A casa que Larry havia arrumado era próxima ao escritório em que eles iam trabalhar. Não era luxuosa, mas era bem acolhedora. Nessa mudança, ele havia decidido contratar pessoas para arrumar a casa e quando chegaram tudo já estava no seu devido lugar, o que para eles foi um alívio. O bairro era bem agradável. Ainda faltava uma semana para eles começarem a trabalhar no novo escritório. Larry tinha ido cedo conversar com o novo chefe e combinou com Ally de almoçarem por lá, também para conhecerem o lugar aonde trabalhariam.

Ela vinha caminhando pela calçada, pensando na mudança, em tudo que deixara para trás, nos seus amigos de Boston, quando trombou numa pessoa.

—Desculpe-me. –Ela disse sem olhar direito para o rapaz.

—Ally? –Ela olhou espantada. –Ally Mcbeal? –o rapaz a fitava de cima a baixo.

—Não acredito...-ela mexeu com a cabeça. –Michael? –ele a puxou para um abraço caloroso.

—O que está fazendo aqui Ally? Você está...linda. –Ally ficou envergonhada.

—Eu me mudei pra cá há alguns dias, vou trabalhar por aqui.

—Mas por quê? Richard não estava lhe pagando bem? –Ela riu.

—Bem...é que...-ela levantou a mão e mostrou a aliança. O rapaz fechou a cara.

—Você se casou. –disse com um pouco de tristeza na voz. –E ele é daqui? Como você o conheceu? –ela ficou meio intrigada com as perguntas.

—O conheci em Boston...é uma longa história.

—Tenho certeza que sim, e qual o nome desse sortudo? –ela sorriu sem graça.

—Larry, Larry Paul. -O rapaz abriu um sorriso que ela não entendeu.

—Larry Paul? –ela não entendeu o porquê do sorriso sarcástico do rapaz. –Acho que nós vamos nos ver mais do que imagina, Ally. –Ele depositou um beijo na bochecha dela, tocando o canto dos lábios. Ally ficou sem ação, ele se despediu e ela ficou parada, o observando.

Uma coincidência incrível encontrar o seu ex-namorado, sua primeira paixão na época de faculdade. Ally caminhava relembrando dos tempos com Michael, e pegou-se rindo, pois ambos tinham uma atração sexual muito grande naquela época. Pensou no que Larry diria se soubesse.

Chegou ao endereço onde Larry tinha lhe passado, entrou e subiu no andar que a recepcionista indicou. Ao abrir a porta do elevador, o escritório era bem parecido com o que ela trabalhava, o que a fez ficar um tanto nostálgica, perguntou por Larry e indicaram uma sala. Ele estava de costa, desempacotando umas caixas. Ally ficou parada, escorada no batente da porta, o admirando um tempo até ele se virar.

—Ally? O que foi? –disse a olhando.

—Nada...só estava...olhando. –ela sorriu meio malicioso.

—Minha bunda? –ela imediatamente corou e ele riu. –Um a zero pra mim. –Aproximou-se dela e a beijou.

—É aqui que ficaremos?

—Sim. Minha mesa e sua mesa. –disse apontando e ela achando graça.

—Vai ser estranho...nós na mesma sala.

—Por quê? –ela olhou pra ele sorrindo e ele logo entendeu o recado.

—Bom, pelo menos não terei que ir a juízo contra você.

—Claro, porque você sempre perde. –ela o olhou zangada e disse entre os dentes.

—Quer dormir no seu sofá hoje, Senhor Paul? –ele a olhou por sobre os óculos, desfazendo o sorriso.

—Decididamente não...retiro o que eu disse. Vamos desencaixotar?

Estavam entretidos guardando as coisas quando alguém bateu na porta, ambos olharam e era Michael. Larry se aproximou e falou:

—Ally esse é o Michael Torn, ele é um dos sócios deste escritório e que me ofereceu o emprego. –Ally olhou-o sem graça e Larry percebeu.

—Ally. –Michael a cumprimentou com um aperto de mão. Ela acenou com a cabeça. –Já nos conhecemos Larry, há muito tempo. Será uma honra tê-los conosco. Se precisarem de algo é só falar. –ele soltou a mão de Ally e saiu da sala.

Larry virou a cabeça para ela, cruzou os braços e a olhou por sobre os óculos.

—Já se conhecem? –Ally olhava para Larry um tanto desconfortável. –Ally? –ela bufou.

—Já. Fizemos faculdade juntos.

—Hum...e?

—Fomos namorados Larry. –ele fechou a cara.

—Quanto tempo?

—Ah sei lá...

