Como Ser O Pior Aluno de Hogwarts

1 Lição 0 - Chegue na Escola 10 Anos Atrasado.


Notas iniciais
Bom, é a primeira vez que estou apresentando o Logan numa fic de HP. Ele geralmente pertence a minhas HO sem noção que nunca postei, mas essa história está pulando na minha cabeça tem um tempo, mais especificamente, desde que li Deathly Hallows. Dae, acabei pensando “WTH tô sem nada p/ fazer mesmo”. Espero que gostem.

Vão ter capítulos que terão coisas mais... como posso dizer... Picantes, mas quando tiver, avisarei antes de começar o cap e vão ser só p/ diversão mesmo.

Já deu p/ sacar que parafraseei o nome do livro do Danilo Gentili. Planejava outro título, mas esse tem mais a ver com o que vai acontecer mais

Os postes se acenderam antes do sol desaparecer em uma pequena rua no centro antigo de Edimburgo. Não era um bairro muito rico, a maior parte dos moradores era de funcionários públicos que trabalhavam no parlamento ganhando uma mixaria ou de bancários em início de carreira, mas que, assim que conseguiam alguma coisa melhor, tratavam de cair fora daquela área decadente da cidade.

Logan Kendrick não se encaixava em nenhuma das duas situações. Primeiro, porque ele não conhecia ninguém no ramo político para indicar-lhe a um cargo no parlamento. Segundo porque Logan não tinha escolaridade suficiente para assumir nenhuma das duas funções.

Ele abandonara a escola muito cedo, lá pelos 12 anos de idade, quando fugiu da casa dos pais em Aberdeen e fora de trem para Edimburgo. Desde então ele esteve por conta própria. Se virava como podia, engraxate, varria lojas de conveniências, lavava prato... Todo e qualquer serviço que pudesse lhe dar alguns trocados.

O rapaz de 21 anos fazia o caminho de volta para casa, com os fones do IPod no ouvido e usava um boné vermelho e branco do Arsenal, seu time de futebol da Premier League.

Kendrick tinha o cabelo escuro, curto e arrepiado, nariz fino, mas de traço forte, e queixo quadrado com a barba formando um cavanhaque ralo. Era alto, quase 1m80 de altura e estava em ótima forma física, já que percorria quase 4 km todos os dias com sua bicicleta. Seria um tipo comum se não fossem os olhos, eram um de cada cor. O direito, preto, tão escuro, que parecia um buraco negro e o esquerdo, azul, em um tom forte e bem claro, igual um dia de verão sem uma nuvem no céu.

Sua vida seria muito mais fácil se comprasse lentes de contato, mas todo e qualquer dinheiro que entrara em sua conta era guardado para montar um negócio próprio. Talvez uma oficina mecânica, era muito bom com máquinas, carros... Tudo o que envolvia motores.

Parara a bicicleta em frente a um distinto prédio com um mercadinho em baixo. Vira uma coruja rajada, parada no rack de bicicletas. Franziu o cenho, não era a primeira vez que via aquele animal. Ela estava pousada na entrada da fábrica de cerveja naquela manhã, e mais tarde, empoleirada em uma das máquinas que Logan arrumava. Parecia que a ave estava observando, o que era completamente absurdo na opinião do escocês.

Pegou sua chave dentro do bolso e subiu as escadas na sobreloja do prédio. Era um apartamento simples: banheiro e sala, com uma cama, duas poltronas, um armário caindo aos pedaços onde ele guardava suas roupas e um chuveiro que era uma imoralidade de tão ruim.

— Quem são vocês? – Indagou o rapaz, pegando um taco de cricket, escorado perto da porta.

Havia um homem e uma mulher. O homem, por volta dos 30 anos, baixinho, com os cabelos aloirados, um pouco rechonchudo e usando uma capa preta, e a mulher uma senhora já idosa, com os cabelos brancos preso num coque apertado, alta, com um ar severo e sentada na única parte de sua cama em que não havia bagunça.

— Acho que é ele Ne... Diretor Longbottom. – Falou a mulher.

— Deixe-me ver. – O mais novo enfiou a mão dentro da capa, procurando por alguma coisa. Revirou um bolso, revirou outro. Aquela busca parecia irritar a senhora que batia os pés constantemente contra o assoalho de madeira.

— É ele – Ela entregou uma foto que caíra no chão, enquanto o diretor revirava suas vestes.

Logan devolveu o taco para o lugar. Aquele cara era atrapalhado demais para ser um assaltante, e a senhora, bem, a não ser que ela lhe desse umas boas bengaladas no lugar certo, poderia ser uma ameaça, mas antes teria que pegá-lo.

