Como Se Livrar De Um Vampiro Apaixonado.
19 Três dias sem Bella parte 1/2
Notas iniciais
Capítulo betado por: Alissa... I ♥ You!
Ah antes que eu me esqueça eu quero agradecer a Mili Oliveira, Alissa ( minha adorável beta) , ANA RAPOSO ( que sempre acompanha minhas fics e sempre comenta e recomenda, te adoro ♥ ) , Clara Caroline, J mary hochscheidt ( adorei saber que tenha gostado de mais uma fic minha ♥ ) e StelinhaBoutris. Obrigada pelas recomendações! Esse capítulo é especialmente para vocês.
Agora vamos à história...
Pov Bella.
Pensamentos corriam pela minha mente de forma frenética. Segundo Kol, Klaus e Elijah estavam revirando a cidade por minha causa, seria possível que...? Victoria também estava na cidade... Parecia difícil de respirar... Por que estava difícil de respirar?
– Bella? Bella? Respire e inspire calmamente. – eu ouvi a voz de Rebekah ao longe.
– Me dê ela. – senti braços me segurarem e outro par de braços me envolverem logo em seguida. – Bella eu quero que olhe para mim. Você está segura. Nada de mal vai acontecer a você.
Eu olhei para Kol que continuava me dizendo palavras de asseguro. Percebo tardiamente que estou tendo um ataque de pânico.
Eu respiro e inspiro e Kol parece fazer o mesmo. No fundo de minha mente eu acho a ação um pouco hilária já que ele não precisa respirar, mas estou entorpecida de mais para achar divertido.
– Eu estou bem agora. – eu digo minutos depois.
– Por que é que vocês estão demorando? – Pergunta uma voz vinda da porta.
– Droga! – resmunga Kol e Rebekah em sincronia.
– Finn eu posso explicar. – Rebekah articulou.
– Me diga que ela não esteve aqui o tempo todo. – ele exigiu.
Kol e Rebekah pareceram se encolher ligeiramente.
– Bem... – começou Kol.
– Não importa. – ele cortou e foi até onde eu me encontrava, se abaixando de forma que seu rosto ficasse na mesma altura que o meu.
E então uma sugestão de sorriso se formou em sua face, algo tão ligeiro que eu me perguntei se ele realmente estava sorrindo.
– Tem muita gente te procurando nesse momento. Por que não descemos e acabamos com a busca? – eu abri a boca para retrucar, mas suas palavras seguintes me fez repensar à negativa que eu queria dar em primeiro lugar. – Sua prima Caroline está lá embaixo, além de outros convidados.
Foi meio estranho o modo de ele pronunciar a palavra “convidados”.
Segurei sua mão que estava estendida para mim e me levantei da cama. Era hora de enfrentar meu destino. Porém não tive muito tempo para organizar meus pensamentos ou reunir uma coragem que não tinha enquanto era levada rapidamente pelo corredor e pela escada sinuosa.
Conforme as vozes cresceram em volume, o medo incontrolável estava ficando cada vez mais insuportável, enquanto seguia os passos de Finn. Em nenhum momento ele largou minha mão, incitando cada passo que eu dava.
Meu coração rufava, rebelando-se com cada passo que eu dava. Até que subitamente cheguei a um beco sem saída. Metaforicamente falando.
Chegamos a uma aconchegante sala de estar que estava cheio de... Vampiros. Olhei vários rostos desconhecidos até parar em um par de olhos azuis furiosos. Automaticamente dou um passo para trás, apenas para ser contida com um aperto leve em minha mão por Finn. Continuo a olhar para Klaus com olhos arregalados. Seu olhar se abranda, mas ainda posso ver uma fúria mal contida, apesar de ter sido abrandada com leve preocupação.
– Finn! Você a encontrou. – Elijah pronunciou, fazendo com que eu desviasse meus olhos de Klaus para vê-lo andar com passos apressados em minha direção.
– Eu disse que não havia feito nada a ela. – uma voz feminina se fez ouvir. Uma voz que eu conhecia... E então, meus olhos recaíram na figura que assombrava meus pesadelos.
– Victória... – eu sussurro tremula.
Fecho meus olhos.
Eu sabia. Era só uma questão de tempo. Tudo tinha sido algum tipo destorcido de jogo e agora estava claro que eu iria morrer.
Senti sendo puxada para os braços de alguém. Recusando a olhar... Eu podia ouvir um barulho de choro, percebendo tardiamente que era eu que o fazia.
