Como amar Roderich Edelstein
11 Capítulo X
Notas iniciais
Capítulo X
A tarde transcorreu tranquilamente. Entre biritas, jogos e água, nos divertimos bastante, mas não o suficiente para ficarmos cansados. Apenas meu irmão que ficou com a cara emburrada quase o tempo todo depois do incidente com Feliciana.
Não é típico dele ficar desse jeito com coisas a toa, então o chamei pra conversar em um lugar um pouco distante onde a italiana estava.
– Lud, vai ficar o resto do ano assim?
Ele não respondeu.
– É sério, tá pior que as garotinhas do sexto ano! O que foi que deu em você? Se fosse a Lovina, duvido que teria feito o mesmo.
Mais silêncio.
– Okay, se quer ouvir, eu não gosto da Feli, nunca gostei. E se você gosta dela, vai lá e se declare – ergui o braço em direção a ela.
Lud corou. A pele branca ficou vermelha como um pimentão.
– Você não tem a menor ideia do que fazer, né?
– Não – ele suspirou.
– Pra te dizer a verdade, nem eu. – O encarei. – mas quem deve fazer isso é você – pus o dedo indicador na ponta de seu nariz. – Mostre a ela que tem um grande coração.
– E se... ela não gostar... de mim? – disse baixa e pausadamente.
– O seu whey afetou o seu cérebro?! Pelo amor de Deus, Ludwig, nunca percebeu que ela sempre fica nervosa e extremamente tímida quando você está por perto?
Meu irmão refletiu por uns momentos.
– Me lembro que desde o jardim de infância ela se escondia atrás da irmã quando eu chegava... E quando eu puxava assunto, ela dava alguma desculpa e saía correndo... E sempre a vi conversando animada com outros meninos... Achei que ela me odiava.
– Então você gostava dela desde quando era uma balofinha? – concluí.
Meu irmão detestou o comentário.
– Quer perder os dentes?! – ergueu o punho no ar.
– Não!! Lud, faça-me o favor... Controle-se e tente recuperar o tempo perdido. – ele alisou o cabelo com os dedos.
– Certo. Mas o que você havia falado com ela na piscina.
– Eu tinha chegado a brilhante conclusão de que ela gostava de você. Daí ela tentou me assassinar. Simples.
– Ah... E você está gostando de alguma garota também?
Ops, congelei, travei, dei tilt.
– N-na v-v-verdade, e-e-e-eu...
– Ô GALEGADA, VENHAM LOGO! – Chamou Lu – Estamos decidindo o que vamos jantar!
Corri em direção a galera mais rápido que eu queria. Eu não estava muito a fim de ter aquela discussão “oi-bruder-sou-gay” e ter que explicar toda uma história num belo sábado como aquele, e eu não queria mentir para o moleque bombado que eu mais amava no mundo.
– Quais são as opções? – questionei, enquanto recuperava o fôlego.
– Pizza! – as gêmeas gritaram.
– Hambúrguer! – gritou Alfred.
– Vamos fazer uma votação — sugeriu Ivan.
– Esperem – pronunciou-se meu irmão – o Roderich e a Elizabeta estão no colégio. Por que não os chamamos?
Senti um nozinho se formar na minha garganta. Que o Roderich estava aqui eu sabia, mas jurei que Liz havia ido embora. E como não os vi o dia todo, imaginei o pior. O nó queria se transformar em soluço, mas antes que eu pudesse cogitar, Francis me mandou procura-los.
Como eu amo a minha vida!
Além de ter que procura em um colégio enorme, eu poderia encontrar algo que eu não queria ver.
O russo decidiu que iria me acompanhar, para procurar a irmã. Natasha tem o gênio difícil e é super ciumenta como nunca vi.
Me perguntei porque diabos ninguém telefona para eles, manda uma mensagem, correio de voz, pombo-correio ou algo do tipo. Mesmo contra minha vontade fui com uma expressão saudável no rosto.
Eu e Ivan discutimos onde encontraríamos os nossos amigos, na biblioteca, no restaurante, entre outros lugares visitáveis por eles (a primeira opção a ser excluída foi a academia). O russo brincou com a possibilidade de estarem no quarto, o que fez meu coração apertar. Mas ele logo completou com um pensamento que me deixou um pouco animado:
– Apesar de ele ter cara de que corta para o outro lado.