—ALLY?!

—Três anos de namoro. –Larry a observava com a mão no queixo.

—E como foi esse namoro, quente ou morno? –Ally o olhou com cara de “jura que quer saber isso”. –Ally, fala? –ela não o respondeu. –Senhora Ally Mcbeal? –ela sabia que quando ele a chamava assim estava começando a ficar bravo e ela respondeu sem pensar.

—Era uma atração sexual, demasiada. –Larry abriu a boca e ela coçou a cabeça.

—Não acredito...tanto lugar para eu arrumar esse emprego e venho aqui, com um ex que você verá todos os dias? –ele sentou-se na cadeira.

—Então estamos quites, Senhor Paul, porque pelo que me lembro a sua ex, onde tinha uma atração sexual grande mora aqui, é a mãe do seu filho e tenho que aturá-la em todas as festas do seu filho. –Larry a olhou mordendo a haste dos óculos e ela saiu da sala pegando suas coisas indo em direção à porta. –Bom almoço, vou pra casa.

Ele jogou os óculos na mesa e virou a cadeira para a janela.

—Ótimo.

(...)

Ally chegou em casa com o telefone tocando, achou que era Larry atendeu correndo com um sorriso e logo o desfez.

—Oi Jamie, não, é que acabei de entrar. Claro. Pode trazê-lo. Não tem problema. Ele dormirá aqui? Está bem. Tchau.

Ally foi para a cozinha e começou a preparar algo para comer, em meia hora Jamie chegou com Sam

—Ally! –ele entrou correndo e a abraçou, ela o levantou o beijando.

—Ally, não tem problema mesmo? Será por uma semana apenas, é que se eu não for, meu chefe vai me matar.

—Não tem problema Jamie, fique tranquila, Larry vai adorar a surpresa. –disse ainda abraçada a Sam. –E ele vai me ajudar a montar o quarto dele e temos algumas coisas para desencaixotar. –Sam gritou e subiu correndo para o seu quarto.

Jamie sorriu para Ally, despediu-se e foi embora. Ally e Sam almoçaram juntos, ele sempre fazia muitas perguntas a ela sobre seu pai, sobre o relacionamento deles. Logo após arrumarem a louça eles subiram para o quarto de Sam, e estavam desempacotando as coisas.

Ally agachou para pegar umas roupas e colocar no armário quando teve uma vertigem e desmaiou.

—Ally? –Sam a chamou e ela não respondia. Rapidamente ele ligou para seu pai.

—Alô? Sam? Fale devagar. O quê? Acalme-se, estou indo.

Quando Ally acordou estava deitada na cama de Sam, com Larry de um lado e Sam de outro a olhando.

—O que aconteceu?

—Você desmaiou. Sam me ligou.

—Você me deu um baita susto Ally. No começo eu dei risada, mas depois vi que era sério. –Ally passou a mão no rosto dele e riu.

—Ainda bem que você é um rapazinho muito inteligente. –disse se sentando na cama para levantar e ambos gritaram.

—Não! –ela se assustou.

—Meninos, estou bem. Já passou, seja lá o que foi que eu tive. –ela levantou-se mesmo contra a vontade dos dois.

—Se você já está bem, eu posso ir jogar vídeo game? –ela sorriu.

—Pode, mas lembre-se que eu ganhei a última partida.

—Não ganhará essa Senhora Mcbeal. –disse com olhos semicerrados para ela, Larry riu.

—Você tem que parar de me chamar assim na frente dele. –ela disse apontando o dedo para Larry.

—O que você teve Ally? Está bem mesmo? –disse a puxando para perto de si.

—Não sei...acho que foi um mal estar, sei lá. Mas já estou bem e ainda brava com o Senhor. –disse o empurrando. –Ah, Sam ficará aqui por uma semana, Jamie viajou a serviço. –Ela fez gesto de “graças a Deus” para ele que riu dela.

(...)

Passaram-se três meses em Detroit. Ally estava no tribunal, gesticulava muito, era um caso interessante e o outro advogado, parecia um leão em batalha. Tudo corria bem até que ela teve novamente uma vertigem, e desmaiou dentro do Tribunal. Ela acordou na enfermaria do Tribunal, com uma enfermeira do seu lado.

—O que houve?

—A Senhora passou mal na tribuna e a trouxemos para cá. Colhemos seu sangue para alguns exames e o médico logo virá vê-la. A Senhora está em condições de ir para casa? Há alguém para vir buscá-la?

—Estou bem. Se precisar eu ligarei pro meu marido. –a enfermeira aquiesceu e saiu da sala.

