Notas iniciais
Olá o/ Como vão? Eis aqui mais um capítulo dessa fanfic meio boba o/ Pois bem, ficou mais curta, mas é um daqueles fillers necessários para encher wurst, digo, contar mais um pouco da história. Como tem vários casais, será comum. Quero deixar um aviso: vou postar mais ou menos a cada 15 dias, pois o tempo me consome e tenho prioridades, mas claro, nunca esquecendo de vocês

Capítulo XXIX

Acho que deviam ser oito ou nove horas da manhã daquele primeiro sábado de dezembro. O frio deixava a alternativa “levantar e pular na piscina” completamente fora de questão; portanto, a maioria dos casais do colégio aproveitavam o tempo para dormirem juntinhos, debaixo das cobertas macias, ou trocando beijinhos e chocolates. Ou quem sabe, fazendo atos libidinosos.

Eu estava deitado, naquele escurinho gelado do quarto, com um austríaco pequeno e encolhido agarrado ao meu peito. Roddy dormia de um jeito fofo, com os lábios entreabertos e os dentinhos da frente aparecendo timidamente, adoravelmente separados, que dava uma impressão amável nele. Nesses momentos eu gostava de observá-lo: sua pele branca, levemente rosada, macia e aveludada, lhe dava a aparência de uma boneca. Apesar de magro, ele tinha formidáveis bochechas (ao contrário das minhas, que só tenho por ter o rosto gordo). Eu gostava de apertá-las e acariciá-las, tornando-as ainda mais rosadas.

Apesar de tudo o que sofre, o meu garoto – que gosto sinto em dizer! — tinha um jeito bonito. O nariz, afilado e delicado, permanecia em pé quase o tempo todo, à exceção quando ele não aguentava mais a dor – física e emocional – e vinha chorar em meus braços. E parecia mil vezes mais frágil do que já é.

Quanto mais carinho eu fazia, mais ele me apertava contra si. Eu notava a necessidade que ele tinha em ter alguém para se ancorar. Ele estava basicamente sozinho e perdido no mundo.

Eu estava quase dormindo novamente – havia acordado por barulhos na cama de Antônio – quando meu namorado desperta, manhoso. Dali a alguns segundos ele me pede algo feito com chocolate; por sorte, sempre tenho uma caixa de bombons por perto.

Ele me olhou por um tempo, deu um sorriso sincero e espreguiçou-se, rapidamente voltando a me abraçar, roçando o nariz no meu pescoço, como um gatinho. Aquilo era um golpe para mim, já que aqueles olhos lilases e felinos me faziam a me submeter a seus caprichos.

Tirei da cômoda um pequeno embrulho dourado e redondo, entregando a ele. Roddy descascou o papel brilhante sem muita pressa, levando o doce aos lábios, mas deteve-se antes de morder. Eu o olhava curioso, sabe-se lá o que o austríaco vai aprontar. Ele levantou o rosto, os olhos semicerrados, aproximando-se mais. Woah, Roderich sabe ser sexy. Mordi o bombom, sentindo o doce sabor do chocolate e dos lábios de meu amado. Nos beijamos profundamente, com aqueles finos dedos se misturando aos meus cabelos, enquanto minhas mãos apertavam seus quadris. Eu ensinava a Roderich a apenas imitar meus movimentos da língua, que era menos arriscado. Os resultados iam melhorando, e aquela língua morna e macia movia-se suavemente dentro da minha boca.

Ficaríamos mais naquele mergulho um no outro se não fosse um baque na cama ao lado. Francis inventou de deitar ao lado de Lovina, que estava agarradíssima ao espanhol. Não deu outra: a italiana empurrou o francês, pouco importando se ele morreria!

Essa antipatia que Lovina sente pelo meu amigo louro vem desde a época que ela e Tônio começaram a ficar.

Francis e Antônio eram amigos no jogo e rivais no “amor”. O primeiro queria apenas pegá-la e o segundo era verdadeiramente apaixonado por ela. Mas o croissant não aceitava perder, mesmo que para tal tivesse que ferir os sentimentos do melhor amigo.

Depois de alguns dias do fato já narrado há alguns capítulos, Lovina começou a se sentir melhor, mais amada, e por que não, desejada. Como toda italiana que se preze, era vaidosa. Tratou de arrumar o cabelo, alongou os cílios naturalmente grandes, perfumou-se toda, passou um gloss de melancia e deixou as bochechas mais rosadas. Foi o que bastou para ser dona do coração de Antônio e ser o próximo alvo de Francis.

Francis sabe ser um manipulador, mas a garota era mais esperta. O louro se passava pelo espanhol, enviando mensagens e marcando encontros, nos quais a garota ia, apenas para dar uma de atriz. O que Francis não sabia era que Lovina e Tônio participavam das atividades na horta, o que dava tempo de conversarem e alertarem-se sobre quaisquer mensagens estranhas.

O louro andava desconfiado e impaciente. Não imaginava que os dois pudessem se gostar de verdade. Decidira agir e logo. Aproveitando uma rara oportunidade em ver a garota sozinha, puxou-lhe pelo braço e ao tocarem os lábios, sentira o tapa quente vindo de uma mão delicada. Zonzo, quase caíra da escada, se não fosse Antônio, que o olhava desacreditado. O soltara, mudo, entrelaçou os dedos na mão da amada e saiu.

Ficaram quase seis meses sem se falarem.

–x-

Sempre há aquilo que tira o nosso sono, certo? Seja uma prova, um sonho, o Antônio roncando, o Roddy me chutando sem querer, alguém vizinho barulhento, uma pessoa em espacial, enfim, a insônia pode nos rodear por vários motivos, indiscutivelmente. No meu caso, era o final de semana seguinte.

Todo segundo domingo de dezembro minha família e parentes se reuniam na minha casa, pois meus pais são os filhos mais velhos. Meus, pais, tios e tias, primos e primas, avôs e avós decidiram que seria ótimo uma vez por ano, fora feriados, nos reunirmos para contarmos as novidades, comermos os pratos da família, bebermos cerveja e beliscar petiscos à base de batata.

Geralmente é nessa época que se apresenta os namorados para a família. Eu estava nervoso, por que imaginava que seria um momento perfeito. No sábado, eu apresentava o Roddy a meus pais. Se sobrevivesse, para o resto da família. Já imaginava a reação de cada um. Meu pai gritando e minha mãe chorando, decepcionada. Vô Otto sequer me olhando, vô Fritz com pena, as duas avós reclamando “esse tipo de gente na nossa família?!”. Meus tios fazendo escárnio, os primos fazendo piada. Lud desconcertado, sem saber o que fazer. E como estaria Roderich? Ele ficaria ou fugiria?

Prevejo uma semana bem mal dormida.