— Oh! Tudo bem. – Longbottom disse, voltando a olhar dentro de sua roupa, atrás de outra coisa.

— Sr. Kendrick. – A senhora se levantou, mostrando seu porte imponente. – Eu sou Minerva McGonagall e este é Neville Longbottom. Nós dois representamos a Escola de Magia e Bruxaria de...

Logan começou a rir. “Magia? Bruxaria? Isso é só pode ser loucura.” Pensou balançando a cabeça de um lado para o outro.

— Algum problema Sr. Kendrick? – Minerva franziu a testa, fazendo seus óculos escorregarem para a ponta do nariz. Obviamente, o gesto do rapaz a aborreceu.

Ele caminhou até a poltrona mais próxima e largou a mochila em cima. Aquilo parecia uma tremenda palhaçada. Devia ser uma peça de alguns de seus amigos, atores contratados, tudo para fazê-lo acreditar que estava ficando louco.

— Haha, muito engraçado. – O rapaz tirou o boné e o atirou junto do resto de suas coisas. – Eu não sei que os contratou, mas essa foi uma pegadinha e tanto.

— Não é uma peça, Sr. Kendrick. – A mulher usou um tom bastante etéreo, enquanto o homem fazia uma careta como se não compreendesse a frase que o garoto dissera. – Nós estamos aqui representando a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

— Sim, sim, eu sou Cristiano Ronaldo. – Retrucou com um ar sarcástico no rosto. – Agora, se me dão licença, preciso tomar banho para ir a um jantar importante.

— O senhor não acredita em magia, Sr. Kendrick? – Neville indagou, vendo o olhar cético no rosto de Logan.

Para o escocês, magia, bruxaria e todas essas baboseiras não passavam de histórias criadas para assustar crianças ou para explicar fatos incríveis que os especialistas desconheciam o motivo real.

— Não acredito. Agradeceria se pudessem sair logo. – Ele os enxotou, um tanto mal-humorado.

— Tudo bem então. – Minerva se levantou e caminhou em direção a porta. – Vamos Ne... Diretor Longbottom.

Neville abriu a boca para protestar, mas algo lhe dizia que a professora tinha uma idéia para convencê-lo a acreditar.

Assim que atravessaram a porta, Neville resmungou.

— Vamos embora assim? – Ele cruzou os braços e balançou a cabeça, decepcionado pelo jeito como sua primeira missão como diretor de Hogwarts terminara.

— Mas claro é que não. – A senhora olhou para os dois lados, verificando se alguém passava pela rua. – Alguns são mais difíceis de convencer do que outros. Geralmente, esperamos um dia ou dois, mas como estamos com pressa... – Ela puxou a varinha e apontou-a para a entrada atrás de si. — Omnes Evanescunt*. — Raios dourados e prateados se misturaram e entraram para dentro do apartamento.

Neste exato momento, Logan se preparava para tomar banho, e se virara para jogar a camiseta suja de graxa sobre o sanitário. Ele olhava, com estranheza, o vaso não estava mais lá. Observando melhor, não tinha nada lá, nem chuveiro, nem pia, nada. Vazio completo. Saiu do cômodo desesperado e se deparou com o nada, Tudo sumira, não havia mais nenhum móvel, cadeira, nem mesmo janela, nem uma partícula de poeira.

Balançou a cabeça para os dois lados. Será que estava ficando louco? Claro, se as luzes tivessem apagado, ou se tudo começasse a voar de um lado para o outro, poderia ter duvidado, te achado que era um truque muito bem elaborado. Mas como tudo o que tinha desaparecera? Nem coragem para procurar tinha, porque não havia onde procurar, só restava o vácuo.

— Isso foi pouco ortodoxo... – Minerva disse, abrindo a porta lentamente. – Mas creio que teve um efeito melhor que o desejado. Agora temos a atenção do Sr. Kendrick – A professora apontou para o centro do assoalho. – Convertam*!

Então todas as coisas voltaram para o seu lugar. Até a bagunça de roupas espalhadas em cada canto, e as peças de carros desmontadas, junto com as ferramentas. Entretanto, a expressão de incredulidade e perplexidade ainda estampava o rosto do garoto.

— Como? – Foi a única palavra que saiu da boca do rapaz, ele mal conseguiu pronunciá-la. Era a coisa mais surreal que seus olhos já viram. Nem aqueles quadros sem nexo do Salvador Dalí que fora obrigado a ver eram tão birutas quanto à cena em questão.

— Bom, isso é magia Sr. Kendrick. – Explicou McGonagall. – É o que ensinamos em Hogwarts, mas não é todo mundo que é capaz de fazer isso. Nunca aconteceu nada perto do senhor que não tivesse explicação aparente? Algo que estava próximo e que desapareceu ou se transformou?

