Como Ser Um Pegador Em 12 Lições.
13 The Roof
Fred:
Eu estava no sofá com Rachel curtindo ela e sua linda coxa. Eu não estava ligando muito pras pessoas que passavam por lá comentando, ou do barulho que fazia por lá. O meu lance com ela não tinha conversas chatas que nos fazem perder tempo, era só tato – e eu já estava com saudade de tudo aquilo. Eu beijava Rachel animadamente enquanto ela fazia questão de passar suas mãos na minha barriga. Fiz com que ela encostasse sua cabeça no sofá, coloquei minhas mãos em seu rosto a fazendo rir, beijando-a com mais intensidade ainda. Não vou mentir, eu estava gostando de cada toque, de cada carinho que ela fazia e me fez perceber o quanto eu estava precisando daquilo naquele momento.– Arranjem um quarto! – ouvi uma pessoa gritar e sem quebrar o beijo, joguei meu dedo do meio pro alto. Ela riu e quebrou o beijo assim mesmo. Droga. – Você não quer subir? — ela me perguntou.Eu até queria, mas algo me mandou ficar. – Vamos curtir mais um pouco a festa. Mais tarde a gente vai. – beijei seu pescoço. E mano, como era cheiroso! Júlia:A música alta invadia a rua toda. Pedi pro meu táxi não parar exatamente na porta da casa deles. Não queria ser vista, não agora. Paguei o motorista e fui em direção à casa. Havia muitas pessoas fora dela. Algumas sentadas na grama queimada, outras perto da piscina e outras fumando em frente à porta. Decidi ir pra uma das janelas pra ver se encontrava Fred e a tal cretina. Vi que a sala tava cheia de gente e que não dava pra encontrá-los. Olhei pro lado, chateada. Eu só queria ver o que eles estão fazendo, só isso! Será que eles já estavam num quarto? Na minha cabeça acontecia de tudo. Desde Fred beijando-a até ele tirando a sua roupa. Fiquei vermelha só de pensar. Foi aí que uma árvore me chamou atenção. Eu sabia que na casa dos meninos havia uma janela de vidro no telhado, que dava pra ver toda a sala. Subi na árvore sem pensar duas vezes. Eu estava de vestido, mas não ligava muito. Apoiei-me em um galho e com muito esforço, coloquei meu pé na calha do telhado. Fiz um impulso pra pôr o outro e pronto, já estava no telhado. Subi engatinhando até encontrar a tal janela. Fui até lá com alguma dificuldade, minhas mãos estavam sujas e meus pés escorregavam de vez em quando. A janela era ampla, dava pra ter uma boa visão da sala e da quantidade de cabeças que havia nela. Fiquei com a barriga colada na janela junto com o meu rosto e minhas mãos.Meu coração quase parou quando vi duas pessoas se comendo no sofá. – Essa... Essa... Va... – foi quando eu caí e fui direto ao chão. Fred:Quebrei o beijo de Rachel, com sede. Peguei meu copo que tinha alguma coisa com vodca. A bebida desceu rasgando, me fazendo franzir o cenho. – Tenho uma coisa pra dizer. Não queria, mas logo agora que a gente tá assim... – Rachel pareceu nervosa ao falar – Eu acho que vou pra França. – Tipo, morar na França? — perguntei e ela fez que sim com a cabeça. Parecia que Rachel estava gostando de ficar comigo e não queria morar na França por minha causa. Tipo, ela sabe que a gente não tá sério, né? – Mas calma. – fez carinho no meu rosto – Vai demorar. Enquanto isso, a gente pode curtir um ao outro. – beijou meu rosto. Minha mão automaticamente foi até seu cabelo, puxando-o com mais força e fazendo com Rachel viesse mais perto pra pode beijá-la de