Ela não iria ligar para Larry, por enquanto, estava bem. O médico entrou na sala, com os exames em mãos.

—Está melhor? –ela fez sim com a cabeça. –Bom, então fique deitada, pois a notícia que irei dar pode ser um tanto estressante ou não– O médico disse com um sorriso e Ally se assustou. –A Senhora está grávida. –Ally abriu a boca, fez cara de espanto e ficou assim um bom tempo. –Senhora Paul? –Ally só se virou para ele muda. –Bem, aconselho procurar um ginecologista e obstreta para continuar com o pré-natal. Está tudo bem?

—Sim...eu acho. Grávida? Eu? –o médico riu. Com a mudança e tudo o mais ela nem tinha se tocado que sua menstruação estava atrasada, depois se lembrou de que havia se esquecido de tomar as pílulas no dia em que se mudaram. –Grávida?! Eu?!

—Sim, aqui está o exame e a Senhora já pode ir para casa. –o médico despediu-se saindo da sala.

Ally saiu da sala em choque. Estava feliz sim, mas em choque. Pegou o celular e ligou para Renne.

—Alô?

—Renee é a Ally.

—Ally!! Como você está?

—Grávida.

—O quê?

—Estou grávida. –Ally contou o que tinha acontecido a Renne que gritava de alegria do outro lado. –Renne, como conto isso pro Larry?

—Bem...apenas diga. Por que ele não queria mais filhos?

—Não sei...ele nunca me disse que não, mas também não me disse que sim. –disse coçando a testa.

—Bom, agora não há mais escolha não é?!

(...)

Ally estava no caminho de casa quando o celular tocou.

—Ally? Que história é essa que você passou mal de novo no Tribunal? Amanhã vou te levar no médico.

—Oi, Larry. Não precisa, eu já passei por um hoje lá.

—E por que tá com essa voz desanimada? O que houve?

—Quando você chegar a gente conversa, ok? –Larry percebeu pelo tom de voz, que era sério.

—Tá bem. Pra amenizar esse seu tom de enterro vou levar pizza. –Ally riu. –Você não vai pedir divórcio, né?

—O que eu menos quero nesse momento é me divorciar Senhor Larry Paul. Acho que vamos precisar de outro quarto. –disse desligando o celular. Larry não entendeu o que ela disse.

—Outro quarto? –disse olhando para o celular. –Pra quê?

Ally ficou sentada no sofá o resto da tarde. Às vezes passava a mão na barriga e sorria. Lembrou quando ela via as alucinações do bebê dançando. Estava ansiosa para ver a reação de Larry. Torcia para ser boa. Larry entrou pela porta com a pizza na mão e a viu sentada no canto do sofá. Suspirou, pois sabia que quando ela sentava ali ou estava brava ou triste. Foi em direção a ela com a caixa de pizza a colocando sobre a mesa de centro.

—O que foi Ally? –Ela segurava um copo com água e o olhava. –Que história é essa de termos outro quarto? –ela riu para ele.

Ally deitou sua cabeça no colo de Larry. Ele esperou um pouco para ver se ela falava algo. Só a observava. Ally esticou a mão para a mesa de centro e pegou um papel que estava lá. Entregou para ele.

—O que é isso? Você disse que não queria mais bilhetes nessa casa. –disse com tom sarcástico. –Deixa ver e OWww. –Larry disse apertando o braço de Ally. Leu, releu e ele balançava a cabeça negativamente e sorria.

—Sua reação está meio indecifrável Senhor Paul. Eu não sei se isso é alegria ou desespero. –ela disse rindo e olhando para ele. Ele a encarou e a beijou profundamente. –Isso é uma boa resposta.

Larry nada dizia apenas a olhava. Ally falou:

—Quero ver a cara daquela brux...Jamie agora...-disse abraçando-o, que riu do comentário dela. Mas não deixou de chamar a atenção dela.

—Ally! –disse a olhando feio, e ela deu com os ombros para ele e depois falou. -Um filho, nosso. Não imagina o quanto você me faz feliz. –eles ficaram abraçados um tempo e Ally disse.

—Bem, Senhor Larry Paul, definitivamente, você nunca mais passará o Natal sozinho. –Larry sorriu entre os cabelos dela.

Notas finais
Esse personagem Michael eu inventei, pois achei bom Larry ter um pouco de ciúme de Ally. E é isso. Como eu desejava que tivesse acabado a quarta temporada. Vou parar aqui, mas se vocês estiverem gostando, e queiram que eu adicione mais alguns capítulos, mandem mensagens. Pensarei com carinho! Um grande abraço.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!