Ele refletiu, roçando o indicador no queixo. Realmente, ao se lembrar de acontecimentos passados, havia coisas estranhas, como da vez em que sua bicicleta sumira e desejou que ela voltasse, e como que puro encanto, uma nova surgiu atrás dele. Ou da vez que foi ao banco e que o atendente o tratara mal. Foi só pensar que seria engraçado se ratos começassem a sair de dentro da camisa do bancário e PLUF! Dezenas de roedores apareciam, causando pânico na agência.

Havia outras coisas, uma infinidade se fosse puxar tudo no fundo de sua memória. E em todas, ele preferira dar de ombros e fingir que aquilo não aconteceu.

— São muitos, não?! – Neville disse triunfante. – Tantos que nem que nem consegue se lembrar.

— Você é um bruxo. – Minerva falou como se fosse a mais óbvia das constatações. – E se for para Hogwarts poderá aprender a dominar esses eventos e usá-los a seu favor.

— Espera, espera, espera... – O escocês balançou a cabeça, estarrecido com o convite. – Vocês vieram aqui pra me recrutar? Por que eu? E por que agora?

— Certamente não é um recrutamento. – A senhora disse em um tom extremamente maternal. — Encare como um chamado de sua vocação tardia, já que essa visita era para ter sido feita alguns anos atrás.

— Quantos anos? – Ele perguntou, curioso.

— Ahãm... 10 anos. – Respondeu Neville, ficando envergonhado. – Os alunos são convidados para ir a Hogwarts com 11 anos.

— Cara, quem faz os convites dessa escola? O Rubinho Barrichello? – Logan falou com sarcasmo.

— A verdade é que seu convite foi extraviado. – Esclareceu a mulher, sentindo-se embaraçada. – Ele deveria ter sido enviado há 10 anos, mas a coruja se perdeu pelo caminho.

— Quer dizer, que se eu aceitar, vou estar no meio de moleques de 11 anos? – O escocês questionou, imaginando a infâmia.

Não que desgostasse de crianças, longe disso, mas seria no mínimo, ridículo, alguém com idade para se barbear no meio de garotos que ainda não deram nem o primeiro beijo. Tinha certeza que seria motivo de chacota para todos naquela escola, e pior de tudo era que não poderia fazer nada, já que seria covardia bater em pirralhos menores que ele.

— Não me levem a mal, eu quero aceitar, mas essa história de estar na turma de garotinhos me tirou toda a vontade. — Logan afirmou desanimado. – Além disso, eu nem tenho dinheiro pra bancar essa escola e não tenho condições de ficar sem trabalhar.

— Dinheiro não é problema Sr. Kendrick. Não terá que gastar com nada, nem com livros. – O diretor usou um tom de voz bastante firme e seguro. – Como foi culpa de uma das nossas corujas, nada mais justo do que compensá-lo desta forma.

— Além disso, Hogwarts não cobra de seus alunos. – Minerva parecia ofendida com a questão do dinheiro. – Estudar na maior escola de bruxaria da Europa é uma oportunidade única. Você está ganhando uma segunda chance, nem todo mundo recebe isso. Estamos abrindo uma exceção para o senhor. Não cometa a burrice de ignorar algo tão incrível.

A irritação de McGonagall surtiu efeito.

Logan refletiu sobre sua situação. Ele tinha 21, mal tinha estudado na vida, trabalhava numa fábrica de cerveja e dormia num muquifo e em um dos bairros mais pobres de Edimburgo. Pior do que estava, não podia ficar, talvez se as 20 mil libras que juntava numa poupança no banco sumissem... Enfim, não tinha nada a perder e se não desse certo, ele iria se virar. Era o que sempre fazia.

— Tudo bem, vai, eu aceito ir pra essa tal escola. – Respondeu Kendrick, prevendo a besteira que tinha feito.

— Ótimo. – Minerva levantou-se animada. – Hagrid o levará para comprar tudo o que precisa para o primeiro ano.

Neville entregou uma carta em um envelope com o timbre de Howarts para Logan. Estava bem amassado, mas ainda dava para ler o nome e um endereço no verso.

— Vá a este local amanhã, às 10 horas. Nosso guarda-caças vai ajudá-lo a se ambientar no mundo bruxo. – O diretor informou, exultante com sucesso daquela missão. – A lista de materiais está aí dentro.

— Adeus Sr. Kendrick – Acenou Minerva

— Nos vemos em Hogwarts, Sr. Kendrick. – Longbottom apertou a mão do aluno.

Da mesma forma como apareceram, os dois bruxos sumiram, deixando-o mais confuso do que jamais estivera.