Sinto meus pés deixarem o chão e em reflexo eu seguro a camisa daquele que me segura, seja lá quem fosse.
– Isabella... Abra os olhos.
Eu abri.
Elijah.
– Não há nada que temer. Você está segura agora. – Elijah dizia em meu ouvido.
E eu me vi acreditando em suas palavras.
– O que ela está fazendo aqui? – indago baixinho. Odiando parecer tão vulnerável, mas incapaz de reagir de forma contraria.
– Aconteceu muita coisa nesses últimos três dias enquanto você estava ausente. Onde você estava?
– O que aconteceu? – eu perguntei com minha voz mais clara, ignorando momentaneamente sua pergunta.
– Bem, eu fui atrás de você e descobri que havia desaparecido e organizei uma equipe de busca. – a voz de Klaus soou ao meu lado me fazendo saltar no colo de Elijah, somente o fazendo me segurar mais firmemente contra si mesmo.
Somente nesse instante percebo que nos encontrávamos em outro cômodo, que suponho ser a biblioteca se os livros em grande quantidade era alguma indicação, e que não havia mais ninguém além de nós três.
– Agora você poderia nos informar onde esteve esse tempo todo?
– Você organizou uma equipe de busca? – perguntei surpresa, muito consciente que eu estava evitando responder sua pergunta.
Elijah suspirou.
– Porque não contamos o que aconteceu e depois ela nos conta o seu lado da história. – sugeriu Elijah.
Klaus parecia ponderar por um instante.
– Muito bem. – concordou claramente insatisfeito.
Três dias atrás...
Pov Bonnie.
Eu dirigi o mais rápido possível, diante de minhas lágrimas furtivas que caiam de meus olhos, orando aos céus que Damon não fizesse nenhuma besteira, deixando escapar um soluço em meu nervosismo e agradecendo internamente pelas ruas estarem vazias devido à hora avançada.
Eu tentava me convencer que o que eu fazia era para uma boa causa. Eu tinha um sentimento que Bella era à chave para parar Klaus.
Apertei o volante de forma nervosa me perguntando se o feitiço de invocação foi a melhor maneira de resolver as coisas. Parecia simples. Mas eu deveria saber que feitiços nunca, nunca era simples.
Basicamente o feitiço invocaria alguém capaz de parar Klaus. Era o que queríamos... Não é mesmo? Obviamente era a coisa certa a se fazer.
Então por que eu me sentia culpada? Mordi meu lábio inferior, relutante em reconhecer a voz em minha cabeça dizendo que eu sabia a resposta para isso. Eu me sentia culpada porque eu não imaginava arrastar uma inocente no meio disso tudo. Era mais simples quando a pessoa invocada não era alguém que conhecíamos.
E agora sabendo a história de Bella com vampiros. Mordi meu lábio inferior nervosamente.
Bella não aceitaria tal tarefa se fosse questionada previamente. Ela não iria querer ser envolvida com vampiros novamente. Se fosse me dado uma escolha eu também não iria querer.
“Mas as bruxas não me pediriam para fazer algo se isso fosse prejudicar um ser inocente.” – Eu tentei assegurar a mim mesma.
Logicamente eu estava esperando que o feitiço invocasse um tipo de caçador de vampiro ou algo similar, mas mais uma vez os feitiços não faziam o que a gente esperava.
Às vezes me pergunto por que ainda fico surpresa.
Klaus tinha que ser parado. Isso era certo. E isso parecia à única certeza nos dias de hoje.
Quando foi que a vida ficou tão complicada?
Seria mais simples se os papeis fossem definidos em vilões e mocinhos. Tinha um tempo que isso era tão nítido, agora havia tantas incertezas.
Eu tinha aprendido que matar Klaus seria uma tarefa muito complicada. Nós precisávamos de muita energia para se livrar do híbrido. Quando eu canalizei o poder de todas as bruxas mortas de Fell’s Church, as bruxas me avisaram que mesmo com todo esse poder, não seria suficiente para matar Klaus. Dediquei meu tempo em textos antigos em busca de um feitiço para nos livrar dos Originais e assim obter a paz que tanto queríamos.
Suspirei.
O fracasso do último ritual para destruir os Originais ainda estava fresco em minha memória.
