Notas iniciais
E... NA HORA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Esse cap é bem forte, estejam avisados.

Era completamente impossível pensar em outra coisa que não nas palavras do Alfa. Todos nós ficamos com muito medo, nem os Erics ou os gêmeos fizeram suas brincadeiras o dia inteiro. A atmosfera estava tão pesada que podia se cortar um pedaço. Stóico percebeu isso e veio falar conosco.

— Crianças, o que aconteceu? Outro problema com Alfas? – Perguntou ele com um tom sério.

Soluço olhou para seus pés. Segurei suas costas para dar apoio e nos olhamos. Filho caminhou até o pai.

— Descobri que sou um tipo de Deus Dragão... – Disse ele de maneira muito pesada.

Stóico se surpreendeu, mas manteve a calma.

— E isso não é bom?

— Não. Eu não quero ser deus de nada, nem rei, nem líder. Só quero viver o mais normal possível! Eu não sei governar nada, não iria servir...

Stóico percebeu que Soluço poderia precisar de um pouco de atenção paterna, levou o Menino-Dragão para um lugar onde poderiam se sentar e conversar.

— O que pretende fazer então?

— A prioridade é terminar com esse problema do Drago, depois eu penso melhor sobre isso. – Soluço forçou um sorriso que logo murchou.

— Soluço. – Stóico parecia incomodado com algo.

— Sim, pai? – Soluço levantou o olhar.

Stóico respirou fundo.

— Saiba que sempre pode contar comigo. Com sua família. Todos nós.

Soluço sorriu engolindo o choro.

— Obrigado.

Os dois se abraçaram. Um abraço meio curto e sem jeito, mas foi o suficiente.

— E mais uma coisa.

— O que? – Indagou Soluço intrigado.

— Se quiser derrotar o Drago, precisa saber como lidar com ele, procure alguém que o conheça. Tente aquele namoradinho da Nader Stormy. – Stóico deu uma piscadela.

Soluço riu baixo. Levantou-se.

— Ouviram o velho. Vamos fazer uma visita ao nosso hospede. – Disse ele vindo até nós. Stormy sorriu de canto.

Fomos até onde Eret estava e deixamos Stormy cuidar do resto, ela já tinha o discurso todo pronto. Eret estava em uma cela “improvisada” que na verdade era uma antiga gaiola que usávamos para carregar dragões. O coitado tinha que ficar sentado o tempo todo e estava tudo enferrujado por falta de uso, dava pena. A Nader se aproximou da gaiola com firmeza, como se fossem inimigos. Talvez querendo mostrar que o assunto era sério.

— Eret, queremos fazer um acordo com você.

Eret ficou quieto um tempo. Depois, retribuindo da mesma maneira que a amiga, falou.

— Quero olhar nos seus olhos. Deixe-me sair.

Helga olhou para Soluço pedindo permissão, ele assentiu, a Gronkel pegou as chaves no cinto e abriu o cadeado. Eret saiu devagar e se espreguiçou, estalando os ossos e se sentindo melhor. Ele decidiu nos ouvir.

— O que vocês querem?

— Uma aliança. Você nos dará as informações necessárias para derrotar o Drago e, em troca, nós ofereceremos proteção.

— Não. – Ele respondeu rápido e frio, como se oferecêssemos um copo de água.

— Mas, Eret... – Stormy perdeu a postura séria e fria.

— Desculpa, Stormy... – Eret também perdeu a de soldado ríspido por um momento. A recuperou rapidamente. –... Mas não posso correr este risco. Sabem, há muita coisa que eu quero proteger...

— É por isso que devemos nos unir. – Soluço o interrompeu. – De nada vale proteger o que ou quem você ama se eles viverem como prisioneiros. – O Menino-Dragão conversava como um homem frio que impunha respeito e medo, contudo, notei que estava nervoso e emocionado. – Se passar para o nosso lado, vai dar tudo certo.

— Prisioneiros, sim, porém vivos. – Eret retrucou na mesma moeda.

— Isso não é viver, é sobreviver. – Falou Perna-de-Peixe com um tom raivoso.

— Melhor que nada. – Eret permaneceu frio.

— Mas...

