Como deveria ter sido - Ally Mcbeal
1 You Belong to Me
Notas iniciais
Uma semana se passara. Ally ainda não havia se recuperado. Não pelo bilhete deixado, não por saber que ele tinha a largado, mas pelo sentimento que havia entre os dois.
—Alô? Oi John, não...está na mesma. Eu não sei mais o que fazer...Não come, só chora e só dorme quando o cansaço do choro pesa no seu corpo. Você virá? Vai ser bom para ela. Ok nos veremos à noite então.
—Ally? –Renne disse se aproximando da cama. Ela apenas levantou os olhos para Renne, como se suplicasse uma explicação, como se quisesse desaparecer dali. -Ally, você tem que sair dessa cama, vamos...- Por mais que Renne tentasse, ela realmente estava abalada, nunca em nenhum relacionamento, Renne a tinha visto dessa forma.
—Renne...por quê? –disse com olhos lacrimejados, virou de lado e chorou.
(...)
—Larry?! –John disse parado na porta do seu escritório.
—John...-ele abaixou os olhos e não teve como não perguntar. -Como ela está?
—Eu sei que não deveria me meter Larry, mas pela primeira vez, eu nunca a vi desse jeito. Eu..eu não entendo, o que aconteceu?
Larry encostou-se na mesa dele, passou a mão na cara e falou para John:
—Eu...tive medo ok! Medo de não dar certo mais uma vez, medo de não fazê-la feliz...medo de um dia ela me deixar.
—Medo todos temos Larry...-John disse se sentando na cadeira pondo sua pasta no chão. Ele suspirou e falou. –Ally sempre me disse que você ou a quebraria ou a ganharia, e eu tinha a plena convicção que dessa vez, apenas dessa vez, ela havia se acertado, encontrado alguém que a amasse realmente.
—Eu a amo, mais do que ela possa imaginar. Mas eu sou cheio de problemas, John, um filho e uma mãe, que nunca poderei deixá-los para trás, uma ex-mulher. Ela não merece isso...ela, merece alguém melhor do que eu.
John levantou-se, andou pela sala e o olhou nos olhos de Larry.
—Ela te escolheu Larry! No dia que ela te confundiu com um terapeuta, nesse dia, ela me disse que nunca havia sentido aquilo. Como se algo a puxasse tão forte que ela saísse de seu corpo. Ela não se importa com seus defeitos, e seu filho, ela também o ama. Como ela mesmo me disse, é seu filho, parte de você, não tem como ela não amar.
Larry abaixou a cabeça e deu um sorriso. Desencostou da mesa, foi até o casaco e retirou uma caixinha preta de veludo.
—Eu tinha em mente, pedi-la em casamento John. –ele abriu a caixa e mostrou o anel para ele.
—Sabe Larry, eu acho que você esta desperdiçando um pedaço da sua vida, que poderia ser maravilhosa. Você disse a ela para pular para dentro dessa relação e agora você a largou sozinha, caindo em queda livre. A vida passa rápido demais. –disse se levantando apanhando suas coisas e seu casaco.
Larry estava olhando para a janela.
—Eu acho que vocês precisam conversar. Hoje à noite eu irei vê-la. Caso você queira uma ajuda, eu estarei lá, eu e Renne.
—Ela deve estar me odiando. –Ele virou-se e encarou John, retirando os óculos e jogando-os sobre a mesa. John sorriu.
—Sabe o que ela me disse? Seria tão mais fácil matar você do coração dela, da vida dela, se ela te odiasse, mas ela não consegue. Por mais dor que ela esteja sentindo, ela lhe ama, e que por mais que sinta sua falta, ela te entende. Agora, eu é que não entendo uma mulher, passando por isso, e ainda capaz de amar? Acho que isso responde a questão do seu medo. Ally, não teve medo de sentir essa dor, quanto menos dar o amor dela para você.
Larry, emocionou-se com as palavras de John e seus olhos ficaram lacrimejados.
—Bem, você sabe onde me encontrar. Eu não sou um adido em encontros, em namoros Larry, mas eu posso ver quando realmente existe algo verdadeiro, e vejo isso em vocês.
Ele saiu pela porta e Larry ficou parado, olhando para o vazio. Sentou-se na sua cadeira e falou alto:
—O que foi que você fez Larry Paul? Seu burro.
(...)
Ally levantou-se, foi ao banheiro, escovou seus dentes, olhou-se no espelho, suspirou.
—É Ally Mcbeal...o único homem que você se mostrou por inteira, e ele fugiu.
Banhou-se, trocou de roupa, foi na cozinha, abriu a geladeira, viu o bolo que ele havia comprado para ela no dia anterior do bilhete. Jogou no lixo. Nada a apeteceu, apenas bebeu um copo de água e voltou para seu quarto. O telefone tocou e ela atendeu.
—Ah..finalmente você saiu daquela cama.—disse Renne contente. —Como você está Ally?
—Na mesma Renne...
—Richard disse para você ter o tempo que quiser, mas para não demorar muito.—Ally riu. —Ahhh uma risada, Deus, ganhei meu dia. À noite vamos comer pizza ok?! John ira jantar conosco, tudo bem?
—Tudo. –Ally deu um leve sorriso, John era seu melhor confidente, seu ombro verdadeiro amigo.
—Até mais então.—Renne desligou.
Ally ficou segurando o telefone. Pensou, pensou e discou o número do escritório do Larry. Depois de uns toques ele atendeu.
—Alô?—Ally ficou muda, ela queria apenas ouvir a voz dele. —Aloww?—Então, ele teve um insight e falou. —Ally?—ela desligou, assustada, e logo depois sorriu.