novo. Júlia:A minha situação era a seguinte: a saia do meu vestido estava na minha cara, meu chapéu no chão, minhas mãos sujas e pude ouvir uma risada tosca. – Bela calcinha. – um cara com um copo verde na mão riu de mim. Minha calcinha roxa estava à mostra. – Sério, essa é uma calcinha bonita. – Falando assim, não parece que você viu muitas calcinhas. – eu disse ácida me levantando. Ajeitei meu vestido, limpei minhas mãos. O carinha pegou meu chapéu me dando em seguida. – Tão cavalheiro. – ironizei – Ao seu dispor, menina do telhado. – fez uma irreverência exagerada. Com isso, sua bebida caiu um pouco – Qual o seu nome? – Pra você só vai ficar na menina do telhado mesmo. – saí abusada com o que vi e com a perca de tempo que esse cara tinha me dado.Fui até a porta, juntei toda coragem que tinha e entrei. O lugar estava completamente cheio. Pessoas se chocavam contra mim enquanto eu andava, recebia olhares confusos de alguns populares. Um calor subiu quando finalmente encontrei quem eu queria. Fred e Rachel se beijando. Meus punhos estavam se fechando, uma raiva crescia dentro de mim. A minha vontade de acabar com festa daquela menina era incrível. Eu estava pronta pra ir até lá. Quando estava quase perto, eu senti um puxão no braço. Fred:– A ju tá aqui. – ouvi Guto dizer isso quando fui ao banheiro. Eu tinha deixado Rachel com suas amigas chatas. – Ah, mano, para de brincadeira! – falei dando um sorriso nervoso. – Não tem graça. – disse com medo. Sua cara não parecia de brincadeira. – Você não está brincando, né?
– Não, cara. – ele deu um gole em sua garrafa de cerveja – Queria eu. E tem mais. – Mais? — eu me alertei – Mike tá aqui com ela? – Não, não. Ela viu você beijando Rachel. – engoli em seco. – Bia puxou ju antes que ele fizesse alguma coisa. Você tinha que ver, Fred. ju tava com um olhar matador. — a idéia de ver Júlia com ciúmes de mim já me deixou com uma coisa no estômago. Olhei meio atordoado pra galera na sala, procurando ju.Eu sabia que isso podia acontecer, no fundo eu sabia que ela viria. Eu que fui cego o bastante pra perceber que, ela também se importa com a gente, assim como eu, e vindo aqui, foi uma prova e tanto. – Você acha que a gente vai se acertar dessa vez ? – quis saber. – Eu não sei de nada. Depois que ela te viu beijando outra garota vai ser meio complicado ter alguma chance, mas como você mesmo disse que a ju é imprevisível... Tudo pode acontecer. – confirmei com a cabeça, surgindo uma esperança mesmo que mínima. – Ela tá aonde? – Na cozinha com o resto das meninas. – Eu tenho uma ideia. Júlia:– EU SABIA QUE VOCÊ VIRIA! – Cris gritava pulando no meio da cozinha enquanto Bia me dava uma bronca. – Se eu não chegasse lá o que sobraria daquela pobre menina? — Bia olhava pra mim – Eu sei como você é quando está com raiva, Júlia Torres! Sei muito bem! – Tá defendendo ela agora? – Não! Claro que não, só não ia ser legal o que você ia fazer. – Davi chegou em Bia e abraçou por trás, encostando seu queixo no ombro dela. – Já vi que perdi mais uma coisa nessa festa... – Porra, a ju está aqui! – Cris ainda gritava e pulava — A festa tá completa, só falta uma coisa pra ficar perfeita! – ela olhou ladina pra Harry que desconfiado, saiu de perto dela. Guto chegou tenso na cozinha, olhando pra nós e disse: – Caras, preciso de vocês urgente. Tem um cara fazendo