Como Um Sonho
12 Hogwarts, aí vou eu.
Notas iniciais
Estava tão ansiosa, mais até do que eu esperava, para ir à Hogwarts, e quem sabe já começar a usar minha varinha, que acordei exatamente ás 4:50 da manhã e desci para fazer algo. Terminei de descer as escadas e estava a caminho da cestinha de frutas que havia em cima da mesa quando escutei passos atrás de mim.
– O que faz acordada á essa hora? — Ouço uma voz conhecida atrás de mim — Deveria estar dormindo.
Quando viro-me, encontro Rony encarando-me.
– Bom dia para você também. — Disse, sendo um pouco grossa. Mesmo estando animada para ir à escola, o que é impressionante, eu ainda acordo de mal humor. Ele suspira e revira os olhos, acho que não sou a única que está mal humorada aqui...
– Bom dia, Carolina. — Diz ele e eu bufo.
– É Carol, não Carolina. Por que todos confundem? — Cruzo os braços e em seguida dou uma mordida na maçã que havia pegado.
– Desculpe, eu não sabia... — Parecia um pouco surpreso, mas não era muita coisa.
– Não faz mal. — Digo e nós nos encaramos, em silêncio, por alguns segundos, quando ele decide quebrá-lo.
– Animada? — Pergunta, sorrindo levemente e sentando-se em uma cadeira, só então percebo que ainda estou em pé.
– Ah, sim. Até demais. — Dou uma risada sem graça, sentando-me ao seu lado — E você? O que faz acordado á essa hora?
– Sem sono. — Responde, esfregando um olho com a mão — E estou ansioso também.
– Hm... — Penso em algum assunto para puxar, mas sou interrompida por Percy, que vinha descendo e bocejando. Ele parou na ponta da escada e nos olhou surpreso, mas logo voltou à expressão normal, acho que vi um sorrisinho malicioso brotando em seus lábios.
– Os pombinhos já estão acordados? — Ele riu e nós dois fizemos uma careta.
– Ah, cala boca Percy — Bravejou Rony, crispando os lábios.
– Mal humorado, hein. — Disse Percy, sentando-se conosco — Adivinhem? – Disse de repente, fazendo suspense.
– O quê? – Perguntamos os dois juntos.
– Virei monitor! – Respondeu animado, dando um sorrisão para nós.
– Ah... – Voltamos nossas atenções para baixo.
– Não é bom? – Pergunta ele, murchando.
– Ah, sim, claro. – Sorrio levemente, ainda olhando para minha maçã, mas logo volto a ficar sem expressão.
– Quem roubou o motor? – Pergunta Fred, descendo as escadas.
– Que motor, cara. – Disse Percy indignado – Eu disse que virei monitor!
–Meu bebê? Virou monitor? Ah, que maravilha! – Disse a Sra. Weasley descendo as escadas e indo beijar o rosto de Percy.
– É, o bebê da mamãe virou monitor. – Disse Jorge, aparecendo e rindo da cara dele.
– Que coisa maravilhosa! – Disse Fred, imitando a mãe e os dois riram.
– Parem os já dois! Isto não é motivo de piadas. – Disse a Sra. Weasley, quase partindo para cima dos gêmeos – Ah, bom dia meus anjos, dormiram bem? – Perguntou, dando um beijo na minha cabeça e na de Rony.
– Sem dúvida. – Respondemos juntos.
– Que ótimo! – Sorriu para nós e foi até o fogão. Logo senti um cheiro bom no ar – Quem quer panquecas?
Depois de comer, fui arrumar as coisas em meu malão. Peguei todos os livros e arrumei direitinho, essa ansiedade me deixou com tanto bom humor que quase esqueci minhas vestes. Saímos da casa e andamos até sua frente, onde um pequeno Ford Anglia encontrava-se parado à nossa espera. Nunca pensei que veria isso, mesmo que meus amigos tenham me contado sobre o fanatismo do Sr. Weasley pelos trouxas, que era como chamavam as pessoas que não eram bruxas. Fiquei espantada com o tamanho do carro e com a quantidade de coisas que levávamos.
Mas o que eu não sabia é que o Sr. Weasley havia aumentado-o por um feitiço, para que todos ficassem confortáveis e sem apertos. Quando todos entraram, o Sr. Weasley olhou para o relógio e depois para a mulher, fazendo uma cara de cachorro abandonado na chuva.
– Não, Arthur. – Disse ela, cortando qualquer esperança do homem, seja lá para o que for.
– Mas ninguém veria, instalei este botão para deixar o carro invisível, será mais rápido. – Disse fazendo uma cara que me deu dó.
– Não, já disse que não. E vamos logo ou iremos nos atrasar. – Disse e encerrou o assunto, fazendo o Sr. Weasley dar um longo suspiro e logo em seguida ligar o carro.
