntando como foi em Londres, mas não perguntei, e por isso não discutimos e não brigamos, e eu adormeci sem dizer que Ron não recebia minhas cartas e por isso não me respondia, e Lilá estava estranha. Foi outro feeling. Porque eu poderia ter contado como contei meses depois, mas não o fiz. Eu adormeci e Draco não disse mais nada.


Quando finalmente chegamos em Hogwarts, junto com uma turma de calouros, Draco se despediu de mim com um beijo e seguiu pelas Masmorras. Depois disso, eu só o vi na hora do jantar. Também não perguntei o que ele tinha feito que sumiu quando meus amigos da Grifinória e da Sonserina chegaram, finalmente.


Onde raios estava?, eu poderia ter perguntado. Porque as coisas seriam completamente diferentes se eu tivesse feito algumas dessas coisas. E talvez eu nem teria história para contar.


Mas lá estava ele no quadro da Mulher Gorda naquela noite, me esperando na hora do jantar, como se não tivesse sumido o dia inteiro.


— Eu não quero nem saber – eu disse passando reto.


— Fiquei ocupado – ele disse me puxando pela cintura.


— No primeiro dia? – eu cruzei os braços – O que era? Puxar o saco de Snape?


— Hermione…


— Vai ser assim, Malfoy? — eu perguntei cruzando os braços.


— Vamos pegar algumas coisas e comer em outro lugar – ele dissera no meu ouvido.


Eu ri, mas tinha feito um esforço danado para não aceitar o convite.


— Nem pensar. Acabamos de chegar, francamente.


— Você não vai perder nada… só McGonagall passando seus recados e Dumbledore dando as boas-vindas.


— Você acha mesmo que não vão perceber se sumirmos? – eu arqueei as sobrancelhas, seguindo o caminho até o Salão Principal.


— E daí?


— Draco…


— Hermione…


— Não, tenha dó!


— Ok, não está mais aqui quem falou – ele ergueu os braços em sinal de rendição – Mas eu vou te dar o troco quando você estiver entediada e com fome e aparecer lá na Sala da Monitoria Chefe…


— E você vai fazer o quê? – eu perguntei rindo.


— Parece que não, mas eu também sei me fazer de difícil – ele respondeu e eu ri.


— É mesmo, é? – eu dissera me aproximando em passos lentos.


— Mas nunca dá certo – ele respondeu quebrando a distância entre nossas bocas.


Por alguns beijos, eu esqueci que estava brava. Eu até perdoei por algumas passadas de mão, porque uma vez que nossas respirações se confundiam e Draco beijava meu pescoço, eu me esquecia até do meu nome e não sabia fazer nada além de corresponder às suas investidas.


Eu estava quase puxando para dentro de uma salinha vazia quando me dei conta de que já estávamos atrasados.


— Temos que ir – eu disse entre beijos.


— Temos mesmo?


— Temos – eu murmurei sentindo que estava conversando com uma criança.


Antes que eu pudesse me mover, sem vontade alguma, Draco me puxou mais para perto.


— Deixe a janela aberta – ele sussurrou no meu ouvido mas não sem antes mordiscar meu pescoço e seguir pelo corredor, sem esperar uma resposta.


E, para ser sincera, já nem me dava mais ao trabalho de respondê-lo.


Entrei no Salão Comunal e senti que todos tinham os olhos em mim, como um daqueles sonhos que todo mundo tem uma vez na vida. E quase foi difícil chegar até a mesa da Grifinória sem olhar para a mesa da Sonserina, onde um certo par de olhos cinzas me fitava, divertido com a cena.


Eu bufara. Pronto, recuperei os sentidos, me lembrei que estava brava.


Mas eu me senti incrivelmente aliviada quando vi todos da Grifinória reunidos na mesa, agitados com a volta à Hogwarts. Durante o jantar, nós conversamos e rimos, como se nada tivesse acontecido, mas fazendo o possível para parecer acolhedores com a Corvinal, que estava mais quieta que o normal.


Mais tarde, Dumbledore nos deu as boas-vindas – como Draco tinha dito – e depois pediu para os calouros se retirarem junto com os diretores de suas devidas casas.


E foi aí que tudo começou desmoronar.


— Uma aluna foi assassinada, é verdade – Dumbledore respirou fundo e continuou: – Karolyne Dalavia, Corvinal, quinto ano. Assassinada por comensais aqui mesmo em Hogwarts. O Ministério da Magia só pôde se lamentar por ter que abafar o caso e tranquilizar seus pais, tentando, ao máximo, entender como esse descuido aconteceu. Comensais em Hogwarts, vocês entendem? O Ministério então chegou a conclusão de que se isso aconteceu uma vez, pode vir por acontecer mais vezes, e seus pais simplesmente ficaram apavorados. Com razão. Muitos pediram para que seus filhos fossem retirados imediatamente de Hogwarts e eu não pude fazer nada senão atender a esse pedido. O Ministério permitiu, afinal de contas.


"Mas creio que vocês, alunos dos quinto, sexto e sétimo ano, podem escolher se querem ou não permanecer em Hogwarts, seja qual for o pedido de seus pais. Vocês têm a maturidade e capacidade de entender o que estão enfrentando e o que está por vir. O Ministério pensa o contrário; esconder o que está acontecendo lá fora parece ser a solução mais viável. Mas é uma guerra e Hogwarts é um alvo. Vocês sabem disso, eu não preciso mentir. Não tem por quê. Eu sei que para muitos nessa sala, Hogwarts não é só uma simples escola, e devo a vocês.


Assim que Dumbledore terminou de falar, o silêncio fora substituído por uma série de ruídos. Eu vi boa parte dos corvinais e lufanos deixarem o salão. Troquei um rápido olhar com Rony e Harry, e os dois balançaram a cabeça, respondendo a minha pergunta silenciosa. Ao meu lado, Gina estava calada. Parvati conversava freneticamente com Padma, talvez a impedindo a de ir junto com o resto dos corvinos. Na mesa da Corvinal, procurei por Luna e a encontrei parada, observando as pessoas irem embora. Assim que me viu, ela acenou.


Me virei para a mesa da Sonserina, onde alguns do quinto ano estavam se levantando e se dirigindo até a saída. Alec estava indo embora. Tentei chamar a atenção de Draco, mas ele não percebeu e continuou conversando com Pansy. Logo em seguida, ele se levantou, seguido por Blás até a saída. Eu quis impedi-lo, mas simplesmente não conseguia sair daquela posição. Eu não soube o que fazer, era como se por mais que eu gritasse, ele não me ouviria. Por mais que eu corresse, não o alcançaria.


Ele não podia ir embora. Ele tinha dito para deixar a janela aberta, ele não podia ir embora… Por dentro, eu me quebrei por inteira. Jamais tinha experimentado aquela sensação; ser deixava é terrível. Fui sentindo meus olhos ficarem úmidos e quis rapidamente me recompor, só que era difícil. Não chore, não chore, eu ficava repetindo.

Na nossa mesa foi pior, e eu quase não aguentei segurar o choro. Na minha frente, Ronald que até então estava quieto, desmoronou. Ele se levantou rapidamente, mas não fez nada. Por um instante, pensei que ele iria embora e senti um nó na garganta ao saber que alguém da Armada Dumbledore sairia de Hogwarts.


Só que foi pior; eu vi Lilá Brown se levantar e atravessar o salão sem olhar para trás, virando-se apenas para murmurar um inaudível pedido de desculpas.