merda lá em cima. Fred... – aí ele olhou pra mim, fiquei encolhida só de ouvir seu nome – ... Já está lá. Vamos? Os meninos sem titubearem foram atrás de Guto. Minutos depois, Davi chamou Bia, que entrou e falou: – Amiga, a gente vai ajudar os meninos porque parece que umas loucas estão fazendo merda no banheiro também, como não querem ir pra não levar tapa na cara, chamaram a gente. – ela fez uma carinha de tristeza. – Mas as três? — perguntei. – Olha pra Cris, no que ela pode ajudar? — Cris andava pra cima e pra baixo com seu novo inseparável copo de vodca. — Desculpa, mas vou levar ela também. É melhor você ficar por aqui porque pode encontrar certas pessoas lá fora. Não queremos confusão, certo? – Certo. – falei como se fosse uma criança de cinco anos que tivesse brigando com algum coleguinha no parque e que agora estava de castigo. Todos se foram e eu fiquei sozinha. Já que estava cheio de bebida ao meu redor, resolvi afogar as mágoas na malvada. Coloquei um copo de vodca puro e bebi um gole doído. Peguei minha carteira de cigarros, tirando um e o acendendo em seguida. Subi no balcão da pia, ficando lá só com o meu cigarro e minha bebida. É, parecia que a noite seria assim. Traguei o cigarro pensando na merda que eu tinha visto mais cedo. Eu tinha perdido, perdido de vez. Agora ele tava com aquela puta fazendo sei lá o que, enquanto fico aqui, só. Estava com a cabeça baixa, pensando na vida, quando ouvi a porta se abrir. Continuei com a cabeça baixa, segurando meu chapéu, ignorando a pessoa que agora estava mexendo em alguma caixa de bebida. – Descontando no cigarro e na bebida? Grande jeito de esquecer as coisas. – ouvi a voz de Fred e fiquei atônita. Enquanto isso...– Só espero que eles se resolvam. Eu não agüento mais ver minha amiga assim. – Bia sentou na cama de Sousa. Ele tinha levado a garota pro seu quarto pra que ficassem mais à vontade. Davi concordou com a menina que estava na sua frente com um simples balançar de cabeça. Sentou ao seu lado na cama e ficou nervoso. O que faria agora? Ele esperou tanto por aquele momento, e agora que estava a sós com Beatriz, o que ele faria? Definitivamente, Beatriz não era como as outras. Ela tinha gostos incríveis, gostava de Star Wars – o que era bastante importante pra ele. Pensando em todas as qualidades que Bia tinha, o pânico surgiu. Como uma menina tão inteligente poderia gostar dele? Com quem ela iria discutir a Teoria da Relatividade quando eles tivessem namorando? Namorando... Até que essa ideia o agradou... – Davi? — Bia estalou os dedos pra que o menino acordasse do seu patético transe – Algum problema? — “Será que ele não me quer mais aqui?”– Nada. – disse suavemente. – Eu só estou feliz em estar aqui com você – o que ele falou foi o bastante pra que um sorriso caloroso surgisse nos lábios de Bia. – Sei que pode ser muito cedo pra te falar isso, mas quero muito ficar com você. Muito no estilo sempre e... – e o menino atrapalhado e fofo na opinião de Beatriz foi calado com um beijo quente e carinhoso. XSophia saiu sozinha da cozinha cheia de pensamentos bons. Ela era assim, pensava com otimismo nas coisas, chegava a ser um pouco chatinha e ainda tinha aquele lance de signos que ela curtia. Sophia era daquelas que acreditavam no cosmos e nas estrelas. Uma bobagem pra quem ver de fora, mas ela levava a