Eu encontrei o feitiço. Parecia relativamente simples. Os ingredientes não foram difíceis de encontrar. O difícil foi descobrir como iriamos fazê-los tomar a poção. Mas o problema foi resolvido quando fomos convidados para a festa de “trégua” que a família Mikaelson estava dando para a cidade.
Com um pouco de estratégia e muita, muita sorte conseguimos batizar o champanhe do primeiro brinde. E saímos de lá ilesos... Com exceção de Damon que levou um soco de Kol. Eu não vi o que aconteceu e nem fiz questão de saber.
A primeira etapa havia sido feita e havia chegado a hora de finalizar o ritual. E então eu me vi em uma caçada para achar a pessoa que eu nunca imaginei que iria ver novamente.
Minha mãe.
O ritual exigia duas bruxas da mesma linhagem.
Depois de muita persuasão conseguimos convencê-la a voltar a Fell’s Church e mesmo nosso relacionamento de mãe e filha parecia começar a ser resgatado. Pela primeira vez em muito tempo eu tive esperança de que tudo iria ficar bem. Nem mesmo Esther sendo uma bruxa poderosa poderia impedir-nos. Nada podia dar errado.
Mas...
Eu estava enganada. Pelo simples fator que não foi considerado ou mesmo levado em consideração.
Elena.
Elena com seu coração puro se sentiu culpada e no último instante avisou Elijah. Ela não queria sacrificá-lo junto com outros e com isso tudo desmoronou.
Eu amava Elena profundamente, mas eu não podia deixar de manter um pequeno ressentimento em relação a minha amiga. Eu não podia lutar contra esse sentimento. Primeiro havia sido minha avó, Jamie e depois minha mãe.
Apertei o volante e pisei no acelerador, enxugando meu rosto com dedos trêmulos.
Suspirei ao recordar o que se seguiu logo depois.
Stefan e Damon conseguiram impedir o ritual ao matar a minha mãe. O fato de Damon ter dado seu sangue para ela antes de torcer seu pescoço não ameniza os fatos.
Caroline levou o corpo de Abby para sua antiga casa e eu apenas segui em estado catatônico, sem conseguir assimilar o que tinha acontecido. Tudo havia acontecido tão rápido. Apenas um instante.
Caroline tinha sido maravilhosa sobre isso. Apenas ficando ao meu lado, dando um espaço que eu necessitava. Dizendo palavras de conforto quando necessário, ou mesmo ficando em silêncio, apenas ouvindo meu choro, enquanto eu esperava Abby acordar.
Dor era tudo que eu sentia. Eu não queria ficar ali vendo minha mãe se tornar a única coisa que eu odiava. E incapaz de fazer um movimento para sair dali.
Elena ligou para meu celular. Eu não atendi. Elena apareceu dois dias depois em minha porta e Caroline a mandou embora, explicando que eu precisava de um tempo para digerir os últimos acontecimentos.
Quando Abby acordou e percebeu o que ela havia se transformado tudo que ela disse foi: “Por quê?”.
Por que, de fato.
Porque de alguma forma os Originais havia descoberto o plano para destruí-los e haviam pegado Elena como refém e exigiram que os irmãos Salvatores impedissem o ritual ou eles não hesitariam em matar Elena, que na ocasião se encontrava em posse de Rebekah e Esther.
Era para ter sido eu. Stefan estava indo para me transformar, mas Damon chegou em Abby primeiro.
Eu chorei ao lhe pedir desculpas em ter lhe envolvido em algo que ela inicialmente havia recusado. E quebrei em soluços ao se confortada por ela dizendo que não era minha culpa.
Caroline foi à única que havia presenciado o momento entre mãe e filha. Ela se manteve em silêncio, entendendo que esse era um momento meu.
Eu havia dito a Abby que se ela optasse por passar pela transição eu iria lhe apoiar. Eu odiava os vampiros, contudo eu já havia perdido tanto.
Mas Abby havia decidido não passar pela transição. Ela havia dito que havia nascido uma bruxa, uma serva da natureza, ela não podia virar as costas para sua herança, tornando-se uma abominação.
Eu entendia. Não significa que doeu menos.
No momento que o sol se pôs... Abby estava morta.
Minha mãe estava morta.
Caroline estava lá para me segurar enquanto eu chorava silenciosamente. Enquanto eu a enterrava.
Caroline tinha sido meu porto seguro em meus momentos difíceis. E o que eu faço para retribuir isso? Eu ajudo Damon a sequestrar sua prima. Um riso nervoso escapa de meus lábios que soa um pouco histérico, apenas para ser abafado com outro soluço.