Achei que perderíamos o trem, ou melhor, todos acharam, mas felizmente chegamos em tempo à estação. Procurei com os olhos algum vestígio de minha amiga, mesmo tendo certeza que ela não apareceria, pois seus pais não deixariam, além de que suspeitariam e perguntariam o motivo, que é segredo. Nos dirigimos à parede entre as plataformas 9 e 10, o que me deixou muito confusa pois era uma parede, o que faríamos ali?
– Mas o que... – Comecei, mas a Sra. Weasley não me deixou continuar.
– Querida, certamente você não sabe, mas é necessário atravessar esta parede para chegar ao expresso de Hogwarts. – Disse apressada. Logo vi Fred e Jorge passando pela parede, fiquei mais perplexa do que já estava.
– Agora você e Harry, Ron. Depois Carol e Hermione, de acordo? – Perguntou nos olhando, assentimos com a cabeça e então vi meus amigos passarem pela parede como fantasmas.
– Lá vamos nós. – Disse receosa, e se eu batesse com tudo contra a parede? Isso me deu medo, mas mesmo assim fui.
Espiamos para ver se alguém estava olhando e então corremos, discretamente, se isso for possível, até a parede por entre as plataformas. Por conta da tensão, acabei fechando os olhos, mas quando tornei a abri-los quase não acreditei no que vi. Estamos em outra estação, com um trem vermelho enorme em nossa frente. Passei os olhos por todo o lugar, fascinada, Mione parou ao meu lado e sorriu.
– Este é o expresso de Hogwarts, vem, vamos ver se eles encontraram alguma cabine vazia! – Exclamou, puxando-me para dentro do trem. Procuramos Rony e Harry, e quando os achamos eles estavam se enchendo de chocolate e outros doces.
– E nem guardam nada para nós, não é mesmo? – Pergunta Mione, fazendo uma cara de falsa indignação.
– Foi mal. – Diz Rony, com a boca cheia.
– Rony, não fale de boca cheia! – Falo em tom acusatório.
– Desculpe. – Diz, depois de engolir de uma vez tudo o que estava em sua boca. Fiz uma careta quando vi isso.
– Por que demoraram? – Pergunta Harry.
– Carol estava com medo. – Responde Mione, pegando o sapo de chocolate de Rony e dando uma mordida.
– Ei, eu não te dei meu sapo! – Exclama ele, magoado. Quase rio de sua expressão.
– Ah, não é problema, eu também fiquei assim da primeira vez, o importante é que chegamos a tempo. – Comenta Harry.
– Claro. – Digo.
O resto da viajem foi calmo, conversamos coisas idiotas, comemos todos os doces até ficarmos satisfeitos e eu até aprendi a fazer alguns feitiços, irei treiná-los depois. Quando olhei pela janela, vi que já estava escurecendo, pouco a pouco montanhas e matas apareciam sob um céu levemente arroxeado, aquela paisagem me fez ficar paralisada suspirando por 3 minutos, até eu finalmente perceber que havíamos parado.
– Chegamos? – Perguntei espantada, afinal não havia se passado tanto tempo.
– Provavelmente, o trem parou. – Diz Rony, colocando a cabeça para fora da cabine, verificando se havia algo de errado.
– Certamente não, já que não ainda não conseguimos ver as torres do castelo. – Comenta Mione, ficando com medo. Rony saiu da cabine e nós ficamos ainda mais receosos.
– Há algo errado com o trem, acho que foram as rodas ou algo assim. – Disse Rony calmamente, voltando à cabine e sentando-se ao lado de Harry. Vendo nossas expressões, tratou logo de continuar — Mas eles já arrumaram e voltaremos a andar exatamente agora. – E depois de dizer isso o trem começa a andar.
– Que susto... – Sussurro para a uma Mione assustada ao meu lado e ela assente.
Finalmente chegamos! Eu nem consigo acreditar, o trem parou e dessa vez não teve erro. Minha boca foi para baixo quando vi o castelo. Ele era enorme, com várias torres e torrinhas e as janelas brilhando á luz da lua. Seguimos com Hagrid até um laguinho que havia ali e entramos em barquinhos espalhados que nos levariam até o castelo.
– Apenas quatro em cada barco! – Gritou Hagrid, para que todos pudessem ouvir – Prontos? Então vamos.
E todos os barquinhos partiram ao mesmo tempo pelo lago que parecia de vidro de tão liso. Todos estão em silêncio, os olhos fixos apenas no grande castelo à nossa frente. O castelo tornava-se cada vez maior á medida que chegávamos mais perto. Finalmente chegamos à margem, onde descemos e seguimos por um caminho de pedras em direção ao castelo.
– É lindo! – Exclamei quando entramos.