sério. Com um copo vermelho na mão, bebericava sua cerveja com um pouco de dificuldade. Ela não curtia muito cerveja, preferia algo mais saboroso. Andando, surpreendeu-se com um abraço que ganhou por trás. – Você só sai daqui quando me der um beijo. – era Dylan. O carinha que ela tinha ficado na festa da Sam. Mais um idiota que fazia de tudo pra conquistar uma menina, pena que Sophia tinha descoberto um pouco tarde demais. Ela até tinha até gostado de ter ficado com ele, tinha sido bom até ele colocar sua mão no peito dela sem permissão. – Então, eu fico aqui a noite toda. – falou bravinha. Dylan sorriu. – Tem certeza que você quer desperdiçar essa chance? — o cheiro de álcool denunciava, Dylan estava bêbado. – Sim! – ela tirou a mão do garoto de sua cintura e tentou sair. Só não sabia que ele, persistente, pôs a outra em seu ombro a puxando com força. – Tira a mão de mim! – Dylan fingiu não ouvir e continuou com fazendo força pra que Sophia não saísse. – Você não ouviu a garota? — Guto com sua voz de machão que ele não sabia que existia dentro dele, falou. – Tire as mãos dela! – falou mais uma vez grosso. Dylan tirou contrariado. Sophia ficou um pouco tensa e sem saber o que fazer. Ficou olhando de Guto pra Dylan com medo de que acontecesse algo ruim. Dylan olhou duramente pra Guto.– Andrelli, não é da sua conta o que acontece entre a gente. – ele falou sério. Guto levantou seu cenho e disse: – Você ta na minha festa, tratando mal minha convidada e amiga. Eu acho que é da minha conta sim... – ele disse pensativo altamente fingido. Sophia se encheu de orgulho ao ouvir Guto falando assim. — Vamos Sophia! – pegou na mão da menina – E se eu ver que você está a irritando de novo, eu te expulso da festa. Tá entendendo? — saiu com Sophia ao seu encalço. Guto levou a garota para a área da piscina que estava cheia de gente. Foi com ela até o outro lado, resolvendo ficar por lá. – Você está bem? Ele te machucou? — enquanto Guto perguntava, ele mexia em seus ombros a fazendo virar-se. Sophia riu. – To bem. Obrigada. – de repente, os risos da menina cessaram e a mistura de olhares dela com os dele ficou intensamente estranha. – Foi muito legal o que você fez. – Sophia disse sem nem piscar. Guto fez um barulho com a boca nervoso e sem graça. – Aquilo não foi nada. – ele fez um gesto engraçado com mão. Pra Sophia, tudo em Guto era engraçado. E então, pra eles, a noite foi se seguindo entre risadas de Sophia e pensamentos vindo de um Andrelli nervoso sentindo algo estranho quando ouvia cada risada da linda menina. “O que porra tá acontecendo?”X– EU NÃO QUERO, HARRY! — Sam bêbada gritava a todos os pulmões que não queria transar com Harry – DEIXA EU BEBER! – Sam estava com um grupinho de amigas, as garotas mais babacas e amostradas de Westshefield. Harry, com cara de bobo, chamava Sam pra conversar num lugar mais íntimo enquanto recebia gritos de Sam e risadas ácidas de suas amigas. – Samantha... – Judd a chamou baixinho, como se tivesse implorando pra que Sam ficasse com ele. Uma coisa que todos derivam saber sobre o nosso Judd era que ele sempre, desde os primeiros sinais de puberdade no corpo de Sam, ele queria dormir com ela. Era uma coisa mais corporal do que sentimental. Verdade que Hazz nunca gostou dela, ele nunca gostou de ninguém. Ele simplesmente sentia tesão por Sam e mais nada.