Eu já disse que não!— Gritou Eret, interrompendo Stormy. – Vocês, todos vocês, devem ter pelo menos uma pessoa que querem proteger, certo? Servindo o Drago, eu garanto que os que eu prezo continuem vivos. Ou vocês nunca pararam pra pensar no que aconteceu depois de você fugir, Stormy? – Eret disse a última parte olhando diretamente para a Nader. Calamo-nos.

Stormy, em resposta, caminhou até Eret até chegar bem perto. Quando pareceu que ela iria beija-lo, Stormy agarrou o braço do caçador, torceu ele até as costas, fez o mesmo com o outro braço e jogou Eret no chão, montando em cima de ele para o tatuado não conseguir levantar.

— Quem disse que preciso de proteção? – Stormy sussurrou ao ouvido de Eret, sedutora, sibilando como uma cascavel. E ainda usando sua expressão de fera para demostrar periculosidade.

Você não entende... Eles têm um ferro novo...— Respondeu Eret entre um gemido de dor, mas ainda tentando parecer estar no controle. – Corta outros metais... E perfura a pele de dragões como se não fosse nada...— Uma lágrima de preocupação. – Me deixem voltar... Posso garantir a segurança de vocês... É tudo o que posso fazer... É a única coisa que posso fazer nessa vida...— Mais choro.

Stormy saiu de cima do tatuado chocada e nervosa, como todos nós. Olhamos para Soluço querendo saber que caminho tomar. Soluço respirou fundo e contou até cinco mentalmente.

— Eu não disse que lutaríamos contra o Drago. – Meu rosto se contorceu em uma expressão de "Sério?!”. – Posso tentar resolver isso de maneira pacífica. Só quero saber a localização e alguém para garantir que ele vai me escutar.

Eret se levantou de uma maneira estranha rindo igualmente estranho.

— Você ainda insiste nessa historinha? – Falou ele debochado. Soluço se manteve firme. Eret continuou como se o garoto a sua frente fosse um idiota completo. – Num mundo com Drago Sangue Bravo, é matar ou ser morto. Pense, Menino-Dragão, por que, raios, ele desperdiçaria uma oportunidade como essa de matar um Supremo?! Pelas histórias que eu ouvi, você deve estar sentindo muito por ter matado aquela sereia do Helheim... Mas... – Eret estava sorrindo sadicamente, até chegar na ultima parte, depois pareceu viajar em seus pensamentos. – Mas, outra vez... Você não terá escolha... – Eret olhou em diagonal para cima como se percebesse algo. – Vocês vão concordar comigo daqui a pouco. Ele precisa de cuidados.

Ao ouvir isso, os dragões arregalaram os olhos e foram correndo para o lado de fora. Nós, os humanos, nos entreolhamos e fomos junto.

Na entrada do ninho havia uma multidão, todos agitados e preocupados com alguma coisa ou alguém. Passamos por entre as pessoas até chegarmos ao centro da muvuca. Homens e mulheres, que devem ser os guardas ou seguranças, nos pararam.

— Sem montinho, irmãos! Ele precisa de espaço! – Gritavam eles.

Consegui ver do que se tratava: havia dois dragões no centro do tumulto, um mais novo e um mais velho, pareciam serem pai e filho, o mais novo estava com uma flecha atravessada bem no cotovelo do braço esquerdo; este urrava de dor enquanto aquele estava desamparado sem saber o que fazer.

Eu já tentei curar, é impossível... Minha chama não foi o bastante...— O pai chorava perto do Alfa Branco que mantinha a postura ríspida. O Alfa tocou nas costas do mais velho tentando dar o máximo de apoio possível.

Soluço, perto de mim, tinha os olhos marejados e Stormy estava chorando desesperada, como se fosse com ela. Até Dag parecia sentir a dor. Então, eu percebi... Parte dos braços de um dragão se transformavam nas asas, e se nem o fogo milagroso ou o fator de cura draconiano resolvera esse problema, eles teriam que amputar o braço. E, consequentemente... A asa.

Notas finais
Falei? Helgardh, também conhecido como Hel, Helheim ou Casa das Névoas, é um dos nove mundos da mitologia nórdica, o domicílio dos mortos. https://br.pinterest.com/katharyneguimar/fanfictioncombr/