A noite chegou rápido naquele dia. Ela havia passado o dia na sua cama, pensando, o lado bom, que havia parado de chorar. Levantou-se e colocou Every Breath You Take, a música que ele havia cantado de presente para ela no seu aniversário, esboçou um sorriso e deitou-se.
(...)
John preparava-se para sair do escritório. Apertou o botão do elevador e quando a porta se abriu Larry estava lá. John sorriu para ele.
—Eu não quero perdê-la. –Larry disse convicto. John apenas aquiesceu e entrou no elevador.
—Ok. Você sabe que terá que conquistar a confiança dela novamente, não? –Larry fez sim com a cabeça.
John pegou o celular e ligou para Renee.
—Renee, plano B!!—Ela soltou um grito de alegria, que fez com que John tirasse o aparelho do ouvido e Larry sorrir.
—Vamos lá! Como num tribunal Larry! –Larry aquiesceu.
(...)
Renne chegou antes do que John no apartamento. Ally estava na cama, ouvindo a música, tinha escutado a música umas mil vezes.
—Ei, como você está amiga? –Renne sentou-se na cama.
—Sei lá...um parte de mim ainda tem uma esperança sabe, de que ele irá entrar por essa porta, e se explicar. Dizer tudo o que não foi dito. Outra parte diz que ele já deve estar em Detroit, com a bruxa da mãe do filho dele. –Renne riu. –Sam é uma graça...eu adoraria participar da criação dele.
Nesse momento a campainha tocou.
—Deve ser o John, vá se trocar ande. Tira esse pijama, põe um jeans e nos encontre na cozinha, ok? –ela sorriu e aquiesceu. –Vamos chorar suas mágoas juntos.
Ally se trocou rapidamente, colocou o jeans, uma camiseta, penteou os cabelos. Resolveu calçar seus tênis, abaixou-se para colocá-los e ficou paralisada quando ergueu a cabeça.
Ela estava linda para ele. Ele não conseguia tirar os olhos dela.
—Ally? Vamos conversar? –ele disse sentando na cama.
Ela nada dizia. Apenas sentiu uma lágrima escorrer no seu rosto o limpando em seguida.
—Você veio trazer a chave? –ela disse com olhar triste.
—Eu...Ally você é capaz de me perdoar? –Larry disse se levantando. –Eu tive medo. Medo de te perder, medo de não ser o homem que você gostaria que eu fosse, medo de você cansar de todos os problemas que eu carrego. Eu...achei que seria melhor para você eu me afastar, achei que você não merecia um homem tão complicado como eu.
Ally apenas o ouvia.
—Mas eu descobri que eu fui um idiota. –Ally sorriu para ele que sorriu de volta para ela. –Desde o dia que você apareceu no meu escritório me confundindo com um terapeuta, eu tive a certeza que você era diferente. Que você faria minha vida diferente. E fez.
Ally levantou-se e foi em direção à janela do seu quarto, estava nevando.
—Não sei o que mais doeu em mim, Larry, se foi eu ver o seu bilhete, ou pensar no que eu tinha feito de errado.
—Você não fez nada de errado. Eu fiz. E estou querendo consertar. Me aceita de volta?
Ally virou-se para olhá-lo e em lágrimas ela falou.
—Eu não posso aguentar outro bilhete, Larry. Não aguentaria ver que um dia, você pode não estar mais do meu lado. Que certeza eu vou ter, que você irá ficar? Ou quando você vir que os problemas são grandes irá fugir novamente? Eu...realmente não sei...- ela se virou de novo para a janela.
—Eu te dou uma certeza Ally...-ele se aproximou, a virou, ajoelhou-se na frente dela, pegou sua mão. Ally riu e chorou ao mesmo tempo. –Ally Mcbeal, quer casar comigo? Quer ser minha mulher para o resto das nossas vidas? Eu não prometo que será fácil, mas eu prometo te dar todo o meu amor, e como eu disse, eu estou só começando a amar você. –Ele colocou o anel no dedo dela e esperou uma resposta.
Renne e John estavam observando da porta do quarto, torcendo como crianças. Ally ergueu sua mão, olhou para o anel, depois para Larry que estava ali ajoelhado aguardando a resposta dela. Ally se afastou. Pegou um bloquinho de papel e uma caneta. E escreveu algo. Arrancou a folha, dobrou e entregou para Larry.
—Eu espero que esse seja o último bilhete que iremos trocar, porque daqui pra frente eu quero que você diga o que pensa.
Larry abriu o papel e lá estava escrito “Sim, Larry Paul, eu aceito.” Ele levantou-se, aproximou dela e a beijou colocando todo o sentimento que ele tinha. Tanto que a deixou desconcertada.
—Uau...-ela disse. –Acho que quero mais brigas como essa. –Larry sorriu para ela.
—Eu não garanto que não haverá brigas, mas eu garanto que só sairei da sua vida, se você pedir.
John e Renne gritaram e assobiaram fazendo os dois rirem.
—Vamos comer pizza! –John disse e foi para a cozinha junto com Renee.
Ally ficou ali, sua testa encostada na de Larry, até que ela se afastou, ligou o som, e Larry sorriu ao ouvir a música.
—Me dá a honra dessa dança, Senhor Larry Paul?
—Com toda a certeza, Senhora Ally Mcbeal Paul. –Ally sorriu para ele, e se perderam na música.
Larry disse no ouvido dela.
—Eu lhe amo! Como eu jamais amei outra mulher.
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