A ruiva enjoada revirou os olhos, depois o ignorou. – Harry, você não está vendo que eu estou me divertindo? Você teve a sua chance! Merda. E ele pensando que quem só tinha problemas com mulheres era Fred.Saiu andando pela casa cheia de bêbados, desesperançoso. Ele não queria mais insistir naquilo. Se ele não ficaria com Sam, tudo bem, vamos jogar seu excitação pra outra pessoa. É isso que os garotos fazem. Quando não consegue com uma, vai com outra. – OUCH! – depois disso, Hazz só viu um corpo no chão. – To bem, to bem... – era Cris. Cris tinha bebido umas e outras a mais por aí e do nada, se chocou com o sua paixonite platônica. – Não, eu não to bem. – ela falou assim que Harry a levantou e viu tudo girando. Pôs sua mão na cabeça pra ver se melhorava a situação. – Cuidado, menina! – Harry a segurava quando Cris cambaleou pra trás. Ela não sabia com quem tinha se chocado, até ouvir sua voz. Cris gelou. “Puta que pariu, Cris! O homem da sua vida tromba em você e você tá nesse estado?”, pensou desesperada. Sim, ela podia ser dramática quando o assunto era Harry Judd. Ela ficou piscando os olhos lentamente, suas pupilas estavam dilatadas e sua tonteira estava acabando. Ter Harry com ela naquele momento era tão importante e tão legal que um fingimento não ia ser tão desagradável assim, né? – Eu preciso me sentar. – Cris falou como se tivesse sentindo dor. Hazz, que já tava com o pensamento do tipo “se a minha noite tá uma bosta, ajudar a garota não vai fazer diferença alguma.”. — Quer subir? Acho que meu quarto deve estar vazio. – Harry ofereceu como um bom-moço, sem maldade alguma. Cris, com um sorrisinho maquiavélico, fez que sim e os dois subiram. – Você pode deitar na minha cama se quiser. – o garoto ofereceu sua cama. Cris deitou nela e fungou forte o travesseiro dele. Aquele cheiro nunca sairia de sua cabeça. Fechou os olhos, alucinada com o perfume do baterista mais lindinho do mundo na opinião dela. Ela poderia viver naquele quarto pra sempre. – Eu poderia viver aqui pra sempre. – pensou alto demais. – Quê? – Nada, nada, nada. – disse envergonhada. E se essa fosse a hora de dizer o que sentia? E se falasse pra ele que desde o momento que o viu na aula de Literatura, no primeiro bimestre? Se contasse pra Harry que o amava há muito tempo? – Fala! – ele riu. E nossa, como o sorriso dele era lindo visto dali. Ela tava na cama dele, no quarto dele, com ele. Ela falaria o que sentia ali mesmo. – Eu te amo. XJúlia:Fred deu alguns passos, ficando em frente à mesa. Eu não conseguia decifrar o seu olhar, não sabia se estava com raiva ou apenas chateado por estar aqui em sua festa e ter atrapalhado sua noite mais uma vez. – Você não tem jeito. – Fred decidiu falar mais uma vez ao perceber que eu ficaria calada. – Quando eu decido, finalmente, partir pra outra, você resolve aparecer. – fumei um pouco porque estava nervosa. Eu queria estar frente à frente com ele, mas não sabia o que falar e como ia acabar. Coloquei meu cigarro entre os dedos, cruzei meus braços. – Cadê sua queridinha? — perguntei. – Sério, Júlia? Com tanta coisa acontecendo agora, aqui, você quer saber aonde Rachel está? – Fred viu pela minha cara que eu não estava brincando. Vencido, respondeu. — Eu disse a ela que estava passando mal e que passaria o resto da festa no quarto. Ela foi embora. Agora me responda por que você veio até aqui? Fred:Eu não acredito que depois de tanto tempo eu estava frente a frente com ju. Eu estava nervoso, não queria que ela visse que minhas mãos estavam suadas e não queria que a minha vontade louca de ficar com ela ali mesmo transparecesse. Eu queria ficar com ela, mas antes, ju precisava ouvir algumas coisas. – Pensei que Harry tinha convidado todas. – ela me respondeu. Pareceu muito segura de si. Diga-me quando Júlia nunca parecia segura de si? – A gente já pode