Eu amava Elena e faria tudo para ela ficar segura. Elena não era um vampiro, um lobisomem ou mesmo uma bruxa. Ela era apenas um ser humano que não tinha meios de se defender. Para isso ela tinha os irmãos Salvatores, Caroline, Alaric e... Eu. Mas mesmo sabendo disso, eu não conseguia deixar de me sentir ressentida, porque não importa as circunstancia eu era a pessoa que sempre perdia alguma coisa.
Tentei não pensar naquele dia. Tentei não pensar na troca de palavras feita entre os irmãos Salvatores, Elena e eu. Palavras que criaram rachaduras em uma amizade que antigamente eu considerava inabalável. Como eu estava enganada.
Meus esforços foram em vão, pois as lembranças continuaram a jogar em minha mente.
Lembro-me de dizer a Caroline que iria caminhar naquela noite. Eu precisava de ar fresco. Eu andei por quase três horas encontrando a pessoa que eu mais queria evitar nesse dia.
Elena.
Eu tentei sair do meu caminho antes que ela me visse. A sorte não estava ao meu lado.
– Bonnie! – inconscientemente eu dei um passo para trás para evitar o contado com ela. – Bonnie eu entendo que você não queria me ver na outra noite e eu só quero que você saiba que quando você quiser falar com alguém... Eu estarei aqui para você. – ela disse com um pequeno sorriso.
Eu acenei com a cabeça.
– Eu tenho que voltar. Caroline deve está preocupada... – eu disse evasiva, me virando para sair quando Damon se pronunciou.
– Ela está tentando se aproximar de você, você não pode ser mais gentil? Sua mãe é uma vampira, mas pelo menos ela está viva. Você deveria ficar feliz que Elena está viva e...
– Você está certo Damon. – eu o cortei impassível. – Elena está viva e isso é tudo que importa. Obrigada por definir minhas prioridades.
– Sua mãe lhe abandonou enquanto que Elena sempre esteve aqui para você. Você mais do que ninguém deveria entender que a segurança de Elena era mais importante.
As palavras de Damon doeram, e eu cego em minha raiva mandei um poderoso aneurisma o fazendo se dobrar de dor. Stefan deu um passo à frente para amparar Damon enquanto que Elena segurou meu braço.
– Bonnie, por favor, pare com isso! – Elena implorou. Eu queria acreditar que ela o fazia porque estávamos em publico e ela queria me proteger, mas não era o caso.
– Por que eu deveria fazer isso? – eu pergunto irritada.
– É Elena, por que ela deveria? – perguntou uma voz requintada atrás de nós. Elena soltou meu braço no mesmo instante e eu dei um passo para trás, retirando meu poder de cima de Damon reconhecendo a presença do caçula dos Originais. Kol. – A menina acaba de enterrar a mãe e eu acredito que ela deveria ter o direito de mostrar como ela se sente.
– Sua mãe está morta? – preguntou Elena horrorizada.
Eu podia sentir as lágrimas ardendo em meus olhos.
– Ela decidiu não completar a transição. – eu informo suave. – Não! – eu digo ao ver Elena erguer a mão para me tocar e dou mais um passo para trás.
– Bonnie, eu sinto...
– Não! Minha mãe deixou essa cidade por causa de você, e agora ela está morta por causa de você. – eu olhei para os irmãos Salvatores que se encontrava atrás de Elena. – Por causa da obsessão que eles têm para você, eles mataram minha mãe. Stefan ia me matar. – as lágrimas deslizavam quentes pela minha bochecha. — Você sempre diz que tem medo de Klaus matar todos que você ama, mas quem você tem que ter medo é os dois que se encontra atrás de você. Eles vão sacrificar tudo e todos por você.
– Stefan não ia fazer isso. – ela disse debilmente como se quisesse convencer mais a si mesma.
Um riso amargo saiu de meus lábios.
– Eles decidiram nossa vida jogando uma moeda. – eu olhei para os Salvatores que me olhavam com culpa. – Sim, eu sei. As bruxas me contaram. É bom saber o quanto minha vida vale para vocês.
– Bonnie, nós realmente sentimos muito. Nós... – Stefan falou pela primeira vez.
– Guarde as desculpas falsas para você, porque eu não as quero. Eu estou cansada. Encontre outra bruxa para fazer seus feitiços.
– Bonnie... – Elena murmurou.
– Eu sinto muito Elena, mas eu não posso fazer mais isso.
Dei as costas para eles. Elena e nenhum dos Salvatores tentaram parar minha saída.
Andei por algum tempo, muito consciente de estar sendo seguida. Parei. Não olhei para trás.
– Por que está me seguindo?
– Achei que gostaria de conversar.
Franzi a testa.
– Por que acha que eu gostaria de conversar com você?
– Não sei, mas se quiser estou a disposição.
Balancei a cabeça e voltei a andar. Eu não entendia. Eu sequer deveria permitir sua presença perto de mim. Ele representava tudo que eu mais odiava no mundo, no entanto, eu me via relaxar em sua presença.
Andamos em silencio.
Logo me vi na frente do Grill. Entrei. Sentei em um dos inúmeros bancos perto do bar e pedir uma bebida. Tudo que eu disse a barman era que eu queria algo com um grande teor de álcool. O vampiro que me seguia até então se sentou ao meu lado. Não emitiu nenhum som. Apenas ficou lá. Eu podia sentir seus olhos sobre mim. Ignorei. Pedi uma segunda bebida após virar a primeira de uma vez.
Já podia sentir o efeito do álcool em meu organismo. Eu sempre tinha sido fraca para bebidas. E no presente momento ficar bêbada com um vampiro ao meu lado não era uma escolha sabia. Mas eu não me importava.
****
Minha boca estava seca. Era como se ela tivesse enchido de algodão.
Estava com sede e minha cabeça doía terrivelmente. Abri meus olhos, mesmo que eles pesassem muito essa manhã. A luz se infiltrava no quarto e eu volto a fechar meus olhos.
Por que Caroline abriu as janelas?
Rolei para o lado, ficando de costas para a claridade. Volto a abrir os olhos. Pisco. E pisco novamente. Isso não pode estar acontecendo. Só pode ser um sonho... Não, não, sonho não, pesadelo.
Um terrível pesadelo.
Continuo encarando, incapaz de acreditar em minha visão.
Não, não, não... Eu não posso ter dormido com ele.
Mas para meu desespero Kol continua deitado ao meu lado sorrindo amplamente para mim. O álcool foi definitivamente uma má idéia.
– Não me diga que nós... Nós...
– Não aconteceu nada. Agora relaxe Bonnie. – eu olhei para ele em duvida. – Você tem minha palavra, eu não me aproveitei de seu estado na noite anterior. Fui um perfeito cavalheiro.
– Um perfeito cavalheiro não tira a roupa de uma mulher com ela adormecida.
– Você não estava dormindo quando as tirou.
– Fui eu que... Que...
– Você é adorável quando está nervosa. – ele diz beijando meus lábios levemente e de forma rápida, se levantando logo em seguida.
Sentei-me na cama, ajustando o lençol em volta de meu corpo de modo a não revelar nada aos seus olhos. Não que eu tivesse alguma duvida que ele não tenha visto alguma coisa antes.
– Suas roupas se encontram dobradas sobre o criado mudo. – ele apontou.
– Vire-se. – eu ordeno.
Ele apenas revira os olhos, mas faz o que peço.
Visto-me rapidamente, olhando por sobre meu ombro furtivamente para ter certeza que ele continua olhando para o outro lado.
– Por que me trouxe para cá? – pergunto ao me dar conta onde me encontro. Por que ele me traria a mansão de sua família.
– Você não tinha condições de ir para casa sozinha. Eu poderia te levar, mas infelizmente eu não poderia entrar sem um convite, então... – ele deu de ombros. – Aqui estamos.
Cruzei os braços.
– O que ganha com isso? Qual é o seu interesse?
– Ah uma mulher que vai direto ao ponto. Gosto disso.
– Então? – incito quando o silencio se estende.
– Eu só quero uma coisa.
É claro que quer.
– Desculpe, mas vai ter que pedir para outra pessoa. Se estiver em busca de algum feitiço, vá pedir a sua mãe. Ela é uma bruxa depois de tudo.
– Ah, mas o que eu quero só você pode me dar. – ele pronunciou sugestivamente caminhando em minha direção.
– E seria? – eu pergunto erguendo meu queixo desafiadora.
– Você.
Pisquei. Provavelmente eu tinha escutado mal. Ele não poderia ter dito...
– Você, Bonnie. Eu quero você.
Dei um passo para trás.
– Eu não sei que tipo de jogo você está jogando, mas fique longe de mim se sabe o que é melhor para você.
– O que foi que eu fiz para te dar essa impressão?
– Não foi o que você fez, mas o que você é. Você sabe que eu sou uma das pessoas que estão tentando matar seu irmão, não sabe?
– Estou bem ciente disso, mas acredito que você vai mudar de ideia, afinal não augura nada de bom matar seu futuro cunhado, não é mesmo?
“Cunhado?” – Eu penso assustada e petrificada.
– Bonnie... – ele deu um passo à frente e me puxa pela mão, o jeito que ele segura minha mão é quase intimo, e em um gesto automático eu levo a outra mão em seu peito.
Meu coração se acelera ao ver seu sorriso. Ele continua a segurar a minha mão. Sua outra mão vaga para minha cintura e ele me puxa mais junto a si. Eu continuo olhando para ele. Respirando pesadamente.
Ambas as mãos vão deslizando pela lateral de meu corpo, enviando choques elétricos em todo o meu ser. E então, de repente, ambas as mãos seguram meu rosto. Em nenhum momento ele desvia seu olhar do meu. Kol aproxima seu rosto do meu lentamente. Sua respiração bate em meu rosto antes mesmo que seus lábios roçam os meus.
Kol se afasta apenas alguns centímetros para trás, com seus olhos brilhando com alegria mal contida. A sensação em estar em seus braços é de segurança, embora eu não compreendesse o motivo, pois o medo era uma reação normal e esperada tendo um vampiro mau que poderia esmaga-la em segundos se assim o quisesse.
Foda-se! Como fodido as coisas poderiam ficar para me sentir segura ao lado de um vampiro?
Meu cérebro resolve chutar algum raciocínio logico e eu saio de meu estupor enviando um grande aneurisma o fazendo se dobrar ao meio e cair de joelhos a minha frente. Não podia acreditar que quase deixei Kol me beijar. Que quase deixei um vampiro, a criatura que eu mais odiava me beijar. Eu precisava sair dali.
Passei por ele e corri.
Descendo as escadas sinuosas, pedindo internamente para que eu pudesse sair dessa casa sem encontrar nenhum da família Mikaelson ou qualquer um dos seus agregados, vulgo híbridos de Klaus.
Felizmente para mim, naquela noite minhas preces foram escutadas.
Depois de alguns dias entrei em acordo com Elena e os irmãos Salvatores. Não se podia dizer que nossa amizade tinha sido restaurada e que tudo seria como antes. Não seria.
Mas tínhamos um objetivo em comum. Destruir Klaus.
Voltei ao presente bruscamente quando um vulto passou na frente de meu carro e instintivamente eu tentei desviar. Meu carro derrapou e girou 180 graus devido à velocidade que eu me encontrava e então parou.
Meu coração batia de forma acelerada e eu arfava em busca de ar.
Segurando o volante em minhas mãos com força eu olho em todas as direções. Podia sentir que um vampiro estava em espreita. Um vulto alaranjado correu novamente na frente do carro fazendo com que eu soltasse um grito involuntário.
Travei meu maxilar a ponto de ouvir meus próprios dentes rangerem com o pensamento de um vampiro querendo sugar o meu sangue. Reunir todo meu poder e mandei uma explosão a minha volta. Só deixaria o vampiro atordoado, mas se ele fosse esperto ele se manteria longe ao ver que eu não era uma humana comum.
Continuei olhando a minha volta para qualquer movimento suspeito.
O silêncio era tão devastador que tudo que eu conseguia ouvir era meu coração rugindo em meu peito. Eu respiro e inspiro algumas vezes na tentativa de me acalmar. E salto em pânico quando a porta ao meu lado se abre.
– Problemas com o carro?
– Elijah! – eu respiro aliviada. E continuo ao ver o questionamento em seu olhar – Não, nenhum problema com o carro.
– Algum problema?
Eu olho em volta e franzo a testa em concentração.
– Não. – respondo vagamente. Elijah olha ao seu redor e volta a cravar seus olhos sobre mim.
– Deslize para o banco de passageiro. Eu vou dirigir.
Fiz o que ele disse. Depois que o carro foi posto em movimento percebo o que acabo de fazer. Eu simplesmente obedeci a seu comando sem questionar. Apesar de Elijah ter sido sempre um cavalheiro ele ainda era um vampiro, um Original.
Antes que eu perceba o carro era estacionado em frente a minha casa. Não era onde eu estava indo, mas não disse nada. A porta do passageiro se abre e eu olho para Elijah que me olha atentamente. Era como se ele pudesse ver a minha alma. Fiquei zangada com esse pensamento e saio do carro indo em direção à porta da frente de minha casa o ignorando completamente.
– Bonnie?
– O que você quer Elijah? – eu pergunto irritada, me virando para voltar a olhar para ele.
Ele toma a minha mão me puxando mais próxima. Um gesto que parecia familiar que me assustou.
– Bonnie, você quer saber um segredo? – ele perguntou sorrindo.
Meu coração martelava em meu peito. Minha garganta estava seca. Ele fechou a distancia entre nós e eu podia sentir o seu hálito em minha orelha.
– Nos os Mikaelson somos muito persistentes quando queremos algo e eu só queria dizer que ficaremos muito felizes em ter você como parte de nossa família. – ele não podia saber, podia? – Meu irmão tem um bom gosto. Não lute contra isso.
Ele sabia. Eu apenas fiquei olhando para ele enquanto ele se afastava imperturbável.
Continuei olhando onde antes estivera um dos temíveis Originais. Incapaz de processar o que tinha acontecido. Era ele me dizendo que aprovava o interesse de seu irmão comigo?
Sou tirada de meus pensamentos por Caroline que aparece em minha frente do nada.
– Meu Deus Caroline! Quer me matar de susto?
– Desculpe, não era minha intenção. – Caroline se desculpou e parecia agitada.
– O que aconteceu?
– Bella está aqui com você? – olhei para ela confusa. – Bella desapareceu. Ela subiu para ir dormir e... Eu deveria ter conferido e ver se estava tudo bem... O meu Deus! Onde é que ela pode estar?
Culpa me assolou.
– Caroline eu...
– Estamos em grandes, grandes problemas. Klaus esteve em minha casa Bonnie! E devo dizer que ele não está agindo em seu estado normal. Ele pediu... Não, ele exigiu ver a Bella. Quando ele notou que ela não estava em casa ele surtou e saiu dizendo que se os irmãos Salvatore tinha algo a ver com isso... – ela parou e me olhou com os olhos arregalados.
– Caroline?
– Eu deveria ter ligado e avisado Stefan ou Elena, mas eu estava tão preocupada com Bella que acabei não fazendo.
– Caroline... – eu comecei, somente para ser ignorada pela vampira frenética que já se encontrava ao telefone.
– Stefan o Klaus... O quê? Eu estou com Bonnie e chegaremos aí em breve. – ela desligou o celular e olhou para mim. – Klaus levou Elena.
Fechei meus olhos. Eu sabia que não devia ter concordado com os planos de Damon.
Um momento mais cedo na casa dos Salvatores...
Pov Elena.
– A deixe ir Klaus.
– Nem mais um passo Stefan, não queremos que Elena saia machucada. Queremos nós?
Eu podia sentir o sangue correr mais rápido em minhas veias devido a adrenalina. Pisquei uma única vez antes de ver Stefan acenando sua cabeça e Klaus soltar meu pescoço. Contudo ele continuava atrás de mim, segurando um de meus braços.
– Não se mova. – Klaus sussurrou em meu ouvido friamente antes de soltar meu braço. – Boa menina. – ele elogia sem nenhuma emoção em sua voz e em seu rosto.
Estranho que eu pudesse fazer tal observação diante de minha vida em perigo.
– Não seja tolo em tentar me impedir Stefan, eu vou levar Elena. E só irei devolver quando vocês entregarem Isabella para mim.
– Nós não estamos com ela. Não temos participação em seu sumiço. Agora deixe Elena em paz.
– Isso é mal e eu não me importo. Vocês têm duas opções. Cooperação ou consequência. Embora eu pense que já deixei estabelecida a parte onde eu digo “salte” e vocês dizem “quão alto?”
Havia um tom escuro no tom de Klaus que me fez perguntar para mim mesma se ele seria capaz de sentir alguma emoção que não fosse ódio ou sede de poder.
– Eu vou fazer o que diz. Apenas deixe Elena ir.
– Esse é o espirito. Agora que vocês entenderam, eu não preciso colocar mais pessoas a sua procura. É um fardo muito grande usar compulsão em tanta gente para que elas façam coisas para mim contra a sua vontade. Não, na verdade não é e eu tomo um grande divertimento em fazê-lo.