Fomos até a biblioteca e ao restaurante, mas estes estavam trancados. Rapidamente, uma luz me veio na cabeça. A sala de música! Me dirigia para lá, quando Ivan anunciou que ia procurar pela irmã e levar mais algumas bebidas para todos. Concordei e nos separamos no corredor principal. A cada passo que eu dava, meu estômago revirava. Mordi o lábio até sentir dor. Viro à esquerda; lá está a sala que tanto frequentei. Quase tive um ataque quando bati à porta. Colei o ouvido na madeira, esperando ouvir alguma coisa suspeita. Ouvi apenas o som de um violino e passos. Me ajeitei e esperei abrirem.
– Gil! O que faz aqui? – Liz quem veio me atender.
– A galera convocou você para irmos jantar. Estão indecisos entre pizzas hambúrgueres.
– Ah, sim... Oh, o Roddy pode ir também?
– Quem? – meu espanto foi pelo nível de intimidade a qual Liz já tratava o meu austría... Desculpe, o austríaco.
– O Roderich, Gil – vi o moreno guardando o instrumento na maleta.
– Ah, claro. – Ele me encarou e senti o coração bater mais forte e o rosto queimar.
– Nossa, Gil! Está vermelho! Tomou muito sol? Sabe bem que não pode! Passou protetor solar?
– Passei, claro... E fiquei na sombra!
– Isso mesmo!
Liz me abraçou e senti a presença de uma pessoa por perto.
– Porque não pode tomar sol? – a pergunta saiu num tom meio ríspido, e foi dirigida a Liz, não para mim.
– É que ele é albino. Não pode se expor ao sol, ou pode ter câncer.
– Hum – Roderich deu de ombros e parecia... Enciumado. Aquele me cortou por dentro, bem mais que eu poderia imaginar.
– Bem, estão todos esperando. – engoli a mágoa. Uma pessoa comum acharia o fato de alguém poder desenvolver um câncer de pele algo triste (apesar que eu odeio que sintam pena de mim) mas ao menos demonstram compaixão e preocupação.
Fomos aos quartos para que Roderich guardasse o instrumento. Descemos novamente, onde alguns estavam na ducha, para se livrarem do excesso de cloro, e onde Luciano estava provocando Martín.
– Beijinho no ombro pro Martín passar longe,
Beijinho no ombro só pros argentinos de plantão,
Beijinho no ombro só quem fecha com o bonde
Beijinho no ombro só quem tem disposição.
– Cala a boca, Luciano!
– Martín, sua loura malcomida, pega sua inveja e vai pra...
– Lu, o que vem a ser um bonde? – questionei. O brasileiro se aproximou, passou o braço atrás de meu pescoço e com o outro erguido, apontou para todos os presentes.
– Está vendo esses caras? Eles são o bonde. Você faz parte do bonde. O bonde do Lulu. Menos o Martín, porque ele é viado.
– Vou te dar uma na cara, Luciano!
– Vem me bater logo, sua bicha lazarenta.
– Não me provoque!!
– Parou! – Ivan chegou com uma bolsa térmica, acompanhado de Natasha. Se virem esse auê, vão desconfiar. Sosseguem ou vão ficar sem cerveja!
Agora Ivan falou a minha língua!
O russo me entregou uma garrafa geladíssima. A abri sem esforço e senti o maravilhoso gosto congelar minha garganta. Meu irmão não resistiu e pegou uma garrafa também. Senti um olhar lilás reprovador sobre mim.
Fizemos a votação e a pizza ganhou. Pedimos de vários sabores e dividimos a conta. Compramos 10 litros de Coca-Cola. Alfred disse não se importar, afinal, tudo engorda mesmo.
Depois de comermos, Antônio pegou seu violão e começou a tocar uma música romântica, dedicada a sua amada, que ficou vermelha com a surpresa. Fiquei vagando nas palavras, que apesar de eu conhecer poucas em espanhol, estava encantado. Mas algo me tirou dos meus devaneios.
– Pssssiu! Gilbert! Se for para flertar, que seja discreto! – Francis sussurrou ao meu ouvido.
– O quê?!
– Ficar encarando o novato, cara? Ele está constrangido!
Me dei conta que meu corpo estava virado em direção a um Roderich vermelho e nervoso.
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