Como Um Sonho

24 Só vou ali e... Ops! Encrenca.


Notas iniciais
(Continuação da Parte I)
Olá, queridos, como vão? Eu sei que demorei, mas é que eu ando sem motivação e criatividade para continuar a escrever e postar. Não que eu esteja ocupada, mas é que eu estou sem vontade para nada. E a criatividade me abandonou há algum tempo. Simplesmente não consigo escrever e tampouco postar algo. Vi que perdi vários leitores nas minhas histórias e peço mil desculpas se fiz algo de errado, mas queria que não me abandonassem por que isso é realmente difícil para mim. Quero agradecer àquelas que ainda me acompanham e que comentam minhas fics, sem vocês eu não seria nada. Espero que gostem do capítulo.
Allons-y!

Depois de juntar tudo e, com muito esforço, carregar as coisas até a torre da Grifinória, fui me deitar. Estava muito cansada e não via a hora de dormir e relaxar o corpo e a alma. Porém, algo me incomodava. As memórias do tempo em que minha mãe ainda era viva não me abandonavam — nunca abandonaram, na realidade -, mas estava ficando cada vez mais constante eu lembrar dela, e aquela visão do espelho ainda rondava minha mente, o que me perturbava um pouco.

Não que eu não quisesse pensar nela, muito pelo contrário — adorava relembrar nossos momentos juntas, apesar de isso ser um tanto deprimente -, mas estava ficando um pouco estranho. Queria poder acreditar que era tudo coisa da minha cabeça, porém algo me dizia que não era nada disso. Me revirei na cama diversas vezes antes de decidir que seria melhor descer e encontrar meus amigos, talvez eles soubessem de algo a respeito do tal espelho e me ajudassem a entender como vi minha mãe.

Cambaleei até a porta do quarto e espiei fora, encontrando apenas Harry sentado em um sofá lendo um livro em frente à lareira. Eu o observei e pensei que seria muito mais produtivo eu mesma tentar encontrar o misterioso espelho naquela sala. Com isso em mente, eu saí do Salão comunal discretamente, me perguntando como Harry não havia me percebido.

Eu rodei o castelo todo e não encontrei nada. Nada mesmo. Subi e desci escadas, atravessei corredores e lugares que eu nem conhecia e ainda assim não havia encontrado nada. Nada, nada, e mais nada. Pensei até em desistir, mas a ambição de encontrar o espelho falava mais alto — falava não, gritava.

– Nunca vou achar o lugar. É impossível. — eu murmurei para mim mesma, olhando todas as portas de um corredor, antes de dar a volta e seguir para outro.

Quando eu estava quase perdendo as esperanças, avistei uma porta no fim do corredor em que eu me encontrava. Não hesitei, andei até lá e abri a porta. Uma sensação de objetivo completo, alívio e uma pontada de medo me dominou. Adentrei a sala e dei dois passos. Lá estava ele. O espelho de Ojesed, lustroso, não parecia tão velho quanto deveria. Era largo e alto, chegava ao teto, tendo algumas escritas estranhas em formato de arco logo no topo. Andei até lá com os olhos semi-cerrados, com medo de ver qualquer coisa e sair correndo, medrosa como sou. Quando cheguei perto o suficiente, pousei uma mão sobre sua superfície lisa, abrindo lentamente os olhos em seguida.

Quando os abri por completo, ela estava ao meu lado, sorrindo. Com seus cabelos e olhos cor de chocolate hipnotizantes, e sua face serena que acalmava o ambiente. Ela trajava um longo vestido azul claro e seus cabelos castanhos estavam trançados de uma forma frouxa, mas que mesmo assim não a fazia perder nem um pingo de beleza.

– Mãe... — eu disse, soltando um longo suspiro. — Faz tanto tempo, não? Por quê? Por que teve de partir e me deixar sozinha com aquele monstro? Sabe, depois que você se foi, ele me agredia e quase nunca me deixava fazer nada. — seu semblante ficou triste. — E ainda casou-se com uma meretriz de quinta que se achava minha dona. Isso não foi nada justo.