parar com esse joguinho todo, ju. Eu perguntei o que você veio fazer aqui de verdade. E enfim, vi uma reação. Uma reação que acho qualquer garota podia ter, menos Júlia. Ela amassou seu cigarro no balcão da nossa pia, deu um suspiro fundo e disse: – Eu vim tirar você dela. – falou quase pra ela mesma de tão baixo. Meu coração na mesma hora voou querendo sair do peito e me fazer ir até ela e beijá-la. Eu poderia ir e roubar o melhor beijo, mas eu não estava satisfeito. – Você acha que é fácil chegar aqui e falar essas coisas e pronto, tá tudo resolvido? – Eu sei que não. Mas eu tenho algumas coisas pra falar. – ela desceu do balcão indo até a mesa — Porque aí, mesmo você não ficando comigo, quando eu sair daqui vou ter uma sensação de dever cumprido. – sua voz tinha voltado ao normal. Júlia colocou seus dedos na mesa e dava leves batidas em sinal de nervosismo. – To esperando. – cruzei os braços. Seus olhos, agora, faziam questão de ter um contato direto com os meus. Ela me olhava como se não tivesse nada além de nós dois naquela cozinha. – Fred, você não sabe o quanto foi péssimo ter acabado com você naquele dia. Passou na minha cabeça tanta coisa... – Do tipo... – Ah, a idéia de ver você terminar comigo foi tão insuportável, que como defesa preferi fazer isso primeiro. Eu não agüentaria ouvir você dizer que não queria ficar comigo por conta daquilo que fiz. Fora a mistura de sentimentos que eu tava sentindo até dez minutos atrás... – Como assim mistura de sentimentos? – Posso terminar? — ela esbravejou. – Eu tive medo de certas coisas e vendo você com aquela... – vi seus lábios crisparem – Quando vi você com Rachel, percebi que não queria você longe de mim e nem eu longe de você. Ao ouvir aquilo, uma felicidade explodiu dentro de mim. Meu corpo inteiro ficou dormente, eu só podia sentir o meu coração disparando numa velocidade enorme. Sem pensar duas vezes, fui até ela. Meu corpo se chocou com o dela, o que fez com que nós déssemos passos pra trás. Coloquei um dos meus braços em sua cintura, colocando minha barriga na sua. Senti sua respiração quente e seu hálito gostoso bater em minha boca. Cheirei seu pescoço, fazendo com que se arrepiasse. Suas mãos embrenharam em meus cabelos e ju me apertou com força. Ela suspirou profundamente. – Eu tava com saudades. – ela sussurrou no meu ouvido. Ela saiu do abraço apertado e me olhou. – Tava com saudades disso. – apertou meu nariz – E disso. – mexeu no meu cabelo. Fechei meus olhos automaticamente ao sentir seu toque. – E disso? — a beijei como se não tivesse feito nunca antes. Senti sua boca quente e gostosa mexendo, seguindo meus lábios sabiamente. Sua língua me deixava louco a cada toque. Apertei-me com mais força, a fazendo soltar um gemidinho. – A propósito, você fica linda com ciúmes. – falei quando coloquei Júlia sentada na bancada da nossa pia e fiquei entre suas pernas. Coloquei seu chapéu em minha cabeça. – Porra, nem me faz lembrar daquela vaca,Fred! – ela falou bravinha. – Também não é pra tanto! A mina vai pra França,relaxa... – eu quase apertava suas bochechas quando ela soltou: – Ela que se enterre na França. – fez um gesto com a mão, depois as colocou no meu rosto, fazendo carinho. – Você é linda. – eu disse a olhando. – Olha, o heartbreaker do Westshefield me chamando de linda! – ju deu uma risadinha ainda fazendo carinho em meu rosto. – Babaca. – eu disse, levantando meu pescoço pra poder beijá-la. Continuávamos a nos beijar fortemente quando decido colocar minha mão em sua bunda. Eu estava quase lá, eu podia sentir a felicidade dos meus dedos, mas aí, um babaca na sala gritou: – FESTA DO CABIDE! TODO MUNDO NU, PORRA! – ju parou de me beijar e quis saber quem era o ser que tinha gritado. E eu como um bom idiota, fui atrás dela até a sala.
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