Suspirei sabendo que Klaus havia obtido o que ele queria escutar e logo estaria longe nos deixando apenas com a tarefa de encontrar Bella. Dei um passo a frente com intenção de ir de encontro para Stefan quando sou puxada de volta para trás.
– Eu disse para não se mover.
Engoli em seco. Estremecendo com o medo que percorria minha coluna.
Klaus caminhou em direção a porta e passou a me puxar junto com ele.
– Onde está me levando? – eu pergunto alarmada.
– Klaus...
Klaus parou e se virou para Stefan, segurando meu braço em um aperto férreo.
– Eu disse que iria levar Elena e nada mudará minha mente então nem tente. Encontre Isabella e eu devolvo Elena.
Stefan me olhava angustiado e eu tentei sorrir para confortá-lo. Abri a boca para dizer algo encorajador ou mesmo dizer que tudo iria ficar bem, mas eu simplesmente não conseguir articular as palavras.
– Ah e Stefan... Eu me apressaria, eu posso ficar impaciente e você não vai querer Elena perto de mim quando eu não estou em meu melhor humor.
Perguntei-me vagamente se algum dia Klaus tinha ficado de bom humor sem que tivesse envolvido morte e dor as pessoas a sua volta.
Provavelmente não.
– Se você machuca-la...
– Não gaste seu tempo com ameaças vazias meu caro amigo. Acredito que você tem uma caçada a fazer.
E então no próximo segundo eu estou sendo agarrada por Klaus, sentindo o vento bater em meu corpo, tendo a paisagem ao redor em um borrão e logo a seguir sou colocada de volta no chão.
Quando minha visão turva se estabelece eu vejo que estamos na porta da frente da grande mansão dos Mikaelson.
Não tenho tempo de me atentar a detalhes, pois sou bruscamente puxada pelo braço até o interior da mansão.
Eu mordo o interior de minha bochecha para evitar as palavras ríspidas que bailavam na ponta de minha língua. Não seria sábio incitar ainda mais a fúria que Klaus parecia emitir em cada poro de seu corpo.
– Rebekah querida temos hospede em casa, venha cumprimenta-la.
Eu não sabia que prisioneira agora poderia ser classificada como hospede. – eu penso sarcasticamente.
Rebekah entra na sala neste instante e a me ver seu semblante se fecha em aborrecimento obvio.
– O que ela está fazendo aqui? Tomando reféns meu caro irmão?
– Bem, é quase uma questão de refém. – zombou Klaus antes de virar seu olhar frio em minha direção. – Elena terá alimentos, roupas e um quarto confortável. – ele sorriu maliciosamente. — Você pode fingir que está hospedada em um hotel. – ele disse para mim. – Só que sem a possibilidade de sair.
– Por que você trouxe Elena aqui contra a sua vontade? – uma voz sedosa perguntou.
Elijah.
Relaxei um pouco com sua presença. Nós tínhamos formado um respeito mutuo um pelo outro, apesar de ter sido sempre difícil de dizer onde estava a sua lealdade. Elijah sempre colocou sua família em primeiro lugar, não importa em que circunstância.
– Agora Rebekah, por favor, leve Elena a um dos quartos de hospedes. Não há necessidade de masmorras, visto que ela não irá a lugar nenhum. – olhei em pânico ao ver o sorriso sádico no rosto de Rebekah. – Elena é para permanecer ilesa até que eu diga o contrario.
O sorriso de Rebekah caiu.
– Me acompanhe Elena. – disse Rebekah sublinhando todo seu ressentimento e raiva enfaticamente ao pronunciar meu nome.
Olhei para Elijah. Uma suplica silenciosa em sua direção, mas ele apenas me olhava indiferente.
E antes que eu me desse conta eu estava sendo praticamente arrastada pela vampira loira Original.
Notas finais
Eu quero perguntar... Sei que muitas das pessoas acham a mudança de povs no mesmo capítulo confuso, então me avisem se isso ocorreu e então eu vou tentar maneirar e deixar para colocar apenas dois povs de cada vez, só que isso vai diminuir os capítulos...
Enfim...
Espero que tenham gostado. Reviews? Recomendações? Ambas são bem vindas e me anima bastante.
Beijos.
Josi ♥
Notas da Alissinha : Uiiii demorou mais voltou pegando fogo!!!
Nem falo que eu já estou doida pra saber onde isso vai dar... que mente em Josi kkk
Kisses e até a próxima !!!!!!!
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