Éramos guiados por uma bruxa alta, de cabelos negros e vestes verde-esmeralda. Sua expressão era severa e eu logo pensei que não deveríamos aborrecê-la, pois pelo que parece seria detenção na hora.
– Alunos do Primeiro e segundo ano, — Disse quando paramos em uma escada de mármore — sou a Professora Minerva McGonagall. Sejam bem-vindos à Hogwarts, o banquete de abertura do ano letivo começará em poucos minutos, e para os alunos do primeiro ano, vocês serão selecionados por casas. – Terminou e olhou para mim – E você, quero que me acompanhe antes do banquete.
Assustei-me, o que iria acontecer? Apenas acenei com a cabeça em sinal de concordância e subimos as escadas, em direção à um Salão, informaram-me que era o Salão Principal.
Entramos e todos os meus amigos dirigiram-se para uma mesa, quase sigo eles, mas decido ficar, por conta do que a professora disse. Tento ficar o mais afastada possível de todos os que estão parados à frente da mesa dos professores, talvez esperando para serem escolhidos pelas casas. McGonagall havia trazido um banquinho e um chapéu velho de bruxo. Quase pulei quando o chapéu começou a cantar.
Ah, você podem me achar pouco atraente,
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts.
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais,
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor,
Ou será a velha e sábia Corvinal
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais,
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali estejam seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!
Fiquei encarando aquela coisa de olhos arregalados, até que McGonagall resolve interferir puxando um rolo de pergaminho e abrindo-o. Não havia entendido bem até ela começar a chamar os nomes dos alunos, estes colocavam o chapéu, que lhes dizia sua casa e então iam para uma respectiva mesa, a qual correspondia à sua casa. Quando todos foram selecionados, a cadeira sumiu e ela pegou o chapéu e veio em minha direção, indicando para que eu saísse dali.
Foi o que fiz, saí e andamos até um corredor e paramos em frente á uma estátua, que se abriu após ela dizer a senha, que eu achei muito bizarra, pois não era possível, ou era, uma senha ser ‘’Gota de limão’’.
Dei de ombros e paramos em uma escada que subia sozinha, quando vi estávamos em uma sala que ela me disse ser do diretor.
– Bem, estás aqui para ser sorteada a uma das casas, como já observaste é apenas pôr o chapéu e ele lhe dirá sua casa. – Diz ela, passando-me o chapéu. Pego-o e observo-o por alguns segundos, virando-o em minhas mãos.
– Certo. — Digo e finalmente ponho o chapéu na cabeça, que após longos minutos grita ‘’Gryffindor!’’. Ela sorri minimamente e retira-o de minha cabeça, colocando-o em cima de um armário algo.
– Bem, você está na Grifinória, sou eu a diretora de sua casa. Podes ir, sabes onde é o Salão Principal? – Pergunta-me e eu aceno que não com a cabeça.
– Bem, siga-me então. – Diz suspirando e nós saímos daquela sala estranha e sinistra.
Dirigimos-nos até o Salão Principal e ela indicou-me a mesa onde meus amigos estavam, sorri feliz por estar com eles e corri em direção à mesa, sentando-me ao lado de Hermione.
– Ei! – Exclama ela, feliz por me ver – Ficou conosco?
– Sim! – Respondi e dei meu melhor sorriso colgate. Logo Rony e os outros estavam me dando os parabéns.
– Bem vinda à Grifinória, Carol. – Diz Gina. Foi uma das muitas coisas que ouvi de meus amigos.
– Obrigada. – Sorri para ela, que retribuiu.
Durante todo o banquete senti-me observada, mas não tive coragem de procurar quem era, parecia queimando-me, mas não liguei. Agora estamos indo até o Salão Comunal, onde são nossos quartos. Entramos no da Grifinória, Percy nos conduziu junto com os outros alunos e entramos lá. Fiquei boquiaberta com a beleza do lugar, era simplesmente lindo. Com poltronas, lareiras e um espaço enorme. Mione e Gina praticamente me arrastaram até o dormitório, que era lindo também.
Amanhã começavam, definitivamente, as aulas. Estou doida para usar minha varinha ou algo do tipo, quero loucamente saber como funcionam as escolas aqui, para comparar com as escolas trouxas. Viram? Estou pegando o espírito da coisa. Este primeiro de setembro realmente me surpreendeu... Ah, adivinhem onde meus pensamentos vieram parar? Em alguém que gostava e ainda gosto muito, mas não sei se ele corresponde aos meus sentimentos. Bem, espero que sim, não quero me machucar novamente, apesar de ter acontecido apenas uma vez, mas isso dói muito e não desejo isso nem para meus piores inimigos. Espero que eu o reencontre, e espero que ele não me trate como lixo, justamente como trata meus amigos, isso quebraria meu coração e acabaria com minhas esperanças. Enfim, que os Deuses me deem sorte.
Fale com o autor