Ela baixou a cabeça, e percebi que saíam lágrimas de seus olhos. Por mais que eu soubesse que ela não tinha culpa de nada do que me aconteceu, eu precisava contar o que eu sentia, todas as coisas que eu havia guardado por muito tempo estavam me sufocando. Acabei por derramar uma ou duas lágrimas, quando ela desapareceu.

Eu me sentei encostada ao espelho, com a cabeça escondida entre as pernas, e chorei. Chorei muito. Mas havia um lado bom: o peso que segurei por anos estava se esvaindo, dizer aquilo, por mais que a tivesse magoado um pouco, aliviou-me por dentro. Fiquei um tempo sentada ali, até que ouvi passos se aproximando.

– Vamos, Nor-r-ra, parece que não há nada aqui... — ouvi a voz de Filch dizer. Maldito seja, não tinha hora melhor para aparecer. Quando fui me apoiar em uma mesa para levantar e sair, esbarrei em um cálice e o derrubei, fazendo um barulho que doeu nos meus ouvidos. — O que foi isso? Quem está aí?

Eu arregalei os olhos e saí em disparada para me esconder atrás de uma mesa fechada, que estava um pouco mais afastada, quase no fim da sala. Quando me abaixei para me esconder, Filch entrou empurrando a porta com força, fazendo com que ela batesse com tudo contra a parede.

– Quem está aí? — sua voz alta ecoou pela sala parcialmente vazia, e logo após ele dizer isso o miado de sua gata também ecoou.

Sua gata, não mais petrificada — Filch havia feito um escândalo para que ela fosse a primeira a ser "despetrificada", quando algumas mandrágoras cresceram e ficaram prontas para o antídoto — andava em direção ao meu "esconderijo", eu podia saber pelos seus miados que ficavam cada vez mais perto de mim. Prendi a respiração e rezei para que ele a tirasse de lá o mais rápido possível. E por um milagre, então, minhas preces foram ouvidas.

– Aonde está indo? Venha cá, não há nada por aqui. — eu ouvi sua voz perto — muito perto — de onde eu estava. Mas, por sorte, ele pegou-a e começou a se afastar.

Quando a porta se fechou, e respirei fundo e saí às pressas daquela sala, sentindo um imenso alívio por não ter sido descoberta. Quando estava prestes a sair do corredor, nem chegando a andar, escutei passos atrás de mim.

– O que a mocinha faz fora do seu Salão Comunal? — escutei a voz exageradamente alta e entediada de Filch.

Merda.

Rodei lentamente os calcanhares até ficar de frente para ele, que me encarava com uma cara nem um pouco contente.

– Eh... Oi. — eu tentava formular algo mais coerente para dizer, mas ele me surpreendeu pegando-me bruscamente pelo braço e me puxando para um outro corredor.

– Ah, eu vou adorar vê-la perder os pontos que sua casa tanto trabalhou para conseguir... E depois ficará em detenção! — ele pensou alto e riu sozinho. Que maluco... Espera, perder pontos? Isso não soa nada bem.

Chegamos à uma gárgula estranha. Ele, sem me soltar, disse a senha — muito esquisita — e então revelou-se uma escada, pela qual subimos — leia-se: ele me arrastou.

– Dumbledore e suas senhas... Uma mais estranha que a outra! — ele resmungou.

Chegamos ao topo e ele abriu uma porta grande com certo cuidado, e enfiou a cabeça lá.

– Argo. — ouvi a voz do diretor. Eu congelei. — Entre.

– Diretor, você não adivinha onde esta garotinha estava. — Filch interrompeu meus pensamentos tumultuados — que giravam em torno do que estava acontecendo — e pôs-se a tentar fazer com que eu parecesse a culpada de um crime e que merecia ser punida. — Acha que devemos...

Ele havia entrado primeiro e, ainda me segurando pelo braço, me puxava para dentro com agressividade. Enquanto ele falava sem parar, eu parei e observei a sala atentamente. Eu já havia estado lá, claro, mas fazia tanto tempo e... Aquela Fênix não estava lá antes. Oh, sim! Eu havia visto ela se "auto-destruindo", como pensei no dia em que vi o fenômeno, e agora cá estava ela, deslumbrante. Dumbledore ordenou que Filch saísse, para que ele pudesse conversar comigo em particular — e isso particularmente me apavorou. O diretor notou meu olhar sobre o animal e chamou minha atenção.

– Bonita, não é mesmo? — eu me virei para ele assustada. Havia esquecido que estava ali por uma coisa que não era muito boa.

– Hã... É... — eu me atrapalhei para falar.

– Sei onde esteve, e sei também que não foi uma boa hora para ser interrompida, estou certo, srta. Valery?

Eu o encarei sem expressão por alguns segundos, balancei a cabeça e pisquei como se acordasse de repente e disse:

– Ah, talvez...

– Harry também esteve lá. Vulgo a sala.

– Ele também viu seus pais? O que o espelho mostra de verdade? As pessoas que você ama ou seu futuro ou...? — deixei a pergunta assim mesmo, incompleta. Ele me olhava como se visse minha alma, e isso me fez perder as palavras. Literalmente.

– Sim, ele viu. Mas eu o aconselhei a não voltar lá, e vou te dizer o mesmo. Muitos ficaram obcecados pelo espelho e acabaram enlouquecendo. Não quero que isto aconteça com nenhum de meus alunos, especialmente com você. — ele finalizou e eu sorri, aliviada. Porém a parte do "especialmente com você" me deixou pensativa. Algo nesta simples frase me intrigou.

– Claro, não volto mais lá.

Antes que o diretor pudesse dizer mais algo, alguém abriu a porta. Era Filch novamente.

– Deciciu o que fazer com a insolente? Devo preparar as correntes e as cordas? Ou ela terá que copiar mil vezes à mão "Não devo ser curiosa" no quadro negro?

– Não, está tudo bem. Não é necessário preparar nada, Argo, eu decidirei o que fazer junto com a diretora da casa da aluna, professora McGonagall. — o diretor falou e eu não pude evitar um sorriso de satisfação, olhando para Filch com certo desprezo. Ele devolveu o olhar com raiva.

– Mas, senhor Dumbled...

– Já disse que está tudo bem. Por favor, pode ir. — ele pediu. O zelador, ainda que contrariado, saiu da sala, deixando-me sozinha com Dumbledore outra vez.

– Olá, senhor diretor, Srta. Valery... — foi a vez da professora Minerva se pronunciar. — Não vai se sentar, querida?

Quando eu me dei conta, percebi que ainda estava de pé, ao lado da fênix.

– Ah, claro... — ela conjurou uma cadeira para nós duas.

Quando ficquei confortável na cadeira, ela perguntou:

– O que houve para eu estar aqui? — ela perguntou — Foi algo grave?

– Minerva. A aluna estava na sala do espelho.

Quando ela ouviu as palavras do diretor, suas feições mudaram. De pseudo-carinha-feliz para você-está-me-zoando em um segundo só.

"Que bonito, Carol, agora você vai ser expulsa."

Senti raiva de mim mesma quando pensei isso. Minha casa vai perder pontos e eu não posso fazer nada para reverter isso. Era tudo minha culpa.

– Bem, creio que isto requer certas medidas para que não aconteça novamente, estou certa? — ela disse, olhando significativamente para Dumbledore.

– Sim, Minerva. — ele retribuiu o olhar.

– Tudo bem, já vou arrumar as minhas malas e...

– De que está falando, srta. Valery?

– Não vou ser expulsa?

– Mas é claro que não, de onde tirou essa ideia? — a professora se exaltou. Eu engoli em seco, me sentia cada vez mais estúpida.

– Queremos apenas que não entre mais naquela sala. — o diretor esclareceu.

– Nem que saia a esta hora pelo castelo, pode ser perigoso. — ela piscou para mim. Suspirei em alívio e dei um sorriso mínimo para os dois, que retribuíram. — Bem, tenho que ir, espero vê-la na aula.

Quando a professora saiu, Dumbledore olhou para mim — que ainda estava sentada na cadeira a sua frente.

– Ah, acho que devo ir também. — eu me levantei, me dirigndo até a porta.

– Sim, claro. Mas quero lhe dizer o mesmo que disse à Harry. — ele disse, me encarando profundamente. — Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver.